Gestão


O interessante artigo A ITIL E A ISO/IEC 20000 – O que elas têm em comum?, por Luciene Rosa, publicado em 11 de janeiro no portal de conteúdo da empresa Módulo, aborda e correlaciona dois dos principais modelos amplamente reconhecidos para o Gerenciamento de Serviços de TI (GSTI): ITIL e ISO 20000.

ITIL — Information Technology Infrastructure Library — é um conjunto de melhores práticas aplicáveis a infraestrutura, operação e manutenção de serviços de tecnologia da informação (TI). Foi desenvolvido no final dos anos 1980 pela CCTA (Central Computer and Telecommunications Agency) e atualmente está sob custódia do OGC (Office for Government Commerce) da Inglaterra.

Já a NBR ISO/IEC 20000 — Tecnologia da Informação - Gerenciamento de serviços — é a primeira norma internacional que visa definir um padrão mundial para o GSTI, através da uniformização dos conceitos e da visão dos processos que o implementam. Oriunda do padrão britânico BS 15000, foi evoluída para norma internacional pelo ISO/IEC em 2005, e publicada em português no Brasil pela ABNT em 2008.

Ficou de fora do artigo citado o modelo COBIT — Control Objectives for Information and related Technology — publicado pelo IT Governance Institute (ITGI), Information Systems Audit and Control Association (ISACA), EUA, que tem foco na gestão dos serviços de TI, abordando aspectos como controle, segurança e governança nos domínios de planejamento e organização, aquisições e implementação, entrega e suporte, e monitoramento e avaliação.

Para saber mais: referências sobre Governança e Gerenciamento de Serviços de TI, por Márcio d’Ávila.

Um pouco de história

Creio que nada foi tão importante para a cultura, o avanço do conhecimento humano e a preservação da história da humanidade quanto a evolução da escrita. Das pedras da pré-história, ao papiro (Egito, terceiro milênio A.C.) e ao pergaminho, e daí chegando ao papel (China, século II).

Veio então a mecanização com a imprensa de Gutenberg (século XV) como veículo de massa, seguida da máquina de escrever (século XVIII) que tornou essa mecanização pessoal. No final dos anos 1940 a fotocópia (xerografia) popularizou a cópia fiel de documentos e o fax (facsimile) introduziu até a transferência remota de documentos através da rede telefônica.

E finalmente chegou a era dos computadores no século XX. No início, acreditava-se que o consumo de papel diminuiria bastante, pois ele teria ficado obsoleto. No entanto, na prática tem ocorrido o inverso: a cada ano, o consumo de papel tem sido maior. A máquina de escrever foi substituída pela dupla computador e impressora, e isso só aumentou a escala de uso do papel.

Junto com a era digital evoluiu toda a multimídia, inclusive áudio e vídeo. As fotos e imagens já se popularizaram fortemente no meio digital, e o filme de fotografia já está obsoleto. Mas o livro eletrônico e o papel digital ainda não são realidade para as massas.

A cultura do papel

Em tempos de sustentabilidade ecológica e social e da tecnologia como instrumento de aceleração do progresso, há forte motivação para redução do papel: A preservação das árvores (fonte da matéria prima celulose); a desburocratização e o imenso acúmulo de papel em instituições privadas e governamentais; a velocidade e a praticidade do meio digital como forma de armazenamento, recuperação e transmissão de informação.

No Brasil, já temos imposto de renda eletrônico via internet, o voto eletrônico, a nota fiscal eletrônica, o processo judicial eletrônico, o e-CPF e o e-CNPJ. Convenhamos, as iniciativas rumo à sociedade digital são muitas.

Mas cultura e os hábitos do papel, ampla e profundamente entranhados na humanidade há milhares de anos, não mudam fácil.

O correio eletrônico é a carta digital, mas ainda hoje muita gente imprime uma mensagem de e-mail ou outro texto digital apenas para ler, pois “é mais cômodo ler no papel do que na tela do computador”.

A tecnologia da assinatura digital, que permite dar validade oficial, legal e/ou jurídica a documentos eletrônicos já existe e está bem estabelecida desde o final da década de 70, mas ainda é tão desconhecida quanto cabeça de bacalhau para a grande maioria das pessoas. E mesmo a maioria dos que conhecem e usam ainda desconfiam.

