Se você ficar poucos dias em BsAs, principalmente se for sua primeira viagem à capital Portenha, pelos artigos anteriores desta série Explorando Buenos Aires já viu que há atrações suficientes na cidade. Mas se restar um dia livre, o tema deste quinto artigo é uma escapada imperdível ao país vizinho. Colonia del Sacramento, simpática cidadezinha beira-rio turística do Uruguai, está a apenas uma hora de Buenos Aires na outra margem do Rio da Prata. Preços de jan/2016, a maioria em pesos uruguaios (UY), ou em pesos argentinos (AR) quando indicado.

  1. Introdução e Informações essenciais
  2. Região Central, Puerto Madero e San Telmo
  3. Palermo
  4. Recoleta
  5. Escapada: Colonia del Sacramento
  6. Escapada: San Isidro e Tigre
  7. Outros pontos de interesse

Mapa de Buenos Aires a Colonia del Sacramento (em zoom)

Ricardo Freire, em seu blog Viaje na Viagem (out/2009, atualizado em 2016-03-14) ilustrou Colonia del Sacramento como a Paraty do Uruguai: “Cidadezinha colonial, à beira d’água, fundada por portugueses, patrimônio da Unesco, povoada por pousadas, restaurantinhos e galerias”. Comparações à parte, a pequena e charmosa Colonia del Sacramento tem atrativos próprios para valer um dia inteiro bate-e-volta saindo de Buenos Aires.

Câmbio Colônia do Sacramento, Uruguai, é capital do departamento de Colônia. Tem origem na antiga cidade de Colônia do Santíssimo Sacramento, fundada em 22 de janeiro de 1680 por Manuel Lobo, então Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, a mando do Império Português no século XVII. A área onde localiza-se a fundação portuguesa hoje faz parte do Centro Histórico, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Fica 177 km distante de Montevidéu e, pela outra margem do Rio da Prata, a apenas 50 km de Buenos Aires.

Ida e volta de buque

Câmbio Para ir e voltar de Colonia a partir de Buenos Aires, a travessia de 50 km até a outra margem do Rio da Prata pode ser feita em apenas uma hora em buques, grandes e confiáveis embarcações (ferryboat tipo catamarã) rápidas que transportam muitas pessoas (em enormes salões com muitas fileiras de poltronas) e carros.

Três empresas operam a travessia: Buquebus (também disponível site uruguaio), Seacat Colonia e Colonia Express.

Buquebus é a maior e mais tradicional das empresas que atuam na rota. Opera barcos rápidos (1h15) e lentos (3h) entre BsAs e Colonia, transporta também carros e oferece mais horários. Há também buques rápidos direto a Montevidéu (3h).

A Seacat Colonia é o concorrente mais novo. Tem ferrys modernos, compactos e rápidos (1h) e não carrega carros. Segundo o blog de Ricardo Freire, é subsidiária low-cost da Buquebus. De fato, Buquebus e Seacat saem do mesmo terminal Buquebus no extremo norte de Porto Madero (Av. Antártida Argentina 821, quase em frente à Av. Córdoba), e não raro compartilham passageiros em uma mesma embarcação, em horários comuns quando há pouca lotação.

Na época deste artigo, a Colonia Express não era bem recomendada, pelos atrasos e cancelamentos frequentes. Seus barcos não são nem tão grandes quanto os do Buquebus, nem tão modernos quanto os da Seacat. Não arrisquei.

Escolha a passagem pelo site das empresas, com antecedência, para garantir disponibilidade e preços. Compre direto pelo site, ou na agência física da empresa em BsAs. As três empresas oferecem opção “Day Tour” com city tour incluso (à pé ou ônibus), mas recomendo a ida-e-volta simples mesmo dia. Conhecer Colonia por conta própria é fácil e gostoso, como veremos aqui. Para transporte apenas de passageiros, escolha Sin Bodega/Vehículo (sem carro).

Os pontos de venda (loja física) em Buenos Aires das três são perto entre si, todos funcionando seg-sex 09-19hs, sábado 09-13hs:

O terminal Buquebus/Seacat na Av. Antártida Argentina 821 também vende passagens destas duas empresas todos os dias.

Compramos no dia 4/jan/2016 ida-e-volta para 8/1 no Seacat Colonia, por AR$843 por pessoa (classe econômica), ida às 8:00 (chegada a Colonia 9h) e retorno saindo às 20:30 (chegada a BsAs 21:30). Considerando a antecedência para embarque da volta, você terá em torno de dez horas em Colonia, que é suficiente para um passeio completo.

Foto montagem com vistas externas e interna do buque

Dicas importantes:

  • Lembre-se: É uma viagem internacional. Para compra nas lojas e para embarque, é obrigatório levar o passaporte de todos os passageiros, ou a carteira de identidade mais o papel com o carimbo de entrada no país.
  • Chegue no mínimo uma hora antes do horário de embarque no terminal. Pode haver grandes filas de check-in e imigração, além do próprio embarque. Com mochilhas e bolsas de mão para o bate-volta de um dia, não será necessário despachar bagagem.
  • A imigração dos dois países é feita de uma vez no embarque. No mesmo balcão, um funcionário de um país processa a saída e em seguida já passa para o funcionário do outro país dar entrada. Para quem usa a carteira de identidade, o novo carimbo de entrada no país é feito no papel da passagem. Guarde-o ou não sairá do país!
  • No salão de passageiros do buque, há um balcão lanchonete. Em águas internacionais durante o trajeto, abre-se também um balcão de duty free.
  • As poltronas não são marcadas/numeradas. Recomendo um lugar perto da porta de embarque/desembarque em uma fileira próxima às janelas, com a vista do rio. O trajeto é tranquilo, não percebi oscilações que causem qualquer desconforto ou náuseas.
  • Na ida para o terminal em BsAs, a estação final (Leandro N. Alem) da linha B do Subte (metrô) é a mais próxima, distante umas 7 quadras. Na volta à noite, só vimos taxistas parados na porta do terminal que ofereciam corrida mais caro (fora do taxímetro); muito cansados, negociamos valor e tomamos um desses mesmo, a contragosto.

Câmbio

Câmbio Dentro do terminal de desembarque em Colonia você encontra uma agência de câmbio Varlix Servicios Financeiros, praticando taxas de câmbio razoáveis. Vi outras casas de câmbio em meio à cidade, com câmbios similares ou ligeiramente melhores.

Praticamente todo lugar turístico aceita dólar, real, peso argentino e peso uruguaio, além de cartão de crédito. Acho melhor usar a moeda local para compras pequenas. É mais rápido, seguro e barato porque evita conversões.

Troquei 200 reais ao câmbio 7,06 totalizando UY$ 1.412 pesos uruguaios. E 1 AR (peso argentino) equivalia a aproximadamente 1,6 UY. Dimensione seu câmbio para não sobrar pesos uruguaios à toa, ou você acaba perdendo um pouco de dinheiro nessas idas e voltas de conversão. Uma dica é gastar o resto de seus pesos uruguaios no acerto final do pagamento do carrinho de golfe.

Aluguel de carro de golfe em Colonia

A opção de transporte que muitos recomendam, fácil, econômica e bem divertida, é alugar um carrinho de golfe. O veículo não atinge mais que uns 40 km/h e as vias e a cidade são tranquilas e seguras, então é um city tour por conta própria muito agradável.

É possível ir à pé ao centro histórico, mas com o carrinho você passeia sem cansar as pernas e pode ir à Plaza de Toros que fica a uns 3 km de distância, bem como qualquer outra parte mais distante da cidade. Além disso, é divertido e barato, então por que não?

O motorista deve apresentar habilitação (aceita a CNH brasileira). Transporta 4 pessoas, duas no banco da frente e duas viradas para trás, onde há um estribo para os pés e barras para firmar as mãos. Equipamentos básicos: para-brisa, capota de lona (aberto dos lados e atrás); cinto de segurança (lombar) para todos; chave de ignição, câmbio frente-neutro-estacionar-ré (sem marchas), pedais acelerador e freio, freio de mão, retrovisores. O preço inclui o tanque cheio, suficiente para rodar o dia inteiro (não é necessário abastecer para entrega). Sem mistério.

Vista lateral do carro de golfe

Há várias locadoras nas proximidades da saída do terminal de desembarque. Alugamos na Colonia Rental (Miguel Odriozola 415, logo em frente à saída do Centro de Informações Turísticas) o carro de golfe de 4 pessoas o dia inteiro por USD $60 (UY $1800, AR $1125). Aceitam cartão de crédito ou dinheiro, pagamento na entrega, até as 19h.

Pontos turísticos

Mapa do Centro Histórico e redondezas

Câmbio Atravessando o estacionamento na saída do terminal em Colonia, obrigatoriamente tem-se que passar pelo Centro de Informações TurísticasBIT Experiencia Uruguay — do governo de Intendencia de Colonia. Lá os gentis atendentes fornecem gratuitamente mapas e informações turísticas.
Entrada do BIT Experiencia Uruguay

Centro Histórico (Casco Historico) e Plaza Mayor

Farol
colonia_farol

Calle de los Suspiros
Foto montagem, 3 visões da Calle de los Suspiros
Basílica de Santíssimo Sacramento

Câmbio Museus

Plaza de Toros Real de San Carlos (final da Av. Nicolas Mihanovich, esquina Rio de la Plata). Obra realizada pelo arquiteto argentino José Marcovich e o engenheiro Dupuy, a arena foi inaugurada em 9 de janeiro de 1910, mas dois anos depois as touradas foram proibidas em todo país. Esta é a única que se mantém erguida no Uruguai, mas está fechada a visitação, infelizmente devido à estrutura abandonada e em risco. Rodeando a praça se pode ver o entorno de pedra e, lá dentro, a estrutura metálica trazida da Grã Bretanha.
Plaza de Toros

Alimentação

Uma garrafinha de 500 ml de água mineral nos terminais ou no buque custava AR $40 ou UY $65. Em um trailer na cidade, uma garrafa geladíssima de 2,25 L de água mineral custou UY $60.

Câmbio Há muitos Cafés (cafeterias e restaurantes) gostosos, tanto no entorno da Plaza Mayor quanto espalhados pela cidade.

Almoçamos um típico e farto chivito (uruguaio) al plato por UY $595 na varanda do Don Pedro (Henriquez de la Peña, esquina com Calle de los Suspiros, Plaza Mayor), serve muito bem uma pessoa com salada, batatas fritas, carne, ovo, queijo e presunto. Porção de arroz UY $80, suco de laranja (esprimido) UY $95.

Gostamos do sorvete artesanal da El Cali (San Miguel 91, esquina com Henriquez de la Peña, quase em frente ao Porton de Campo), e o ambiente é amplo e agradável.

Nem mais nem menos

Gasta-se em torno de quatro horas entre espera e trânsito de ida e volta, e são vários pontos turísticos, mais os tempos de alimentação e descanso. Então não creio que compense ficar em Colonia menos que um dia todo.

