Tecnologia


Sem Plug-insRemonta à época do velho navegador internet Netscape a ideia de se definir uma API aberta de plug-ins para integrar tratamento de conteúdos e mecanismos específicos ao navegador, como vídeos, animações, gráficos vetoriais, PDF, aplicações dinâmicas etc., de forma que o os mecanismos nativos do navegador se concentrassem em navegação e exibição de páginas da “World Wide Web”. Isso fazia muito sentido naqueles anos 90.

E até agora, praticamente todos os navegadores populares da atualidade, em sistemas operacionais desktop como Windows, Linux e MacOS, ainda implementavam a arquitetura de plug-ins multi-plataforma denominada Netscape Plugin Application Programming Interface (NPAPI).

Contudo, no longo caminho de mais de 20 anos de evolução desde os idos do Netscape até hoje, e mais intensamente nos últimos anos, a necessidade de plug-ins vem decrescendo. E a tendência iminente é chegar a zero!

Este artigo busca um retrospecto e referências dos principais aspectos, contextos e fatos envolvidos na decadência dos plug-ins de navegadores.

Recursos nativos

Os navegadores e os padrões da web vem evoluindo para incorporar cada vez mais recursos nativos para conteúdo dinâmico, rico e interativo. Citemos alguns marcos importantes:

Ajax e Rich Internet Applications (RIA)

Os padrões de JavaScript, CSS (estilos), DOM (modelo de objetos das páginas web para manipulação programática, especialmente via JavaScript) evoluíram muito para suportar cada vez mais interatividade e experiência rica (RIA) nas páginas web, com destaque par a popularização do Ajax e de frameworks de programação web poderosos como jQuery e AngularJS, só para citar alguns. Veja por exemplo meu artigo Ajax e RIA – Radar do mercado, de mai/2011.

HTML5

O padrão HTML5 (desenvolvimento iniciado em 2007/2008 e recomendação oficial do W3C concluída em 2014-10-28, especificação liderada por Ian Hickson da Google), suportado por todos os principais navegadores da atualidade, incluiu elementos nativos para incorporação de multimídia como vídeo, áudio e legendas, equações matemáticas (MathML), gráficos vetoriais (SVG), canvas gráficos 2D (bitmaps dinâmicos) e 3D (WebGL) etc. diretamente em páginas web. Isso dispensa o uso de plug-ins antigamente utilizados para integrar com visualizadores multimídia do sistema operacional como Apple Quicktime, Windows Media Player ou VNC.

Referências sobre HTML5 e seus recursos nativos:

PDF

Mozilla Firefox, Google Chrome e Microsoft Edge atualmente incluem visualizadores nativos de documentos PDF. Isso dispensa o plug-in integrando o Adobe Acrobat Reader. O Chrome oferece também recurso nativo para Salvar como PDF páginas web, ao invés de imprimir.

A Adobe alega que o Acrobat Reader garante melhor experiência do usuário e garante total compatibilidade com o formato PDF, evitando erros e problemas na utilização de recursos avançados. Vários navegadores, mesmo possuindo visualizador nativo, oferecem alternativa de configurar o Adobe Acrobat Reader para abrir documentos PDF. Veja também Change in support for Acrobat and Reader plug-ins in modern web browsers, na base de conhecimento de Ajuda da Adobe.

Extensões ou complementos nativos do navegador

O modelo de extensões ou complementos específicos para os principais navegadores, disponibilizadas para baixar em repositórios ou “lojas” (Mozilla Add-ons, Google Chrome Web Store etc.), permite incorporar novas funcionalidades e comportamentos específicos aos navegadores como componentes adicionais nativos.

A era dos dispositivos móveis

E veio a era dos dispositivos móveis (smartphones e tablets), memória RAM e telas menores que os desktops, interação fortemente baseada em toque direto na tela, e em sua maioria com sistemas operacionais Google Android ou Apple iOS.

Com as diferenças e limitações de hardware, sistema operacional e software dos dispositivos móveis, em geral os aplicativos para estes dispositivos são mais enxutos e especializados. A consequência é que os navegadores internet para smartphones e celulares em geral não suportam mecanismos de plugin.

Depois da versão 11.1 do Adobe Flash Player em set/2013, a Adobe deixou de publicar Flash Player para browser em dispositivos móveis Android. No iOS, em meio a alegações controversas desde uma declaração Thoughts on Flash de Steve Jobs em abr/2010, o Flash nunca foi suportado nos dispositivos móveis da Apple. No Android, o Flash Player deixou de ser disponibilizado no Google Play Store; em Android 4 e inferior, ele só pode ser instalado manualmente diretamente a partir do repositório arquivado da Adobe.

Referências:

A extinção do NPAPI

Microsoft

O Microsoft Internet Explorer 5.5 SP2, em ago/2001, já havia descontinuado o suporte ao protocolo NPAPI, deixando de suportar os plug-ins no estilo Netscape em favor da integração via tecnologia ActiveX, introduzida desde o Internet Explorer 3, conforme artigo #30341 da base de conhecimento de suporte Microsoft.

O novo navegador Microsoft Edge introduzido no Windows 10, por sua vez, descontinuou também o suporte à tecnologia ActiveX. Veja A break from the past, part 2: Saying goodbye to ActiveX, VBScript, attachEvent…, 2015-05-06, por Microsoft Edge Team, em Windows Blog.

