Atualização no plano de releases e suporte do Java

A Oracle está, desde setembro de 2017, realinhando a cadência de lançamentos (releases) e versões do Java SE JDK e das condições de suporte ao produto, em uma transição do Java SE versão 8 até a versão 11.

Na prática, quanto à cadência, os lançamentos de novas funcionalidades (feature releases) serão previstos a cada 6 meses (abril e outubro), com mudança da numeração principal. Essa cadência mais ágil de lançamentos e numeração se alinha a filosofias como DevOps e já é adotada por muitos produtos, como os navegadores Chrome e Mozilla Firefox por exemplo.

E o suporte ao produto terá uma distinção maior entre clientes comerciais (em geral, em ambiente empresarial) — centrados no produto Oracle JDK — e usuários gratuitos (inclusive desenvolvedores individuais) — direcionados ao software livre OpenJDK ou através da distribuição de Java licenciado em produtos de terceiros. Clientes comerciais terão um suporte mais sólido, incluindo lançamentos LTS (long term support) a partir da versão 11, com suporte comercial de longo prazo (pelo menos 8 anos) para aqueles que precisam de versões mais estáveis e duradouras.

Para saber mais:

Vida móvel na nuvem – anotações diversas

Na série Vida móvel na nuvem, introduzi três ferramentas que considero essenciais. Já falei da primeira, sobre arquivos e imagens. Esta segunda é sobre anotações diversas.

Dados que alguém lhe forneceu em um telefonema. Destaques de um seminário assistido. Uma pesquisa de preços. Indicações de filmes ou livros. Uma receita gostosa e fácil que viu. Histórico do andamento de um requerimento. As dimensões daquele cômodo que você está querendo redecorar. Um rótulo de vinho que apreciou. Prescrição de remédios e dosagens. Dicas sobre fotografar… As possibilidades são infinitas! Nas mais diferentes situações, frequentemente temos informações que queremos ou precisamos anotar, para não esquecer.

Talvez você possa se dar por satisfeito apenas com arquivos na nuvem, pensando: tudo que eu precisar anotar, posso registrar em arquivo. Um texto simples (txt) no Bloco de Notas, um conteúdo formatado em documento Word (docx), registros visuais como foto (arquivo de imagem), até uma listagem mais estruturada em planilha, por exemplo.

Pode até ser. Mas acredito que o ideal é poder criar, organizar e acessar todas as suas anotações de forma integrada e prática, a qualquer momento, utilizando uma única ferramenta. O serviço que escolhi para atender a um amplo conjunto de necessidades e usos é o Evernote.

Criar e editar

Existem diversas formas possíveis de se produzir anotações, bem como facilidades desejáveis e objetivos específicos. Notas podem combinar texto, imagem e áudio. Você pode querer escrever rapidamente um texto, salvar imagens que contém informação útil — e na era da mobilidade, é muito comum utilizar a câmera do celular para isso. Você pode também querer escrever/desenhar diretamente na tela. Pode querer salvar conteúdo de páginas web.

O Evernote permite criar notas em texto, com formatação — estilos de letra (negrito, itálico, sublinhado, tachado, realce colorido, cor, tamanho, fonte) e parágrafo (marcadores, numeração, alinhamento, recuo) –, e incluir recursos como caixas de seleção, tabelas, linhas (separação horizontal), hiperlinks (ligações ou referências a endereços na internet), bem como qualquer arquivo anexo.

O controle caixa de seleção (marcar-desmarcar) pode ser inserido em qualquer lugar da nota, próprio para se criar listas de tarefas/afazeres (to-do). Existem apps especializados para isso, como Any.do, Toodledo ou Wunderlist. Se você tiver forte necessidade de organizar muitos afazeres, pode recorrer a um aplicativo especializado. Mas se precisar inserir em anotações listas de afazeres, pendências ou checklist, em que você possa ir marcando os itens concluídos, o Evernote tem essa facilidade.

Você pode inserir imagens (capturadas ou arquivos previamente existentes) ao longo de uma nota: fotos, capturas de tela e captura de páginas de documentos, funcionando como um scanner de documentos, ou desenhando diretamente em uma tela sensível ao toque (touch-screen). A captura de documentos do Evernote usando a câmera do dispositivo é bastante automática e uma das mais “espertas” que já experimentei, reconhece bordas, planifica perspectivas e corrige iluminação e cor (sombras, brilhos e tons) de forma automática e, na grande maioria dos casos, bem precisa.

Existem apps especializados em digitalização de documentos, até mais avançados: ajuste manual de bordas, perspectiva e cor; digitalizar para PDF e outros formatos. Alguns que gosto muito: Adobe Scan, Microsoft Office Lens, CS CamScanner. Mais uma vez, a vantagem do Evernote é ter recursos de captura muito bons integrados, para quando precisar tomar nota de páginas de documentos — ou slides, quadros etc.

Organizar e acessar

No Evernote cada nota tem seu título e está associada a um “caderno” (você pode mover para outro caderno a qualquer momento), que é a forma oferecida de organização em categorias/assuntos. Além disso, pode-se criar e atribuir a notas múltiplas etiquetas (rótulos, tags), associar uma geolocalização (obtida automaticamente se o dispositivo tiver GPS) e um lembrete de data. Todos esses são atributos que facilitam a organização e a busca por notas.

O Evernote tem ainda um poderoso serviço de OCR (reconhecimento de texto em imagens). Toda imagem (PNG, JPG ou GIF) enviada passa por um reconhecimento e indexação de textos nela contidos, de forma que a busca localiza texto inclusive contido em imagens.

E como estamos falando em vida móvel e na nuvem, o Evernote oferece essa mobilidade armazenando suas notas na nuvem, nos servidores da Evernote, associada a uma conta pessoal que você cria, gratuita (Basic) ou paga (Premium, assinatura R$80/ano). Você pode trabalhar com suas anotações diretamente pela web em qualquer navegador, acessando o site do Evernote, ou instalando aplicativos em seus dispositivos, disponível para Windows, Mac, Android e iOS (iPhone/iPad), além de plug-in de navegadores (Chrome, Firefox, Safari, Opera, IE7) Web Clipper para capturar páginas (ou trechos) de sites.

A conta Basic permite adicionar até 60MB de novos conteúdos/mês, e sincroniza em até 2 dispositivos (por exemplo, um computador e um celular). A assinatura Premium permite nada menos que 10GB de novos uploads/mês, e ainda oferece recursos muito úteis como cadernos off-line (conteúdo acessível sem internet) e pesquisa (indexação) de texto também em anexos PDF e documentos do Office, e sincroniza em todos os dispositivos onde você usar o Evernote.

É possível também compartilhar notas com outras pessoas, por e-mail ou pelo recurso Work Chat, que permite inclusive que vocês conversem sobre a nota.