Da mesma forma, a noite em Colonia não é algo imperdível e nem há tantas atrações turísticas que compensem levar mala, procurar hotel, fazer check-in e check-out. Eu não faria pernoite em Colonia. Para mim, um dia inteiro bate-volta basta para ver tudo, passear e cansar. E valeu!

Na série de artigos para Explorar Buenos Aires, estamos no de número quatro para falar do tradicional bairro de Recoleta. Lembrete: Todos os preços citados em pesos argentinos de jan/2016.

  1. Introdução e Informações essenciais
  2. Região Central, Puerto Madero e San Telmo
  3. Palermo
  4. Recoleta
  5. Escapada: Colonia del Sacramento
  6. Escapada: San Isidro e Tigre
  7. Outros pontos de interesse

Mapa de Buenos Aires com foco em Recoleta

Em uma sequência de três quadras na Junín, começando da esquina com Vicente López, você tem o shopping Recoleta Mall (Vicente López 2050), e atravessando a rua, o Cemitério Recoleta, a Igreja N.S. do Pilar, o Centro Cultural Recoleta e, ao final da descida, uma escada rolante dá acesso ao shopping Buenos Aires Design. Se continuar atravessando o gramado onde ocorre a feira de artesanato e a Plaza Francia, chegará ao Museu de Belas Artes. Atravesse a avenida pela passarela, passe a Faculdade de Direito e chegará à Floralis Genérica.

Centro Cultural Recoleta (Junín 1930): Informações turísticas, galerias de arte e outros espaços de artes visuais e cênicas, lanchonete, o Museu Proibido NÃO Tocar e, ao fundo, o terraço do shopping Buenos Aires Design, onde eventualmente há apresentações artísticas ao ar livre. Entrada gratuita. Ter-sex 13h30-20h30; sáb, dom e feriados 11h30-20h30; seg fechado.

Foto montagem de experiências no Museu Proibido Não Tocar
Museo Participativo de Ciencias (MPC) – Prohibido no Tocar (Museu “Proibido NÃO Tocar” – dentro do Centro Cultural Recoleta): Nos dois andares de alas — óptica, eletricidade, mecânica, arte, tecnologia, matemática, música/ondas/som, fenômenos naturais e auditório — as crianças são estimuladas a interagir com muitas experiências e demonstrações interativas de Física. É como um mega laboratório divertido, mais proveitoso para crianças em idade escolar, mas pequenos curiosos devem gostar. Ter-sex 10-17h. Sab, dom, feriados e férias de verão (ter-dom) 15:30-19:30. Reserve umas duas horas para percorrer tudo. Entrada $75 (passou para $80 em fevereiro) adulto ou criança.

Foto montagem Igreja N.S. Pilar
Basílica Nuestra Señora del Pilar (Junín 1904): Inaugurada em 1732.

Cementerio de la Recoleta (Cemitério da Recoleta – Junín 1760): Construído em 1822 como primeiro cemitério público da cidade, ocupa o equivalente a quatro quadras. Entre inúmeros corredores de mausoléus, lá estão sepultados célebres como Eva Perón (“Evita”, atriz, líder política e primeira-dama da Argentina durante a presidência de seu marido general Juan Domingo Perón em 1946-1952), Domingo Faustino Sarmiento (escritor, estadista e 7º Presidente da Argentina em 1868-1874), gerando “turismo fúnebre”.

Hard Rock Cafe anexo ao shopping Buenos Aires Design, visto da Av. Pueyrredón
Buenos Aires Design (Av. Pueyrredón 2501 com Azcuénaga): Seg-Sáb 10-21h, Dom e feriados 12-21h. Anexo ao shopping, a primeira filial latinoamericana da rede internacional de restaurantes Hard Rock Café: Dom-Qui 12-1h, Sex e Sáb 12-2h.

Feira de Artesanato de Plaza Francia (interseção das Avs. Pueyrredón, Del Libertador e Alvear, depois do Buenos Aires Design): Artesanatos e lembranças variados, bons preços. Fins de semana e feriados, 11-20h.

Museu Nacional de Belas Artes (MNBA) (Av. Del Libertador 1473): Ter-Sex 12h30-19h, Sáb e Dom 9h30-19h; Seg fechado. Entrada gratuita.

Ao lado do MNBA próximo à Av. Pueyrredón, uma Passarela de pedestre com o piso de concreto todo grafitado atravessa Av. Pres. Figueroa Alcorta. Do outro lado, a antiga “Praça República Federativa del Brasil” estava em obras para se tornar mais um estacionamento público. Passando em frente às escadarias da Faculdade de Direito, se chega à Plaza de las Naciones Unidas, onde está a Floralis Genérica.

Foto montagem de ângulos da Floralis Genérica
Floralis Genérica (Av. Pres. Figueroa Alcorta 2301): Escultura de 20m de altura em aço inoxidável e alumínio.

El Sanjuanino (Posadas 1515; filiais também em Belgrano e Barrio Norte): considerada por muitos a melhor empanada de Buenos Aires.

Na série de artigos para Explorar Buenos Aires, este terceiro fala do encantador bairro de Palermo. Lembrete: Preços em pesos argentinos, de jan/2016.

  1. Introdução e Informações essenciais
  2. Região Central, Porto Madero e San Telmo
  3. Palermo
  4. Recoleta
  5. Escapada: Colonia del Sacramento
  6. Escapada: San Isidro e Tigre
  7. Outros pontos de interesse

Mapa de Buenos Aires com foco em Palermo

Palermo é o bairro mais extenso da cidade e o mais verde. E, para mim, o mais charmoso e agradável para se hospedar e perambular, cheio de belos edifícios residenciais entremeados por restaurantes, cafes, kioscos, mercearias, lojas, incluindo o shopping center Alto Palermo (Av. Santa Fe 3253, entre Bulnes e Av. Coronel Díaz).

Diagrama de sub-bairros (regiões) de Palermo

Fonte: Vamos! Spanish Academy.


De tão grande, o bairro costuma ser informalmente identificado por 9 ou 10 sub-bairros ou regiões, cada um com seu próprio apelido característico. Os mais frequentemente usados são os dois abaixo da rua Guatemala, Palermo Soho e Palermo Holywood, divididos pela Av. Juan B. Justo. Ainda tem Palermo Botanico (alguns dividem também Palermo Zoo), Alto Palermo, Palermo Nuevo, Palermo Chico, Palermo Pacifico, Palermo Norte, Palermo Freud. Leia mais a respeito em Entendendo Palermo (blog Buenos Aires para Chicas, 2012-06-05) e 100 Barrios Part 2: Sub-Barrios of Palermo (Vamos Spanish Academy, 2013-09-27, em inglês).

Hospedagem

O AirBnB oferece muitas centenas de apartamentos em Palermo. Esta me pareceu a opção que, além de bom custo-benefício e vasta quantidade de opções disponíveis, nos permitiu liberdade e flexibilidade para quem está com criança. Dica: Super indico o ótimo apartamento duplex de Joe (leia meu comentário no AirBnB) em que ficamos em Palermo Botânico, para até 4 pessoas, dois quartos e todo equipado.

Se preferir a comodidade de um hotel, o TripAdvisor lista centenas, em geral disponíveis em sites como Booking.com (exibidos no mapa) e Hoteis.com (exibidos no mapa), além dos outros tipos de propriedades disponíveis (pousada, albergue, apart-hotel, apartamento). Na mesma região do apartamento que indiquei, estes sites mostram o Infinito Hotel (ranking 188 do total de 449 no TripAdvisor), mas não conheço para dar qualquer referência.

Atrações

Parque 3 de Febrero (Av. Del Libertador, a oeste e leste da Av. Sarmiento): O maior bairro abriga em sua região norte a maior área verde da cidade, o Parque Três de Fevereiro, também conhecido como Bosques de Palermo, com 370 hectares. A título de comparação, o Central Park em New York tem 341 ha e o Ibirapuera em São Paulo 158 ha. Em suas extensas áreas gramadas com sombra de inúmeras árvores frondosas, as pessoas podem descansar, se divertir e exercitar. Em toda extensão das avenidas de circulação interna, como Infanta Isabel, Pedro Montt, Berro Adolfo, há pistas onde as pessoas correm, caminham, andam de bicicleta, patins, skate. Integram o Parque o Jardim Japonês, o Rosedal, um lago, várias praças e monumentos, espaços públicos com aparelhos de ginástica, e até o Planetário da cidade.

Foto montagem com destaques do Jardim Japonês.
Jardim Japonês (Av. Casares 2966, esquina Av. Del Libertador): Construído e doado a Buenos Aires em 1967 pela Comunidade Japonesa, o Jardim tem entrada paga ($70, menores de 12 e aposentados não pagam), mas vale a pena, é uma agradável imersão no ambiente japonês. Caminhando pelo entorno e belas passarelas e pontes de um lago cheio de grandes carpas (koi), ao som de música japonesa nos alto-falantes, você encontrará monumentos e serviços japoneses como restaurante (fecha terças), viveiro (supre o jardim e vende plantas), souvenirs, dentre outros. Todos os dias 10-18h.

Foto montagem do Rosedal.
Rosedal (Av. Infanta Isabel 900, ou Av. Pres. Pedro Montt com Av. Iraola): Na ala oeste do parque está o Rosedal, que completou seu centenário em 2014. Tem uma coleção de mais de 18 mil rosas distribuídas no Jardín de Rosas, com seus canteiros geométricos, além de belas áreas como o Jardín de los Poetas, com bustos de poetas e escritores célebres, o Paseo El Rosedal e Pérgola del Lago, uma passarela pergolada margeando o lago até a ponte. Terça a domingo, Verão 8-20h, Inverno 8-18h.

Mapa Rosedal. Fonte: Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires.

Lagos de Palermo – pedalinhos e botes (Av. Infanta Isabel 460): Apesar do nome, é um lago só. A oeste da ponte do Paseo El Rosedal, você pode alugar 30 minutos de biciscafos (pedalinhos) para 2 ($140) ou 4 pessoas ($200) ou bote para 4 ($160) para passear no lago, que se estende rodeando o Rosedal. Meia hora de pedalinho nem deve ser suficiente para atravessar o lago todo, mas é mais que suficiente para cansar as pernas, hehe.

Foto montagem Planetário Galileo Galilei
Planetário Galileo Galilei (Av. Sarmiento com B. Roldán): Inaugurado em 1968, o Planetário de cinco andares tem uma big sala de projeção 360° em uma cúpula de 20m diâmetro, onde são projetados documentários temáticos. Também abriga uma coleção de meteoritos provenientes do Norte argentino e outra sala de projeção menor para mostras temporárias. No final do ano fecha para manutenção e reabriu para temporada de verão em 16/01/16, terça a domingo, com apresentações ($50 cada) das 14-19h. Nas noites de verão (5/2 a 4/3/2016), espetáculo ao ar livre “Música sob as Estrelas” ($100). A bilheteria abre 12h até esgotarem os ingressos do dia. Chegue cedo!