Google

Em setembro de 2013, Justin Schuh, Engenheiro de Segurança e Planejador de Obsolescência de Plug-in da Google, publicou no Chromium Blog que a arquitetura anos-90 do NPAPI se tornara causa frequente de travamentos, falhas, incidentes de segurança e complexidade de código; por causa disso, Chrome iria gradualmente reduzir o suporte a NPAPI a partir do ano seguinte.

Como evidência de que a web estava pronta para essa transição, Schuh apresentou dados baseados nos dados anônimos de uso coletados pelo Chrome indicando que à época apenas seis plug-ins haviam sido usados por mais de 5% dos usuários no mês anterior: Silverlight (15%), Unity (9,1%), Google Earth (9,1%), Java (8,9%), Google Talk (8,7%) e Facebook Video (6%).

Em artigo de atualização de novembro de 2014, com os dados indicando que o uso de NPAPI continua em queda, a Google apresentou a contagem regressiva para o NPAPI, com todos os plugins passando a ser bloqueados por padrão em jan/2015, depois o suporte a NPAPI desabilitado por padrão em abr/2015 (o que efetivamente ocorreu no Chrome 42) e, por fim, o suporte a NPAPI sendo permanentemente removido do Chrome em set/2015 (Chrome versão 45). Assim ocorreu.

Mozilla

Em 8 de outubro de 2015, Benjamin Smedberg, gerente de engenharia de qualidade do Firefox na Mozilla, publicou um anúncio sobre plugins NPAPI no Firefox: a Mozilla pretende remover o suporte a plugins NPAPI no Firefox até o fim de 2016. Apenas o suporte a Adobe Flash deve ser mantido em caráter excepcional. Novas plataformas como o Firefox 64-bits para Windows já nascem sem suporte a plugins.

Similar à Google, Smedberg também justifica que com a evolução dos browsers e da Web, muitos recursos que antes requeriam plugins estão agora disponíveis nativamente. E que com a velha NPAPI, plug-ins são fonte de problemas, travamentos e incidentes de segurança para os usuários.

Firefox começou este processo vários atrás, com o mecanismo de ativação manual de plugins, permitindo que usuários ativem um plugin apenas quando necessário. Smedberg cita que a decisão da Mozilla espelha a de outros navegadores modernos, como Google Chrome e Microsoft Edge, que também removeram suporte a plugins legados.

Os remanescentes e os novos movimentos

Quatro plug-ins para incorporação de aplicações dinâmicas avançadas ainda merecem destaque: O Adobe Flash Player, o Java Plug-in, o Microsoft Silverlight e o Unity 3D. Vamos avaliar a situação e tendência para cada um deles.

Flash

O Adobe Flash é a única tecnologia complementar que ainda persiste, praticamente unânime, largamente utilizada para vídeos em fluxo (streaming), jogos e animações em sites web, com forte intenção de continuidade de suporte pelos principais navegadores.

A Google trabalhou em conjunto com a Adobe para integrar Flash Player built-in no Google Chrome, inclusive com atualizações automáticas, sem a necessidade do usuário baixar manualmente. O Flash Player embutido no Chrome utiliza Pepper Plugin API (PPAPI), um sistema mais novo e seguro de integração de plug-ins desenvolvido pela Google a partir de 2009.

O Internet Explorer 5.5 em diante passou a integrar o Flash Player via ActiveX (a instalação da Adobe fornecia um plug-in ActiveX especialmente para o IE) e, com o dessuporte do ActiveX no novo navegador Microsoft Edge, este passa a integrar o Flash Player nativamente, similar ao Chrome.

No artigo NPAPI Plugins in Firefox, de out/2015, a Mozilla informa que com a descontinuidade do NPAPI em 2016, o suporte a Flash será mantido como uma exceção, sem ainda revelar detalhes técnicos, mas anuncia que Mozilla e Adobe vão colaborar para melhorar a experiência do Flash no Firefox, incluindo estabilidade, desempenho e segurança.

Java

O uso de applets Java integradas ao navegador tem tido um universo mais especializado de aplicações. Tirando proveito do poder e abrangência de aplicações Java capazes de lidar com todo tipo de recurso no computador, no Brasil posso citar pelo menos dois grandes exemplos:

O plug-in Guardião de Segurança antifraudes durante as transações on-line (internet banking), desenvolvido pela GAS Tecnologia e utilizado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander, recorreu a applet Java para seus propósitos.

No Poder Judiciário, as aplicações web de processo eletrônico, como o Processo Judicial Eletrônico (PJe) instituído nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tem usado intensamente applet Java para acessar o certificado digital de pessoa no computador do usuário, para assinar digitalmente documentos eletrônicos e/ou para autenticação segura.

Com o fim do suporte a NPAPI já ocorrido no Chrome 45 (set/2015) e iminente no Firefox (dez/2016), que era o mecanimo de integração do Java plug-in nestes navegadores, a Oracle recomenda, no curto prazo, os usuários migrarem para Internet Explorer (Windows, que integra o Java plug-in via ActiveX) ou Safari (MacOS X, que ainda suporta NPAPI) para acessar aplicações Java através do navegador. E de forma mais definitiva, orienta os desenvolvedores a migrar as applets Java para aplicações Java Web Start, que podem ser disparadas através do navegador via protocolo Java Network Launching Protocol (JNLP), mas executam como aplicações desktop independentes no Rumtime Java SE e não interagem com o navegador depois de iniciadas.

