Explorando Buenos Aires e redondezas

Fotomontagem - Caminito, Obelisco, Floralis Generica, Puente de la Mujer
Em uma série de artigos, vou abordar o que descobri e sugiro para explorar Buenos Aires, a bela capital da Argentina, e suas redondezas. Os artigos incluem dicas e sugestões para quem viaja com crianças, mas o conjunto das informações visa turistas em geral.

  1. Introdução e Informações essenciais
  2. Região Central, Porto Madero e San Telmo
  3. Palermo
  4. Recoleta
  5. Escapada: Colonia del Sacramento
  6. Outros passeios e pontos de interesse

Buenos Aires, formalmente Ciudad Autónoma de Buenos Aires (Cidade Autônoma equivale a nosso Distrito Federal) — abreviada como CABA, ou BsAs “para os íntimos” — é uma grande, linda e bem estruturada cidade situada na região centro-leste da Argentina, à margem do Rio da Prata (Río de la Plata), fazendo divisa com o Uruguai.

Divisão político-geográfica de Buenos Aires e vizinhanças

CABA está cercada pela Província (Estado) homônima de Buenos Aires, mas a Cidade Autônoma não pertence à província e é Capital Federal do país, enquanto a capital da província é La Plata. Em área metropolitana, Buenos Aires só perde para São Paulo na América do Sul.

O clima é agradável para visitas em qualquer época do ano. Janeiro é o mês mais quente em Buenos Aires, com temperaturas chegando à casa dos 30 °C, e o mais frio é julho, com temperaturas em torno de 10 graus. Não chove muito em Buenos Aires, sendo o período mais seco de julho a setembro. Mesmo no verão, é recomendável levar um agasalho leve, para alguma eventual frente fria.

Em 2009, fiz um passeio vapt-vupt de quatro dias em Buenos Aires, conheci superficialmente os principais pontos turísticos e fiquei com gostinho de quero mais. Agora em 2016, tive a oportunidade de passar vários dias na Capital da Argentina e relato nessa série minhas experiências para você poder explorar essa bela cidade e suas redondezas.

No presente artigo, falo sobre documento, câmbio, transporte, internet, celular e tomadas.

Documento de identidade

Não é necessário visto e você pode entrar na Argentina (e em outros países do Mercosul) com Passaporte, ou com a Cédula de Identidade Civil emitida por uma Secretaria de Segurança Pública Estadual. Não são aceitas carteira de motorista, carteiras de identidade profissional (OAB, CREA etc.) e outros documentos de identidade, nem certidão de nascimento (mesmo para recém nascidos ou bebês). Para passaporte, é recomendável restar mais de três meses de validade, e se carteira de identidade, deve estar em bom estado e com foto recente. Mais informações no Consulado Brasileiro.

O Passaporte tem algumas vantagens. Nele mesmo ficam os carimbos de entrada e saída do país, necessário na Imigração. Além disso, é fácil e rapidamente escaneado para identificação na Imigração. Se for utilizar Cédula de Identidade, a primeira vez que se entra na Argentina com ela, a imigração faz um cadastro manual no momento do guichê de entrada, o que toma um tempinho a mais, e você recebe um papel à parte contendo o carimbo de entrada, que deve ser preservado durante toda a viagem e apresentado na saída do país. Não perca o carimbo de entrada, viu!

Câmbio

Câmbio A Argentina atravessou nos últimos anos um período de bastante inflação e regulação do câmbio oficial de moeda estrangeira. Assim, o melhor é procurar as informações mais atualizadas possíveis próximo ao início da sua viagem. Falo aqui da época em que fui.

Dinheiro ou cartão? Dólar ou Real?

Não sou especialista, mas não acho economicamente vantajoso utilizar cartões de crédito/débito internacional ou pré-pagos em moeda estrangeira (tipo Visa Travel Money), por vários motivos: primeiro, o imposto (IOF) de 6,38% sobre cartões atualmente cobrados no Brasil; segundo, o câmbio de conversão para Pesos Argentinos praticados pelos cartões em geral é pior que o câmbio de dinheiro em notas; terceiro, há várias situações onde não é viável ou prático usar cartão, e ao fazer saques no exterior os cartões cobram taxas, bem como limitam o valor máximo de saques. Os únicos pontos a favor dos cartões são a segurança e o controle. Você decide se quer pagar o preço. Eu preferi levar dinheiro em notas, e deixar cartões como backup de emergência.

Para levar notas, como comprar dólares também tem imposto no Brasil, 0,38%, e o real no momento estava razoavelmente valorizado na Argentina, então achei mais prático levar reais mesmo. Mas dólar sempre é dólar…

Onde fazer câmbio de reais (ou dólares) por pesos argentinos

Desde 2011, quando Cristina Kirchner instituiu o controle sobre venda de moeda estrangeira na Argentina, o país viu nascer um mercado paralelo de câmbio, conhecido localmente como “cambio blue“. É uma atividade ilegal porém tacitamente tolerada, em casas de câmbio paralelo chamadas “cuevas“.

Contudo, o novo Presidente Mauricio Macri (tomou posse em dez/2015) liberou a flutuação do câmbio oficial, e no momento em que escrevo este artigo, estava valendo a pena fazer o câmbio de dólares ou reais por pesos argentinos diretamente no Banco de la Nación Argentina. A página principal do site do banco exibe um quadro com as cotações de compra de reais, dólares e euros do dia.

Foto da agência de câmbio do Banco Nación no Aeroparque
Agência de câmbio do Banco de la Nación no Aeroparque Jorge Newbery, perto do desembarque internacional.

Para fazer câmbio no Banco de la Nación, é necessário apresentar o documento (passaporte ou CI) que será fotocopiado. Eles também exigem que se assine uma via do recibo da operação de câmbio, e entregam outra.

Banco de la Nación: Há agências de câmbio do banco nos aeroportos Ezeiza e Aeroparque Jorge Newbery, que funcionam 24 horas, 365 dias por ano. Quando comprei, o câmbio estava limitado a R$ 1.000,00 (mil reais) por pessoa. No centro da cidade, pelo que me informei em uma agência do banco, a única que faz câmbio de reais é a Sucursal Plaza de Mayo, agência central do banco que ocupa toda a quadra, com entrada pela calle (rua) Mitre 326 (uma portinha rotativa discreta, quase na esquina) ou Av. Rivadavia 371, na Plaza de Mayo (a praça da Casa Rosada), subsolo, em horário bancário (segunda a sexta, 10 às 13h). Nesta agência central, era possível trocar mais de mil reais. Atualização: Ricardo Freire (blog Viage na Viajem) alertou em 25/jun/2016: Câmbio em Buenos Aires: não está valendo a pena trocar reais no Banco Nación!

O blog Viaje na Viagem, de Ricardo Freire, nos artigos Que moeda eu levo para a Argentina (jan/2016, atualizado 2016-06-24) e Buenos Aires: dossiê câmbio e transfer cita também casas de câmbio oficial, várias na Av. Sarmiento, que poderiam ter uma cotação ligeiramente melhor, mas não procurei.

As cuevas (casas de câmbio paralelo), muitas vezes disfarçadas de agência de viagem ou loja de numismática, ou mesmo em salinhas escondidas de prédios, várias com agenciadores (“arbolitos“) que ficam em locais de grande movimento turístico como a Florida oferecendo câmbio aos gritos, tem riscos (notas falsas, por exemplo). Entre os dias 1 e 19 de jan/2016, enquanto o câmbio oficial do Banco Nación começou 3,90 depois passou a 3,75, consultamos algumas cuevas na região da Florida e os câmbios estavam entre 3,60 e 3,90. Ou seja, na época desse artigo, o câmbio paralelo não estava tão vantajoso.