Na movimentada Plaza Italia, da Av. Santa Fe partem outras grande avenidas, Sarmiento e Gral. Las Heras. Na esquina Santa Fe com Sarmiento está a bilheteria do Parque de Exposições La Rural (entradas: Av. Sarmiento 2704 – Av. Santa Fe 4201): No período em que estivemos lá, estava havendo a exposição “Dinosaurios – Mundo Jurásico” ($150 adultos, $100 crianças) com 19 dinossauros robotizados em escala real, meu filho amou! Vale conferir se há alguma exposição legal na época em que você for.

Zoo Buenos Aires (Entrada principal Av. Sarmiento com Av. Las Heras – Plaza Italia. A outra portaria na esquina de Av. Libertador e Av. Sarmiento abre sábados, domingos e feriados): Otimo zoológico com cerca de 350 espécies animais, incluindo um aquário, uma granja e um reptilário, além de apresentações didáticas. Alguns animais, como maras (pequeno roedor típico da Argentina) e patos, circulam livres pelo zoo. Quiosques vendem um baldinho de comida para animais ($70). Nas jaulas aplicáveis há rampas ou orifícios onde se pode jogar a ração, e para animais mais dóceis como os cervos, é possível alimentá-los diretamente na boca pela cerca. Diversão garantida para as crianças! Entrada $190, Tarjeta VOS dá 50% de desconto, menores de 12 anos não pagam. Todos os dias 10-19h, entrada até as 18h.

Mapa do Zoo. Fonte: Zoo Buenos Aires.

Jardim Botânico Jardín Botánico Carlos Thays (Av. Santa Fe 3951, esquina República Arabe Siria): Inaugurado em 1898, foi desenhado pelo paisagista francês Carlos Thays, autor do traçado de alguns dos espaços verdes mais importantes de Buenos Aires. Abriga perto de 6 mil espécies vegetais.

Foto montagem de panorama do MALBA e detalhes de obras expostas.
MALBA – Museo (Museu) de Arte Latinoamericano de Buenos Aires (Av. Figueroa Alcorta 3415, esquina San Martín de Tours): Quadros (incluindo “Abaporu” da brasileira Tarsila do Amaral), esculturas, vídeos (em salas escuras próprias) de artistas latinoamericanos. É um problema para crianças que gostam de tocar em tudo, pois há muitas montagens delicadas diretamente no chão ou em mesas (e muitos vigias para alertar que não se pode tocar em nada). Entrada $75, quartas $36, menores de 5 anos não pagam. Visita guiada quarta e domingo 16h.

Museu Evita (Lafinur 2988, esquina Juan María Gutiérrez, próximo à Av. Las Heras): Vestimentas, objetos pessoais e documentos que divulgam a vida, obra e ideário de María Eva Duarte de Perón e do primeiro peronismo. Ter-Dom 11-19h, entrada até 30 min antes de fechar.

Feria (Feira) de Plaza Julio Cortázar, ex Plaza Serrano (Serrano/Jorge Luis Borges com Honduras – Palermo Soho): Feira de artesanato bem variada, em torno da praça onde ao centro há um parquinho infantil público cercado e à volta muitos cafés, restaurantes e bistrôs com boa comida (nós gostamos do Meridiano 58, o blog do Ricardo Freire indicou o Social Paraíso). Qua-Sex 15-20h; Sáb, Dom e feriados 14-20h.

Alimentação

Como já disse, Palermo é um bairro onde não faltam restaurantes, cafés, lanchonetes, confeitarias, sorveterias, opções para todos os gostos e bolsos. Vou citar apenas alguns destaques pessoais.

Sorvetes (Helados): Por toda Buenos Aires você encontra filiais da famosa rede de sorveterias Freddo, em Palermo não é diferente (há pelo menos três, no shopping Alto Palermo, no shopping Portal Palermo/Jumbo e na Av. Santa Fe 3856 em frente ao Jardim Botânico); um Cucurucho (cone waffer com 2 bolas) é $70. Experimentei também uma sorveteria Helados Nicolo (esquina de Scalabrini Ortiz com Antonio Beruti) com preços bem em conta e um bom e tradicional sabor Dulce de Leche (na Argentina, o doce de leite é tão tradicional, inclusive no sabor de sorvete, que no McDonald’s os sabores de casquinhacono — são baunilha e doce de leite, e não chocolate). Mas se quiser experimentar um sorvete especial, caseiro e delicioso, a dica é a seguinte…

Foto da sorveteria Jauja
Sorveteria Jauja (Av Cerviño 3901, esquina Lafinur) – “Genuino Helado Artesanal de la Patagonia“: Deliciosos sorvetes artesanais em dezenas de sabores “patagônicos” de frutas, cremes, variações de chocolate e, claro, de doce de leite. Comi um farto cascão (Capelina) com dois sabores e coberturas por $75. No piso superior fica o living com mesas, incluindo wi-fi e tomadas para quem quiser conectar seu dispositivo móvel. Fica em uma esquina tranquila e simpática próxima ao zoo. E repare na foto o “coleiródromo” para deixar lá fora o cachorro.

Foto da fachada com sobreposição de detalhe do prato.
Don Julio Parilla (Guatemala 4691, esquina Gurruchaga): Claro, se Argentina lembra churrasco (parilla), eis um ótimo restaurante onde você come um saboroso e bem preparado bife de chorizo (corte argentino de contrafilé bovino). Posição 24 no ranking do TripAdvisor entre mais de 3 mil restaurantes em Buenos Aires. Entrada (Cubierto) de pães e patê (opcional): $30; bife de cuadril (alcatra): $241; bife de chorizo ancho (contrafilé largo, detalhe da foto, não resisti e comi um pedaço antes): $213; bife de lomo (filé mignon): $277; refrigerante (gaseosa) ou água: $38; suco de laranja (exprimido): $48; copa del dia (taça de vinho do dia): $80; porção de batatas (papas) fritas: $86; ensalada verde: $96; acrescente a tudo a gorjeta (servicio) de 10 a 15%, que nunca é inclusa na conta. Acompanham as carnes molhos chimichurri (tradicional argentino, especiarias no azeite/vinagre) e vinagrete.

Menção honrosa para Tucu – Empanadas Tucumanas e Pizzas (Scalabrini Ortiz 2762): quase 20 sabores de empanadas e mais de 40 de pizza na pedra. O local é bem pequeno (só duas mesinhas), pois faz mais entregas (4808-0407, 4807-6410 e 4805-7715), mas é tudo gostoso, sai rápido e o preço é ótimo. Promoção de pizza muzzarella grande (6 fatias) + 6 empanadas $170, 3 empanadas e um refrigerante (gaseosa) $60, 14 empanadas $185. Aberto de 11-15h e 19-24h.

Na série de artigos para Explorar Buenos Aires, vamos ao segundo, Região Central da cidade, San Telmo e Porto Madero. Todos os preços estão em pesos argentinos de jan/2016.

  1. Introdução e Informações essenciais
  2. Região Central, Porto Madero e San Telmo
  3. Palermo
  4. Recoleta
  5. Escapada: Colonia del Sacramento
  6. Escapada: San Isidro e Tigre
  7. Outros pontos de interesse

Região Central

Mapa de Buenos Aires com foco na região central

Na região central de Buenos Aires estão vários dos principais cartões postais da cidade. Veja as indicações no mapa esquemático acima. Além do próprio Centro, boa parte dos atrativos dessa região central está formalmente no Bairro Montserrat, no eixo Avenida de Mayo — da Casa Rosada ao Congresso. Veja os limites no Google Maps:

Obelisco
Obelisco (cruzamento das Avenidas 9 de Julho e Corrientes): considerado por muitos o principal emblema da cidade, com 67,5m de altura e 6,8m de lado na base, inaugurado em 1936 para comemorar o quarto centenário da primeira fundação de Buenos Aires. A própria 9 de Julho é um atrativo, considerada a mais larga avenida do mundo em pistas de rolamento.

Montagem de três fotos do Teatro Colón: escadaria, platéia e corredores.
O belíssimo e suntuoso Teatro Colón (Cerrito 628, entre Tucumán e Viamonte), de 1908 e restaurado em 2010, oferece visitas guiadas (em espanhol) com entrada pela lateral Tucumán 1171, de 9-17h (no verão, o fim estava estendido até 19h), iniciando a cada 15 minutos, com duração aproximada de 50min. $180 para turistas, menores de 7 anos não pagam.

Ao fundo do Teatro está a Plaza Lavalle e o Palacio de Justicia de la Nación (também conhecido como Tribunales), sede da Corte Suprema da Argentina. Aproveite que está por perto, dê uma volta na praça e tire umas fotos.

Na quadra seguinte ao Teatro, ao lado da casa de show Tango Porteño, almoçamos no Cafe Metro Bar (Cerrito 528), que serve pratos e lanches. Lugar pequeno e um pouco quente, mas comida boa e preço razoável.

Foto do Congreso
Congresso Nacional (Av. Entre Rios [continuação da Callao] entre Av. Rivadavia e Hipólito Yrigoyen): a 1km sudoeste do Obelisco está a Plaza del Congreso que, ao final dos gramados, tem uma bela fonte com a escultura “Monumento aos dois Congressos” de 1914, simbolizando a Assembleia de 1813 e o Congresso de Tucumán de 1816 (quando se declarou a Independência Nacional). Ao fundo está o Congreso de la Nación Argentina com sua imponente cúpula, edifício inaugurado em 1906, onde funciona o Senado e a Câmara dos Deputados.

Foto montagem El Ateneo Grand Splendid: panorama, Ateneo Junior, antesala
El Ateneo Grand Splendid (Av. Santa Fé 1860, entre Callao e Riobamba): Buenos Aires foi destacada em 2011 como Capital Mundial do Livro pela UNESCO, e segundo estudo do World Cities Culture Forum 2014, é a cidade do mundo com mais livrarias. Proporcional a tal grandeza, a centenária rede de livrarias El Ateneo (fundada em 1912) ocupou o grandioso espaço do antigo teatro de ópera Grand Splendid, construído em 1919, com 120 mil livros em suas prateleiras, um ótimo e moderno espaço infantil no subsolo (planta baixa) e um bar no antigo palco. Eleita pelo jornal britânico The Gaurdian em 2008 como a segunda livraria mais bonida do mundo! Seg-qui 9-22h, sexta e sábado 9-24h, domingo 12-22h. Fica um pouco “desgarrada” a quase 2km noroeste do Obelisco, mas ainda na região central. Vale a visita. Dica: Lá comprei para meu filho o instrutivo jogo de cartelas perguntas-e-respostas Abremente, da Catapulta Junior, disponível para várias faixas de idade ($139).