Manter todas as suas anotações na nuvem (e sincronizar com seus dispositivos) é a grande força de mobilidade do Evernote, mas também gera pontos de atenção. Primeiro, suas notas estarão tão seguras quanto for a segurança provida pela Evernote — que considero boa. E o mais crítico: em computadores desktop (Windows, Mac), as notas ficam sempre mantidas em um repositório local e são sincronizadas em sua conta pela internet, mas em dispositivos móveis, são mantidos apenas os títulos, atributos e um pequeno trecho das notas e o acesso ao conteúdo integral depende de internet, a menos que esteja em cache (acessada recentemente) ou você tenha a assinatura Premium com cadernos mantidos off-line. Considerando que dispositivos móveis em geral tem uma capacidade de armazenamento limitada, considero esta característica muito razoável, principalmente se ao longo do tempo você acumular toneladas de notas incluindo imagens, vídeos e anexos.

Para finalizar

Existem alternativas ao Evernote? Há concorrentes de peso como Microsoft OneNote e Google Keep. O que posso dizer é que considero o Evernote completo o suficiente e tenho estado muito satisfeito com ele; e se você começar a armazenar cada vez mais notas e precisar delas a todo momento, em algum momento deve achar vantajoso atualizar para a assinatura Premium.

Este artigo apresentou minha experiência e impressões sobre trabalhar com anotações na era da mobilidade, sem pretender ser um comparativo (veja referências a seguir) nem exaurir o tema. Espero que tenha sido proveitoso pra você!

Comparativos de ferramentas para anotações

Bodas de Prata do mhavila

Se você já esteve aqui e estranhou um visual totalmente diferente, calma, você está no meu blog sim!

25 anos

Em homenagem aos 25 anos de presença do meu site na internet, e 15 anos deste blog, e para prestigiar os leitores, já estava mais do que na hora de um visual novo para o blog, mais limpo e moderno.

Para não perder totalmente a referência com o visual anterior, mantive uma barra lateral direita e uso de tons de verde. Na medida do (pouco) tempo, pretendo retocar o visual aqui e acolá.

No mais, só espero poder continuar postando coisas interessantes e úteis.

Abraços!

Vida móvel na nuvem – arquivos e imagens

Na série Vida móvel na nuvem, introduzi três ferramentas que considero essenciais. Vamos falar agora da primeira, armazenamento e compartilhamento de arquivos e imagens.

Este tipo de serviço tem como essência a disponibilização de um espaço de armazenamento na internet, vinculada a uma conta protegida por usuário e senha. A partir daí, você pode usar para armazenamento, backup (cópia de segurança) e compartilhamento de arquivos e pastas, incluindo fotos (imagens) e vídeos.

Como falei na introdução, minhas escolhas são Google Drive (integrado ao Google Photos) ou Microsoft OneDrive. As características que descrevo a seguir se aplicam a ambos. Quando há alguma diferença relevante, isto é apontado no texto.

OneDrive, Google Drive, Dropbox
Crédito: Dazeinfo, Google Drive vs Microsoft OneDrive vs Dropbox: Which Cloud Storage Is The Best?, por John Porter, 2016-04-04.

Outros bons serviços similares existentes são Dropbox, Box e Syncplicity. Os dois últimos não são muito populares no Brasil. Todos tem versões individuais (pessoa física) e corporativas (oferecidas a empresas).

Arquivos e pastas

Vida de Suporte: Colocando arquivos na nuvem
Fonte: Vida de Suporte – “Colocando na Nuvem” (humor).

O recurso básico é o uso similar a um “disco virtual” na nuvem, onde se podem armazenar arquivos e pastas em geral.

Em dispositivos móveis (smartphones e tablets), instala-se o aplicativo que permite navegar pelo repositório na nuvem, baixar (download), visualizar arquivos ou abrir em um app específico, enviar arquivos (upload) para o repositório — integrando-se com outros apps em geral a partir do recurso Compartilhar — e configurar sincronização automática de fotos e outros arquivos locais do dispositivo com o repositório na nuvem.

Para integrar seu uso ao computador Windows ou Mac, um aplicativo cria um vínculo entre pastas (à sua escolha) nos discos locais do computador e o disco virtual, fazendo a sincronização bilateral automática e transparente (em segundo plano): arquivos e pastas novos ou atualizados no disco virtual são baixados para o computador e os do computador são enviados para a área de armazenamento. As aplicações do computador acessam as cópias locais dos arquivos e pastas, por isso, uma vez que o arquivo desejado esteja disponível localmente no dispositivo, não deve haver problema de desempenho (velocidade de acesso) ou compatibilidade.

O aplicativo de sincronização tem habilidade de identificar eventuais conflitos de atualização de arquivos ou pastas, isto é, objetos que tenham sido modificados tanto no repositório na nuvem quanto no dispositivo local, desde a última sincronização. Em geral, o aplicativo avisa sobre a existência do conflito, preserva as duas versões modificadas do arquivo e aguarda que o usuário resolva o conflito.

Se um arquivo é excluído no repositório ou no dispositivo local, ele também será excluído na sincronização em todos os dispositivos. Tanto Microsoft OneDrive quanto Google Drive mantêm arquivos excluídos na Lixeira por 30 dias, permitindo que possam ser restaurados dentro desse prazo.

Por manter sincronizadas cópias locais nos dispositivos e no repositório na nuvem, o serviço de disco virtual se presta como uma forma de backup (cópia de segurança). E você ainda tem a opção de desmarcar a sincronização com o dispositivo atual para uma ou mais pastas, contudo mantendo a(s) pasta(s) no repositório na nuvem.

E de qualquer dispositivo, sem a necessidade de instalar o aplicativo de sincronização, você pode acessar o repositório na nuvem por meio de um navegador web: Microsoft OneDrive (onedrive.live.com) ou Google Drive (drive.google.com), entrando com seu usuário e senha. A interface web permite gerenciar os arquivos e pastas do repositório, bem como fazer downloads e uploads.

Outros dois recursos fundamentais e poderosos do armazenamento em nuvem são:

  • A pesquisa textual, tanto no nome de arquivos e pastas quanto no conteúdo de documentos e imagens. Tanto Google Drive quanto OneDrive conseguem pesquisar texto em imagens (OCR) quanto identificar objetos em imagens (por exemplo, você pesquisa “cachorro” e ele traz como resultado imagens que exibem um cachorro.
  • O compartilhamento de arquivos ou pastas inteiras com outros usuários. Você pode compartilhar conteúdo seu e acessar conteúdo que outros compartilharam com você.

Fotos e vídeos

Os serviços incluem opção de salvar automaticamente fotos, vídeos e capturas de tela do dispositivo no repositório na nuvem, suportando grande variedade de formatos de imagem e vídeo. Também imagens e vídeos em mídias/dispositivos removíveis inseridos (como cartões de memória e unidades flash USB / “pendrive”) Isso é excelente tanto como backup de dispositivos móveis e câmeras fotográficas como consolidação de todas suas fotos e vídeos em um repositório unificado.

Existem serviços na nuvem especialmente voltados a imagens, como o tradicional Flickr. Mas os discos virtuais integram o gerenciamento de arquivos de fotos, vídeos e capturas, com a vantagem de organização e pesquisa unificadas. No caso do Google Drive, isso se integra com o serviço Google Photos.