Posso pagar direto em reais?

Muitos estabelecimentos e taxistas aceitam pagamento também em real ou dólar, mas não recomendo arriscar. O fator de conversão em geral é pior, pode dificultar troco, e aumenta risco de erro de contas na hora de pagar. Eu preferi trocar pesos no Nación dentro da minha expectativa de gasto.

Transporte

Buenos Aires tem uma ótima estrutura de transporte público, que inclui muitos taxis, ônibus (colectivos), linhas de metrô subterrâneo (subte) e trens suburbanos. As principais avenidas tem muitas faixas de rolamento (a 9 de Julho chega a ter 22!).

Traslado dos aeroportos

O Aeroporto Internacional de Ezeiza ao sul da cidade é mais afastado do centro, fica a 18km do Obelisco. O Aeroparque Jorge Newbery, ao norte de Palermo às margens do Rio de la Plata, fica a 10km do Obelisco. Nos dois aeroportos, você terá opção de: taxi, nos pontos sinalizados fora do aeroporto; transfer remis em vans ou caros de aluguel, como o Tienda León, contratados e pagos antecipadamente nos guichês da empresa dentro do aeroporto; ônibus de transfer que levam a pontos predefinidos da cidade.

Chegamos pelo Aeroparque no feriado de 1º de janeiro, e as opções de transporte estavam escassas. Como éramos quatro pessoas com malas, não encontramos rapidamente um taxi que nos comportasse. Voltamos ao interior do aeroporto e optamos então por um remis, e mesmo assim só na terceira tienda (guichê de empresa) havia disponibilidade, Transfer Express, com espera em torno de 20 minutos. O transfer até nosso endereço em Palermo custou $258 (pesos argentinos), em uma confortável Renault Cangu. Um taxi custaria em torno de $100, pelo taxímetro.

Veja também:
Buenos Aires: dossiê câmbio & transporte dos aeroportos (blog Viaje na Viagem, por Ricardo Freire, 2015-12-25)
Traslados desde os Aeroportos de Buenos Aires (blog Brasileiros por Buenos Aires, 2015-02-19).

Taxi

Foto de taxi de Buenos Aires

A cidade tem uma vasta frota de quase 40 mil taxis, de cor preta com teto amarelo, praticando duas faixas de tarifa: a normal, com uma bandeirada inicial e um acréscimo a cada 200m ou cada minuto parado, e uma tarifa noturna 20% mais cara entre 22h-6h. O site Taxista Virtual calcula o valor de uma corrida de taxi em Buenos Aires (e outras cidades argentinas) quando se fornece os endereços de origem e destino.

Como existem taxistas desonestos (não é maioria e não precisa ficar paranoico, mas fique atento), eis dicas de segurança para tomar taxis:

  • Fuja dos taxistas que se oferecem fora do carro, no desembarque dos aeroportos e outros pontos de concentração (como o desembarque de buque em Porto Madero, como verá no artigo sobre Colonia), que costumam ser os espertalhões. Prefira dar sinal para um taxi passando, solicitar um radio taxi por telefone ou usar um aplicativo celular (Easy Taxi é bem usado na Argentina).
  • O usual é entrar pelas portas de trás. Ao entrar, confira se atrás dos bancos dianteiros estão dependuradas as placas de identificação do condutor e do veículo oficiais da prefeitura. Confira se o taxista liga o taxímetro com a bandeirada correta.
  • Muitos taxistas usam GPS que localiza destino com rua e número, mas é recomendável você saber informar o destino ao estilo portenho, pelo cruzamento mais próximo: ao invés de dizer “Posadas 1515”, diga “Posadas y Callao“, ou “Posadas entre Callao y Ayacucho“. O cruzamento dá uma noção mais precisa do local ao taxista.
  • Na dúvida, pergunte uma noção do valor aproximado até o destino. De preferência, já tenha essa noção consultando o Taxista Virtual. Se tiver que pagar em outra moeda, pergunte antes se o taxista aceita e qual a conversão.
  • Golpes comuns relatados sobre taxistas desonestos são receber uma nota de 100 pesos verdadeira sua e recusar devolvendo uma falsa trocada, ou alegar que você deu 10 ao invés de 100 pesos. Por isso, Não tome taxi só com notas de 100 pesos, e entregue as notas uma a uma contando e fique de olho.

Outros artigos de blog que recomendo com dicas sobre taxis em Buenos Aires:
Buenos Aires: 5 dicas para não ser enrolado no táxi (Viaje na Viagem, 2014-07-18)
Táxi em Buenos Aires: O que você precisa saber (Aguiar Buenos Aires, 2015-12-22)
Os táxis e o metrô de Buenos Aires: preços, golpes e dicas de segurança (Meus Roteiros de Viagem, 2013-10-07).

Exemplos de custo de taxi em jan/2016: uma corrida média de uns 6km (tipo entre Palermo e Casa Rosada) na cidade costuma ficar em torno de $60 pesos. Uma corrida mais longa (tipo entre Caminito e Palermo) estava perto de $150.

Coletivos

Câmbio Taxis em Buenos Aires são mais baratos que no Brasil, mas o transporte coletivo (metrô, ônibus e trem) é muito barato e cobre a maior parte da cidade e redondezas. Se quiser uma locomoção econômica em Buenos Aires, pode deixar os taxis apenas para locais e horários mais difíceis.

Para usar o transporte coletivo, a primeira medida essencial é comprar e carregar crédito em uma Tarjeta SUBE (cartão SUBE), vendido em mais de 4 mil pontos na cidade, como loterias, kioscos (lojinhas de conveniência) e outros.

O cartão SUBE tem custo de aquisição, mas as passagens de metrô e ônibus são mais baratas com ele, então se paga rapidamente. Além disso, é super prático e rápido, basta encostar no local próprio nas roletas de entrada do metrô ou no aparelho na entrada dos ônibus. E desde 10/dez/2015, as linhas de ônibus nem aceitam mais moedas, só SUBE.

Em jan/2016, o cartão custava 25 pesos. Ele é vendido zerado, e em geral no próprio ponto de venda é possível dar carga. Uma corrida de metrô ou ônibus estava em torno de $4, então calcule quanto será necessário. Os pontos de carga não cobram nenhuma taxa extra. Curiosamente, estações de metrô costumam ter guichês para carga, mas não vendem o cartão.

Crianças de colo não pagam corrida. Não há problema em várias pessoas usarem o mesmo cartão, desde que haja crédito suficiente, claro.

Em geral, as pessoas são educadas para ceder lugar para pessoas com criança de colo, grávidas, idosos e pessoas com dificuldade de locomoção.

O site governamental Como Llego indica as opções de transporte, dados origem e destino. Funcionou perfeitamente. Mais adiante, falarei de aplicativos para celular.

Subte (metrô, subterrâneo): Buenos Aires tem 6 linhas de subte, identificadas por cores, 4 leste-oeste e 2 norte-sul, e vários pontos de combinación (conexão interna entre linhas, não paga outra passagem). Veja o mapa oficial. A tarifa avulsa em jan/2016 era $5, mas com o cartão SUBE, o valor é regressivo de $4,50 até $2,70. Funcionam todos os dias das 5h até em torno de 22h (veja tabela exata de horários). Em geral, passa um comboio a cada 3 a 10 minutos.