Foto montagem do Café Tortoni
Café Tortoni (Av. de Mayo 825, entre Esmeralda e Suipacha): Amplo e elegante café portenho inaugurado em 1858, ainda conserva a bela arquitetura e o charme originais do século 19. Ao fundo, o Salon Alfonsina é uma milonga de tango, e a Sala Cesar Tiempo é um relicário. A comida é boa (nenhuma fritura no cardápio, segundo o garçom). Monumento e comidinhas. Um medialuna con jamón cocido y queso (croissant [traduzido literalmente, seria meia-lua] com presunto e queijo) custa $54, um jugo de naranja exprimido (suco de laranja natural) $56. Não é restaurante, mas Um bife de lomo con jamón, queso, tomate, huevo y palma (filé mignon com presunto, queijo, tomate, ovo e palmito) alimenta uma pessoa por $170.

Agora vamos a leste da Av. 9 de Julho.

Dica: Considerando o horário dos museus e monumentos em torno da Plaza de Mayo, melhor ir de quarta a domingo. A Casa Rosada só abre ao público nos fins de semana.

Foto da Casa Rosada
Já vimos a sede do judiciário e do legislativo nacionais. Completando os três poderes, na Plaza de Mayo está a Casa Rosada (Casa de Gobierno, Presidencia de la Nación). Este palácio, sede do Governo Nacional (executivo), ocupa o espaço onde foi construído o Forte de Buenos Aires em 1580. Visitas só nos fins de semana. Museu do Bicentenário (Av. Paseo Colón 100) ao fundo do Palácio funciona qua-dom de 10-18h, entrada gratuita.

Foto montagem Cabildo e Catedral Metropolitana de Buenos Aires
Ao redor da praça ainda se encontram o Cabildo (Bolívar 65, entre Av. de Mayo e Hipólito Yrigoyen) — Museo Histórico Nacional del Cabildo y la Revolución de Mayo, visitas guiadas de qua-dom 15h30; e a Catedral Metropolitana de Buenos Aires (Av. Rivadavia com San Martin), onde em uma das várias capelas, guardada por dois soldados de honra, descansam os restos do Capitão-General San Martin. Visitas guiadas ao mausoléu e cripta da Catedral seg-sáb 11h45. Dica: Depois da missa das 12h30 (de 2ª a 6ª) há uma bonita benção às futuras mamães.

Na esquina entre o Cabildo e a Catedral Metropolitana está a do Gobierno de la Ciudad de Buenos Aires (esquina Av. de Mayo, Bolívar e Av. Rivadavia). Atrás do Cabildo está a Casa de la Cultura de la Ciudad (ex Diario La Prensa), um dos edifícios do século XIX (1898) mais luxuosos da cidade.

No chamado Casco Histórico de Montserrat ainda se encontram a Igreja San Ignacio Loyola (Bolívar 225, esquina Adolfo Alsina), mais antiga da Cidade, construída pelos Jesuítas entre 1686 e 1722, Igreja e Convento de São Francisco – Capilla San Roque (Adolfo Alsina 380, esquina Defensa) e outros atrativos (veja portal de Turismo de Buenos Aires).

Calle (rua) Florida: A rua Florida foi a primeira a ter os primeiros trechos destinados exclusivamente a pedestres em 1913, e se tornou um calçadão em toda sua extensão de 1100m em 1971, da Av. Rivadavia (próximo à Praça de Maio) até a rua Marcelo T. de Avelar, na Praça San Martin. Com intenso trânsito de pedestres, ao longo de suas 10 quadras se instalam inúmeras lojas e galerias comerciais, além de kioscos, lanchonetes, bancos etc. Realmente tem muitos canteiros centrais floridos, bem como bancas de revistas. Frequentemente recebe iluminação decorativa. Em meio à multidão, ficam os arbolitos (agenciadores de câmbio paralelo) e agentes de viagem aos gritos tentando abordar os transeuntes. Por ser área turística, os preços por ali não costumam ser pechinchas para compras.

Foto montagem de Galerias Pacifico
Galerías Pacífico (Florida com Av. Córdoba): na altura do número 800 da Florida, vale conhecer este shopping de três andares, cujo belo edifício foi declarado monumento histórico nacional em 1989. Lá dentro sua arquitetura emoldura as lojas, com destaque para os murais da linda cúpula central (onde começam visitas guiadas de 20min, seg-sex 11:30 a 16:30). Funciona seg-sáb 10-21h, domingo 12-21h.

Se chegar ao fim da rua Florida, pode conhecer também a Plaza San Martín, uma das mais antigas da cidade, e seguindo uma quadra pela rua Corina Kavanagh, a Basílica del Santísimo Sacramento (San Martín 1039).

De San Telmo a Porto Madero

Mapa de Buenos Aires com foco em San Telmo e Puerto Madero

Ao sul da Plaza de Mayo está o bairro histórico de San Telmo. A leste está Porto Madero. Ligando os dois está o bairro San Miguel, onde um divertido caminho é opção de passeio. É bom reservar um dia para esse circuito, que se for incluir a Feira de San Telmo, deve ser um domingo.

Feira de San Telmo (Humberto Primo 400) — Feria de San Pedro Telmo, ou Feria Plaza Dorrego — é uma famosa feira de antiguidades e artesanato que ocorre somente aos domingos de 10-17h. Começa na praça Dorrego na esquina de Humberto Primo e Defensa, mas as barracas se estendem por várias quadras ao longo da rua Defensa (quando fui, passavam da estátua da Mafalda na esquina com Av. Chile), além dos antiquários e lojas abertos no caminho.

Vale também uma visitinha à igreja da Parroquia San Pedro González Temo (Humberto Iº 340, entre Plaza Dorrego/Defensa e Balacre) de 1806, com museu aberto ao público aos domingos de 15:30-18:30 e visita guiada (dom) às 16h.

Na rua Defensa e proximidades há vários restaurantes e cafés. Em 2009, por dica dos próprios argentinos, tínhamos ido ao El Desnivel (Defensa 855) e comido um ótimo churrasco, mas voltamos agora e, infeliz trocadilho, sentimos o desnível: o bife de chorizo (corte argentino de contrafilé) estava horrível, duro e entranhado com gorduras enervadas, e malpassado embora tenhamos pedido de ao ponto para bem passado. Se quiser uma boa parrila (churrasco) na região, o blog Aires Buenos indica dois em San Telmo (jan/2015), mas não conferi.

Foto montagem de Paseo de la Historieta: Mafalda, Gaturro, Don Nicola

Paseo de la Historieta: Iniciando com a famosa Mafalda, sentada em um banco; o popular Gaturro; Don Nicola, na chegada a Puerto Madero.


Paseo de la Historieta: Finalmente uma atividade boa para crianças! Circuito de 2km de caminhada por ruas passando por estátuas de personagens populares de cartunistas argentinos. Começa com a famosa Mafalda (Av. Chile 371, com Defensa) de Quino, depois Isidoro Cañones (Av. Chile com Balacre), vira na Balacre passando por mais três pontos de personagens até as Chicas Divito (Balacre com Av. Belgrano), depois segue pela Av. Belgrano passando pela praça onde está o Gaturro (seria concorrente do Garfield?) de Nik e outros personagens chegando ao Don Nicola no cruzamento da Av. Alicia Moreau de Justo em Puerto Madero. O caminho segue atravessando a passarela sobre o rio completando os 16 pontos de personagens até o Museo del Humor (Av. de los Italianos 851), mas paramos no Don Nicola (11º), para passear em Puerto Madero. Dica: No domingo, muita gente que vai à Feira de San Telmo aproveita para tirar foto na Mafalda, então dá fila para tirar foto.

Foto montagem de Puerto Madero e Buque Museo Fragata Sarmiento
E finalmente se chega a Puerto Madero (Porto Madero), local altamente turístico, para agradável passeio de dia ou de noite! Antigo porto da cidade, projeto do comerciante Eduardo Madero aprovado em 1882 e inaugurado em 1897, ficou rapidamente obsoleto para o tamanho dos navios de carga. A área ficou abandonada por mais de 50 anos até que em 1989 um projeto de revitalização liderado pela Corporación Antiguo Puerto Madero S.A. recuperou 170 hectares para habitação e espaço público, e se tornou o bairro mais jovem da cidade. Tem um polo gastronômico repleto de restaurantes charmosos (e caros…) ao longo da Av. Alicia Moreau de Justo com vista para os diques, em uma margem, e um horizonte de modernos arranha-céus na outra margem. Ficam ali a Puente de la Mujer (Ponte da Mulher), popular cartão-postal, dois navios-museu ancorados nos diques, dentre outros atrativos. Meu filho curtiu muito o Buque Museo Fragata ARA Presidente Sarmiento (passeio Juana Manuela Gorriti 600, ancorado no Dique 3), mas exige extremo cuidado (risco de queda) nas escadas, convés e sala de máquinas; todos os dias 10-19h ($5).

Falamos de quase vinte atrações turísticas, e ainda tem muito mais.

Fotomontagem - Caminito, Obelisco, Floralis Generica, Puente de la Mujer
Em uma série de artigos, vou abordar o que descobri e sugiro para explorar Buenos Aires, a bela capital da Argentina, e suas redondezas. Os artigos incluem dicas e sugestões para quem viaja com crianças, mas o conjunto das informações visa turistas em geral.

  1. Introdução e Informações essenciais
  2. Região Central, Porto Madero e San Telmo
  3. Palermo
  4. Recoleta
  5. Escapada: Colonia del Sacramento
  6. Escapada: San Isidro e Tigre
  7. Outros pontos de interesse

Buenos Aires, formalmente Ciudad Autónoma de Buenos Aires (Cidade Autônoma equivale a nosso Distrito Federal) — abreviada como CABA, ou BsAs “para os íntimos” — é uma grande, linda e bem estruturada cidade situada na região centro-leste da Argentina, à margem do Rio da Prata (Río de la Plata), fazendo divisa com o Uruguai.

Divisão político-geográfica de Buenos Aires e vizinhanças

CABA está cercada pela Província (Estado) homônima de Buenos Aires, mas a Cidade Autônoma não pertence à província e é Capital Federal do país, enquanto a capital da província é La Plata. Em área metropolitana, Buenos Aires só perde para São Paulo na América do Sul.

O clima é agradável para visitas em qualquer época do ano. Janeiro é o mês mais quente em Buenos Aires, com temperaturas chegando à casa dos 30 °C, e o mais frio é julho, com temperaturas em torno de 10 graus. Não chove muito em Buenos Aires, sendo o período mais seco de julho a setembro. Mesmo no verão, é recomendável levar um agasalho leve, para alguma eventual frente fria.

Em 2009, fiz um passeio vapt-vupt de quatro dias em Buenos Aires, conheci superficialmente os principais pontos turísticos e fiquei com gostinho de quero mais. Agora em 2016, tive a oportunidade de passar vários dias na Capital da Argentina e relato nessa série minhas experiências para você poder explorar essa bela cidade e suas redondezas.

No presente artigo, falo sobre documento, câmbio, transporte, internet, celular e tomadas.