Caminho tortuoso

Nas ferramentas digitais, há o scanner para digitalização. Em tese, o scanner é uma forma fácil de tornar digital qualquer legado existente em papel. Na prática, estabelecer um processo de trabalho e uma cultura adequados à lida com documentos digitais tem muito mais peso. O scanner pode se tornar um elemento a mais no emaranhado de ferramentas e recursos que, não raro, acabam por confundir as pessoas e/ou complicar o cenário de lidar com informação e documentos digitais.

Hoje, a maior parte dos documentos é confeccionado digitalmente em um editor de texto, no computador. Mas pode seguir caminhos estranhamente tortuosos a partir daí, como ser impresso, assinado no papel, transmitido por fax (e impresso de novo no destino), fotocopiado e, até, eventualmente, digitalizado para voltar ao computador, quem sabe daí ser transmitido por e-mail como uma imagem ou um arquivo PDF. Chega-se até ao luxo de recorrer ao OCR, a tecnologia de reconhecimento ótico de caracteres em documentos digitalizados como imagem, para converter em… texto como nasceu na origem, naquele editor de texto onde foi confeccionado, lembra?

Pesquisa recente da AIIM, associação internacional independente que promove o gerenciamento de documentos e de conteúdo, perto de 51% dos documentos em papel escaneados pelas organizações nascem digitais, tendo sido impressos diretamente de uma aplicação em computador. O estudo também apontou que 25% dos documentos digitalizados foram fotocopiados antes de ser enviados ao scanner, e que só 31% do total foram destruídos após digitalizados.

Além de comprovar que a situação tortuosa que descrevi, apesar de parecer ridícula, está bem perto do real, a pesquisa retrata objetivamente a relutância e dificuldade das organizações em lidar com o documento digital e em perder de vista (fisicamente falando) os seus documentos importantes.

Há ainda questões controversas sobre o documento digitalizado — a partir de original em papel — não ser legalmente presumido autêntico, tal que o papel possa ser eliminado. A Lei Federal nº 11.419/2006, que instituiu o processo judicial eletrônico no Brasil, teve que definir condições específicas em que os documentos produzidos eletronicamente serão considerados originais para todos os efeitos legais (Art. 11 e seus parágrafos), prevendo inclusive a destruição de citação, intimação ou notificação praticada em papel e digitalizada (Art. 9º § 2º).

Preservação e futuro

E como preservar o documento digital? O papel (e seus antecessores) tem permitido preservar o conhecimento e a história da humanidade por milhares de anos. Mas em um mundo da tecnologia em constante ebulição, ainda é um desafio para especialistas, governos e organizações garantir padrões, condições e recursos para a preservação e efetividade do conteúdo digital por centenas e milhares de anos.

Nesse cenário, meu sonho de consumo, como adepto fervoroso da tecnologia, é ver toda essa tecnologia, cultura e hábitos do conteúdo digital estabilizada, disseminada e aceita na cabeça e no dia-a-dia de todos, de forma simples, efetiva, duradoura e natural.

Finalmente! Esperava pela atualização das análises do mercado de ECM pelos principais institutos, desde a aquisição da Vignette pela Open Text, e foram publicados o Quadrante Mágico do Gartner, e o Forrester Wave, para 2009.

No que os dois relatórios 2009 tem consenso: EMC, IBM, Oracle e Open Text mantém forte liderança nesse mercado.

No que divergem: Para o Forrester, Microsoft avança e ganha momento mas tem diversas lacunas de funcionalidade, se posicionando apenas como forte competidor. Além disso, por seus critérios Hyland e HP são alternativas competitivas no nicho de conteúdo transacional e de negócios, sendo competentes em document management, imaging and capture, e records management; mas ficam devendo forte suporte em áreas como Web (WCM), document output management e digital asset management. E o open source Alfresco, embora mais atrás, tem aumentado sua amplitude na cobertura de ECM para desafiar os players proprietários como alternativa de baixo custo.

Já no critério do Gartner, Microsoft se posiciona tão líder quanto os outros quatro grandes, e Hyland (OnBase) e Autonomy (que adquiriu a Interwoven em março 2009) são respectivamente um desafiante e um visionário muito próximos de adentrarem o quadrante líder.

ecm forrester wave 2009 - Forrester Wave ECM 2009

Fonte: Forrester, The Forrester Wave™: Enterprise Content Management Suites, Q4 2009 [PDF]; 2009-11-12; por Stephen Powers, Brian W. Hill, and Craig Le Clair; para profissionais de Information & Knowledge Management; reproduzido por Oracle.

ecm gartner quadrante 2009 - Quadrante Mágico Gartner ECM 2009

Fonte: Gartner, Quadrante Mágico para Enterprise Content Management, 2009 [PDF]; 2009-10-15; por Toby Bell, Karen M. Shegda, Mark R. Gilbert, Kenneth Chin, Mick MacComascaigh; reproduzido por EMC, também por Oracle.