Microsoft Silverlight

O Silverlight é uma tecnologia da Microsoft baseada em .NET Framework, que nasceu em 2007 aparentemente para concorrer com o Flash da Adobe, e que já teve sua descontinuidade anunciada na versão 5 com o fim do suporte pela Microsoft em 2021. Nesse meio tempo, um grande adepto do Silverlight foi o serviço Netflix de filmes e séries pela internet, que tirou proveito do controle de conteúdo protegido por direitos autorais (DRM) do Silverlight para reproduzir os vídeos em desktop Windows e MacOS. O Silverlight plug-in se integra ao navegador via NPAPI ou, no Internet Explorer, ActiveX. Como o Edge não suporta nenhuma das duas tecnologias de plug-in, o Silverlight não é compatível com o novo navegador da Microsoft.

Com a descontinuidade do Silverlight em 2021, a Netflix anunciou desde 2013 que pretende migrar para vídeo HTML5 com Premium Video Extensions nos computadores desktop. Em dispositivos móveis, smart TVs e consoles de jogos, a Netflix já possui seu próprio aplicativo dedicado e não depende de navegador.

Unity 3D

https://blog.mozilla.org/futurereleases/2015/10/08/npapi-plugins-in-firefox/

“As part of our plugin strategy, Mozilla and Unity are proud to jointly announce a close collaboration and an aligned roadmap that will enable Unity-based content to be experienced directly in the browser without plugins. As this technology continues to evolve, Unity has announced an updated roadmap for its Web Player technology.”

Conclusão

Com a popularização de marcos tecnológicos como Ajax, HTML5 e dispositivos móveis, o uso de plug-ins nos navegadores web perdeu fortemente o sentido. Acrescente-se a isso a extinção do suporte à velha arquitetura de plug-ins NPAPI por dois dos navegadores mais utilizados (Chrome e Firefox, além do IE e Edge) até 2016.

Somente o Adobe Flash, por sua grande popularidade em conteúdos web e experiência de usuários, tem sido tratado de forma excepcional pelos fornecedores de navegadores com estratégias para manter sua compatibilidade.

Desenvolvedores de aplicações internet e provedores de conteúdo devem repensar profundamente suas estratégias de integrar conteúdo e aplicações às páginas web mais adequadas aos tempos atuais, deixando para trás a era dos plug-ins.

Em 1º de setembro de 2015, mesmo dia em que o lançamento da versão 45 do navegador Google Chrome encerrou a compatibilidade com plugiins NPAPI (em especial Oracle Java e Microsoft Silvelight), a Google lançou uma atualização da identidade visual de sua logomarca, incluindo novo ícone.

Logotipo Google

Google Logotype

Um logotipo em fonte sem serifa mantendo a sequência multi-cor característica da Google.

Google dots

Google Dots

Uma destilação dinâmica do logotipo para momentos interativos, assistivos e transicionais.

Ícone Google G

Google G

Uma versão compacta do logo Google que funciona em pequenos contextos, como ícone.

Para saber mais:

[Atualizado em 18 de dezembro de 2014.]

Desde a versão 6 do Java, a Oracle começou a oferecer a instalação do software Ask de buscas patrocinadas na internet (ou seja, um adware), durante a instalação do runtime Java. E essa “oferta” insistente e vergonhosa aparece não só na instalação inicial do Java, mas em toda atualização on-line.

A página de ajuda (FAQ) do Java na Internet apenas define vagamente o seguinte:

“A Ask Toolbar é um add-on de browser gratuito que permite fazer pesquisa na Web usando o mecanismo de pesquisa Ask.com diretamente do browser.”

As ferramentas oferecidas para instalação junto com o Java são a Ask Toolbar, uma barra de ferramentas instalada como extensão nos navegadores internet, e a alteração da configuração dos navegadores instalados para que o mecanismo de busca padrão seja da Ask.com. Obviamente são buscas patrocinadas, ou sejam, que levam a resultados muitíssimo piores que os da busca do Google ou mesmo do Bing, e infestados de resultados patrocinados, onde o que mais interessa é gerar rendimento para a Ask, e não apresentar ao usuário resultados relevantes. Ou seja, o tipo de software — em geral indesejado — que é conhecido como adware.

Será realmente que um dos principais mecanismos de runtime de aplicações ricas na Internet como o Java, e uma hiper-mega-corporação global como a Oracle precisem de dinheiro extra pela revenda de patrocínio através da Ask para sustentar a distribuição e disseminação do Java? Será que realmente vale a pena associar o nome de uma empresa sólida como a Oracle e uma plataforma séria e tradicional (desde 1995!) como o Java, a um questionável adware??? Sinceramente, acredito que não!

Existe até uma petição pública (abaixo-assinado) na Internet para que a Oracle pare de distribuir o Ask na instalação do Java: Oracle Corporation: Stop bundling Ask Toolbar with the Java installer.

É fácil evitar a instalação do Ask, bastando desmarcar a opção na tela própria do assistente de instalação do Java as opções que vem marcadas por padrão:

Oferta para instalar o complemento de navegador da Ask

Mas como a maioria dos usuários não presta atenção e às vezes até não entende bem as opções, e simplesmente vai clicando “Avançar” até a conclusão da instalação, muitos acabam tendo instalada a extensão da Ask. Depois podem se assustar quando tentam fazer uma pesquisa na Internet e veem a página de resultados da Ask, sem nem se lembrarem de como isso foi parar ali!

Mesmo depois de instaladas as extensões da Ask, há opção de desinstalar o software pelo Painel de Controle do Windows, mas mais uma vez muitos usuários mais leigos ou desavisados sequer sabem disso ou procuram essa opção.