Documento de identidade

Não é necessário visto e você pode entrar na Argentina (e em outros países do Mercosul) com Passaporte, ou com a Cédula de Identidade Civil emitida por uma Secretaria de Segurança Pública Estadual. Não são aceitas carteira de motorista, carteiras de identidade profissional (OAB, CREA etc.) e outros documentos de identidade, nem certidão de nascimento (mesmo para recém nascidos ou bebês). Para passaporte, é recomendável restar mais de três meses de validade, e se carteira de identidade, deve estar em bom estado e com foto recente. Mais informações no Consulado Brasileiro.

O Passaporte tem algumas vantagens. Nele mesmo ficam os carimbos de entrada e saída do país, necessário na Imigração. Além disso, é fácil e rapidamente escaneado para identificação na Imigração. Se for utilizar Cédula de Identidade, a primeira vez que se entra na Argentina com ela, a imigração faz um cadastro manual no momento do guichê de entrada, o que toma um tempinho a mais, e você recebe um papel à parte contendo o carimbo de entrada, que deve ser preservado durante toda a viagem e apresentado na saída do país. Não perca o carimbo de entrada, viu!

Câmbio

Câmbio A Argentina atravessou nos últimos anos um período de bastante inflação e regulação do câmbio oficial de moeda estrangeira. Assim, o melhor é procurar as informações mais atualizadas possíveis próximo ao início da sua viagem.

Dinheiro ou cartão? Dólar ou Real?

Não sou especialista, mas não acho economicamente vantajoso utilizar cartões de crédito/débito internacional ou pré-pagos em moeda estrangeira (tipo Visa Travel Money), por vários motivos: primeiro, o imposto (IOF) de 6,38% sobre cartões atualmente cobrados no Brasil; segundo, o câmbio de conversão para Pesos Argentinos praticados pelos cartões em geral é pior que o câmbio de dinheiro em notas; terceiro, há várias situações onde não é viável ou prático usar cartão, e ao fazer saques no exterior os cartões cobram taxas, bem como limitam o valor máximo de saques. Os únicos pontos a favor dos cartões são a segurança e o controle. Você decide se quer pagar o preço. Eu preferi levar dinheiro em notas, e deixar cartões como backup de emergência.

Para levar notas, como comprar dólares também tem imposto no Brasil, 0,38%, e o real no momento está razoavelmente valorizado na Argentina, então acho mais prático levar reais mesmo.

Onde fazer câmbio de reais (ou dólares) por pesos argentinos

Desde 2011, quando Cristina Kirchner instituiu o controle sobre venda de moeda estrangeira na Argentina, o país viu nascer um mercado paralelo de câmbio, conhecido localmente como “cambio blue“. É uma atividade ilegal porém tacitamente tolerada, em casas de câmbio paralelo chamadas “cuevas“.

Contudo, o novo Presidente Mauricio Macri (tomou posse em dez/2015) liberou a flutuação do câmbio oficial, e no momento em que escrevo este artigo, estava valendo a pena fazer o câmbio de dólares ou reais por pesos argentinos diretamente no Banco de la Nación Argentina. A página principal do site do banco exibe um quadro com as cotações de compra de reais, dólares e euros do dia.

Foto da agência de câmbio do Banco Nación no Aeroparque

Agência de câmbio do Banco de la Nación no Aeroparque Jorge Newbery, perto do desembarque internacional.

Para fazer câmbio no Banco de la Nación, é necessário apresentar o documento (passaporte ou CI) que será fotocopiado. Eles também exigem que se assine uma via do recibo da operação de câmbio, e entregam outra.

Banco de la Nación: Há agências de câmbio do banco nos aeroportos Ezeiza e Aeroparque Jorge Newbery, que funcionam 24 horas, 365 dias por ano. Quando comprei, o câmbio estava limitado a R$ 1.000,00 (mil reais) por pessoa. No centro da cidade, pelo que me informei em uma agência do banco, a única que faz câmbio de reais é a Sucursal Plaza de Mayo, agência central do banco que ocupa toda a quadra, com entrada pela calle (rua) Mitre 326 (uma portinha rotativa discreta, quase na esquina) ou Av. Rivadavia 371, na Plaza de Mayo (a praça da Casa Rosada), subsolo, em horário bancário (segunda a sexta, 10 às 13h). Nesta agência central, era possível trocar mais de mil reais.

O blog Viaje na Viagem, de Ricardo Freire, nos artigos Real passa a ter boa cotação no Banco Nación (2015-12-30) e Buenos Aires: dossiê câmbio e transfer cita também casas de câmbio oficial, várias na Av. Sarmiento, que poderiam ter uma cotação ligeiramente melhor, mas não procurei.

As cuevas (casas de câmbio paralelo), muitas vezes disfarçadas de agência de viagem ou loja de numismática, ou mesmo em salinhas escondidas de prédios, várias com agenciadores (“arbolitos“) que ficam em locais de grande movimento turístico como a Florida oferecendo câmbio aos gritos, tem riscos (notas falsas, por exemplo). Entre os dias 1 e 19 de jan/2016, enquanto o câmbio oficial do Banco Nación começou 3,90 depois passou a 3,75, consultamos algumas cuevas na região da Florida e os câmbios estavam entre 3,60 e 3,90. Ou seja, na época desse artigo, o câmbio paralelo não estava tão vantajoso.

Posso pagar direto em reais?

Muitos estabelecimentos e taxistas aceitam pagamento também em real ou dólar, mas não recomendo arriscar. O fator de conversão em geral é pior, pode dificultar troco, e aumenta risco de erro de contas na hora de pagar. Eu preferi trocar pesos no Nación dentro da minha expectativa de gasto.

Transporte

Buenos Aires tem uma ótima estrutura de transporte público, que inclui muitos taxis, ônibus (colectivos), linhas de metrô subterrâneo (subte) e trens suburbanos. As principais avenidas tem muitas faixas de rolamento (a 9 de Julho chega a ter 22!).

Traslado dos aeroportos

O Aeroporto Internacional de Ezeiza ao sul da cidade é mais afastado do centro, fica a 18km do Obelisco. O Aeroparque Jorge Newbery, ao norte de Palermo às margens do Rio de la Plata, fica a 10km do Obelisco. Nos dois aeroportos, você terá opção de: taxi, nos pontos sinalizados fora do aeroporto; transfer remis em vans ou caros de aluguel, como o Tienda León, contratados e pagos antecipadamente nos guichês da empresa dentro do aeroporto; ônibus de transfer que levam a pontos predefinidos da cidade.

Chegamos pelo Aeroparque no feriado de 1º de janeiro, e as opções de transporte estavam escassas. Como éramos quatro pessoas com malas, não encontramos rapidamente um taxi que nos comportasse. Voltamos ao interior do aeroporto e optamos então por um remis, e mesmo assim só na terceira tienda (guichê de empresa) havia disponibilidade, Transfer Express, com espera em torno de 20 minutos. O transfer até nosso endereço em Palermo custou $258 (pesos argentinos), em uma confortável Renault Cangu. Um taxi custaria em torno de $100, pelo taxímetro.

Veja também:
Buenos Aires: dossiê câmbio & transporte dos aeroportos (blog Viaje na Viagem, por Ricardo Freire, 2015-12-25)
Traslados desde os Aeroportos de Buenos Aires (blog Brasileiros por Buenos Aires, 2015-02-19).

Taxi

Foto de taxi de Buenos Aires

A cidade tem uma vasta frota de quase 40 mil taxis, de cor preta com teto amarelo, praticando duas faixas de tarifa: a normal, com uma bandeirada inicial e um acréscimo a cada 200m ou cada minuto parado, e uma tarifa noturna 20% mais cara entre 22h-6h. O site Taxista Virtual calcula o valor de uma corrida de taxi em Buenos Aires (e outras cidades argentinas) quando se fornece os endereços de origem e destino.

Como existem taxistas desonestos (não é maioria e não precisa ficar paranoico, mas fique atento), eis dicas de segurança para tomar taxis:

  • Fuja dos taxistas que se oferecem fora do carro, no desembarque dos aeroportos e outros pontos de concentração (como o desembarque de buque em Porto Madero, como verá no artigo sobre Colonia), que costumam ser os espertalhões. Prefira dar sinal para um taxi passando, solicitar um radio taxi por telefone ou usar um aplicativo celular (Easy Taxi é bem usado na Argentina).
  • O usual é entrar pelas portas de trás. Ao entrar, confira se atrás dos bancos dianteiros estão dependuradas as placas de identificação do condutor e do veículo oficiais da prefeitura. Confira se o taxista liga o taxímetro com a bandeirada correta.
  • Muitos taxistas usam GPS que localiza destino com rua e número, mas é recomendável você saber informar o destino ao estilo portenho, pelo cruzamento mais próximo: ao invés de dizer “Posadas 1515”, diga “Posadas y Callao“, ou “Posadas entre Callao y Ayacucho“. O cruzamento dá uma noção mais precisa do local ao taxista.
  • Na dúvida, pergunte uma noção do valor aproximado até o destino. De preferência, já tenha essa noção consultando o Taxista Virtual. Se tiver que pagar em outra moeda, pergunte antes se o taxista aceita e qual a conversão.
  • Golpes comuns relatados sobre taxistas desonestos são receber uma nota de 100 pesos verdadeira sua e recusar devolvendo uma falsa trocada, ou alegar que você deu 10 ao invés de 100 pesos. Por isso, Não tome taxi só com notas de 100 pesos, e entregue as notas uma a uma contando e fique de olho.

Outros artigos de blog que recomendo com dicas sobre taxis em Buenos Aires:
Buenos Aires: 5 dicas para não ser enrolado no táxi (Viaje na Viagem, 2014-07-18)
Táxi em Buenos Aires: O que você precisa saber (Aguiar Buenos Aires, 2015-12-22)
Os táxis e o metrô de Buenos Aires: preços, golpes e dicas de segurança (Meus Roteiros de Viagem, 2013-10-07).

Exemplos de custo de taxi em jan/2016: uma corrida média de uns 6km (tipo entre Palermo e Casa Rosada) na cidade costuma ficar em torno de $60 pesos. Uma corrida mais longa (tipo entre Caminito e Palermo) estava perto de $150.

Coletivos

Câmbio Taxis em Buenos Aires são mais baratos que no Brasil, mas o transporte coletivo (metrô, ônibus e trem) é muito barato e cobre a maior parte da cidade e redondezas. Se quiser uma locomoção econômica em Buenos Aires, pode deixar os taxis apenas para locais e horários mais difíceis.

Para usar o transporte coletivo, a primeira medida essencial é comprar e carregar crédito em uma Tarjeta SUBE (cartão SUBE), vendido em mais de 4 mil pontos na cidade, como loterias, kioscos (lojinhas de conveniência) e outros.