Veja também o relatório do instituto Datamonitor Documents and Records Management: An Analysis of Market Trends to 2013 (Strategic Focus), fevereiro 2009, em Scribd.

Records Management / Gestão Arquivística Documental

No meio do ano o Forrester já publicara uma análise específica sobre os fornecedores de soluções em Records Management (RM), que em português podemos chamar de Gestão Arquivística de Documentos (GAD). GAD/RM é um dos componentes do universo de ECM.

De acordo como normas como o padrão internacional ISO 15489:2001 - Information and documentation — Records management Part 1: General e Part 2: Guidelines (originário do Padrão Australiano - AS), assim como normas e legislação do Brasil, os documentos arquivísticos são a informação registrada, produzida e recebida no decorrer das atividades de um órgão, entidade ou pessoa, dotada de organicidade e que sirva de prova dessas atividades. Os documentos e arquivos podem ser públicos (relativos ao poder, órgãos, agentes, empresas e serviços públicos) ou privados.

E a gestão arquivística consiste nos procedimentos referentes à produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento destes documentos em fase corrente e intermediária, visando a sua eliminação ou recolhimento para guarda permanente. (Resolução nº 20 Conarq, Art. 1º) Um elemento essencial para a gestão arquivística é a manutenção e aplicação de uma tabela de classificação (por assunto), temporalidade e destinação (ciclo de vida) de documentos.

Os quatro grandes de ECM também se posicionam na liderança desse segmento, mas existem outros dois líderes até mais fortes que os demais quando o foco é RM/GAD: Computer Associates (CA) e Autonomy (baseada na aquisição da Meridio em 2007).

gad forrester wave q2 2009 - Forrester Wave Records Management Q2 2009

Fonte: Forrester, The Forrester Wave™: Records Management, Q2 2009 [PDF]; 2009-06-23; por Brian W. Hill; para profissionais de Information & Knowledge Management; reproduzido por Oracle.

A área de Records Management nos Estados Unidos é muito direcionada em torno dos padrões de conformidade exigidos pelo Departamento de Defesa Americano (DoD). Mas os fornecedores de GAD também tem buscado certificação aderente aos dois mais proeminentes modelos mundiais: o Victorian Electronic Records Strategy (VERS) do Governo Australiano, e o MoReq2 - Model Requirements for the management of electronic records Europeu.

gad forrester certif 2009 - gad forrester certif 2009

O MoReq2 é originário do modelo inglês MoReq. Estes modelos foram a base de referência para o padrão brasileiro e-ARQ Brasil [PDF] do CONARQ - Conselho Nacional de Arquivos, bem como o recente MoReq-Jus - Modelo de Requisitos para Sistemas Informatizados de Gestão de Processos e Documentos do Poder Judiciário do CNJ - Conselho Nacional de Justiça.

Para saber mais:

No relatório Gartner Perspective: IT Spending 2010 (PDF, em inglês, disponível mediante registro gratuito), o Gartner apresenta os resultados dos seus forecasts sobre gastos com TI para 2010 em todo mundo, incluindo visões segmentadas por área (hardware, software, telecomunicações e serviços), região do mundo, mercado vertical (financeiro, setor público, manufatura, comércio, serviços…).

Depois de um 2009 que sofreu globalmente aperto e encolhimento com a crise desencadeada com as quebras da Bolsa de NY no final de 2008, as perspectivas para 2010 são de retomada de crescimento do mercado e dos investimentos em TI no mundo, com especial fôlego na América Latina, certamente encabeçado pelo próspero momento do Brasil. A previsão de crescimento nos gastos de produtos e serviços de TI para usuários finais em 2010 é de 8,8% para a América Latina, ante à média total de 3,3% no mundo.