Lendo uma atualização de 12/12/2014 no site do abaixo-assinado contra o Ask ToolBar, descobri que a partir do Java 7 Update 65 (7u65) e Java 8 Update 11 (8u11) a Oracle passou a disponibilizar, no Painel de Controle Java, guia Avançado, opção que pode ser marcada para Suprimir ofertas de patrocinadores ao atualizar o Java.

Painel de Controle Java, guia Avançado, opção Suprimir ofertas do patrocinador ao instalar ou atualizar o Java.

O FAQ (Respostas a Perguntas Frequentes) da Oracle sobre “Como eu instalo o Java sem ofertas de terceiro patrocinador” ainda apresenta outra alternativa, mais técnica, para evitar a instalação de software patrocinado na instalação é executar o instalador pela linha de comando (Prompt/Console, cmd, ou Iniciar > Executar) acrescentando o parâmetro SPONSORS=0. Segundo o artigo, esta opção já existia antes do Java 7u65 e 8u11, mas não deixa claro desde quando.

Uma entrada no fórum SuperUser, How can I prevent Ask.com Toolbar from being installed every time Java is updated?, ensina que há um jeito de se adicionar entradas no registro do Windows que desabilitam em definitivo as ofertas de patrocinadores durante a instalação de Java: desativa_patrocinio_java.reg

Também quando se baixa a versão off-line do instalador do Java Runtime (JRE), disponível em Java.com e em Oracle TechNet (encontrado a partir da página inicial Java SE Downloads), a oferta de instalação da ferramenta patrocinada Ask não aparece.

Mas, mais uma vez, a maior parte dos usuários comuns não sabe disso e nunca chegará a estas alterativas, infelizmente!

No artigo Soluto’s data raises questions about how Oracle manages Java do blog da empresa Soluto, de soluções para suporte remoto para PCs e iOS, o instalador do Java é responsável por cerca de 40% das instalações indesejadas da Ask Toolbar em seus clientes. Além disso, pelo menos 60% dos clientes da Soluto que tiveram o Ask instalado providenciaram a desinstalação, mostrando o quanto a ferramenta é indesejada. E a empresa acredita que a maior parte dos que ainda não desinstalaram a Ask Toolbar têm a intenção de fazê-lo.

Se você é usuário do Java, recomendo evitar a instalação da Ask Toolbar ou desinstalar se você também acha um software indesejado. Se você é um representante da Oracle, por favor leve nosso protesto a quem de direito para retirar esse maldito e vergonhoso patrocínio de uma vez por todas!

Para saber mais:

A tipificação específica de crimes cibernéticos no Código Penal brasileiro vem sendo debatida e proposta há mais de dez anos, sempre com polêmica e, até então, sem resultar em lei. No passado, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) foi relator de projeto de lei que tipificava vários crimes cibernéticos e ficou conhecido como “Lei Azeredo”. Eu ja havia abordado o assunto aqui no blog em 2007.

Mas como tudo no Brasil só gira em torno de celebridades e manchetes, o tema só decolou após o roubo de 36 fotos íntimas da atriz Carolina Dieckmann, que foram parar na internet. A polícia identificou quatro suspeitos de terem roubado as fotos do computador da atriz. Como ainda não há definição no Código Penal de crimes cibernéticos, os envolvidos foram indiciados por crimes convencionais como furto, extorsão e difamação.

Agora, a proposta apresentada em 2011 pelos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Luiza Erundina (PSB-SP), Manuela D’Ávila (PC do B-RS), João Arruda (PMDB-PR), além do suplente Emiliano José (PT-BA) e do atual ministro do Trabalho Brizola Neto (PDT-RJ), com o objetivo de substituir o projeto de Azeredo, foi aprovada e sancionada sem vetos pela Presidente Dilma Rousseff em 30 de novembro, como a Lei nº 12.737, publicada no D.O.U. de 03/12/2012 e conhecida como Lei “Carolina Dieckmann”.

A nova lei acrescenta artigos ao Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940), tipificando como crime: Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.”

Pelo parágrafo primeiro, “na mesma pena incorre quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta definida no caput.”

Outro artigo acrescido define, porém, que só se procede com ação penal nesse tipo de crime mediante representação do ofendido, salvo se o crime for cometido contra a administração pública, qualquer dos Poderes da República e empresas concessionárias de serviços públicos. Ou seja, se o ofendido (particular) não denunciar o crime, nada acontece.

A lei define também condições de agravamento dos crimes, e faz outras duas tipificações criminais. Primeiro, inclui no Art. 266 do Código Penal (Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico ou telefônico, informático, telemático ou de informação de utilidade pública) quem “interrompe serviço telemático ou de informação de utilidade pública, ou impede ou dificulta-lhe o restabelecimento”.

E, no Art. 298 do Código Penal (Falsificação de documento particular), tipifica a falsificação de cartão, acrescentando parágrafo que define “Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito.”

Em matéria no portal de notícias G1 da Globo.com, advogados especializados em crimes digitais ressaltam um ponto importante da nova lei. Como deve haver “violação de mecanismo de segurança”, invadir um computador sem antivírus nem firewall ativos, ou uma rede sem fio aberta sem ao menos uma senha definida, pode não caracterizar violação. Ou seja, se seu computador/tablet/smartfone/etc. é uma porta aberta sem nenhuma segurança ou proteção, nem essa lei dará amparo. Por isso, como sempre digo, proteja-se!

Para saber mais:

Quantas pessoas você conhece com cem anos de idade? Se essa meta de longevidade já é um desafio para o homem, mais ainda o é para empresas. Os números revelam o quanto isso é raro. Segundo análise da Standard & Poor’s Capital IQ para o noticiário USA TODAY, de um universo de mais de 5 mil empresas de capital aberto dos Estados Unidos, apenas 488 completaram 100 anos de idade, e somente 23 firmas americanas privadas (com declaração financeira auditada) tem 100 anos ou mais.