O cartão SUBE tem custo de aquisição, mas as passagens de metrô e ônibus são mais baratas com ele, então se paga rapidamente. Além disso, é super prático e rápido, basta encostar no local próprio nas roletas de entrada do metrô ou no aparelho na entrada dos ônibus. E desde 10/dez/2015, as linhas de ônibus nem aceitam mais moedas, só SUBE.

Em jan/2016, o cartão custava 25 pesos. Ele é vendido zerado, e em geral no próprio ponto de venda é possível dar carga. Uma corrida de metrô ou ônibus estava em torno de $4, então calcule quanto será necessário. Os pontos de carga não cobram nenhuma taxa extra. Curiosamente, estações de metrô costumam ter guichês para carga, mas não vendem o cartão.

Crianças de colo não pagam corrida. Não há problema em várias pessoas usarem o mesmo cartão, desde que haja crédito suficiente, claro.

Em geral, as pessoas são educadas para ceder lugar para pessoas com criança de colo, grávidas, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção.

O site governamental Como Llego indica as opções de transporte, dados origem e destino. Funcionou perfeitamente. Mais adiante, falarei de aplicativos para celular.

Subte (metrô, subterrâneo): Buenos Aires tem 6 linhas de subte, identificadas por cores, 4 leste-oeste e 2 norte-sul, e vários pontos de combinación (conexão interna entre linhas, não paga outra passagem). Veja o mapa oficial. A tarifa avulsa em jan/2016 era $5, mas com o cartão SUBE, o valor é regressivo de $4,50 até $2,70. Funcionam todos os dias das 5h até em torno de 22h (veja tabela exata de horários). Em geral, passa um comboio a cada 3 a 10 minutos.

Curiosidade: Quando estive em Buenos Aires em 2009, a linha “A”, mais antiga, ainda circulava com os vagões belgas em operação desde 1913, com bancos em madeira. Eram uma atração! Para tristeza dos saudosistas mas segurança e comodidade dos passageiros, estes vagões foram substituídos em 2013 por trens modernos, de fabricação chinesa.

Colectivo (ônibus): Tem mais de 100 linhas na região metropolitana. Os pontos costumam ser bem identificados e também há um sistema de cores das linhas. A entrada é pela porta da frente, e descida pela central ou traseira. É importante saber que os recorridos (trajetos) são divididos em seções (de 3km cada), então na entrada, informa-se ao motorista o destino (preferencialmente cruzamento) e ele pressiona um botão correspondente que define a tarifa de acordo com o número de seções, para em seguida você pagar. Em jan/2016, as corridas que fiz variaram de $3,00 a $3,50 com a Tarjeta SUBE.

Sites de informações sobre coletivos: Xcolectivo.com.ar, Omni Líneas, Los Colectivos.

Internet e Celular

Buenos Aires é uma cidade “wi-fi friendly”, com vários pontos do BA WiFi grátis da prefeitura e também muitos estabelecimentos que oferecem wi-fi aos clientes. Muitos cafes tem inclusive tomadas perto das mesas para você ligar o carregador de seu celular, tablet ou laptop.

Ainda assim, se você é daqueles que não pode passar um minuto sem internet no seu celular, há boa cobertura 3G e 4G na cidade. Considerando os preços abusivos das operadoras de celular brasileiras no exterior, eu optei por comprar um chip pré-pago na Argentina. Em Buenos Aires há três operadoras: Movistar, Personal e Claro.

Em alguns blogs, recomendava-se a Movistar. Mas no dia 1º de janeiro em que chegamos, procuramos uma loja Movistar e atenderam mal e informaram que a rede estava com problema, então comprei um Personal. Funcionou bem em todos os lugares de Buenos Aires. Chips são vendidos em praticamente qualquer dos muitos kioscos (lojinhas de conveniência) e bancas de revistas, além das lojas próprias das operadoras. Em geral são fornecidos em tamanho normal e eles podem cortar para micro. O chip nano é mais específico, talvez seja melhor procurar uma loja da operadora (o meu é micro).

Assim como no Brasil, as operadoras tem vários planos e promoções, e entender pode ser confuso. O pré-pago da Personal que comprei em um kiosco custou $30 pesos e já vinha com $20 de crédito. No próprio kiosco pus mais $5 de crédito inicial, mínimo necessário para ativar o chip. Ativou em poucos minutos. O plano Personal com Tarjeta cobra $4,20 por 30MB de internet por dia (se esgotar a franquia em um dia, pode-se adicionar mais 30MB via SMS). Cadastrando uma clave (senha) no site, é possível consultar o histórico de consumo.

Aplicativos para celular que sugiro instalar para uso em Buenos Aires:

  • Cómo Llego, mapa e roteiros de transporte (público, de carro, a pé, bicicleta) entre origem e destino, fornecido pelo Governo da Cidade, além de vários outros aplicativos que podem ser úteis ao turista.
  • Moovit, aplicativo de transporte público que funciona em diversas cidades do mundo, inclusive Buenos Aires, mostrando inclusive horário de previsão de chegada do próximo ônibus ou metrô no ponto/estação.
  • Easy Taxi, se quiser chamar um taxi por aplicativo.
  • Guía Óleo de Restaurantes e Bares em Buenos Aires.
  • XE Currency Converter, conversor de cotações entre moedas, não é super atualizado, mas é um referencial rápido e prático a qualquer momento.

Agradeço as dicas iniciais do artigo 7 Aplicativos de viagem para Buenos Aires, do blog Aires Buenos.

Eletricidade

Aproveitando que falei de dispositivos móveis e carregadores, é bom falar também da eletricidade na Argentina. A energia em Buenos Aires é 220V e 50Hz, e a tomada de 3 pinos chatos (fase-neutro diagonais e terra vertical, tipo “I”, o mesmo da Oceania).

Quanto à voltagem e corrente, atenção ao seu aparelho. A maioria dos carregadores trabalha com voltagens 100-240V e frequência 50-60Hz. Mas considerando que a voltagem mais comum no Brasil é 110V e a frequência 60Hz, verifique antes de viajar seus aparelhos para não ter problemas, ou ter que sair correndo atrás de um transformador.

Fotos dos modelos novo e antigo de tomada na Argentina

Crédito: blog Tô Longe de Casa, por Leonardo Lima, 2013-09-22.


Algumas tomadas têm dois furos de entrada simultânea para os plugues brasileiros antigos (tipo “C”) de 2 pinos cilíndricos (fase-neutro) sem terra, mas não conte com isso. Se você tem carregador de laptop ou outro aparelho com o novo padrão brasileiro de três pinos, então, pior ainda.

Imagem do adaptador Elago Tripshell World Travel Adapter e sua caixa

Minha indicação: compre um bom adaptador universal de tomadas. Eu comprei um no duty free Elago Tripshell World Travel Adapter com duas entradas USB, por USD 35 (dólares americanos). Funcionou bem. Note que ele resolve o problema dos plugues, não da voltagem e frequência, ou seja, não é um transformador de corrente!

Para saber mais:
Dicas antes de viajar para Buenos Aires: as tomadas elétricas (Brasileiros por Buenos Aires, 2015-07-10)
Na Argentina: adaptador universal, pero no mucho 🙁 (Viaje na Viagem, 2015-09-23)
Conheça os plugues de tomada usados no mundo e evite stress em viagens (UOL Viagem, 2015-11-08)
AC power plugs and sockets (Wikipedia em inglês)
Find the Best International Travel Adapter for Your Next Trip (Travel Gift List)
Top 6 Travel Adapters (eBay, 2014-06-09)

Informações Turísticas e Dicas

O próprio Governo da Cidade disponibiliza ricas fonte de informações turísticas na web, incluindo Portal de Turismo (disponível em Português) que cito em vários links ao longo dos artigos, a Agenda Cultural BA e o utilíssimo Mapa Interativo de Rotas ¿Cómo Llego?.

A propósito, você pode solicitar via web sua Tarjeta VOS, um cartão de benefícios que dá desconto em várias atrações e estabelecimentos, e retirá-lo em um dos Centros de Informações Turísticas (CIT). Por exemplo, no Zoo de Buenos Aires, tive 50% de desconto. Veja a lista completa de benefícios. Dica que me foi dada pela funcionária do posto de informações turísticas: prefira usar o tipo de documento Cédula de Identidade Brasileira e preencha o número sem letras, somente dígitos, pois assim é aceito em alguns serviços como EcoBici de bicicletas públicas.

As classificações e comentários do TripAdvisor para O que fazer em Buenos Aires são também uma fonte de referência tradicional.

Há também ótimos blogs de viagem em geral e blogs de brasileiros específicos sobre Buenos Aires, como o Aires Buenos, Brasileiros por Buenos Aires, Buenos Aires para Chicas, dentre outros. É sempre importante verificar se são informações atualizadas: consulte a data dos artigos e veja comentários recentes.

Eu também fiz uma mapa personalizado de atrações em Buenos Aires no Google Maps, de onde tirei imagens que ilustram os artigos que se seguem.

Por ora, acho que é só isso tudo.

Há muitos anos adquiri e uso o software shareware gerenciador de downloads chamado GetRight.

No tempo da banda não tão larga assim, um dos recursos do GetRight era buscar a aceleração de downloads com a engenhosa opção de segmentar o arquivo a baixar em vários pedaços simultaneamente, inclusive podendo baixar cada segmento de um servidor diferente. Atualmente, esse recurso tem pouca valia.

Dois recursos do GetRight que me interessam até hoje são os seguintes:

  • Opção de gerar um arquivo de log para cada download, onde fica anotado o URL (endereço) de origem do download e pode-se fornecer também uma anotação ou descrição.
  • A opção de preservar o horário (timestamp) de modificação do arquivo no servidor, ao invés de deixar o arquivo com a data em que você realizou o download. Esta opção só está disponível na versão paga do GetRight.

Enquanto os navegadores web não implementam esses recursos de forma nativa, eu vou usando o GetRight para gerenciar e organizar meus downloads.

Sobre a preservação do timestamp de modificação de downloads

Apesar da informação da data de última modificação do arquivo no servidor estar facilmente disponível no cabeçalho dos pacotes HTTP para um download, infelizmente os navegadores mais populares ainda não oferecem a opção de preservar a data-hora original do arquivo, embora existam demandas de usuários para que esse recurso seja implementado. Veja:

Uma extensão para Firefox que promete oferecer essa opção não funciona.

Voltando ao HTTPS

Contudo, já faz um bom tempo que observei que os downloads via HTTP (conexão segura) muitas vezes não estavam funcionando no GetRight, aparentando ficar extremamente lentos ou parados.

Como o GetRight não vem sendo mais atualizado desde a versão 6.5 de fev/2011, suspeitei de problemas de compatibilidade ou mesmo bug com a bibioteca DLL que implementa o OpenSSL no GetRight para suportar HTTPS.

Procurando na pasta do GetRight em Arquivos de Programas (x86), encontrei o arquivo libeay32.dll. Em Propriedades > Detalhes do arquivo vemos que se trata da OpenSSL Shared Library versão 0.9.8.11 de mar/2009.