Curiosidade: Quando estive em Buenos Aires em 2009, a linha “A”, mais antiga, ainda circulava com os vagões belgas em operação desde 1913, com bancos em madeira. Eram uma atração! Para tristeza dos saudosistas mas segurança e comodidade dos passageiros, estes vagões foram substituídos em 2013 por trens modernos, de fabricação chinesa.

Colectivo (ônibus): Tem mais de 100 linhas na região metropolitana. Os pontos costumam ser bem identificados e também há um sistema de cores das linhas. A entrada é pela porta da frente, e descida pela central ou traseira. É importante saber que os recorridos (trajetos) são divididos em seções (de 3km cada), então na entrada, informa-se ao motorista o destino (preferencialmente cruzamento) e ele pressiona um botão correspondente que define a tarifa de acordo com o número de seções, para em seguida você pagar. Em jan/2016, as corridas que fiz variaram de $3,00 a $3,50 com a Tarjeta SUBE.

Sites de informações sobre coletivos: Xcolectivo.com.ar, Omni Líneas, Los Colectivos.

Internet e Celular

Buenos Aires é uma cidade “wi-fi friendly”, com vários pontos do BA WiFi grátis da prefeitura e também muitos estabelecimentos que oferecem wi-fi aos clientes. Muitos cafes tem inclusive tomadas perto das mesas para você ligar o carregador de seu celular, tablet ou laptop.

Ainda assim, se você é daqueles que não pode passar um minuto sem internet no seu celular, há boa cobertura 3G e 4G na cidade. Considerando os preços abusivos das operadoras de celular brasileiras no exterior, eu optei por comprar um chip pré-pago na Argentina. Em Buenos Aires há três operadoras: Movistar, Personal e Claro.

Em alguns blogs, recomendava-se a Movistar. Mas no dia 1º de janeiro em que chegamos, procuramos uma loja Movistar e atenderam mal e informaram que a rede estava com problema, então comprei um Personal. Funcionou bem em todos os lugares de Buenos Aires. Chips são vendidos em praticamente qualquer dos muitos kioscos (lojinhas de conveniência) e bancas de revistas, além das lojas próprias das operadoras. Em geral são fornecidos em tamanho normal e eles podem cortar para micro. O chip nano é mais específico, talvez seja melhor procurar uma loja da operadora (o meu é micro).

Assim como no Brasil, as operadoras tem vários planos e promoções, e entender pode ser confuso. O pré-pago da Personal que comprei em um kiosco custou $30 pesos e já vinha com $20 de crédito. No próprio kiosco pus mais $5 de crédito inicial, mínimo necessário para ativar o chip. Ativou em poucos minutos. O plano Personal com Tarjeta cobra $4,20 por 30MB de internet por dia (se esgotar a franquia em um dia, pode-se adicionar mais 30MB via SMS). Cadastrando uma clave (senha) no site, é possível consultar o histórico de consumo.

Aplicativos para celular que sugiro instalar para uso em Buenos Aires:

  • Cómo Llego, mapa e roteiros de transporte (público, de carro, a pé, bicicleta) entre origem e destino, fornecido pelo Governo da Cidade, além de vários outros aplicativos que podem ser úteis ao turista.
  • Moovit, aplicativo de transporte público que funciona em diversas cidades do mundo, inclusive Buenos Aires, mostrando inclusive horário de previsão de chegada do próximo ônibus ou metrô no ponto/estação.
  • Easy Taxi, se quiser chamar um taxi por aplicativo.
  • Guía Óleo de Restaurantes e Bares em Buenos Aires.
  • XE Currency Converter, conversor de cotações entre moedas, não é super atualizado, mas é um referencial rápido e prático a qualquer momento.

Agradeço as dicas iniciais do artigo 7 Aplicativos de viagem para Buenos Aires, do blog Aires Buenos.

Eletricidade

Aproveitando que falei de dispositivos móveis e carregadores, é bom falar também da eletricidade na Argentina. A energia em Buenos Aires é 220V e 50Hz, e a tomada de 3 pinos chatos (fase-neutro diagonais e terra vertical, tipo “I”, o mesmo da Oceania).

Quanto à voltagem e corrente, atenção ao seu aparelho. A maioria dos carregadores trabalha com voltagens 100-240V e frequência 50-60Hz. Mas considerando que a voltagem mais comum no Brasil é 110V e a frequência 60Hz, verifique antes de viajar seus aparelhos para não ter problemas, ou ter que sair correndo atrás de um transformador.

Fotos dos modelos novo e antigo de tomada na Argentina
Crédito: blog Tô Longe de Casa, por Leonardo Lima, 2013-09-22.

Algumas tomadas têm dois furos de entrada simultânea para os plugues brasileiros antigos (tipo “C”) de 2 pinos cilíndricos (fase-neutro) sem terra, mas não conte com isso. Se você tem carregador de laptop ou outro aparelho com o novo padrão brasileiro de três pinos, então, pior ainda.

Imagem do adaptador Elago Tripshell World Travel Adapter e sua caixa

Minha indicação: compre um bom adaptador universal de tomadas. Eu comprei um no duty free Elago Tripshell World Travel Adapter com duas entradas USB, por USD 35 (dólares americanos). Funcionou bem. Note que ele resolve o problema dos plugues, não da voltagem e frequência, ou seja, não é um transformador de corrente!

Para saber mais:
Dicas antes de viajar para Buenos Aires: as tomadas elétricas (Brasileiros por Buenos Aires, 2015-07-10)
Na Argentina: adaptador universal, pero no mucho 🙁 (Viaje na Viagem, 2015-09-23)
Conheça os plugues de tomada usados no mundo e evite stress em viagens (UOL Viagem, 2015-11-08)
AC power plugs and sockets (Wikipedia em inglês)
Find the Best International Travel Adapter for Your Next Trip (Travel Gift List)
Top 6 Travel Adapters (eBay, 2014-06-09)

Informações Turísticas e Dicas

O próprio Governo da Cidade disponibiliza ricas fonte de informações turísticas na web, incluindo Portal de Turismo (disponível em Português) que cito em vários links ao longo dos artigos, a Agenda Cultural BA e o utilíssimo Mapa Interativo de Rotas ¿Cómo Llego?.

A propósito, você pode solicitar via web sua Tarjeta VOS, um cartão de benefícios que dá desconto em várias atrações e estabelecimentos, e retirá-lo em um dos Centros de Informações Turísticas (CIT). Por exemplo, no Zoo de Buenos Aires, tive 50% de desconto. Veja a lista completa de benefícios. Dica que me foi dada pela funcionária do posto de informações turísticas: prefira usar o tipo de documento Cédula de Identidade Brasileira e preencha o número sem letras, somente dígitos, pois assim é aceito em alguns serviços como EcoBici de bicicletas públicas.

As classificações e comentários do TripAdvisor para O que fazer em Buenos Aires são também uma fonte de referência tradicional.

Há também ótimos blogs de viagem em geral e blogs de brasileiros específicos sobre Buenos Aires, como o Aires Buenos, Brasileiros por Buenos Aires, Buenos Aires para Chicas, dentre outros. É sempre importante verificar se são informações atualizadas: consulte a data dos artigos e veja comentários recentes.