IBM 100 anos E é nesse raro universo que a IBM — International Business Machine — completou 100 anos de existência em 16 de junho de 2011.

Mais impressionante ainda é chegar ao centenário inteiríssima, com um valor de mercado de US$197 bi, o que faz da IBM atualmente a quinta empresa mais valiosa dos EUA — pouco atrás de Microsoft e bem à frente da Google (Financial Times US 500) –, e a 18ª no ranking anual Fortune 500 das maiores corporações da América para 2011 — a primeira no ramo de Tecnologia da Informação.

Quando se fala em tecnologia, a invenção do computador pessoal — ou Personal Computer, o famoso PC — pela IBM em 1981 já parece um passado remoto. Ter em 1913 sua máquina de tabulação Holerith em aplicação industrial, então, isso sim é história da tecnologia. E em 1917 a IBM chega ao Brasil, sendo a primeira filial fora dos Estados Unidos!

O senhor Thomas J. Watson assumiu a presidência da empresa em 1915. Em 1924, renomeou a empresa, de Computing Tabulating Recording Corporation (CTR) para International Business Machines (IBM). Seu lema sempre foi “THINK” (pense). A crença do senhor Watson é simples e profunda:

“Todos os problemas do mundo podem ser facilmente resolvidos, se as pessoas estiverem dispostas a PENSAR”.

Isso e muito mais está no vídeo IBM 100 × 100 (13 minutos), que pode ser visto legendado em português, em que 100 IBMers — com idades em ordem decrescente — contam fatos marcantes da empresa ocorridos no ano em que nasceram:


Fonte: IBM 100:100 x 100 — Um centenário de conquistas que mudaram o mundo (legendado em português), IBM Brasil em Youtube.

Em 100 anos de existência, a IBM soube evoluir não apenas a tecnologia mundial, mas o perfil da própria empresa, que passou pelas máquinas automáticas, grandes computadores, computadores pessoais e software, e hoje continua com produtos líderes de mercado, em famílias de software como Rational, WebSphere, Cognos, Tivoli, Lotus e FileNet, além de sistemas, servidores e storages de grande porte.

Parabéns IBM!

Para saber mais:

Lendo o artigo CHAOS Report: Métodos Ágeis Aumentam Taxa de Sucesso de Projetos, postado no Blog ScrumHalf em 11/02/2011, obtive os dados do mais recente relatório do Standish Group CHAOS Manifesto 2011, atualizado para dados sobre o sucesso e falha de projetos de TI da pesquisa realizada em 2010.

Em comparação com o relatório CHAOS Manifesto 2010, relatando a pesquisa realizada em 2008, a taxa de projetos rotulados como Sucesso aumentou de 32% para 37% enquanto a taxa de projetos rotulados como Fracasso diminuiu de 24% para 21%. A taxa de projetos com o rótulo de Deficit também reduziu de 44% para 42%.

A taxa de sucesso de 37% é a maior encontrada pelas pesquisas do Standish Group desde 1994.

Segundo o artigo, o Standish Group aponta quatro razões para a melhoria significativa encontrada em 2010 em relação a 2008:

  1. Processos Ágeis: A utilização desses processos cresce a uma taxa de 22% CAGR (Compound annual growth rate). Hoje representam 9% de todos os projetos de TI e são adotados em 29% do desenvolvimento de novas aplicações. O instituto conclui que o crescimento da taxa de sucesso está diretamente relacionado ao aumento da adoção de metodologias ágeis.
  2. Modernização: Esses projetos, que entre outros focam na conversão de código/banco de dados, tem taxa de crescimento anual menor do que a dos processo ágeis. Entretanto tem taxa de projetos rotulados como sucesso maior. O instituto conclui que isso acontece devido ao mecanicismo desses processos e de um ambiente relativamente mais homogêneo de perfil de profissionais.
  3. Pacotes Empresariais: O número de novos projetos de implantação de ERP e CRM diminuiu. Como, segundo o instituto, consistem em projetos de grande risco com resultados questionados, a diminuição de novas implantações contribuiu para aumentar a taxa de projetos rotulados como sucesso.
  4. Processos em Cascata: Consistem nos métodos tradicionais e já representaram quase 50% do número de novas implementações. Como crescem a 1% CAGR, sua utilização relativa diminuiu, contribuindo, assim, positivamente para a taxa de sucesso.

Estes dados me permitem autalizar o gráfico do artigo Sucessos e falhas em projetos de TI, postado exatamente um ano atrás. Agora ele fica assim:

No campo da Modernização, o Standish Group disponibiliza, na área de Amostra de Pesquisas (requer registro gratuito), o relatório NonStop Modernization (abril 2011) em que lista as prioridades de investimento em TI para 2011, The Standish Group’s annual Top 10 Areas of IT Investiments:

  1. Modernização de aplicações (SOA, BPM, etc.)
  2. Upgrade de infraestrutura (hardware, software)
  3. Melhoria da segurança
  4. Computação em nuvem (SaaS, Utility Computing)
  5. Desenvolvimento de novas aplicações
  6. Capacitação da equipe
  7. Disponibilidade de aplicações e sistemas
  8. Conformidade e governança
  9. Consolidação e otimização
  10. Presença web e comércio eletrônico

E destaca os Três Conceitos e Seis Passos para a Modernização Contínua:

Conceitos:

  1. Compreender seu projeto de modernização e o ambiente deste: a organização deve dominar o projeto de evolução que vai executar, compreender seus custos, riscos e benefícios, as diferentes opções e suas implicações, e deve ter um plano claro para seguir e guiar sua condução.
  2. Refatorar: Standish Group estima que cerca de 80% dos recursos e funcionalidades de uma típica aplicação missão-crítica não são usados; deve-se, portanto, remover as partes não utilizadas antes de se migrar programas, evitando esforço inútil.
  3. Modernizar a infraestrutura: atualizar hardware defasado e proprietário para sistemas blade comuns, aumentando a consolidação e trazendo mais simplicidade e flexibilidade.