O salvamento automático de imagens e vídeo tem um tratamento diferenciado quanto à sincronização, uma vez copiadas para o repositório. Em geral permitem que você posteriormente possa excluir imagens ou fotos em um dispositivo, mantendo o armazenamento no repositório. Isso faz sentido porque o espaço (tamanho) de armazenamento interno de dispositivos móveis e removíveis costuma ser muito mais limitado que o de um disco de computador, e é comum você necessitar apagar imagens e, principalmente, vídeos para liberar espaço.

Coleções de imagens e fotos podem ser organizadas e compartilhadas em álbuns. Tanto Google Drive/Photos quanto Microsoft OneDrive ainda facilitam essa organização, sugerindo a criação automática de álbuns para sequências de imagens e vídeos que tenham data e horários próximos, o que sugere que representem um evento ou momento específico. O Google ainda vai além, sugerindo também colagens, animações, clipes e efeitos especiais.

Espaço e custo

Ok, tudo parece interessante e maravilhoso, mas quanto espaço posso ter na nuvem? E quanto custa?

São serviços “freemium”, ou seja, oferecem opção gratuita (“free”) individual com um espaço de armazenamento limitado, com a opção de uma subscrição (assinatura, mensal ou anual) paga para mais espaço (e, eventualmente, recursos e suporte “Premium”). Como este serviço ainda está em plena expansão e é competitivo, tendo gigantes como Google e Microsoft, os espaços de armazenamento e os preços podem variar em razão da concorrência e da oferta-demanda. O espaço gratuito do OneDrive, por exemplo, já foi 5GB, 25GB, 7GB, 15GB e voltou para 5GB!

Veja um quadro comparativo, com espaços, preços e condições disponíveis à época deste artigo:

Serviço Plano Gratuito Plano 1+ TB Observações
OneDrive 5 GB R$239/ano ou R$24/mês * Plano 1TB inclui uma licença de Office 365 Personal em 1 computador (PC ou Mac), 1 smartphone e 1 tablet; permite limitar prazo de compartilhamento e manter pastas off-line em dispositivos móveis acessíveis sem internet.
Google One 15 GB 2TB por R$350/ano ou R$35/mês O espaço de armazenamento é compartilhado com mensagens (e anexos) do Gmail e Google Photos com fotos e vídeos na qualidade/resolução original. Se você permitir que o Google compacte fotos e vídeos em alta qualidade para economizar espaço, o armazenamento do Google Photos é ilimitado.
Dropbox 2 a 16 GB US$10/mês Plano 1TB permite acesso a arquivos off-line e exclusão remota de dispositivos. O plano gratuito começa com 2GB, mais 500MB por amigos indicados, até o limite de 16 GB.
Box 10 GB Não tem Plano individual 100GB por US$11.5/mês.
Syncplicity 10 GB Não tem Plano individual 100GB por US$60/ano.

O melhor gratuito, sem dúvida, é o Google Drive. Se você permitir a compactação de fotos e vídeos no Google Photos, condição para o armazenamento ilimitado de imagens, 15 GB do Google One devem ser suficientes para muitos anos de documentos e e-mails do Gmail (desde que não exagere nos anexos). O Google ainda tem larga superioridade nos recursos de busca tanto do Drive quanto do Photos. Por exemplo, o Google Photos permite identificar nominalmente pessoas e depois buscar, por exemplo, todas as fotos onde o Márcio aparece.

Mas se você quer salvar fotos e vídeos na qualidade original (sem alteração/compactação), rapidamente pode consumir dezenas de Gigabytes. Neste caso, os mais vantajosos hoje são os planos Microsoft que incluem OneDrive e Office 365. (*) Além do plano individual (no quadro), existe um plano familiar para até 5 usuários, oferecendo para cada usuário 1TB e Office 365 Home em computador, tablet e smartphone, por R$ 299/ano ou R$29 mês, ou seja, pouco mais caro que o individual. Melhor ainda, em lojas de comércio eletrônico você consegue comprar assinatura anual do pacote Office 365 (Home ou Personal) com o armazenamento no OneDrive por ainda menos! Por exemplo, na época em que escrevi este artigo, na Kalunga estava disponível Office 365 Home (5 usuários) por R$149,00 + frete (da caixa contendo apenas a chave do produto).

[Atualização] Em 28 de agosto de 2018, a Google lançou na América Latina o Google One, um plano de armazenamento com mais opções opções de espaço (de 100GB até 30TB) e possibilidade de compartilhar o plano com até 5 membros da família, similar ao plano familiar Home da Microsoft. As assinaturas do Google Drive foram migradas para o Google One e, pelos mesmos R$35 mensais que eram cobrados por 1TB no Google Drive, o Google One passou a oferecer o dobro de espaço, 2TB.

Segurança

Por último mas não por menos, não poderia deixar de falar sobre segurança. Se pretende manter arquivos pessoais armazenados na internet, é essencial tomar precauções e utilizar recursos de segurança apropriados. Eis algumas dicas:

  • Utilize uma senha forte para sua conta, com tamanho adequado e uso de letras minúsculas, maiúsculas, algarismos e símbolos. E é recomendável trocar a senha no mínimo anualmente. Lembre-se que Microsoft e Google usam contas de usuário universais para os diversos recursos e serviços oferecidos pela respectiva empresa, como login no sistema operacional ou dispositivo móvel, e-mail etc. Protegendo sua senha você estará, de quebra, reforçando a segurança de todos os demais serviços da Microsoft/Google que você também utiliza.
  • Ative os recursos de segurança disponíveis, como verificação em duas etapas (ou autenticação de dois fatores) na conta de usuário (tanto Microsoft quanto Google), PIN (senha numérica) para o acesso ao app em dispositivos móveis (OneDrive), criptografia de arquivos em dispositivos móveis (Google Drive).
  • Para arquivos realmente sensíveis, sugiro criptografar cada um antes de armazenar. Uma dica é o uso do software código aberto Axcrypt. É mais trabalhoso, mas lembre-se que segurança é um equilíbrio entre conveniência e proteção.

Para saber mais

Vida móvel na nuvem – introdução

Atualmente está comum uma pessoa ter dois ou mais desses dispositivos móveis computacionais: laptop/notebook, smartphone e tablet. Mesmo com os — cada vez mais raros — computadores pessoais desktop, há frequente necessidade de mobilidade e compartilhamento entre o computador de casa e o do trabalho (muito além de um simples pendrive), ou entre o desktop e dispositivos móveis. É a era da vida conectada, móvel e em tempo real.

Os serviços e recursos que são nativos da internet, como o e-mail, redes sociais e streaming de áudio/vídeo, por exemplo, já tendem a estar naturalmente acessíveis de qualquer dispositivo.

Mas e quanto a fotos, filmagens, anotações, documentos e informações pessoais, produzidos aos montes e buscados a todo momento e em qualquer lugar? Como preservar, organizar e tornar disponível tudo de forma consolidada? O caminho tende a ser migrar para algumas soluções na nuvem, ou seja, centradas na internet.