Eu também fiz uma mapa personalizado de atrações em Buenos Aires no Google Maps, de onde tirei imagens que ilustram os artigos que se seguem.

Por ora, acho que é só isso tudo.

Resolver download HTTPS no GetRight

Há muitos anos adquiri e uso o software shareware gerenciador de downloads chamado GetRight.

No tempo da banda não tão larga assim, um dos recursos do GetRight era buscar a aceleração de downloads com a engenhosa opção de segmentar o arquivo a baixar em vários pedaços simultaneamente, inclusive podendo baixar cada segmento de um servidor diferente. Atualmente, esse recurso tem pouca valia.

Dois recursos do GetRight que me interessam até hoje são os seguintes:

  • Opção de gerar um arquivo de log para cada download, onde fica anotado o URL (endereço) de origem do download e pode-se fornecer também uma anotação ou descrição.
  • A opção de preservar o horário (timestamp) de modificação do arquivo no servidor, ao invés de deixar o arquivo com a data em que você realizou o download. Esta opção só está disponível na versão paga do GetRight.

Enquanto os navegadores web não implementam esses recursos de forma nativa, eu vou usando o GetRight para gerenciar e organizar meus downloads.

Sobre a preservação do timestamp de modificação de downloads

Apesar da informação da data de última modificação do arquivo no servidor estar facilmente disponível no cabeçalho dos pacotes HTTP para um download, infelizmente os navegadores mais populares ainda não oferecem a opção de preservar a data-hora original do arquivo, embora existam demandas de usuários para que esse recurso seja implementado. Veja:

Uma extensão para Firefox que promete oferecer essa opção não funciona.

Voltando ao HTTPS

Contudo, já faz um bom tempo que observei que os downloads via HTTP (conexão segura) muitas vezes não estavam funcionando no GetRight, aparentando ficar extremamente lentos ou parados.

Como o GetRight não vem sendo mais atualizado desde a versão 6.5 de fev/2011, suspeitei de problemas de compatibilidade ou mesmo bug com a bibioteca DLL que implementa o OpenSSL no GetRight para suportar HTTPS.

Procurando na pasta do GetRight em Arquivos de Programas (x86), encontrei o arquivo libeay32.dll. Em Propriedades > Detalhes do arquivo vemos que se trata da OpenSSL Shared Library versão 0.9.8.11 de mar/2009.

Propriedades de libeay32.dll do GetRight

Consultei o site do projeto de software livre OpenSSL e vi que a versão estável mais recente disponível no momento em que escrevo este artigo era 1.0.2e.

Por se tratar de um software envolvendo criptografia, que tem restrições de uso e exportação para alguns países mais “complicados”, o site OpenSSL.org só disponibiliza os códigos-fonte do OpenSLL para baixar. Vários sites independentes oferecem o download de versões compiladas para Windows (32 e 64 bits) do OpenSSL. Optei por baixar de https://indy.fulgan.com/SSL/ o arquivo openssl-1.0.2e-i386-win32.zip (apesar do meu Windows ser 64-bit, o GetRight é antigo e 32-bit).

Extraí do ZIP baixado o arquivo libeay32.dll atualizado da versão 1.0.2e, substituí esse arquivo na pasta do GetRight e… sucesso! Os downloads via HTTPS voltaram a funcionar rapidamente no GetRight.

#ficaadica … Espero que seja útil para mais alguém.

Plug-ins em navegadores: o fim de uma era

Sem Plug-insRemonta à época do velho navegador internet Netscape a ideia de se definir uma API aberta de plug-ins para integrar tratamento de conteúdos e mecanismos específicos ao navegador, como vídeos, animações, gráficos vetoriais, PDF, aplicações dinâmicas etc., de forma que o os mecanismos nativos do navegador se concentrassem em navegação e exibição de páginas da “World Wide Web”. Isso fazia muito sentido naqueles anos 90.

E até agora, praticamente todos os navegadores populares da atualidade, em sistemas operacionais desktop como Windows, Linux e MacOS, ainda implementavam a arquitetura de plug-ins multi-plataforma denominada Netscape Plugin Application Programming Interface (NPAPI).

Contudo, no longo caminho de mais de 20 anos de evolução desde os idos do Netscape até hoje, e mais intensamente nos últimos anos, a necessidade de plug-ins vem decrescendo. E a tendência iminente é chegar a zero!

Este artigo busca um retrospecto e referências dos principais aspectos, contextos e fatos envolvidos na decadência dos plug-ins de navegadores.

Recursos nativos

Os navegadores e os padrões da web vem evoluindo para incorporar cada vez mais recursos nativos para conteúdo dinâmico, rico e interativo. Citemos alguns marcos importantes:

Ajax e Rich Internet Applications (RIA)

Os padrões de JavaScript, CSS (estilos), DOM (modelo de objetos das páginas web para manipulação programática, especialmente via JavaScript) evoluíram muito para suportar cada vez mais interatividade e experiência rica (RIA) nas páginas web, com destaque par a popularização do Ajax e de frameworks de programação web poderosos como jQuery e AngularJS, só para citar alguns. Veja por exemplo meu artigo Ajax e RIA – Radar do mercado, de mai/2011.

HTML5

O padrão HTML5 (desenvolvimento iniciado em 2007/2008 e recomendação oficial do W3C concluída em 2014-10-28, especificação liderada por Ian Hickson da Google), suportado por todos os principais navegadores da atualidade, incluiu elementos nativos para incorporação de multimídia como vídeo, áudio e legendas, equações matemáticas (MathML), gráficos vetoriais (SVG), canvas gráficos 2D (bitmaps dinâmicos) e 3D (WebGL) etc. diretamente em páginas web. Isso dispensa o uso de plug-ins antigamente utilizados para integrar com visualizadores multimídia do sistema operacional como Apple Quicktime, Windows Media Player ou VNC.

Referências sobre HTML5 e seus recursos nativos:

PDF

Mozilla Firefox, Google Chrome e Microsoft Edge atualmente incluem visualizadores nativos de documentos PDF. Isso dispensa o plug-in integrando o Adobe Acrobat Reader. O Chrome oferece também recurso nativo para Salvar como PDF páginas web, ao invés de imprimir.

A Adobe alega que o Acrobat Reader garante melhor experiência do usuário e garante total compatibilidade com o formato PDF, evitando erros e problemas na utilização de recursos avançados. Vários navegadores, mesmo possuindo visualizador nativo, oferecem alternativa de configurar o Adobe Acrobat Reader para abrir documentos PDF. Veja também Change in support for Acrobat and Reader plug-ins in modern web browsers, na base de conhecimento de Ajuda da Adobe.

Extensões ou complementos nativos do navegador

O modelo de extensões ou complementos específicos para os principais navegadores, disponibilizadas para baixar em repositórios ou “lojas” (Mozilla Add-ons, Google Chrome Web Store etc.), permite incorporar novas funcionalidades e comportamentos específicos aos navegadores como componentes adicionais nativos.

A era dos dispositivos móveis

E veio a era dos dispositivos móveis (smartphones e tablets), memória RAM e telas menores que os desktops, interação fortemente baseada em toque direto na tela, e em sua maioria com sistemas operacionais Google Android ou Apple iOS.

Com as diferenças e limitações de hardware, sistema operacional e software dos dispositivos móveis, em geral os aplicativos para estes dispositivos são mais enxutos e especializados. A consequência é que os navegadores internet para smartphones e celulares em geral não suportam mecanismos de plugin.