Propriedades de libeay32.dll do GetRight

Consultei o site do projeto de software livre OpenSSL e vi que a versão estável mais recente disponível no momento em que escrevo este artigo era 1.0.2e.

Por se tratar de um software envolvendo criptografia, que tem restrições de uso e exportação para alguns países mais “complicados”, o site OpenSSL.org só disponibiliza os códigos-fonte do OpenSLL para baixar. Vários sites independentes oferecem o download de versões compiladas para Windows (32 e 64 bits) do OpenSSL. Optei por baixar de https://indy.fulgan.com/SSL/ o arquivo openssl-1.0.2e-i386-win32.zip (apesar do meu Windows ser 64-bit, o GetRight é antigo e 32-bit).

Extraí do ZIP baixado o arquivo libeay32.dll atualizado da versão 1.0.2e, substituí esse arquivo na pasta do GetRight e… sucesso! Os downloads via HTTPS voltaram a funcionar rapidamente no GetRight.

#ficaadica … Espero que seja útil para mais alguém.

Sem Plug-insRemonta à época do velho navegador internet Netscape a ideia de se definir uma API aberta de plug-ins para integrar tratamento de conteúdos e mecanismos específicos ao navegador, como vídeos, animações, gráficos vetoriais, PDF, aplicações dinâmicas etc., de forma que o os mecanismos nativos do navegador se concentrassem em navegação e exibição de páginas da “World Wide Web”. Isso fazia muito sentido naqueles anos 90.

E até agora, praticamente todos os navegadores populares da atualidade, em sistemas operacionais desktop como Windows, Linux e MacOS, ainda implementavam a arquitetura de plug-ins multi-plataforma denominada Netscape Plugin Application Programming Interface (NPAPI).

Contudo, no longo caminho de mais de 20 anos de evolução desde os idos do Netscape até hoje, e mais intensamente nos últimos anos, a necessidade de plug-ins vem decrescendo. E a tendência iminente é chegar a zero!

Este artigo busca um retrospecto e referências dos principais aspectos, contextos e fatos envolvidos na decadência dos plug-ins de navegadores.

Recursos nativos

Os navegadores e os padrões da web vem evoluindo para incorporar cada vez mais recursos nativos para conteúdo dinâmico, rico e interativo. Citemos alguns marcos importantes:

Ajax e Rich Internet Applications (RIA)

Os padrões de JavaScript, CSS (estilos), DOM (modelo de objetos das páginas web para manipulação programática, especialmente via JavaScript) evoluíram muito para suportar cada vez mais interatividade e experiência rica (RIA) nas páginas web, com destaque par a popularização do Ajax e de frameworks de programação web poderosos como jQuery e AngularJS, só para citar alguns. Veja por exemplo meu artigo Ajax e RIA – Radar do mercado, de mai/2011.

HTML5

O padrão HTML5 (desenvolvimento iniciado em 2007/2008 e recomendação oficial do W3C concluída em 2014-10-28, especificação liderada por Ian Hickson da Google), suportado por todos os principais navegadores da atualidade, incluiu elementos nativos para incorporação de multimídia como vídeo, áudio e legendas, equações matemáticas (MathML), gráficos vetoriais (SVG), canvas gráficos 2D (bitmaps dinâmicos) e 3D (WebGL) etc. diretamente em páginas web. Isso dispensa o uso de plug-ins antigamente utilizados para integrar com visualizadores multimídia do sistema operacional como Apple Quicktime, Windows Media Player ou VNC.

Referências sobre HTML5 e seus recursos nativos:

PDF

Mozilla Firefox, Google Chrome e Microsoft Edge atualmente incluem visualizadores nativos de documentos PDF. Isso dispensa o plug-in integrando o Adobe Acrobat Reader. O Chrome oferece também recurso nativo para Salvar como PDF páginas web, ao invés de imprimir.

A Adobe alega que o Acrobat Reader garante melhor experiência do usuário e garante total compatibilidade com o formato PDF, evitando erros e problemas na utilização de recursos avançados. Vários navegadores, mesmo possuindo visualizador nativo, oferecem alternativa de configurar o Adobe Acrobat Reader para abrir documentos PDF. Veja também Change in support for Acrobat and Reader plug-ins in modern web browsers, na base de conhecimento de Ajuda da Adobe.

Extensões ou complementos nativos do navegador

O modelo de extensões ou complementos específicos para os principais navegadores, disponibilizadas para baixar em repositórios ou “lojas” (Mozilla Add-ons, Google Chrome Web Store etc.), permite incorporar novas funcionalidades e comportamentos específicos aos navegadores como componentes adicionais nativos.

A era dos dispositivos móveis

E veio a era dos dispositivos móveis (smartphones e tablets), memória RAM e telas menores que os desktops, interação fortemente baseada em toque direto na tela, e em sua maioria com sistemas operacionais Google Android ou Apple iOS.

Com as diferenças e limitações de hardware, sistema operacional e software dos dispositivos móveis, em geral os aplicativos para estes dispositivos são mais enxutos e especializados. A consequência é que os navegadores internet para smartphones e celulares em geral não suportam mecanismos de plugin.

Depois da versão 11.1 do Adobe Flash Player em set/2013, a Adobe deixou de publicar Flash Player para browser em dispositivos móveis Android. No iOS, em meio a alegações controversas desde uma declaração Thoughts on Flash de Steve Jobs em abr/2010, o Flash nunca foi suportado nos dispositivos móveis da Apple. No Android, o Flash Player deixou de ser disponibilizado no Google Play Store; em Android 4 e inferior, ele só pode ser instalado manualmente diretamente a partir do repositório arquivado da Adobe.

Referências:

A extinção do NPAPI

Microsoft

O Microsoft Internet Explorer 5.5 SP2, em ago/2001, já havia descontinuado o suporte ao protocolo NPAPI, deixando de suportar os plug-ins no estilo Netscape em favor da integração via tecnologia ActiveX, introduzida desde o Internet Explorer 3, conforme artigo #30341 da base de conhecimento de suporte Microsoft.

O novo navegador Microsoft Edge introduzido no Windows 10, por sua vez, descontinuou também o suporte à tecnologia ActiveX. Veja A break from the past, part 2: Saying goodbye to ActiveX, VBScript, attachEvent…, 2015-05-06, por Microsoft Edge Team, em Windows Blog.

Google

Em setembro de 2013, Justin Schuh, Engenheiro de Segurança e Planejador de Obsolescência de Plug-in da Google, publicou no Chromium Blog que a arquitetura anos-90 do NPAPI se tornara causa frequente de travamentos, falhas, incidentes de segurança e complexidade de código; por causa disso, Chrome iria gradualmente reduzir o suporte a NPAPI a partir do ano seguinte.

Como evidência de que a web estava pronta para essa transição, Schuh apresentou dados baseados nos dados anônimos de uso coletados pelo Chrome indicando que à época apenas seis plug-ins haviam sido usados por mais de 5% dos usuários no mês anterior: Silverlight (15%), Unity (9,1%), Google Earth (9,1%), Java (8,9%), Google Talk (8,7%) e Facebook Video (6%).

Em artigo de atualização de novembro de 2014, com os dados indicando que o uso de NPAPI continua em queda, a Google apresentou a contagem regressiva para o NPAPI, com todos os plugins passando a ser bloqueados por padrão em jan/2015, depois o suporte a NPAPI desabilitado por padrão em abr/2015 (o que efetivamente ocorreu no Chrome 42) e, por fim, o suporte a NPAPI sendo permanentemente removido do Chrome em set/2015 (Chrome versão 45). Assim ocorreu.

Mozilla

Em 8 de outubro de 2015, Benjamin Smedberg, gerente de engenharia de qualidade do Firefox na Mozilla, publicou um anúncio sobre plugins NPAPI no Firefox: a Mozilla pretende remover o suporte a plugins NPAPI no Firefox até o fim de 2016. Apenas o suporte a Adobe Flash deve ser mantido em caráter excepcional. Novas plataformas como o Firefox 64-bits para Windows já nascem sem suporte a plugins.

Similar à Google, Smedberg também justifica que com a evolução dos browsers e da Web, muitos recursos que antes requeriam plugins estão agora disponíveis nativamente. E que com a velha NPAPI, plug-ins são fonte de problemas, travamentos e incidentes de segurança para os usuários.

Firefox começou este processo vários atrás, com o mecanismo de ativação manual de plugins, permitindo que usuários ativem um plugin apenas quando necessário. Smedberg cita que a decisão da Mozilla espelha a de outros navegadores modernos, como Google Chrome e Microsoft Edge, que também removeram suporte a plugins legados.

Os remanescentes e os novos movimentos

Quatro plug-ins para incorporação de aplicações dinâmicas avançadas ainda merecem destaque: O Adobe Flash Player, o Java Plug-in, o Microsoft Silverlight e o Unity 3D. Vamos avaliar a situação e tendência para cada um deles.

Flash

O Adobe Flash é a única tecnologia complementar que ainda persiste, praticamente unânime, largamente utilizada para vídeos em fluxo (streaming), jogos e animações em sites web, com forte intenção de continuidade de suporte pelos principais navegadores.

A Google trabalhou em conjunto com a Adobe para integrar Flash Player built-in no Google Chrome, inclusive com atualizações automáticas, sem a necessidade do usuário baixar manualmente. O Flash Player embutido no Chrome utiliza Pepper Plugin API (PPAPI), um sistema mais novo e seguro de integração de plug-ins desenvolvido pela Google a partir de 2009.

O Internet Explorer 5.5 em diante passou a integrar o Flash Player via ActiveX (a instalação da Adobe fornecia um plug-in ActiveX especialmente para o IE) e, com o dessuporte do ActiveX no novo navegador Microsoft Edge, este passa a integrar o Flash Player nativamente, similar ao Chrome.

No artigo NPAPI Plugins in Firefox, de out/2015, a Mozilla informa que com a descontinuidade do NPAPI em 2016, o suporte a Flash será mantido como uma exceção, sem ainda revelar detalhes técnicos, mas anuncia que Mozilla e Adobe vão colaborar para melhorar a experiência do Flash no Firefox, incluindo estabilidade, desempenho e segurança.

Java

O uso de applets Java integradas ao navegador tem tido um universo mais especializado de aplicações. Tirando proveito do poder e abrangência de aplicações Java capazes de lidar com todo tipo de recurso no computador, no Brasil posso citar pelo menos dois grandes exemplos:

O plug-in Guardião de Segurança antifraudes durante as transações on-line (internet banking), desenvolvido pela GAS Tecnologia e utilizado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander, recorreu a applet Java para seus propósitos.

No Poder Judiciário, as aplicações web de processo eletrônico, como o Processo Judicial Eletrônico (PJe) instituído nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tem usado intensamente applet Java para acessar o certificado digital de pessoa no computador do usuário, para assinar digitalmente documentos eletrônicos e/ou para autenticação segura.