O primeiro receio de qualquer um nesse sentido costuma ser do tipo: Mas é a segurança? Manter coisas na internet é seguro? Um hacker em qualquer parte do mundo não poderá invadir minhas informações? Claro que se deve ter cautela e utilizar recursos e práticas de segurança. Mas devolvo questionando outras facetas da situação: As informações no seu dispositivo móvel estão seguras? E se você esquecê-lo, perder ou for furtado/roubado, e se der defeito? Você faz e mantém backup (cópia) atualizado e seguro de tudo que é importante? Qual risco lhe parece mais provável, um extravio/furto/defeito do seu dispositivo móvel ou uma invasão on-line de sua conta?

Se neste ponto você está convencido que vale a pena adotar a nuvem para armazenar e compartilhar informações e conteúdo pessoal, vou sugerir três ferramentas que considero essenciais e complementares:

  • Google Drive + Photos (melhor gratuita) ou Microsoft OneDrive (mais vantajosa paga): armazenamento e backup de arquivos, incluindo fotos e vídeos.
  • Evernote: notas diversas, incluindo listas, digitalizações (capturas de imagem de documentos com a câmera), voz, mão-livre, capturas de páginas web.
  • LastPass: senhas de sites e notas seguras.

As três ferramentas oferecem modelo de serviço “freemium”, isto é, tem opções gratuitas e planos Premium pagos com recursos adicionais. Todas podem ser acessadas e sincronizadas em múltiplos dispositivos conectando em sua conta, seja instalando o aplicativo próprio ou via web em qualquer navegador.

Vou detalhar cada ferramenta em um artigo à parte:

O último plugin

Depois do fim anunciado do Microsoft Silverlight e do Java Plugin, chegou a vez do anúncio de adeus do último e mais popular plugin de navegadores web de todos os tempos: o Adobe Flash.

Segundo o anúncio oficial de 2017-07-25 no site da Adobe, padrões abertos como HTML5, WebGL e WebAssembly amadureceram nos últimos anos, e agora provêm a maioria dos recursos e funcionalidades de plugins pioneiros e são uma alternativa viável para conteúdo dinâmico, vídeo, animações e jogos na web. Atualmente os principais navegadores integram recursos nativos antes só possíveis através de plugins.

Nesse cenário, e em colaboração com parceiros tecnológicos incluindo Apple, Facebook, Google, Microsoft e Mozilla, a Adobe planeja o fim-de-vida do Flash até o fim de 2020, e encoraja os criadores de conteúdo a migrarem conteúdo existente em Flash para um destes novos padrões abertos. Até lá, a Adobe vai continuar prestando suporte e atualizações (de segurança e compatibilidade) ao Flash nos sistemas operacionais suportados.

Além disso, a Adobe cogita antecipar prazos de fim-de-vida do Flash em certas regiões do mundo onde versões não licenciadas e desatualizadas do Flash Player tem sido distribuídas.

O Flash surgiu em 1996 lançado pela FutureWave originalmente com o nome Shockwave. Naquele mesmo ano a pequena foi comprada pela Macromedia, por sua vez adquirida pela Adobe em 2005. Atingiu a marca de mais de 1 bilhão de instalações em computadores conectados, e foi por muito tempo padrão de fato da indústria para animações e jogos na web.

A era dos dispositivos móveis (tablets e celulares com Android e iOS) sem suporte a plugins e, como citou o anúncio da Adobe, os novos padrões abertos desde o HTML5 impulsionam a decadência e fim dos plugins, incluindo agora o ilustre Flash.

Escapada BsAs – Colonia del Sacramento

Se você ficar poucos dias em BsAs, principalmente se for sua primeira viagem à capital Portenha, pelos artigos anteriores desta série Explorando Buenos Aires já viu que há atrações suficientes na cidade. Mas se restar um dia livre, o tema deste quinto artigo é uma escapada imperdível ao país vizinho. Colonia del Sacramento, simpática cidadezinha beira-rio turística do Uruguai, está a apenas uma hora de Buenos Aires na outra margem do Rio da Prata. Preços de jan/2016, a maioria em pesos uruguaios (UY), ou em pesos argentinos (AR) quando indicado.

  1. Introdução e Informações essenciais
  2. Região Central, Puerto Madero e San Telmo
  3. Palermo
  4. Recoleta
  5. Escapada: Colonia del Sacramento
  6. Outros passeios e pontos de interesse

Mapa de Buenos Aires a Colonia del Sacramento (em zoom)

Ricardo Freire, em seu blog Viaje na Viagem (out/2009, atualizado em 2016) ilustrou Colonia del Sacramento como a Paraty do Uruguai: “Cidadezinha colonial, à beira d’água, fundada por portugueses, patrimônio da Unesco, povoada por pousadas, restaurantinhos e galerias”. Comparações à parte, a pequena e charmosa Colonia del Sacramento tem atrativos próprios para valer um dia inteiro bate-e-volta saindo de Buenos Aires.

Câmbio Colônia do Sacramento, Uruguai, é capital do departamento de Colônia. Tem origem na antiga cidade de Colônia do Santíssimo Sacramento, fundada em 22 de janeiro de 1680 por Manuel Lobo, então Governador da Capitania Real do Rio de Janeiro, a mando do Império Português no século XVII. A área onde localiza-se a fundação portuguesa hoje faz parte do Centro Histórico, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Fica 177 km distante de Montevidéu e, pela outra margem do Rio da Prata, a apenas 50 km de Buenos Aires.

Ida e volta de buque

Câmbio Para ir e voltar de Colonia a partir de Buenos Aires, a travessia de 50 km até a outra margem do Rio da Prata pode ser feita em apenas uma hora em buques, grandes e confiáveis embarcações (ferryboat tipo catamarã) rápidas que transportam muitas pessoas (em enormes salões com muitas fileiras de poltronas) e carros.

Três empresas operam a travessia: Buquebus (também disponível site uruguaio), Seacat Colonia e Colonia Express.

Buquebus é a maior e mais tradicional das empresas que atuam na rota. Opera barcos rápidos (1h15) e lentos (3h) entre BsAs e Colonia, transporta também carros e oferece mais horários. Há também buques rápidos direto a Montevidéu (3h).

A Seacat Colonia é o concorrente mais novo. Tem ferrys modernos, compactos e rápidos (1h) e não carrega carros. Segundo o blog de Ricardo Freire, é subsidiária low-cost da Buquebus. De fato, Buquebus e Seacat saem do mesmo terminal Buquebus no extremo norte de Porto Madero (Av. Antártida Argentina 821, quase em frente à Av. Córdoba), e não raro compartilham passageiros em uma mesma embarcação, em horários comuns quando há pouca lotação.

Na época deste artigo, a Colonia Express não era bem recomendada, pelos atrasos e cancelamentos frequentes. Seus barcos não são nem tão grandes quanto os do Buquebus, nem tão modernos quanto os da Seacat. Não arrisquei.

Escolha a passagem pelo site das empresas, com antecedência, para garantir disponibilidade e preços. Compre direto pelo site, ou na agência física da empresa em BsAs. As três empresas oferecem opção “Day Tour” com city tour incluso (à pé ou ônibus), mas recomendo a ida-e-volta simples mesmo dia. Conhecer Colonia por conta própria é fácil e gostoso, como veremos aqui. Para transporte apenas de passageiros, escolha Sin Bodega/Vehículo (sem carro).