Depois da versão 11.1 do Adobe Flash Player em set/2013, a Adobe deixou de publicar Flash Player para browser em dispositivos móveis Android. No iOS, em meio a alegações controversas desde uma declaração Thoughts on Flash de Steve Jobs em abr/2010, o Flash nunca foi suportado nos dispositivos móveis da Apple. No Android, o Flash Player deixou de ser disponibilizado no Google Play Store; em Android 4 e inferior, ele só pode ser instalado manualmente diretamente a partir do repositório arquivado da Adobe.

Referências:

A extinção do NPAPI

Microsoft

O Microsoft Internet Explorer 5.5 SP2, em ago/2001, já havia descontinuado o suporte ao protocolo NPAPI, deixando de suportar os plug-ins no estilo Netscape em favor da integração via tecnologia ActiveX, introduzida desde o Internet Explorer 3, conforme artigo #30341 da base de conhecimento de suporte Microsoft.

O novo navegador Microsoft Edge introduzido no Windows 10, por sua vez, descontinuou também o suporte à tecnologia ActiveX. Veja A break from the past, part 2: Saying goodbye to ActiveX, VBScript, attachEvent…, 2015-05-06, por Microsoft Edge Team, em Windows Blog.

Google

Em setembro de 2013, Justin Schuh, Engenheiro de Segurança e Planejador de Obsolescência de Plug-in da Google, publicou no Chromium Blog que a arquitetura anos-90 do NPAPI se tornara causa frequente de travamentos, falhas, incidentes de segurança e complexidade de código; por causa disso, Chrome iria gradualmente reduzir o suporte a NPAPI a partir do ano seguinte.

Como evidência de que a web estava pronta para essa transição, Schuh apresentou dados baseados nos dados anônimos de uso coletados pelo Chrome indicando que à época apenas seis plug-ins haviam sido usados por mais de 5% dos usuários no mês anterior: Silverlight (15%), Unity (9,1%), Google Earth (9,1%), Java (8,9%), Google Talk (8,7%) e Facebook Video (6%).

Em artigo de atualização de novembro de 2014, com os dados indicando que o uso de NPAPI continua em queda, a Google apresentou a contagem regressiva para o NPAPI, com todos os plugins passando a ser bloqueados por padrão em jan/2015, depois o suporte a NPAPI desabilitado por padrão em abr/2015 (o que efetivamente ocorreu no Chrome 42) e, por fim, o suporte a NPAPI sendo permanentemente removido do Chrome em set/2015 (Chrome versão 45). Assim ocorreu.

Mozilla

Em 8 de outubro de 2015, Benjamin Smedberg, gerente de engenharia de qualidade do Firefox na Mozilla, publicou um anúncio sobre plugins NPAPI no Firefox: a Mozilla pretende remover o suporte a plugins NPAPI no Firefox até o fim de 2016. Apenas o suporte a Adobe Flash deve ser mantido em caráter excepcional. Novas plataformas como o Firefox 64-bits para Windows já nascem sem suporte a plugins.

Similar à Google, Smedberg também justifica que com a evolução dos browsers e da Web, muitos recursos que antes requeriam plugins estão agora disponíveis nativamente. E que com a velha NPAPI, plug-ins são fonte de problemas, travamentos e incidentes de segurança para os usuários.

Firefox começou este processo vários atrás, com o mecanismo de ativação manual de plugins, permitindo que usuários ativem um plugin apenas quando necessário. Smedberg cita que a decisão da Mozilla espelha a de outros navegadores modernos, como Google Chrome e Microsoft Edge, que também removeram suporte a plugins legados.

Os remanescentes e os novos movimentos

Quatro plug-ins para incorporação de aplicações dinâmicas avançadas ainda merecem destaque: O Adobe Flash Player, o Java Plug-in, o Microsoft Silverlight e o Unity 3D. Vamos avaliar a situação e tendência para cada um deles.

Flash

O Adobe Flash é a única tecnologia complementar que ainda persiste, praticamente unânime, largamente utilizada para vídeos em fluxo (streaming), jogos e animações em sites web, com forte intenção de continuidade de suporte pelos principais navegadores.

A Google trabalhou em conjunto com a Adobe para integrar Flash Player built-in no Google Chrome, inclusive com atualizações automáticas, sem a necessidade do usuário baixar manualmente. O Flash Player embutido no Chrome utiliza Pepper Plugin API (PPAPI), um sistema mais novo e seguro de integração de plug-ins desenvolvido pela Google a partir de 2009.

O Internet Explorer 5.5 em diante passou a integrar o Flash Player via ActiveX (a instalação da Adobe fornecia um plug-in ActiveX especialmente para o IE) e, com o dessuporte do ActiveX no novo navegador Microsoft Edge, este passa a integrar o Flash Player nativamente, similar ao Chrome.

No artigo NPAPI Plugins in Firefox, de out/2015, a Mozilla informa que com a descontinuidade do NPAPI em 2016, o suporte a Flash será mantido como uma exceção, sem ainda revelar detalhes técnicos, mas anuncia que Mozilla e Adobe vão colaborar para melhorar a experiência do Flash no Firefox, incluindo estabilidade, desempenho e segurança.

Java

O uso de applets Java integradas ao navegador tem tido um universo mais especializado de aplicações. Tirando proveito do poder e abrangência de aplicações Java capazes de lidar com todo tipo de recurso no computador, no Brasil posso citar pelo menos dois grandes exemplos:

O plug-in Guardião de Segurança antifraudes durante as transações on-line (internet banking), desenvolvido pela GAS Tecnologia e utilizado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander, recorreu a applet Java para seus propósitos.

No Poder Judiciário, as aplicações web de processo eletrônico, como o Processo Judicial Eletrônico (PJe) instituído nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tem usado intensamente applet Java para acessar o certificado digital de pessoa no computador do usuário, para assinar digitalmente documentos eletrônicos e/ou para autenticação segura.

Com o fim do suporte a NPAPI já ocorrido no Chrome 45 (set/2015) e iminente no Firefox (dez/2016), que era o mecanimo de integração do Java plug-in nestes navegadores, a Oracle recomenda, no curto prazo, os usuários migrarem para Internet Explorer (Windows, que integra o Java plug-in via ActiveX) ou Safari (MacOS X, que ainda suporta NPAPI) para acessar aplicações Java através do navegador. E de forma mais definitiva, orienta os desenvolvedores a migrar as applets Java para aplicações Java Web Start, que podem ser disparadas através do navegador via protocolo Java Network Launching Protocol (JNLP), mas executam como aplicações desktop independentes no Rumtime Java SE e não interagem com o navegador depois de iniciadas.

Microsoft Silverlight

O Silverlight é uma tecnologia da Microsoft baseada em .NET Framework, que nasceu em 2007 aparentemente para concorrer com o Flash da Adobe, e que já teve sua descontinuidade anunciada na versão 5 com o fim do suporte pela Microsoft em 2021. Nesse meio tempo, um grande adepto do Silverlight foi o serviço Netflix de filmes e séries pela internet, que tirou proveito do controle de conteúdo protegido por direitos autorais (DRM) do Silverlight para reproduzir os vídeos em desktop Windows e MacOS. O Silverlight plug-in se integra ao navegador via NPAPI ou, no Internet Explorer, ActiveX. Como o Edge não suporta nenhuma das duas tecnologias de plug-in, o Silverlight não é compatível com o novo navegador da Microsoft.