Mas o que mais me chamou a atenção na seção conclusiva CIO Agenda 2010, por Mark McDonald, Vice-Presidente do Grupo e Chefe da Pesquisa do Gartner Executive Programs, foi o ranking das Top 10 Prioridades em Negócios. Veja as três primeiras:

  1. Melhoria de processos de negócio
  2. Redução dos custos
  3. Melhoria de efetividade na força de trabalho

Ou seja, a prioridade da TI é aumentar a eficiência. Fazer mais e melhor com menos. Creio que foi essa a grande marca e lição que a crise deixou.

Por falar em momento próspero do Brasil, eu gostaria de citar um fato relevante. A mais influente revista de negócios do mundo, The Economist, e a revista semanal de maior circulação no Brasil, Veja, ambas tiveram recentes reportagens de capa (note a similaridade das ilustrações) sobre o momento favorável do Brasil. É algo notável e a hora é essa!

TheEconomist 2009 11 Brazil takes off - The Economist - 2009/11 - Brazil takes off
Veja 2009 11 Carreira - Veja - 2009/11 - Carreira: Agora é com você!
The Economist - O Brasil decola, 2009-11-12, reportagem especial (em inglês) de 14 páginas sobre a história de maior sucesso na América Latina.

 
Veja - Carreira: Agora é com você! - O Brasil decolou e as oportunidades estão aí, 2009-11-11, reportagem especial Vocações de 41 páginas.

Hoje assisti uma palestra da Rita Mulcahy no 4º Congresso Brasileiro de Gerenciamento de Projetos, que está ocorrendo em Belo Horizonte, MG, promovido pelos Capítulos Brasileiros do PMI, sob a coordenação do Capítulo Minas Gerais (PMI-MG) e do PMI - Project Management Institute.

Rita é autora do mais conceituado treinamento e material didático preparatório para a certificação PMP (no Brasil, sua empresa RMC tem a Project Lab como representante).

Mas a palestra, super divertida e inusitada, não foi nada sobre certificação ou os assuntos usuais das disciplinas do gerenciamento de projetos.

Fazendo um gancho com sua nova marca de material Tricks of the Trade, Rita falou sobre como o gerente de projetos deve lidar com problemas.

Algumas coisas que ela falou vem de encontro a algo que eu gostaria de abordar há algum tempo aqui no blog.

Rita Mulcahy ressaltou que gasta-se muito tempo e energia para lamentar um problema. Também fez a sua definição sobre o que ela entende ser problema. Em uma tradução livre, é mais ou menos isso: “Problema é a diferença negativa entre o que se deseja/espera o que se (ob)tem.” Rita afirma que o mais importante não é o problema em si, mas como você o percebe e aborda.

Mais do que lidar com problemas, eu vou além. Uma capacidade valiosa do profissional de hoje é ter o foco na solução.

Como disse a Rita, lamentar problemas consome muito tempo e energia preciosos. E de forma infrutífera. E acrescento, com pesar: Em qualquer situação na vida pessoal ou no trabalho, em geral é fácil encontrar pessoas que apontam, criticam e amarguram problemas à exaustão. Algumas chegam a ter o senso aguçado de antever e detalhar as mais remotas consequências prováveis de um problema, falha, risco, receio ou até mera especulação.

O que estas pessoas não percebem é que focar com tanta intensidade as energias no problema — talvez momentaneamente tentando servir como desabafo? — não ajuda em nada a resolvê-lo. O foco no problema é uma atitude profundamente negativa. Só aumenta o estresse.

Realmente útil é a qualidade magistral de ter o foco na solução. Para mim, focar na solução é, tão logo se identifique um problema — e preferencialmente também sua(s) causa(s) — imediatamente concentrar toda a energia, tempo e intelecto em buscar uma solução para esse problema! É ser positivo, de forma prática e pragmática.

Parece simples, mas minha experiência pessoal mostra que infelizmente ainda são raras as pessoas que “treinam e calibram” sua mente para manter o foco em soluções.

Seja em uma reunião de trabalho ou familiar, e até em volta de uma mesa de bar, a maioria das pessoas tende a uma postura crítica e negativa ao discutir qualquer assunto, com foco no problema. E custa haver um iluminado que seja para engrenar qualquer ideia ou sugestão rumo à solução.

Rita Mulcahy também dá dicas que ajudam a orientar o foco na solução: Liste os problemas, para trazer clareza e objetividade ao cérebro. Liste também as coisas que estão indo bem, para retomar serenidade e ânimo. E trate de começar a buscar soluções!

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