Os pontos de venda (loja física) em Buenos Aires das três são perto entre si, todos funcionando seg-sex 09-19hs, sábado 09-13hs:

O terminal Buquebus/Seacat na Av. Antártida Argentina 821 também vende passagens destas duas empresas todos os dias.

Compramos no dia 4/jan/2016 ida-e-volta para 8/1 no Seacat Colonia, por AR$843 por pessoa (classe econômica), ida às 8:00 (chegada a Colonia 9h) e retorno saindo às 20:30 (chegada a BsAs 21:30). Considerando a antecedência para embarque da volta, você terá em torno de dez horas em Colonia, que é suficiente para um passeio completo.

Foto montagem com vistas externas e interna do buque

Dicas importantes:

  • Lembre-se: É uma viagem internacional. Para compra nas lojas e para embarque, é obrigatório levar o passaporte de todos os passageiros, ou a carteira de identidade mais o papel com o carimbo de entrada no país.
  • Chegue no mínimo uma hora antes do horário de embarque no terminal. Pode haver grandes filas de check-in e imigração, além do próprio embarque. Com mochilhas e bolsas de mão para o bate-volta de um dia, não será necessário despachar bagagem.
  • A imigração dos dois países é feita de uma vez no embarque. No mesmo balcão, um funcionário de um país processa a saída e em seguida já passa para o funcionário do outro país dar entrada. Para quem usa a carteira de identidade, o novo carimbo de entrada no país é feito no papel da passagem. Guarde-o ou não sairá do país!
  • No salão de passageiros do buque, há um balcão lanchonete. Em águas internacionais durante o trajeto, abre-se também um balcão de duty free.
  • As poltronas não são marcadas/numeradas. Recomendo um lugar perto da porta de embarque/desembarque em uma fileira próxima às janelas, com a vista do rio. O trajeto é tranquilo, não percebi oscilações que causem qualquer desconforto ou náuseas.
  • Na ida para o terminal em BsAs, a estação final (Leandro N. Alem) da linha B do Subte (metrô) é a mais próxima, distante umas 7 quadras. Na volta à noite, só vimos taxistas parados na porta do terminal que ofereciam corrida mais caro (fora do taxímetro); muito cansados, negociamos valor e tomamos um desses mesmo, a contragosto.

Câmbio

Câmbio Dentro do terminal de desembarque em Colonia você encontra uma agência de câmbio Varlix Servicios Financeiros, praticando taxas de câmbio razoáveis. Vi outras casas de câmbio em meio à cidade, com câmbios similares ou ligeiramente melhores.

Praticamente todo lugar turístico aceita dólar, real, peso argentino e peso uruguaio, além de cartão de crédito. Acho melhor usar a moeda local para compras pequenas. É mais rápido, seguro e barato porque evita conversões.

Troquei 200 reais ao câmbio 7,06 totalizando UY$ 1.412 pesos uruguaios. E 1 AR (peso argentino) equivalia a aproximadamente 1,6 UY. Dimensione seu câmbio para não sobrar pesos uruguaios à toa, ou você acaba perdendo um pouco de dinheiro nessas idas e voltas de conversão. Uma dica é gastar o resto de seus pesos uruguaios no acerto final do pagamento do carrinho de golfe.

Aluguel de carro de golfe em Colonia

A opção de transporte que muitos recomendam, fácil, econômica e bem divertida, é alugar um carrinho de golfe. O veículo não atinge mais que uns 40 km/h e as vias e a cidade são tranquilas e seguras, então é um city tour por conta própria muito agradável.

É possível ir à pé ao centro histórico, mas com o carrinho você passeia sem cansar as pernas e pode ir à Plaza de Toros que fica a uns 3 km de distância, bem como qualquer outra parte mais distante da cidade. Além disso, é divertido e barato, então por que não?

O motorista deve apresentar habilitação (aceita a CNH brasileira). Transporta 4 pessoas, duas no banco da frente e duas viradas para trás, onde há um estribo para os pés e barras para firmar as mãos. Equipamentos básicos: para-brisa, capota de lona (aberto dos lados e atrás); cinto de segurança (lombar) para todos; chave de ignição, câmbio frente-neutro-estacionar-ré (sem marchas), pedais acelerador e freio, freio de mão, retrovisores. O preço inclui o tanque cheio, suficiente para rodar o dia inteiro (não é necessário abastecer para entrega). Sem mistério.

Vista lateral do carro de golfe

Há várias locadoras nas proximidades da saída do terminal de desembarque. Alugamos na Colonia Rental (Miguel Odriozola 415, logo em frente à saída do Centro de Informações Turísticas) o carro de golfe de 4 pessoas o dia inteiro por USD $60 (UY $1800, AR $1125). Aceitam cartão de crédito ou dinheiro, pagamento na entrega, até as 19h.

Pontos turísticos

Mapa do Centro Histórico e redondezas

Câmbio Atravessando o estacionamento na saída do terminal em Colonia, obrigatoriamente tem-se que passar pelo Centro de Informações TurísticasBIT Experiencia Uruguay — do governo de Intendencia de Colonia. Lá os gentis atendentes fornecem gratuitamente mapas e informações turísticas.
Entrada do BIT Experiencia Uruguay

Foto de maquete de Colonia

Centro Histórico (Casco Historico)

Do Paseo de San Gabriel, com seu charmoso guarda-corpo branco beira-rio, às simpáticas ruas no entorno, de calçamento de pedra e muito arborizadas, o centro histórico é um passeio tranquilo e gostoso. Ao final da rua Manuel Lobo faz-se uma curva ao lado do Bastión de San Miguel e tem-se acesso à Plaza Mayor, coração do Casco Historico.

Foto: rua em profundidade
Ruas no entorno do centro histórico: calçamento de pedra, muito arborizadas, e casinhas coloridas e bem cuidadas.

As passagens pelo alto das muralhas restauradas, desde o Portão de Armas (Porton de Campo ou Puerta de la Ciudadela) ao longo da ruela do Bastión de San Miguel descendo em direção ao rio, apesar de muito belas, são perigosas para crianças, sem proteção e com trechos estreitos, exigindo muito cuidado e atenção.

Foto montagem: 3 cenas
Portón de Campo (ou Puerta de la Ciudadela), muralha e detalhe do Bastión de San Miguel.

Paralela à rua do Bastión de San Miguel após o início da praça está a Calle de los Suspiros, fechada ao trânsito de veículos. Ao final da praça duas ruas depois, De San Francisco, ergue-se o grande Farol, onde se pode pagar para subir (crianças não podem entrar, pois o mirante externo no alto é estreito e com gradil baixo).

Foto montagem, 3 visões da Calle de los Suspiros
Calle de los Suspiros.
Foto: Farol
Farol de Colonia del Sacramento.

Também estão no centro histórico a Basílica de Santíssimo Sacramento e alguns museus.

Câmbio Há em torno de dez pequenos Museus na cidade, como Português, o Espanhol, do Azulejo, Indígena, Paleontológico, Naval etc. Todos fecham um ou mais dias da semana. Uma entrada de UY $50 (menores de 12 anos não pagam) permite visitar todos os museus disponíveis. Para detalhes, veja o prospecto (PDF) do Sistema de Museos de Colonia.