Com a descontinuidade do Silverlight em 2021, a Netflix anunciou desde 2013 que pretende migrar para vídeo HTML5 com Premium Video Extensions nos computadores desktop. Em dispositivos móveis, smart TVs e consoles de jogos, a Netflix já possui seu próprio aplicativo dedicado e não depende de navegador.

Unity 3D

https://blog.mozilla.org/futurereleases/2015/10/08/npapi-plugins-in-firefox/

“As part of our plugin strategy, Mozilla and Unity are proud to jointly announce a close collaboration and an aligned roadmap that will enable Unity-based content to be experienced directly in the browser without plugins. As this technology continues to evolve, Unity has announced an updated roadmap for its Web Player technology.”

Conclusão

Com a popularização de marcos tecnológicos como Ajax, HTML5 e dispositivos móveis, o uso de plug-ins nos navegadores web perdeu fortemente o sentido. Acrescente-se a isso a extinção do suporte à velha arquitetura de plug-ins NPAPI por dois dos navegadores mais utilizados (Chrome e Firefox, além do IE e Edge) até 2016.

Somente o Adobe Flash, por sua grande popularidade em conteúdos web e experiência de usuários, tem sido tratado de forma excepcional pelos fornecedores de navegadores com estratégias para manter sua compatibilidade.

Desenvolvedores de aplicações internet e provedores de conteúdo devem repensar profundamente suas estratégias de integrar conteúdo e aplicações às páginas web mais adequadas aos tempos atuais, deixando para trás a era dos plug-ins.

Atualizações: Gerenciamento de projetos e impressora PDF

Estou tão corrido e sem tempo que fiz uma grande revisão no meu artigo sobre Gerenciamento de Projetos em 11 de julho (!) e só hoje vou comentar aqui.

Uma grande parte da revisão foi atualizar informações para a quinta edição do PMBOK. Desde o alinhamento com a norma ISO 21500, até as figuras e textos refletindo a incorporação da nova área de conhecimento “Partes Interessadas” e a revisão dos processos de GP, que passaram de 42 para 47.

Outra grande parte foi na última seção, que citava como referencial de organização para guias e boas práticas em gerenciamento de projetos apenas o IPMA, de origem européia (e sua afiliada brasileira ABGP). Agora são citados também o PRINCE2, de origem inglesa, e os métodos e ferramentas ágeis como Scrum, Kanban e Project Model Canvas (este último do brasileiro José Finocchio Júnior).

Confira o artigo atualizado: PMBOK e Gerenciamento de Projetos.

Ainda no assunto de atualização de artigos mas com bem menor abrangência, revisei hoje o artigo sobre criação de arquivos PDF a partir de conteúdo no Windows. Basicamente percorri os sites do Ghostscript e das impressoras PDF avaliadas, verificando suas versões atualizadas e novidades trazidas, como compatibilidade com o Windows 10, por exemplo.

Confira: Gerando PDFs com (ou sem) o Ghostscript.

Google atualiza logo

Em 1º de setembro de 2015, mesmo dia em que o lançamento da versão 45 do navegador Google Chrome encerrou a compatibilidade com plugiins NPAPI (em especial Oracle Java e Microsoft Silvelight), a Google lançou uma atualização da identidade visual de sua logomarca, incluindo novo ícone.

Logotipo Google

Google Logotype

Um logotipo em fonte sem serifa mantendo a sequência multi-cor característica da Google.

Google dots

Google Dots

Uma destilação dinâmica do logotipo para momentos interativos, assistivos e transicionais.

Ícone Google G

Google G

Uma versão compacta do logo Google que funciona em pequenos contextos, como ícone.

Para saber mais:

Dois-em-um fantástico para investigar suspeita de novo malware

Quando eu estou investigando a suspeita da presença de um novo malware (código malicioso), não detectado pelo antivírus instalado, em um computador com Windows, em geral eu costumo utilizar duas ferramentas muito simples e extremamente úteis, explicadas a seguir.

Sysinternals – Autoruns e Process Explorer

Windows Sysinternals é um conjunto de utilitários de sistema avançados para Windows, criados e evoluídos desde 1996 por Mark Russinovich, co-fundador da empresa Winternals Software. Em 2006, a Microsoft adquiriu a Winternals e desde então os utilitários Sysnternals estão integrados no portal Microsoft TechNet, e continuam disponibilizados gratuitamente.

Dois destes utilitários são muito úteis para auxiliar na busca de malware presente no computador:

  • Autoruns: Este programa exibe todas as entradas existentes de executáveis instalados para iniciar automaticamente no Windows, durante o Logon e nos muitos outros meios que o sistema operacional permite para isso. Uma característica típica de vírus, vermes e outros malwares que se instalam no computador é registrar-se para ser executado automaticamente sempre que o sistema é iniciado. Portanto, é muito provável que se existe um malware instalado, que ele apareceça na listagem do Autoruns. A forma mais comum dos malwares se registrarem é em uma entrada de Logon no Registro do Windows, tipicamente em HKLM\SOFTWARE\Microsoft\Windows\CurrentVersion\Run. Autoruns lista informações básicas listadas de cada entrada, como nome registrado, descrição, fornecedor, caminho do executável, data. Você pode se assustar com quanta coisa existe em execução automática no seu Windows. Contudo, identificar uma entrada suspeita em meio à listagem do Autoruns não é trivial, em geral requer experiência em reconhecer o que é típico e legítimo, como utilitários de drivers, utilitários de atualização automática de softwares idôneos (exemplos: atualizador do Adobe Reader ou do Java) e outros programas desejados em execução constante em segundo plano (exemplo: Google Chrome), configurados para executar assim que o Windows iniciar (muitas vezes são programas que tem um ícone na bandeja do sistema perto do relógio, na parte direita da barra de tarefas).
  • Process Explorer (procexp): Este utilitário exibe informações detalhadas sobre todos os programas/processos em execução, em tempo real. O Gerenciador de Tarefas nativo do Windows (acionado pela combinação de teclas Ctrl+Shift+Esc) exibe informações similares, mas de forma muito resumida. No Windows 8 o Gerenciador evoluiu muito em informações exibidas, mas ainda assim o Process Explorer é uma ferramenta bem mais poderosa e com muitos recursos exploratórios exclusivos, como busca por Handle/DLL, identificar um processo a partir de uma janela aberta, e exibição de todos os recursos criados ou abertos por um processo (arquivos, chaves de registro, eventos do sistema, threads etc.). Se um malware estiver em execução, ele aparecerá na lista do procexp. Contudo, assim como no Autoruns, identificar um processo suspeito dentre os programas em execução não é nada trivial.

Autoruns: Screnshot (origem: Microsoft TechNet).

Os utilitários Sysinternals são fornecidos na forma de executáveis simples (em geral, acompanhados de arquivos de ajuda e licença de uso), distribuídos em arquivos ZIP. Você pode baixar o Autoruns e o Process Explorer, ou o Sysinternals Suite contendo todos os utilitários disponíveis de uma vez só.

Sugiro descompactar em uma pasta como C:\sysinternals e adicioná-la ao Path de execução do Windows (Propriedades Avançadas do Computador > Variáveis de Ambiente) para manter estes utilitários prontos para uso no computador, e andar com eles atualizados em um pendrive para poder executar em um computador qualquer.