Passos:

  1. Modernize o banco de dados
  2. Modernize a experiência do usuário
  3. Modernize a aplicação
  4. Modernize a disponibilidade
  5. Modernize a segurança
  6. Modernize a operação

Quanto aos processos ágeis, é interessante citar que o Manifesto Ágil completou 10 anos em 2011. Para abordar os desafios encarados por desenvolvedores de software, um grupo inicial de 17 metodologistas formou a Agile Alliance, em fevereiro de 2001. Este grupo formulou um manifesto para encorajar melhores maneiras de se desenvolver software, e baseado nesse manifesto definiu quatro valores e doze princípios que formam os fundamentos do movimento ágil.

Os quatro Valores do Manifesto Ágil:

  • Indivíduos e interações acima de processos e ferramentas;
  • Software funcionando acima de documentação abrangente;
  • Colaboração com o cliente acima de negociação de contrato;
  • Responder a mudança acima de seguir um plano.

Dentre as metodologias ágeis, o Scrum é um processo de desenvolvimento iterativo e incremental para gerenciamento de projetos e desenvolvimento ágil de software.

Para saber mais sobre o manifesto ágil e scrum:

Aproveitando o assunto de projetos, também atualizei meu artigo introdutório PMBOK e Gerenciamento de Projetos, um dos mais acessados e citados do meu site, refinando as seções sobre o gerente de projetos e suas habilidades interpessoais, e também aquela sobre a instituição IPMA com sua filosofia e certificações.

Para saber mais:

Recentemente recebi divulgação do novo ambiente de desenvolvimento MyEclipse G, uma lançamento da Genuitec (produtora do MyEclipse) e Skyway Software que reúne ferramentas de desenvolvimento essenciais para as plataformas, frameworks e serviços de aplicações da Google.

MyEclipse G - Recursos

Fonte: MyEclipse G.

Observando a descrição do produto, pude refletir sobre a imensidão da abrangência de tecnologias que o Google tem disponibilizado, em pelo menos três grandes frentes:

  • Desenvolvimento de aplicações web: Frameworks como o Google Web Toolkit (GWT) (a home-page em português parece desatualizada, falando do GWT 1.7, enquanto a em inglês já destaca o GWT 2.3 mais recente) e Google Guice. O projeto GWT, além de ampla documentação, oferece para download: GWT SDK, com as bibliotecas essenciais e compilador que você precisa para escrever aplicações web; o Google Plugin for Eclipse que inclui no IDE Eclipse suporte para projetos GWT e GAE, além de uma versão simplificada do GWT Designer; Speed Tracer, uma extensão para o navegador Google Chrome que permite pontuar problemas de desempenho em aplicações web; e o GWT Designer standalone (full), um ambiente de desenho de Java GUI poderoso e bidirecional para criação visual de interfaces de usuário, assisência de layout e geração automática de código GWT.
     
  • Infraestrutura para execução de aplicações web: Google App Engine (GAE) permite que você execute seus aplicativos da web na infraestrutura do Google.
     
  • Plataforma para dispositivos móveis: Android: camada de software para celulares e tablets que inclui um sistema operacional, middleware e aplicações. O Android SDK, disponível no portal Android Developers, provê ferramentas e APIs necessárias para se iniciar o desenvolvimento de aplicações para a plataforma Android usando a linguagem de programação Java. Há também o Android Development Tools (ADT) Plugin for Eclipse IDE. As muitas milhares de aplicações disponíveis para Android, boa parte delas gratuitas, ficam disponíveis no Android Market (assim como o iPhone tem o Apple Store).

Isso fora o navegador web Google Chrome (dica: para obter o instaldor offline standalone, acrescente o parâmetro &standalone=1 na página de download) e o sistema operacional Google Chrome OS, baseado no sistema operacional Linux e totalmente voltado para Internet (Já ouviu falar no Chromebook?). Ambos são desenvolvidos através do projeto de software livre Chromium.

Todas as ferramentas oferecem ampla documentação. O Google ainda aproveita seus canais de mídia para divulgar informação, como os blogs no Blogger — GWT blog, GAE blog, Google Mobile blog, Official Google Blog, blog oficial Google Brasil — e o canal Google Developers de vídeos no Youtube. E ainda realiza o grande evento anual Google I/O.

Mesmo com a Microsoft tendo comprando a Skype em seu maior acordo de aquisição, por US$ 8,5 bi em maio último, estou achando que agora é a vez da Google “dominar o mundo” do software na era da Internet.

Enquanto aqui no Brasil o design arredondado e sem antena dos roteadores Linksys (by Cisco) ainda me parece o máximo…


Fonte: Linksys by Cisco – Roteadores sem fio, LATAM/Brasil.

… Lá nos EUA, a nova linha E-Series da Linksys deixa o nosso topo de linha WRT160N no chinelo.

Linksys E2500 Linksys E3200 Linksys E4200
Fonte: Cisco Linksys E-Series Specs, USA.