Com o fim do suporte a NPAPI já ocorrido no Chrome 45 (set/2015) e iminente no Firefox (dez/2016), que era o mecanimo de integração do Java plug-in nestes navegadores, a Oracle recomenda, no curto prazo, os usuários migrarem para Internet Explorer (Windows, que integra o Java plug-in via ActiveX) ou Safari (MacOS X, que ainda suporta NPAPI) para acessar aplicações Java através do navegador. E de forma mais definitiva, orienta os desenvolvedores a migrar as applets Java para aplicações Java Web Start, que podem ser disparadas através do navegador via protocolo Java Network Launching Protocol (JNLP), mas executam como aplicações desktop independentes no Rumtime Java SE e não interagem com o navegador depois de iniciadas.

Microsoft Silverlight

O Silverlight é uma tecnologia da Microsoft baseada em .NET Framework, que nasceu em 2007 aparentemente para concorrer com o Flash da Adobe, e que já teve sua descontinuidade anunciada na versão 5 com o fim do suporte pela Microsoft em 2021. Nesse meio tempo, um grande adepto do Silverlight foi o serviço Netflix de filmes e séries pela internet, que tirou proveito do controle de conteúdo protegido por direitos autorais (DRM) do Silverlight para reproduzir os vídeos em desktop Windows e MacOS. O Silverlight plug-in se integra ao navegador via NPAPI ou, no Internet Explorer, ActiveX. Como o Edge não suporta nenhuma das duas tecnologias de plug-in, o Silverlight não é compatível com o novo navegador da Microsoft.

Com a descontinuidade do Silverlight em 2021, a Netflix anunciou desde 2013 que pretende migrar para vídeo HTML5 com Premium Video Extensions nos computadores desktop. Em dispositivos móveis, smart TVs e consoles de jogos, a Netflix já possui seu próprio aplicativo dedicado e não depende de navegador.

Unity 3D

https://blog.mozilla.org/futurereleases/2015/10/08/npapi-plugins-in-firefox/

“As part of our plugin strategy, Mozilla and Unity are proud to jointly announce a close collaboration and an aligned roadmap that will enable Unity-based content to be experienced directly in the browser without plugins. As this technology continues to evolve, Unity has announced an updated roadmap for its Web Player technology.”

Conclusão

Com a popularização de marcos tecnológicos como Ajax, HTML5 e dispositivos móveis, o uso de plug-ins nos navegadores web perdeu fortemente o sentido. Acrescente-se a isso a extinção do suporte à velha arquitetura de plug-ins NPAPI por dois dos navegadores mais utilizados (Chrome e Firefox, além do IE e Edge) até 2016.

Somente o Adobe Flash, por sua grande popularidade em conteúdos web e experiência de usuários, tem sido tratado de forma excepcional pelos fornecedores de navegadores com estratégias para manter sua compatibilidade.

Desenvolvedores de aplicações internet e provedores de conteúdo devem repensar profundamente suas estratégias de integrar conteúdo e aplicações às páginas web mais adequadas aos tempos atuais, deixando para trás a era dos plug-ins.

Estou tão corrido e sem tempo que fiz uma grande revisão no meu artigo sobre Gerenciamento de Projetos em 11 de julho (!) e só hoje vou comentar aqui.

Uma grande parte da revisão foi atualizar informações para a quinta edição do PMBOK. Desde o alinhamento com a norma ISO 21500, até as figuras e textos refletindo a incorporação da nova área de conhecimento “Partes Interessadas” e a revisão dos processos de GP, que passaram de 42 para 47.

Outra grande parte foi na última seção, que citava como referencial de organização para guias e boas práticas em gerenciamento de projetos apenas o IPMA, de origem européia (e sua afiliada brasileira ABGP). Agora são citados também o PRINCE2, de origem inglesa, e os métodos e ferramentas ágeis como Scrum, Kanban e Project Model Canvas (este último do brasileiro José Finocchio Júnior).

Confira o artigo atualizado: PMBOK e Gerenciamento de Projetos.

Ainda no assunto de atualização de artigos mas com bem menor abrangência, revisei hoje o artigo sobre criação de arquivos PDF a partir de conteúdo no Windows. Basicamente percorri os sites do Ghostscript e das impressoras PDF avaliadas, verificando suas versões atualizadas e novidades trazidas, como compatibilidade com o Windows 10, por exemplo.

Confira: Gerando PDFs com (ou sem) o Ghostscript.

Em 1º de setembro de 2015, mesmo dia em que o lançamento da versão 45 do navegador Google Chrome encerrou a compatibilidade com plugiins NPAPI (em especial Oracle Java e Microsoft Silvelight), a Google lançou uma atualização da identidade visual de sua logomarca, incluindo novo ícone.

Logotipo Google

Google Logotype

Um logotipo em fonte sem serifa mantendo a sequência multi-cor característica da Google.

Google dots

Google Dots

Uma destilação dinâmica do logotipo para momentos interativos, assistivos e transicionais.

Ícone Google G

Google G

Uma versão compacta do logo Google que funciona em pequenos contextos, como ícone.

Para saber mais:

Quando eu estou investigando a suspeita da presença de um novo malware (código malicioso), não detectado pelo antivírus instalado, em um computador com Windows, em geral eu costumo utilizar duas ferramentas muito simples e extremamente úteis, explicadas a seguir.

Sysinternals – Autoruns e Process Explorer

Windows Sysinternals é um conjunto de utilitários de sistema avançados para Windows, criados e evoluídos desde 1996 por Mark Russinovich, co-fundador da empresa Winternals Software. Em 2006, a Microsoft adquiriu a Winternals e desde então os utilitários Sysnternals estão integrados no portal Microsoft TechNet, e continuam disponibilizados gratuitamente.

Dois destes utilitários são muito úteis para auxiliar na busca de malware presente no computador:

  • Autoruns: Este programa exibe todas as entradas existentes de executáveis instalados para iniciar automaticamente no Windows, durante o Logon e nos muitos outros meios que o sistema operacional permite para isso. Uma característica típica de vírus, vermes e outros malwares que se instalam no computador é registrar-se para ser executado automaticamente sempre que o sistema é iniciado. Portanto, é muito provável que se existe um malware instalado, que ele apareceça na listagem do Autoruns. A forma mais comum dos malwares se registrarem é em uma entrada de Logon no Registro do Windows, tipicamente em HKLM\SOFTWARE\Microsoft\Windows\CurrentVersion\Run. Autoruns lista informações básicas listadas de cada entrada, como nome registrado, descrição, fornecedor, caminho do executável, data. Você pode se assustar com quanta coisa existe em execução automática no seu Windows. Contudo, identificar uma entrada suspeita em meio à listagem do Autoruns não é trivial, em geral requer experiência em reconhecer o que é típico e legítimo, como utilitários de drivers, utilitários de atualização automática de softwares idôneos (exemplos: atualizador do Adobe Reader ou do Java) e outros programas desejados em execução constante em segundo plano (exemplo: Google Chrome), configurados para executar assim que o Windows iniciar (muitas vezes são programas que tem um ícone na bandeja do sistema perto do relógio, na parte direita da barra de tarefas).
  • Process Explorer (procexp): Este utilitário exibe informações detalhadas sobre todos os programas/processos em execução, em tempo real. O Gerenciador de Tarefas nativo do Windows (acionado pela combinação de teclas Ctrl+Shift+Esc) exibe informações similares, mas de forma muito resumida. No Windows 8 o Gerenciador evoluiu muito em informações exibidas, mas ainda assim o Process Explorer é uma ferramenta bem mais poderosa e com muitos recursos exploratórios exclusivos, como busca por Handle/DLL, identificar um processo a partir de uma janela aberta, e exibição de todos os recursos criados ou abertos por um processo (arquivos, chaves de registro, eventos do sistema, threads etc.). Se um malware estiver em execução, ele aparecerá na lista do procexp. Contudo, assim como no Autoruns, identificar um processo suspeito dentre os programas em execução não é nada trivial.

Autoruns: Screnshot (origem: Microsoft TechNet).

Os utilitários Sysinternals são fornecidos na forma de executáveis simples (em geral, acompanhados de arquivos de ajuda e licença de uso), distribuídos em arquivos ZIP. Você pode baixar o Autoruns e o Process Explorer, ou o Sysinternals Suite contendo todos os utilitários disponíveis de uma vez só.

Sugiro descompactar em uma pasta como C:\sysinternals e adicioná-la ao Path de execução do Windows (Propriedades Avançadas do Computador > Variáveis de Ambiente) para manter estes utilitários prontos para uso no computador, e andar com eles atualizados em um pendrive para poder executar em um computador qualquer.

VirusTotal.com

O segundo passo uma vez identificado um executável suspeito ou provável malware é utilizar o serviço web gratuito VirusTotal.com. No uso mais básico, você pode enviar um arquivo para o VirusTotal e ele o analisa executando 57 (quantitativo no momento em que escrevo este artigo) programas antivírus e antimalware, atualizados e configurados em suas opções de busca mais amplas (inclusive técnicas heurísticas) mostrando quais deles detecta algo. O VirusTotal mantém uma base histórica das assinaturas hash de todos os arquivos já analisados pelo serviço, de forma que se você submete um arquivo já analisado ou uma assinatura, o VirusTotal oferece para exibir a análise mais recente disponível ou (em caso do arquivo) re-analisar.

Ou seja, praticamente se algum programa antivírus atualmente reconhece um executável suspeito que você tem como malware, o VirusTotal lhe traz essa informação. Espetacular!

Os dois juntos – Perfeito!

Agora vem o melhor. Desde janeiro de 2014 no Process Explorer e de janeiro de 2015 no Autoruns, existe integração destes programas com o serviço VirusTotal.com!

No Autoruns, por exemplo, você pode ir na opção de menu Options > Scan Options e marcar Check VirusTotal.com, para que o Autoruns automaticamente submete a assinatura hash de cada entrada listada ao serviço VirusTotal, e exiba os resultados em uma coluna da listagem, colorindo de vermelho se alguma entrada tiver detecção positiva para malware. A opção Submit Unknown Images, embora mais demorada, ainda permite enviar o arquivo ao VirusTotal caso a sua assinatura ainda não exista na base histórica de análises do serviço. Para facilitar ainda mais a busca apenas pelos suspeitos, a opção Options > Hide VirusTotal Clean Entries permite ocultar da listagem do Autoruns todos os executáveis que foram identificados como limpos no VirusTotal.com, exibindo apenas os que tiveram alguma detecção positiva e os desconhecidos (ainda não analisados pelo VirusTotal).

No Procexp, a integração com o VirusTotal se dá pela opção Options > VirusTotal.com > Check VirusTotal.com (e Submit Unknown Executables).

Com ferramentas simples e integradas assim, fica bem prático, fácil e rápido tentar detectar um malware em um computador, mesmo se não houver um bom antivírus instalado, bastando ter em mãos o Autoruns e o Procexp, e acesso internet para o VirusTotal.

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