VirusTotal.com

O segundo passo uma vez identificado um executável suspeito ou provável malware é utilizar o serviço web gratuito VirusTotal.com. No uso mais básico, você pode enviar um arquivo para o VirusTotal e ele o analisa executando 57 (quantitativo no momento em que escrevo este artigo) programas antivírus e antimalware, atualizados e configurados em suas opções de busca mais amplas (inclusive técnicas heurísticas) mostrando quais deles detecta algo. O VirusTotal mantém uma base histórica das assinaturas hash de todos os arquivos já analisados pelo serviço, de forma que se você submete um arquivo já analisado ou uma assinatura, o VirusTotal oferece para exibir a análise mais recente disponível ou (em caso do arquivo) re-analisar.

Ou seja, praticamente se algum programa antivírus atualmente reconhece um executável suspeito que você tem como malware, o VirusTotal lhe traz essa informação. Espetacular!

Os dois juntos – Perfeito!

Agora vem o melhor. Desde janeiro de 2014 no Process Explorer e de janeiro de 2015 no Autoruns, existe integração destes programas com o serviço VirusTotal.com!

No Autoruns, por exemplo, você pode ir na opção de menu Options > Scan Options e marcar Check VirusTotal.com, para que o Autoruns automaticamente submete a assinatura hash de cada entrada listada ao serviço VirusTotal, e exiba os resultados em uma coluna da listagem, colorindo de vermelho se alguma entrada tiver detecção positiva para malware. A opção Submit Unknown Images, embora mais demorada, ainda permite enviar o arquivo ao VirusTotal caso a sua assinatura ainda não exista na base histórica de análises do serviço. Para facilitar ainda mais a busca apenas pelos suspeitos, a opção Options > Hide VirusTotal Clean Entries permite ocultar da listagem do Autoruns todos os executáveis que foram identificados como limpos no VirusTotal.com, exibindo apenas os que tiveram alguma detecção positiva e os desconhecidos (ainda não analisados pelo VirusTotal).

No Procexp, a integração com o VirusTotal se dá pela opção Options > VirusTotal.com > Check VirusTotal.com (e Submit Unknown Executables).

Com ferramentas simples e integradas assim, fica bem prático, fácil e rápido tentar detectar um malware em um computador, mesmo se não houver um bom antivírus instalado, bastando ter em mãos o Autoruns e o Procexp, e acesso internet para o VirusTotal.

Lista dos programas instalados no Windows

O Painel de Controle do Windows (Programas e Recursos) exibe uma lista dos programas instalados, com informações como Editor (fornecedor/criador), data de instalação, tamanho e versão, e permite desinstalar individualmente programas.

Mas nessa interface gráfica não há uma maneira de exportar uma listagem (textual) destes programas. Se você precisar dessa informação, pode recorrer ao Windows Management Instrumentation Command-line (WMIC), disponível a partir do Windows XP.

  1. Abra uma janela de console ou Prompt de Comando do Windows, digitando “cmd” e [Enter] na caixa de pesquisa do menu iniciar, ou no menu Todos os Programas > Acessórios > Prompt de Comando.
  2. wmic [Enter]
  3. product get name,version [Enter]
  4. Aguarde até que o Windows gere a lista (pode demorar alguns minutos, se houver muitos programas instalados)
  5. Copie a lista para a Área de Transferência, com menu de contexto (botão direito do mouse) > Marcar, selecione a lista completa [Enter]
  6. exit [Enter] para sair do WMIC
  7. exit [Enter] ou feche a janela para sair do Prompt de Comando
  8. Cole (Ctrl+V) no Bloco de Notas ou no editor de texto de sua preferência, e salve o arquivo.

Para saber mais:

Química na remoção de manchas em roupas

Que tal a tecnologia da química ajudando a remover manchas em roupas, utilizando para cada substância causadora uma composição de produtos que em geral se encontra em casa? Vamos falar dessa tecnologia aplicada ao cotidiano de forma prática e simples.

Uma série de matérias do programa Hoje em Dia, da Rede Record, foi ao ar entre 2012 e 2013 com participação de Vladimir Constantino Valério, professor de química têxtil do Senai de São Paulo, que ensinou como tirar manchas em roupas provocadas por diversas substâncias. As receitas e vídeos estão disponíveis no portal R7. As receitas estão listadas a seguir.

Mancha causada por Use para remover
Banana 1 ª Fase
1 colher (sopa) de água oxigenada
1 colher (sopa) de sabão em pó

2ª Fase (aplicar por cima)
1 colher (sopa) de água sanitária

Barro 1 colher (sopa) de limpa-vidros
1 colher (sopa) de limpeza pesada
½ colher (sopa) de lustra-móveis
1 colher (sopa) de água oxigenada
Base de maquiagem 2 colheres (sopa) de removedor
1 colher (sopa) de lustra móveis
Bronzeador 1 colher (sopa) de limpeza pesada
1 colher (sopa) de removedor de esmalte
Café para cachecol de lã ½ colher (sopa) de sabão em pó
2 colheres (sopa) de água oxigenada
Chá preto 3 colheres (sopa) de água sanitária
2 colher (sopa) de limpeza pesada
½ colher (sopa) de Ajax (desengordurante)
Chocolate 1 colher (sopa) de sabão em pó
½ copo de água
3 colheres (sopa) de detergente incolor
Desodorante rollon 1ª Fase
2 colheres (sopa) de removedor
2 colheres (sopa) de solvente de pincel
1 colher (sopa) de lustra móveis

2ª Fase
1 colher (sopa) de limpeza pesada
3 colheres (sopa) de água sanitária

Esmalte 3 colheres (sopa) de removedor de esmalte
3 colheres (sopa) de thinner
detergente incolor (lava louças)
Ferrugem 3 colheres (sopa) de vinagre
3 colheres (sopa) de suco de limão
5 colheres (sopa) de detergente incolor (lava louças)
Flores 2 colheres (sopa) de água sanitária
½ colher (sopa) de bicarbonato de sódio
Goma de mascar Removedor de esmalte
Graxa 2 colheres (sopa) de sabão em pó
2 colheres (sopa) de removedor
1 colher (sopa) de lustra móveis
2 colheres (sopa) de limpeza pesada
Graxa em tecidos de lã 2 colheres (sopa) de sabão em pó
2 colheres (sopa) de limpeza pesada
2 colheres (sopa) de lustra-móveis
2 colheres (sopa) de removedor
Graxa de automóvel 1 colher (sopa) de limpeza pesada
1 colher (sopa) de lustra móveis
1 colher (sopa) de solvente de pincel
1 colher (sopa) de desengordurante
Ketchup e Molho de tomate 1 colher (sopa) de sabão em pó
½ copo de água
1 colher (sopa) de lustra-móveis
2 colheres (sopa) de água sanitária
Manga 1 colher (sopa) de sabão em pó
½ copo de água
3 colheres (sopa) de água oxigenada 30 Vol
Mofo 5 colheres (sopa) de água sanitária
2 colheres (sopa) de limpeza pesada
Molho de soja 1ª Fase
Limpa vidros

2ª Fase
1 colher (sopa) de sabão em pó
3 colheres (sopa) de água sanitária

Mostarda 2 colheres (sopa) de água sanitária
½ colher (sopa) de bicarbonato de sódio
Óleo 1 colher (sopa) de lustra móveis
½ colher (sopa) de detergente incolor (lava louças)
Pomada 1 ª Fase
1 colher (sopa) de lustra móveis
1 colher (sopa) de removedor

2ª Fase
3 colheres (sopa) de água sanitária
½ colher (sopa) de sabão em pó

Sangue Para manchas recentes:
Soro fisiológico

Para manchas antigas:
1 colher (sopa) de água oxigenada 30 vol
1 colher (sopa) de limpeza pesada

Tinta de cabelo Fixador de cabelo
Açúcar
Espuma de barbear
2 colheres (sopa) de água sanitária
1 colher de limpeza pesada
Tinta de caneta 3 colheres (sopa) de lustra móveis
1 e ½ colher (sopa) de removedor
1 colher (sopa) de detergente incolor (lava louças)
Tinta Latex 1 ª Fase
2 colheres (sopa) de solvente de pincel
1 colher (sopa) de removedor

2ª Fase
Fermento em pó

3ª Fase parte A
2 colheres (sopa) de solvente de pincel
1 colher (sopa) de removedor
1 colher (sopa) de removedor de esmalte

Parte B
Detergente incolor

Vela 1ª Fase
Raspagem

2ª Fase
Removedor de esmalte

3ª Fase
Ferro de passar roupa

4ª Fase
Removedor de esmalte
Detergente incolor

5ª Fase
3 colheres (sopa) de água sanitária
1 colher (sopa) de limpeza pesada

Vinho e Suco de uva 1 colher (sopa) de sabão em pó
½ copo de água
5 colheres (sopa) de limpeza pesada
5 colheres (sopa) de água sanitária

Referências:

Para saber mais:

Gerar PDF no Windows: artigo evoluído

Ontem fiz uma considerável revisão no artigo Gerando PDFs com (ou sem) o Ghostscript.

Não foi apenas uma mera atualização de versões dos programas abordados, como em várias das revisões anteriores. Agora também reestruturei a organização dos tópicos e melhorei o conteúdo. Até o título mudou, na verdade. O anterior era “PDF Livre com (ou sem) o Ghostscript”.

Após o quadro da seção 2, “Impressoras PDF comparadas”, explico melhor as opções da primeira seção, “Para os apressados”:

Na seção inicial “para os apressados” deste artigo, o doPDF é a primeira opção, por oferecer interface bem simples e não requerer nenhum software adicional. A alternativa seguinte é o FreePDF, bem completo em opções ao gerar PDF. O FreePDF requer o Ghostscript previamente instalado (à parte). O Bullzip Free PDF Printer tem uma gama de recursos similar ao FreePDF; apesar de uma interface com usuário muito boa, tem a limitação de uso para até 10 usuários em empresas. Não indiquei CutePDF, PrimoPDF ou PDF Creator por os três incluírem adware (opção de instalar algum software patrocinado por propaganda) na instalação.

“Gerar PDF a partir de LibreOffice ou Microsoft Office” agora é a seção 3, com dois subtópicos, um do LibreOffice e outro do MS Office.

Com essas melhorias, espero que o artigo continue atualizado e fique ainda mais claro e mais útil a todos!

Fraudes bancárias e o guardião de internet banking

Os bancos bresileiros perderam com fraudes financeiras perto de R$ 3 bilhões em 2012, segundo o blog de Fernando Nogueira da Costa, e R$ 2,3 bi em 2013, segundo o jornal Valor Econômico. A cada 14,8 segundos no país, ocorre uma tentativa de fraude, segundo indicador da Serasa Experian.

Como o crime vai atrás do dinheiro onde quer que ele transite, grande parte das fraudes envolvem a Internet, onde há o Internet Banking e as compras on-line. Atualmente, o cliente bancário pode fazer todo tipo de consultas, pagamentos, transferências e investimentos pela Internet, e ir a um caixa eletrônico apenas se precisar sacar dinheiro. Também o cartão de crédito é um dos meios de pagamento mais aceitos e utilizados nas compras pela Internet.

O crime bancário na Internet em geral envolve um meio do malfeitor obter os dados de conta ou cartão bancários (número, senha, códigos de acesso) de usuários de computador. Dois vetores comuns são programas maliciosos espiões (spyware, keylogger) instalados no computador para monitorar os dados digitados no acesso aos sites legítimos de banco, ou páginas falsas que imitam os sites legítimos de instituições financeiras e solicitam ao usuário preencher seus dados.

Já mostrei aqui no blog vários exemplos: Fraude “Bradesco” – cara de pau passo a passo, Anatomia de uma fraude: CitiBank, Anatomia de mais uma fraude: Santander. Mantenho também um grande conjunto de exemplos de fraudes coletados entre 2004 e 2010.

Uma boa ferramenta de Internet Security, constantemente atualizada, pode evitar a maior parte destes ataques, com um antivírus que detecte programas maliciosos quando tentam entrar no computador e um monitor de URLs web que detecte tentativas de acesso a endereços fraudulentos.

O Kaspersky Internet Security, além de antivírus e monitor de URLs, oferece desde 2013 um recurso específico chamado Safe Money que cria nos navegadores web (Chrome, Firefox, Internet Explorer) um ambiente protegido para distinguir e proteger o acesso a sites financeiros legítimos.

Ainda assim, quando uma fraude é muito recente, a ferramenta de Internet Security pode ainda não “conhecer” a assinatura do programa malicioso ou o endereço URL falso. E muitos usuários ainda não tem nenhum antivírus, ou usam antivírus antigos, desatualizados ou pouco eficazes.

Diante de um rombo de fraude da ordem dos bilhões anuais, os bancos investem em suas próprias soluções de prevenção a fraudes. No caso da Internet, a solução antifraude para e-Banking G-Buster, da empresa GAS Tecnologia é utilizada por quatro dos cinco maiores bancos de varejo, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander, além de Banco Mercantil do Brasil, Banco da Amazônia, Banestes, Tecnocred/Unicred.

Os bancos em geral denominam a ferramenta G-Buster como Guardião. A exigência de instalação do Guardião por parte dos bancos para que se acesse o seu Internet Banking na web — o que dependendo da versão tem exigido requisitos como execução de um programa de diagnóstico e instalação, Java ativado, instalar um serviço no Windows e uma extensão ativada no navegador web — tem sido uma contramão no conceito de mobilidade de uso do banco, pois muitos computadores de acesso público à Internet não permitem esse tipo de instalação, por restrição de segurança.

Veja a seguir um exemplo do Firefox com as extensões dos guardiões de vários bancos instalados. Esta janela do Firefox está no ambiente protegido pelo recurso Safe Money do Kaspersky Internet Security, onde se pode ver também as extensões Consultor de URLs e Safe Money da Kaspersy.

Extensões do Firefox: Guardiões de bancos e ferramentas de proteção da Kaspersky.

Além disso, o Guardião do banco tenta monitorar todos os acessos web no navegador e sabe-se lá mais o que no computador, o que é uma questionável invasão da privacidade do usuário. E com frequência, tem sido recentemente apontado como causa de lentidão no acesso a sites. Eu mesmo já vi várias vezes o navegador “travado” e na linha de status a mensagem “Aguardando extensão Guardião …”.

Nos smartphones e tablets Android e iOS a história é um pouco diferente, pois os bancos disponibilizam aplicativos próprios para instalação, ao invés do acesso por um navegador web comum. Talvez essa seja a alternativa mais viável atualmente para efetiva mobilidade no acesso aos serviços bancários.