Com design ultra liso e arrojado, os modelos topo de linha contam com dual band simultânea atingindo velocidades até 300+300 Mbps (E2500 e E3200) e 300+450 Mbps (E4200), compatibilidade com o padrão “a” (dispositivos Wireless-n/b/g/a), portos ethernet Gigabit (ao invés dos tradicionais 10/100) para cabos de rede, entrada para disco (storage) USB, e facilidades super legais como Parental Control (Controle dos Pais) — bloqueio de acesso para domínios e horários do dia direto no roteador — e Guest Access (Acesso de Visitantes) — uma rede sem fio separada para visitantes, evitando que você tenha que fornecer a senha da sua rede sem fio principal.

Nos EUA, a linha de entrada Valet ainda tem o design dos nossos, só que ao invés de preto são nas cores azul e prata. Mas já incluem os recursos de Parental Control e Guest Access. E o Valet Plus (M20) tem inclusive Gigabit ethernet. O “charme” da linha Valet é o utilitário configurador que vem em um dispositivo USB, ao invés de um CD.

Quando é que isso chega ao Brasil, hein?

O instituto Gartner atualizou recentemente seu relatório “MarketScope for Ajax Technologies and RIA Platforms”. Aproveito para apresentar o resumo dessas tendências e alguns diagramas explicativos e estatísticas sobre Ajax e RIA.

Introdução

A técnica de interação e troca de dados assíncrona entre o cliente e o servidor web, identificada pelo acrônimo Ajax — Asynchronous Javascript And XML –, termo introduzido pela Adaptive Path em 2005, se populariza cada vez mais nas aplicações web e tem contribuído significativamente para melhorar a interatividade e experiência do usuário, oferecendo respostas imediatas à interação do usuário.

Vão se multiplicando as alternativas de bibliotecas e frameworks para desenvolvimento de aplicações web com suporte a Ajax, visando tornar o uso da técnica mais fácil, organizado e produtivo na construção de aplicações, de forma cada vez mais transparente, integrada e sistematizada.

Também têm se popularizado o uso de plataformas tecnológicas para web visando RIA — Rich Internet Applications –, termo introduzido pela Macromedia (Adobe) em 2002, que significa uma interface com usuário web mais rica — em componentes e comportamentos — e responsiva (resposta imediata, sensível ao contexto), similar a aplicações desktop.

As plataformas RIA podem ter como base um runtime específico, incorporado ao navegador web cliente através de plug-ins, ou se beneficiar do avanço da sofisticação das técnicas e componentes nativos baseados em Ajax.

O diagrama de blocos a seguir correlaciona esquematicamente RIA, Ajax e DHTML.


Créditos: Márcio d’Ávila, 2008-2011.

RIA

Enquanto as aplicações gráficas Cliente/Servidor trouxeram riqueza à experiência de usuário que não havia no ambiente mainframe, plataformas RIA fazem o mesmo em relação às aplicações web primitivas.


Créditos: Uday M. Shankar, Adobe Flex – an introduction, mar/2008 (em Slideshare).

Segundo estatísticas do site Stat Owl, levando em consideração os diversos sistemas operacionais e navegadores web existentes, em setembro de 2008 o suporte runtime instalado para Adobe Flash já era 97,48% (verdadeiro padrão de facto), Java 81,37% e Microsoft Silverlight apenas 17,64%. Em abril de 2011, estas mesmas plataformas evoluiram para percentuais de penetração 95,65%, 77,31% e 63,92% respectivamente.

Percebe-se, portanto, uma notável expansão do suporte à tecnologia RIA da Microsoft no período medido, enquanto o pequeno decréscimo de Flash pode ser explicado pela ausência de suporte ainda existente em alguns ambientes operacionais de dispositivos móveis que vem se popularizando, como Apple iOS (iPhone e iPad).


Fonte: Stat Owl, Rich Internet Application Market Share – RIA Market Penetration and Global Usage comparing Adobe Flash, Microsoft SilverLight and Java, set/2008 a abr/2011.

2009

Em 2009, o mercado ainda estava incipiente e muitos produtos foram considerados pelo Gartner em tecnologias Ajax e plataformas RIA, dez deles classificados com tendência positiva ou muito positiva.

Forte
Negativo
Cuidado Promissor Positivo Forte
Positivo
Adobe Plataforma Flash RIA ($/L)
Backbase Ajax framework Ajax ($)
DevExpress para .NET RIA ($)
Dojo Ajax toolkit Ajax (L)
Ext JS JavaScript, Ext GWT Ajax ($/L)
Google GWT Java, Closure Ajax (L)
IBM Ajax, Lotus Expeditor Ajax/RIA ($/L)
ICEsoft ICEfaces JSF Ajax (L/$)
Infragistics para .NET Ajax ($)
Isomorphic Soft SmartCli, GWT Ajax/RIA (L/$)
JackBe Ajax framework Ajax ($)
jQuery JavaScript Ajax Ajax (L)
Magic Software uniPaaS RIA ($)
MB Tech Bindows Ajax ($)
Microsoft Silverlight, WPF RIA ($)
Nexaweb E.Web Suite Ajax/RIA ($)
Oracle ASF Faces JSF Ajax ($)
Prototype/
script.aculo.us
JavaScript Ajax (L)
Sun Microsystems JavaFX RIA (L/$)
Telerik para .NET Ajax ($)
Tibco Software GI Ajax (L)
Yahoo YUI toolkit Ajax (L)

Fonte: MarketScope for Ajax Technologies and RIA Platforms, Gartner, por Ray Valdes e outros, 2009-12-31, reproduzido por Adobe (PDF).