Plaza de Toros Real de San Carlos (final da Av. Nicolas Mihanovich, esquina Rio de la Plata). Obra realizada pelo arquiteto argentino José Marcovich e o engenheiro Dupuy, a arena foi inaugurada em 9 de janeiro de 1910, mas dois anos depois as touradas foram proibidas em todo país. Esta é a única que se mantém erguida no Uruguai, mas está fechada a visitação, infelizmente devido à estrutura abandonada e em risco. Rodeando a praça se pode ver o entorno de pedra e, lá dentro, a estrutura metálica trazida da Grã Bretanha.
Plaza de Toros

Alimentação

Uma garrafinha de 500 ml de água mineral nos terminais ou no buque custava AR $40 ou UY $65. Em um trailer na cidade, uma garrafa geladíssima de 2,25 L de água mineral custou UY $60.

Câmbio Há muitos Cafés (cafeterias e restaurantes) gostosos, tanto no entorno da Plaza Mayor quanto espalhados pela cidade.

Almoçamos um típico e farto chivito (uruguaio) al plato por UY $595 na varanda do Don Pedro (Henriquez de la Peña, esquina com Calle de los Suspiros, Plaza Mayor), serve muito bem uma pessoa com salada, batatas fritas, carne, ovo, queijo e presunto. Porção de arroz UY $80, suco de laranja (esprimido) UY $95.

Gostamos do sorvete artesanal da El Cali (San Miguel 91, esquina com Henriquez de la Peña, dentro do Bastión de San Miguel, quase em frente ao Porton de Campo), e o ambiente é amplo e agradável.

Nem mais nem menos

Gasta-se em torno de quatro horas entre espera e trânsito de ida e volta, e são vários pontos turísticos, mais os tempos de alimentação e descanso. Então não creio que compense ficar em Colonia menos que um dia todo.

Da mesma forma, a noite em Colonia não é algo imperdível e nem há tantas atrações turísticas que compensem levar mala, procurar hotel, fazer check-in e check-out. Eu não faria pernoite em Colonia. Para mim, um dia inteiro bate-volta basta para ver tudo, passear e cansar. E valeu!

Plug-ins em navegadores: o fim de uma era

Sem Plug-insRemonta à época do velho navegador internet Netscape a ideia de se definir uma API aberta de plug-ins para integrar tratamento de conteúdos e mecanismos específicos ao navegador, como vídeos, animações, gráficos vetoriais, PDF, aplicações dinâmicas etc., de forma que o os mecanismos nativos do navegador se concentrassem em navegação e exibição de páginas da “World Wide Web”. Isso fazia muito sentido naqueles anos 90.

E até agora, praticamente todos os navegadores populares da atualidade, em sistemas operacionais desktop como Windows, Linux e MacOS, ainda implementavam a arquitetura de plug-ins multi-plataforma denominada Netscape Plugin Application Programming Interface (NPAPI).

Contudo, no longo caminho de mais de 20 anos de evolução desde os idos do Netscape até hoje, e mais intensamente nos últimos anos, a necessidade de plug-ins vem decrescendo. E a tendência iminente é chegar a zero!

Este artigo busca um retrospecto e referências dos principais aspectos, contextos e fatos envolvidos na decadência dos plug-ins de navegadores.

Recursos nativos

Os navegadores e os padrões da web vem evoluindo para incorporar cada vez mais recursos nativos para conteúdo dinâmico, rico e interativo. Citemos alguns marcos importantes:

Ajax e Rich Internet Applications (RIA)

Os padrões de JavaScript, CSS (estilos), DOM (modelo de objetos das páginas web para manipulação programática, especialmente via JavaScript) evoluíram muito para suportar cada vez mais interatividade e experiência rica (RIA) nas páginas web, com destaque par a popularização do Ajax e de frameworks de programação web poderosos como jQuery e AngularJS, só para citar alguns. Veja por exemplo meu artigo Ajax e RIA – Radar do mercado, de mai/2011.

HTML5

O padrão HTML5 (desenvolvimento iniciado em 2007/2008 e recomendação oficial do W3C concluída em 2014-10-28, especificação liderada por Ian Hickson da Google), suportado por todos os principais navegadores da atualidade, incluiu elementos nativos para incorporação de multimídia como vídeo, áudio e legendas, equações matemáticas (MathML), gráficos vetoriais (SVG), canvas gráficos 2D (bitmaps dinâmicos) e 3D (WebGL) etc. diretamente em páginas web. Isso dispensa o uso de plug-ins antigamente utilizados para integrar com visualizadores multimídia do sistema operacional como Apple Quicktime, Windows Media Player ou VNC.

Referências sobre HTML5 e seus recursos nativos:

PDF

Mozilla Firefox, Google Chrome e Microsoft Edge atualmente incluem visualizadores nativos de documentos PDF. Isso dispensa o plug-in integrando o Adobe Acrobat Reader. O Chrome oferece também recurso nativo para Salvar como PDF páginas web, ao invés de imprimir.

A Adobe alega que o Acrobat Reader garante melhor experiência do usuário e garante total compatibilidade com o formato PDF, evitando erros e problemas na utilização de recursos avançados. Vários navegadores, mesmo possuindo visualizador nativo, oferecem alternativa de configurar o Adobe Acrobat Reader para abrir documentos PDF. Veja também Change in support for Acrobat and Reader plug-ins in modern web browsers, na base de conhecimento de Ajuda da Adobe.

Extensões ou complementos nativos do navegador

O modelo de extensões ou complementos específicos para os principais navegadores, disponibilizadas para baixar em repositórios ou “lojas” (Mozilla Add-ons, Google Chrome Web Store etc.), permite incorporar novas funcionalidades e comportamentos específicos aos navegadores como componentes adicionais nativos.

A era dos dispositivos móveis

E veio a era dos dispositivos móveis (smartphones e tablets), memória RAM e telas menores que os desktops, interação fortemente baseada em toque direto na tela, e em sua maioria com sistemas operacionais Google Android ou Apple iOS.

Com as diferenças e limitações de hardware, sistema operacional e software dos dispositivos móveis, em geral os aplicativos para estes dispositivos são mais enxutos e especializados. A consequência é que os navegadores internet para smartphones e celulares em geral não suportam mecanismos de plugin.

Depois da versão 11.1 do Adobe Flash Player em set/2013, a Adobe deixou de publicar Flash Player para browser em dispositivos móveis Android. No iOS, em meio a alegações controversas desde uma declaração Thoughts on Flash de Steve Jobs em abr/2010, o Flash nunca foi suportado nos dispositivos móveis da Apple. No Android, o Flash Player deixou de ser disponibilizado no Google Play Store; em Android 4 e inferior, ele só pode ser instalado manualmente diretamente a partir do repositório arquivado da Adobe.

Referências:

A extinção do NPAPI

Microsoft

O Microsoft Internet Explorer 5.5 SP2, em ago/2001, já havia descontinuado o suporte ao protocolo NPAPI, deixando de suportar os plug-ins no estilo Netscape em favor da integração via tecnologia ActiveX, introduzida desde o Internet Explorer 3, conforme artigo #30341 da base de conhecimento de suporte Microsoft.