2011

Atualizando a pesquisa em 2011, o mercado ainda se mostra em evolução, com oito produtos apontados como tendência positiva ou muito positiva.

Comparando com 2009, Adobe Flash e Microsoft Silverlight tiveram sua tendência refreada (Positivo), enquanto a versátil biblioteca livre JavaScript jQuery obteve maior evidêcia (Muito Positivo).

Saíram da lista Magic Software uniPaaS e MB Tech Bindows; Ext JS se tornou Sencha, enquanto Sun foi incorporada à Oracle; e entram agora Canoo Engineering RIA Suite (UltraLightClient framework baseado em Java EE) e Vaadin (framework RIA Java baseado em GWT widgets e extensa coleção de componentes UI).

Forte
Negativo
Cuidado Promissor Positivo Forte
Positivo
Adobe ⇓ Plataforma Flash RIA ($/L)
Backbase ⇓ Portal Ajax ($)
Canoo Engineering UltraLightClient RIA ($)
DevExpress para .NET RIA ($)
Dojo Ajax toolkit Ajax (L)
Google GWT Java, Closure Ajax (L)
IBM Ajax, Lotus Expeditor Ajax/RIA ($/L)
ICEsoft ICEfaces JSF Ajax (L/$)
Infragistics para .NET Ajax ($)
Isomorphic Soft SmartClient, GWT Ajax/RIA (L/$)
jQuery jQuery JS lib Ajax (L)
Microsoft ⇓ Silverlight, WPF RIA ($)
Oracle ASF Faces JSF, JavaFX Ajax/RIA (L/$)
Prototype/
script.aculo.us
JavaScript Ajax (L)
Sencha Ext JS, Ext GWT Ajax ($/L)
Telerik ASP.NET Ajax Ajax ($)
Tibco Software General Interface Ajax (L)
Vaadin Vaadin RIA RIA (L)
Yahoo YUI Library Ajax (L)

Fonte: MarketScope for Ajax Technologies and RIA Platforms, Gartner, por Ray Valdes e outros, 2011-03-31, reproduzido por Microsoft.

Conclusão

Tecnologias RIA e Ajax têm se tornado cada vez mais difundidas e maduras.

Podemos inferir, pela evolução do Gartner MarketScope, que plataformas RIA com componentes ricos nativos (Ajax e DHTML) — boa parte delas baseadas em frameworks livres e Java server/EE) — tem ganhado força, em detrimento daquelas baseadas em runtime próprio.

É provável que o emergente padrão HTML 5, quando se estabelecer, reforce ainda mais esse movimento.

Para saber mais:

Está em fase Beta a versão 3.4 do pacote de programas de escritório LibreOffice, mas você ainda pode chamá-lo de BrOffice.

LibreOffice é o mais popular e bem sucedido pacote de escritório como software livre, com editor de textos/documentos, planilha eletrônica, apresentações, desenhos/ilustrações e banco de dados, baseado no formato aberto de documentos OpenDocument (ODF), e também compatível com os formatos do Microsoft Office.

Contudo, o nome e andamento do projeto de software livre desse pacote tem passado por vários caminhos.

Nascida como StarOffice, a suíte foi rebatizada para OpenOffice.org após a compra da empresa alemã StarDivision pela Sun Microsystems em 1999.

O projeto OpenOffice.org surgiu em 2000 e contou com a participação brasileira a partir de 2001. Naquela época, surgiu a comunidade OpenOffice.org.br que o traduziu e o divulgou no Brasil até 2004. Em 2005, a comunidade enfrentou problemas com o registro da marca no país. Assim surgiu o BrOffice.org, o mesmo produto OpenOffice.org em português do Brasil (pt-BR), mais as ferramentas linguísticas para nosso idioma.

Depois que a Oracle comprou a Sun — principal mantenedora do projeto OpenOffice.org — em 2009, um grupo de desenvolvedores da suíte de produtividade OpenOffice.org, que não concordava com os rumos que o projeto seguia desde então, acabou por se desvincular da Oracle em setembro de 2010. Dessa dissidência surgiu a organização livre The Document Foundation (TDF), com a missão de apoiar e evoluir o conjunto de formatos de documentos OpenDocument e dar continuidade ao projeto original de software livre do OpenOffice.org, adotando o nome LibreOffice.

A comunidade brasileira de desenvolvedores do BrOffice apoia o projeto LibreOffice. Na versão 3.4 do produto, passará a adotar o nome LibreOffice, para maior homogeneidade. A TDF solicitou a marca original OpenOffice.org à Oracle e convidou a empresa a participar do projeto, mas sem sucesso até agora.

Um ponto central da dissidência é que o OpenOffice.org mantido pela Oracle tem seus release gerados por um ambiente de build proprietário, mantido por um pequeno time de engenheiros. O LibreOffice é software livre e baseado em ferramentas livres. Os mantenedores do projeto LibreOffice estão trabalhando na migração total para GNU Make como primeiro passo para facilitar compilações cruzadas de Linux para Windows. O objetivo é que, com o tempo, qualquer pessoa com tempo e um PC possa construir releases do LibreOffice a partir dos códigos-fonte.

StarOffice, OpenOffice.org, BrOffice.org, BrOffice ou LibreOffice, o que importa é que este é o mais competente pacote de programas de escritório em software livre disponível no Brasil, e se apresenta como uma alternativa realmente viável ao pacote comercial Microsoft Office.

Para saber mais:

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