O novo navegador Microsoft Edge introduzido no Windows 10, por sua vez, descontinuou também o suporte à tecnologia ActiveX. Veja A break from the past, part 2: Saying goodbye to ActiveX, VBScript, attachEvent…, 2015-05-06, por Microsoft Edge Team, em Windows Blog.

Google

Em setembro de 2013, Justin Schuh, Engenheiro de Segurança e Planejador de Obsolescência de Plug-in da Google, publicou no Chromium Blog que a arquitetura anos-90 do NPAPI se tornara causa frequente de travamentos, falhas, incidentes de segurança e complexidade de código; por causa disso, Chrome iria gradualmente reduzir o suporte a NPAPI a partir do ano seguinte.

Como evidência de que a web estava pronta para essa transição, Schuh apresentou dados baseados nos dados anônimos de uso coletados pelo Chrome indicando que à época apenas seis plug-ins haviam sido usados por mais de 5% dos usuários no mês anterior: Silverlight (15%), Unity (9,1%), Google Earth (9,1%), Java (8,9%), Google Talk (8,7%) e Facebook Video (6%).

Em artigo de atualização de novembro de 2014, com os dados indicando que o uso de NPAPI continua em queda, a Google apresentou a contagem regressiva para o NPAPI, com todos os plugins passando a ser bloqueados por padrão em jan/2015, depois o suporte a NPAPI desabilitado por padrão em abr/2015 (o que efetivamente ocorreu no Chrome 42) e, por fim, o suporte a NPAPI sendo permanentemente removido do Chrome em set/2015 (Chrome versão 45). Assim ocorreu.

Mozilla

Em 8 de outubro de 2015, Benjamin Smedberg, gerente de engenharia de qualidade do Firefox na Mozilla, publicou um anúncio sobre plugins NPAPI no Firefox: a Mozilla pretende remover o suporte a plugins NPAPI no Firefox até o fim de 2016. Apenas o suporte a Adobe Flash deve ser mantido em caráter excepcional. Novas plataformas como o Firefox 64-bits para Windows já nascem sem suporte a plugins.

Similar à Google, Smedberg também justifica que com a evolução dos browsers e da Web, muitos recursos que antes requeriam plugins estão agora disponíveis nativamente. E que com a velha NPAPI, plug-ins são fonte de problemas, travamentos e incidentes de segurança para os usuários.

Firefox começou este processo vários atrás, com o mecanismo de ativação manual de plugins, permitindo que usuários ativem um plugin apenas quando necessário. Smedberg cita que a decisão da Mozilla espelha a de outros navegadores modernos, como Google Chrome e Microsoft Edge, que também removeram suporte a plugins legados.

Os remanescentes e os novos movimentos

Quatro plug-ins para incorporação de aplicações dinâmicas avançadas ainda merecem destaque: O Adobe Flash Player, o Java Plug-in, o Microsoft Silverlight e o Unity 3D. Vamos avaliar a situação e tendência para cada um deles.

Flash

O Adobe Flash é a única tecnologia complementar que ainda persiste, praticamente unânime, largamente utilizada para vídeos em fluxo (streaming), jogos e animações em sites web, com forte intenção de continuidade de suporte pelos principais navegadores.

A Google trabalhou em conjunto com a Adobe para integrar Flash Player built-in no Google Chrome, inclusive com atualizações automáticas, sem a necessidade do usuário baixar manualmente. O Flash Player embutido no Chrome utiliza Pepper Plugin API (PPAPI), um sistema mais novo e seguro de integração de plug-ins desenvolvido pela Google a partir de 2009.

O Internet Explorer 5.5 em diante passou a integrar o Flash Player via ActiveX (a instalação da Adobe fornecia um plug-in ActiveX especialmente para o IE) e, com o dessuporte do ActiveX no novo navegador Microsoft Edge, este passa a integrar o Flash Player nativamente, similar ao Chrome.

No artigo NPAPI Plugins in Firefox, de out/2015, a Mozilla informa que com a descontinuidade do NPAPI em 2016, o suporte a Flash será mantido como uma exceção, sem ainda revelar detalhes técnicos, mas anuncia que Mozilla e Adobe vão colaborar para melhorar a experiência do Flash no Firefox, incluindo estabilidade, desempenho e segurança.

Java

O uso de applets Java integradas ao navegador tem tido um universo mais especializado de aplicações. Tirando proveito do poder e abrangência de aplicações Java capazes de lidar com todo tipo de recurso no computador, no Brasil posso citar pelo menos dois grandes exemplos:

O plug-in Guardião de Segurança antifraudes durante as transações on-line (internet banking), desenvolvido pela GAS Tecnologia e utilizado por Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander, recorreu a applet Java para seus propósitos.

No Poder Judiciário, as aplicações web de processo eletrônico, como o Processo Judicial Eletrônico (PJe) instituído nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), tem usado intensamente applet Java para acessar o certificado digital de pessoa no computador do usuário, para assinar digitalmente documentos eletrônicos e/ou para autenticação segura.

Com o fim do suporte a NPAPI já ocorrido no Chrome 45 (set/2015) e iminente no Firefox (dez/2016), que era o mecanimo de integração do Java plug-in nestes navegadores, a Oracle recomenda, no curto prazo, os usuários migrarem para Internet Explorer (Windows, que integra o Java plug-in via ActiveX) ou Safari (MacOS X, que ainda suporta NPAPI) para acessar aplicações Java através do navegador. E de forma mais definitiva, orienta os desenvolvedores a migrar as applets Java para aplicações Java Web Start, que podem ser disparadas através do navegador via protocolo Java Network Launching Protocol (JNLP), mas executam como aplicações desktop independentes no Rumtime Java SE e não interagem com o navegador depois de iniciadas.

Microsoft Silverlight

O Silverlight é uma tecnologia da Microsoft baseada em .NET Framework, que nasceu em 2007 aparentemente para concorrer com o Flash da Adobe, e que já teve sua descontinuidade anunciada na versão 5 com o fim do suporte pela Microsoft em 2021. Nesse meio tempo, um grande adepto do Silverlight foi o serviço Netflix de filmes e séries pela internet, que tirou proveito do controle de conteúdo protegido por direitos autorais (DRM) do Silverlight para reproduzir os vídeos em desktop Windows e MacOS. O Silverlight plug-in se integra ao navegador via NPAPI ou, no Internet Explorer, ActiveX. Como o Edge não suporta nenhuma das duas tecnologias de plug-in, o Silverlight não é compatível com o novo navegador da Microsoft.

Com a descontinuidade do Silverlight em 2021, a Netflix anunciou desde 2013 que pretende migrar para vídeo HTML5 com Premium Video Extensions nos computadores desktop. Em dispositivos móveis, smart TVs e consoles de jogos, a Netflix já possui seu próprio aplicativo dedicado e não depende de navegador.

Unity 3D

https://blog.mozilla.org/futurereleases/2015/10/08/npapi-plugins-in-firefox/

“As part of our plugin strategy, Mozilla and Unity are proud to jointly announce a close collaboration and an aligned roadmap that will enable Unity-based content to be experienced directly in the browser without plugins. As this technology continues to evolve, Unity has announced an updated roadmap for its Web Player technology.”

Conclusão

Com a popularização de marcos tecnológicos como Ajax, HTML5 e dispositivos móveis, o uso de plug-ins nos navegadores web perdeu fortemente o sentido. Acrescente-se a isso a extinção do suporte à velha arquitetura de plug-ins NPAPI por dois dos navegadores mais utilizados (Chrome e Firefox, além do IE e Edge) até 2016.

Somente o Adobe Flash, por sua grande popularidade em conteúdos web e experiência de usuários, tem sido tratado de forma excepcional pelos fornecedores de navegadores com estratégias para manter sua compatibilidade.

Desenvolvedores de aplicações internet e provedores de conteúdo devem repensar profundamente suas estratégias de integrar conteúdo e aplicações às páginas web mais adequadas aos tempos atuais, deixando para trás a era dos plug-ins.

Google atualiza logo

Em 1º de setembro de 2015, mesmo dia em que o lançamento da versão 45 do navegador Google Chrome encerrou a compatibilidade com plugiins NPAPI (em especial Oracle Java e Microsoft Silvelight), a Google lançou uma atualização da identidade visual de sua logomarca, incluindo novo ícone.

Logotipo Google

Google Logotype

Um logotipo em fonte sem serifa mantendo a sequência multi-cor característica da Google.

Google dots

Google Dots

Uma destilação dinâmica do logotipo para momentos interativos, assistivos e transicionais.

Ícone Google G

Google G

Uma versão compacta do logo Google que funciona em pequenos contextos, como ícone.

Para saber mais:

Química na remoção de manchas em roupas

Que tal a tecnologia da química ajudando a remover manchas em roupas, utilizando para cada substância causadora uma composição de produtos que em geral se encontra em casa? Vamos falar dessa tecnologia aplicada ao cotidiano de forma prática e simples.

Uma série de matérias do programa Hoje em Dia, da Rede Record, foi ao ar entre 2012 e 2013 com participação de Vladimir Constantino Valério, professor de química têxtil do Senai de São Paulo, que ensinou como tirar manchas em roupas provocadas por diversas substâncias. As receitas e vídeos estão disponíveis no portal R7. As receitas estão listadas a seguir.

Mancha causada por Use para remover
Banana 1 ª Fase
1 colher (sopa) de água oxigenada
1 colher (sopa) de sabão em pó

2ª Fase (aplicar por cima)
1 colher (sopa) de água sanitária

Barro 1 colher (sopa) de limpa-vidros
1 colher (sopa) de limpeza pesada
½ colher (sopa) de lustra-móveis
1 colher (sopa) de água oxigenada
Base de maquiagem 2 colheres (sopa) de removedor
1 colher (sopa) de lustra móveis
Bronzeador 1 colher (sopa) de limpeza pesada
1 colher (sopa) de removedor de esmalte
Café para cachecol de lã ½ colher (sopa) de sabão em pó
2 colheres (sopa) de água oxigenada
Chá preto 3 colheres (sopa) de água sanitária
2 colher (sopa) de limpeza pesada
½ colher (sopa) de Ajax (desengordurante)
Chocolate 1 colher (sopa) de sabão em pó
½ copo de água
3 colheres (sopa) de detergente incolor
Desodorante rollon 1ª Fase
2 colheres (sopa) de removedor
2 colheres (sopa) de solvente de pincel
1 colher (sopa) de lustra móveis

2ª Fase
1 colher (sopa) de limpeza pesada
3 colheres (sopa) de água sanitária

Esmalte 3 colheres (sopa) de removedor de esmalte
3 colheres (sopa) de thinner
detergente incolor (lava louças)
Ferrugem 3 colheres (sopa) de vinagre
3 colheres (sopa) de suco de limão
5 colheres (sopa) de detergente incolor (lava louças)
Flores 2 colheres (sopa) de água sanitária
½ colher (sopa) de bicarbonato de sódio
Goma de mascar Removedor de esmalte
Graxa 2 colheres (sopa) de sabão em pó
2 colheres (sopa) de removedor
1 colher (sopa) de lustra móveis
2 colheres (sopa) de limpeza pesada
Graxa em tecidos de lã 2 colheres (sopa) de sabão em pó
2 colheres (sopa) de limpeza pesada
2 colheres (sopa) de lustra-móveis
2 colheres (sopa) de removedor
Graxa de automóvel 1 colher (sopa) de limpeza pesada
1 colher (sopa) de lustra móveis
1 colher (sopa) de solvente de pincel
1 colher (sopa) de desengordurante
Ketchup e Molho de tomate 1 colher (sopa) de sabão em pó
½ copo de água
1 colher (sopa) de lustra-móveis
2 colheres (sopa) de água sanitária
Manga 1 colher (sopa) de sabão em pó
½ copo de água
3 colheres (sopa) de água oxigenada 30 Vol
Mofo 5 colheres (sopa) de água sanitária
2 colheres (sopa) de limpeza pesada
Molho de soja 1ª Fase
Limpa vidros

2ª Fase
1 colher (sopa) de sabão em pó
3 colheres (sopa) de água sanitária

Mostarda 2 colheres (sopa) de água sanitária
½ colher (sopa) de bicarbonato de sódio
Óleo 1 colher (sopa) de lustra móveis
½ colher (sopa) de detergente incolor (lava louças)
Pomada 1 ª Fase
1 colher (sopa) de lustra móveis
1 colher (sopa) de removedor

2ª Fase
3 colheres (sopa) de água sanitária
½ colher (sopa) de sabão em pó

Sangue Para manchas recentes:
Soro fisiológico

Para manchas antigas:
1 colher (sopa) de água oxigenada 30 vol
1 colher (sopa) de limpeza pesada

Tinta de cabelo Fixador de cabelo
Açúcar
Espuma de barbear
2 colheres (sopa) de água sanitária
1 colher de limpeza pesada
Tinta de caneta 3 colheres (sopa) de lustra móveis
1 e ½ colher (sopa) de removedor
1 colher (sopa) de detergente incolor (lava louças)
Tinta Latex 1 ª Fase
2 colheres (sopa) de solvente de pincel
1 colher (sopa) de removedor

2ª Fase
Fermento em pó

3ª Fase parte A
2 colheres (sopa) de solvente de pincel
1 colher (sopa) de removedor
1 colher (sopa) de removedor de esmalte

Parte B
Detergente incolor

Vela 1ª Fase
Raspagem

2ª Fase
Removedor de esmalte

3ª Fase
Ferro de passar roupa

4ª Fase
Removedor de esmalte
Detergente incolor

5ª Fase
3 colheres (sopa) de água sanitária
1 colher (sopa) de limpeza pesada

Vinho e Suco de uva 1 colher (sopa) de sabão em pó
½ copo de água
5 colheres (sopa) de limpeza pesada
5 colheres (sopa) de água sanitária

Referências:

Para saber mais: