Segurança


Quando eu estou investigando a suspeita da presença de um novo malware (código malicioso), não detectado pelo antivírus instalado, em um computador com Windows, em geral eu costumo utilizar duas ferramentas muito simples e extremamente úteis, explicadas a seguir.

Sysinternals – Autoruns e Process Explorer

Windows Sysinternals é um conjunto de utilitários de sistema avançados para Windows, criados e evoluídos desde 1996 por Mark Russinovich, co-fundador da empresa Winternals Software. Em 2006, a Microsoft adquiriu a Winternals e desde então os utilitários Sysnternals estão integrados no portal Microsoft TechNet, e continuam disponibilizados gratuitamente.

Dois destes utilitários são muito úteis para auxiliar na busca de malware presente no computador:

  • Autoruns: Este programa exibe todas as entradas existentes de executáveis instalados para iniciar automaticamente no Windows, durante o Logon e nos muitos outros meios que o sistema operacional permite para isso. Uma característica típica de vírus, vermes e outros malwares que se instalam no computador é registrar-se para ser executado automaticamente sempre que o sistema é iniciado. Portanto, é muito provável que se existe um malware instalado, que ele apareceça na listagem do Autoruns. A forma mais comum dos malwares se registrarem é em uma entrada de Logon no Registro do Windows, tipicamente em HKLM\SOFTWARE\Microsoft\Windows\CurrentVersion\Run. Autoruns lista informações básicas listadas de cada entrada, como nome registrado, descrição, fornecedor, caminho do executável, data. Você pode se assustar com quanta coisa existe em execução automática no seu Windows. Contudo, identificar uma entrada suspeita em meio à listagem do Autoruns não é trivial, em geral requer experiência em reconhecer o que é típico e legítimo, como utilitários de drivers, utilitários de atualização automática de softwares idôneos (exemplos: atualizador do Adobe Reader ou do Java) e outros programas desejados em execução constante em segundo plano (exemplo: Google Chrome), configurados para executar assim que o Windows iniciar (muitas vezes são programas que tem um ícone na bandeja do sistema perto do relógio, na parte direita da barra de tarefas).
  • Process Explorer (procexp): Este utilitário exibe informações detalhadas sobre todos os programas/processos em execução, em tempo real. O Gerenciador de Tarefas nativo do Windows (acionado pela combinação de teclas Ctrl+Shift+Esc) exibe informações similares, mas de forma muito resumida. No Windows 8 o Gerenciador evoluiu muito em informações exibidas, mas ainda assim o Process Explorer é uma ferramenta bem mais poderosa e com muitos recursos exploratórios exclusivos, como busca por Handle/DLL, identificar um processo a partir de uma janela aberta, e exibição de todos os recursos criados ou abertos por um processo (arquivos, chaves de registro, eventos do sistema, threads etc.). Se um malware estiver em execução, ele aparecerá na lista do procexp. Contudo, assim como no Autoruns, identificar um processo suspeito dentre os programas em execução não é nada trivial.

Autoruns: Screnshot (origem: Microsoft TechNet).

Os utilitários Sysinternals são fornecidos na forma de executáveis simples (em geral, acompanhados de arquivos de ajuda e licença de uso), distribuídos em arquivos ZIP. Você pode baixar o Autoruns e o Process Explorer, ou o Sysinternals Suite contendo todos os utilitários disponíveis de uma vez só.

Sugiro descompactar em uma pasta como C:\sysinternals e adicioná-la ao Path de execução do Windows (Propriedades Avançadas do Computador > Variáveis de Ambiente) para manter estes utilitários prontos para uso no computador, e andar com eles atualizados em um pendrive para poder executar em um computador qualquer.

VirusTotal.com

O segundo passo uma vez identificado um executável suspeito ou provável malware é utilizar o serviço web gratuito VirusTotal.com. No uso mais básico, você pode enviar um arquivo para o VirusTotal e ele o analisa executando 57 (quantitativo no momento em que escrevo este artigo) programas antivírus e antimalware, atualizados e configurados em suas opções de busca mais amplas (inclusive técnicas heurísticas) mostrando quais deles detecta algo. O VirusTotal mantém uma base histórica das assinaturas hash de todos os arquivos já analisados pelo serviço, de forma que se você submete um arquivo já analisado ou uma assinatura, o VirusTotal oferece para exibir a análise mais recente disponível ou (em caso do arquivo) re-analisar.

Ou seja, praticamente se algum programa antivírus atualmente reconhece um executável suspeito que você tem como malware, o VirusTotal lhe traz essa informação. Espetacular!

Os dois juntos – Perfeito!

Agora vem o melhor. Desde janeiro de 2014 no Process Explorer e de janeiro de 2015 no Autoruns, existe integração destes programas com o serviço VirusTotal.com!

No Autoruns, por exemplo, você pode ir na opção de menu Options > Scan Options e marcar Check VirusTotal.com, para que o Autoruns automaticamente submete a assinatura hash de cada entrada listada ao serviço VirusTotal, e exiba os resultados em uma coluna da listagem, colorindo de vermelho se alguma entrada tiver detecção positiva para malware. A opção Submit Unknown Images, embora mais demorada, ainda permite enviar o arquivo ao VirusTotal caso a sua assinatura ainda não exista na base histórica de análises do serviço. Para facilitar ainda mais a busca apenas pelos suspeitos, a opção Options > Hide VirusTotal Clean Entries permite ocultar da listagem do Autoruns todos os executáveis que foram identificados como limpos no VirusTotal.com, exibindo apenas os que tiveram alguma detecção positiva e os desconhecidos (ainda não analisados pelo VirusTotal).

No Procexp, a integração com o VirusTotal se dá pela opção Options > VirusTotal.com > Check VirusTotal.com (e Submit Unknown Executables).

Com ferramentas simples e integradas assim, fica bem prático, fácil e rápido tentar detectar um malware em um computador, mesmo se não houver um bom antivírus instalado, bastando ter em mãos o Autoruns e o Procexp, e acesso internet para o VirusTotal.

Os bancos bresileiros perderam com fraudes financeiras perto de R$ 3 bilhões em 2012, segundo o blog de Fernando Nogueira da Costa, e R$ 2,3 bi em 2013, segundo o jornal Valor Econômico. A cada 14,8 segundos no país, ocorre uma tentativa de fraude, segundo indicador da Serasa Experian.

Como o crime vai atrás do dinheiro onde quer que ele transite, grande parte das fraudes envolvem a Internet, onde há o Internet Banking e as compras on-line. Atualmente, o cliente bancário pode fazer todo tipo de consultas, pagamentos, transferências e investimentos pela Internet, e ir a um caixa eletrônico apenas se precisar sacar dinheiro. Também o cartão de crédito é um dos meios de pagamento mais aceitos e utilizados nas compras pela Internet.

O crime bancário na Internet em geral envolve um meio do malfeitor obter os dados de conta ou cartão bancários (número, senha, códigos de acesso) de usuários de computador. Dois vetores comuns são programas maliciosos espiões (spyware, keylogger) instalados no computador para monitorar os dados digitados no acesso aos sites legítimos de banco, ou páginas falsas que imitam os sites legítimos de instituições financeiras e solicitam ao usuário preencher seus dados.

Já mostrei aqui no blog vários exemplos: Fraude “Bradesco” – cara de pau passo a passo, Anatomia de uma fraude: CitiBank, Anatomia de mais uma fraude: Santander. Mantenho também um grande conjunto de exemplos de fraudes coletados entre 2004 e 2010.

Uma boa ferramenta de Internet Security, constantemente atualizada, pode evitar a maior parte destes ataques, com um antivírus que detecte programas maliciosos quando tentam entrar no computador e um monitor de URLs web que detecte tentativas de acesso a endereços fraudulentos.

O Kaspersky Internet Security, além de antivírus e monitor de URLs, oferece desde 2013 um recurso específico chamado Safe Money que cria nos navegadores web (Chrome, Firefox, Internet Explorer) um ambiente protegido para distinguir e proteger o acesso a sites financeiros legítimos.

Ainda assim, quando uma fraude é muito recente, a ferramenta de Internet Security pode ainda não “conhecer” a assinatura do programa malicioso ou o endereço URL falso. E muitos usuários ainda não tem nenhum antivírus, ou usam antivírus antigos, desatualizados ou pouco eficazes.

Diante de um rombo de fraude da ordem dos bilhões anuais, os bancos investem em suas próprias soluções de prevenção a fraudes. No caso da Internet, a solução antifraude para e-Banking G-Buster, da empresa GAS Tecnologia é utilizada por quatro dos cinco maiores bancos de varejo, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú e Santander, além de Banco Mercantil do Brasil, Banco da Amazônia, Banestes, Tecnocred/Unicred.

Os bancos em geral denominam a ferramenta G-Buster como Guardião. A exigência de instalação do Guardião por parte dos bancos para que se acesse o seu Internet Banking na web — o que dependendo da versão tem exigido requisitos como execução de um programa de diagnóstico e instalação, Java ativado, instalar um serviço no Windows e uma extensão ativada no navegador web — tem sido uma contramão no conceito de mobilidade de uso do banco, pois muitos computadores de acesso público à Internet não permitem esse tipo de instalação, por restrição de segurança.

Veja a seguir um exemplo do Firefox com as extensões dos guardiões de vários bancos instalados. Esta janela do Firefox está no ambiente protegido pelo recurso Safe Money do Kaspersky Internet Security, onde se pode ver também as extensões Consultor de URLs e Safe Money da Kaspersy.

Extensões do Firefox: Guardiões de bancos e ferramentas de proteção da Kaspersky.

Além disso, o Guardião do banco tenta monitorar todos os acessos web no navegador e sabe-se lá mais o que no computador, o que é uma questionável invasão da privacidade do usuário. E com frequência, tem sido recentemente apontado como causa de lentidão no acesso a sites. Eu mesmo já vi várias vezes o navegador “travado” e na linha de status a mensagem “Aguardando extensão Guardião …”.

Nos smartphones e tablets Android e iOS a história é um pouco diferente, pois os bancos disponibilizam aplicativos próprios para instalação, ao invés do acesso por um navegador web comum. Talvez essa seja a alternativa mais viável atualmente para efetiva mobilidade no acesso aos serviços bancários.

Ilustração do Heartbleed Bug do OpenSSL

Fazia tempo que não se ouvia falar tanto de uma vulnerabilidade de segurança tão séria e de tão grande impacto na Internet.

O Projeto OpenSSL mantém o software livre que implementa os protocolos Secure Sockets Layer (SSL v2/v3) e Transport Layer Security (TLS v1), incluindo biblioteca de criptografia forte, utilizado por aproximadamente dois terços de todos os sites seguros da Internet, aqueles com endereço iniciado por “https:” e com o famoso cadeado exibido nos navegadores web. Inclusive, em 2007 o OpenSSL foi homologado como padrão de segurança pelo governo dos Estados Unidos, FIPS PUB 140-2.

Um bug no recurso denominado Heartbeat (em português literal, Batimento Cardíaco) do protocolo TLS implementado no OpenSSL, apelidado “Heartbleed” Bug (Falha do “Sangramento no Coração”), pode revelar até 64 Kbytes da memória do servidor web para um cibercriminoso. A falha é muito grave porque, além de afetar boa parte dos sites seguros na internet rodando uma versão vulnerável do OpenSSL, é um bug fácil de explorar e não deixa rastros (ou seja, não há uma maneira garantida de saber se um servidor foi atacado através dessa falha nem que dados podem ter vazado).

O bug foi comunicado ao time de segurança da OpenSSL por Neel Mehta da Google Security, em 1º de abril (e não é mentira!). Afeta OpenSSL releases 1.0.1 até 1.0.1f e 1.0.2-beta1. Usuários (em geral, administradores de sites) da biblioteca OpenSSL afetados devem atualizar para a versão 1.0.1g, lançada em 7 de abril, ou recompilar OpenSSL com a opção -DOPENSSL_NO_HEARTBEATS. A série 1.0.2 está sendo corrigida no release 1.0.2-beta2. A versão 1.0.1 foi lançada em março de 2012, o que significa que sites e produtos que tenham adotado OpenSSL 1.0.1 com a extensão Heartbeat ativada podem ter estado vulneráveis nos últimos dois anos.

Entre os grandes sites de serviço afetados está Yahoo (incluindo serviços populares como Yahoo Mail, Flickr e Tumblr). A recomendação a todo usuário do Yahoo é alterar a senha da sua conta.

Os mais desconfiados recomendam que os usuários alterem também a senha de sua conta em outros sites, como Google, Facebook e Dropbox. Em nota no seu blog oficial, a LastPass divulgou que embora seu site tenha estado afetado pelo bug, os dados nas contas de seus usuários estão seguros porque são criptografados no computador cliente, antes de transitar na rede via SSL/TLS, com uma chave secreta do usuário que os servidores da LastPass nunca recebem.

Como uma das informações que pode ter vazado pelo Bug Heartbleed é a chave secreta do próprio certificado digital SSL do site https afetado, a recomendação dos especialistas para os administradores destes sites é que revoguem o certificado utilizado no site até o dia em que corrigirem a vulnerabilidade, e emitam um novo certificado. De fato, um levantamento do SANS Institute no InfoSec Handlers Diary Blog mostra que entre os dias 7 e 12 de abril, houve um crescimento substancial de certificados SSL revogados em 16 grandes autoridades certificadoras (CAs / ACs).

Grandes empresas fornecedoras de produtos para Internet, como F5 Networks e Cisco, também divulgaram alertas de seguranças em seus produtos que utilizam OpenSSL.

O blog do fornecedor de antivírus e produtos de segurança Kaspersky indica uma ferramenta simples que testa on-line se um servidor web https tem a vulnerabilidade Heartbleed ou não, basta digitar o endereço do site:
https://filippo.io/Heartbleed/ – Test your server for Heartbleed (CVE-2014-0160).
A LastPass também lançou um serviço de verificação:
https://lastpass.com/heartbleed/ – LastPass Heartbleed checker

O blog Fox-it ainda indica uma extensão para o navegador Google Chrome que exibe uma alerta se você acessar um site afetado pelo bug Heartbleed:
Chrome Web Store – Chromebleed

Referências:

Abordo neste artigo duas extensões de navegador web que descobri recentemente para auxiliar na sua segurança e privacidade enquanto navega na internet.

Eu já havia abordado o WOT e o McAfee Site Advisor no artigo Quem avisa amigo é – Classificação de sites. Também mantenho a seção de Segurança, Privacidade e Controle no artigo “Extensões para Firefox e Chrome”.

Ghostery

O Ghostery é um serviço que detecta mais de 1.400 códigos ocultos de rastreamento embutidos em páginas web, permitindo bloquear e controlar códigos relacionados a redes de propaganda, provedores de dados comportamentais, publicadores web e outras empresas interessadas em sua atividade na internet.

Com plug-in disponível para os principais navegadores — Firefox, Safari, Chrome, Opera, Internet Explorer e até o browser do iOS de dispositivos móveis da Apple (iPhone, iPad) — o Ghostery permite a você escolher quais rastreadores bloquear nas categorias Advertising (700+ trackers), Analytics (260+ trackers), Beacons (quase 300 trackers), Privacy (16 trackers) e Widgets (+170 trackers).

Eu não utilizo apenas a última categoria, de Widgets, pois em geral são rastreadores que inserem componentes visíveis e interativos nas páginas. Os mais comuns são links de compartilhar, indicar ou comentar conteúdo de uma página em redes sociais como Facebook, Google +1, LinkedIn etc. Suprimir estes rastreadores elimina tal funcionalidade e pode em alguns casos comprometer a diagramação (layout) de algumas páginas.

Os rastreadores bloqueados aumentam sua privacidade e, como eliminam o acesso aos respectivos sites, acabam tornando a navegação um pouco mais rápida também.

Webutation

O Webutation é um serviço baseado em uma comunidade aberta de Reputação de Websites, que coleta feedback e experiência de clientes sobre websites e testa websites contra spyware (código malicioso/espião), spam (propaganda e outros conteúdos indesejados) e scams (fraudes) em tempo real, consultando para isso simultanemanete estas principais bases de informação:

  • Google Safebrowsing (badware e phising fraud, atualizado a cada meia hora);
  • Website Antivirus (vasrre contra adware (popups), spyware (outgoing links) e vírus);
  • WOT – Web Of Trust (classificação e reviews da comunidade sobre confiabilidade de websites);
  • Norton Safe Web.

Como resultado, é mantido um ranking de 0 a 100 da reputação de cada site avaliado. O serviço pode ser consultado isoladamente pelo site Webutation, mas existe um plug-in para classificação em tempo real para Mozilla Firefox e Google Chrome.

Para utilizar sua conta (totalmente gratuita) no serviço e poder você também enviar análises de site (classificação de 1 a 5 estrelas e comentário), basta utilizar o login de uma conta sua no Facebook.

A consulta do ranking é super rápida (praticamente instantânea) e o ganho de segurança ao navegar com certeza compensa.

A tipificação específica de crimes cibernéticos no Código Penal brasileiro vem sendo debatida e proposta há mais de dez anos, sempre com polêmica e, até então, sem resultar em lei. No passado, o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) foi relator de projeto de lei que tipificava vários crimes cibernéticos e ficou conhecido como “Lei Azeredo”. Eu ja havia abordado o assunto aqui no blog em 2007.

Mas como tudo no Brasil só gira em torno de celebridades e manchetes, o tema só decolou após o roubo de 36 fotos íntimas da atriz Carolina Dieckmann, que foram parar na internet. A polícia identificou quatro suspeitos de terem roubado as fotos do computador da atriz. Como ainda não há definição no Código Penal de crimes cibernéticos, os envolvidos foram indiciados por crimes convencionais como furto, extorsão e difamação.

Agora, a proposta apresentada em 2011 pelos deputados Paulo Teixeira (PT-SP), Luiza Erundina (PSB-SP), Manuela D’Ávila (PC do B-RS), João Arruda (PMDB-PR), além do suplente Emiliano José (PT-BA) e do atual ministro do Trabalho Brizola Neto (PDT-RJ), com o objetivo de substituir o projeto de Azeredo, foi aprovada e sancionada sem vetos pela Presidente Dilma Rousseff em 30 de novembro, como a Lei nº 12.737, publicada no D.O.U. de 03/12/2012 e conhecida como Lei “Carolina Dieckmann”.

A nova lei acrescenta artigos ao Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940), tipificando como crime: Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita:
Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.”

Pelo parágrafo primeiro, “na mesma pena incorre quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta definida no caput.”

Outro artigo acrescido define, porém, que só se procede com ação penal nesse tipo de crime mediante representação do ofendido, salvo se o crime for cometido contra a administração pública, qualquer dos Poderes da República e empresas concessionárias de serviços públicos. Ou seja, se o ofendido (particular) não denunciar o crime, nada acontece.

A lei define também condições de agravamento dos crimes, e faz outras duas tipificações criminais. Primeiro, inclui no Art. 266 do Código Penal (Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico ou telefônico, informático, telemático ou de informação de utilidade pública) quem “interrompe serviço telemático ou de informação de utilidade pública, ou impede ou dificulta-lhe o restabelecimento”.

E, no Art. 298 do Código Penal (Falsificação de documento particular), tipifica a falsificação de cartão, acrescentando parágrafo que define “Para fins do disposto no caput, equipara-se a documento particular o cartão de crédito ou débito.”

Em matéria no portal de notícias G1 da Globo.com, advogados especializados em crimes digitais ressaltam um ponto importante da nova lei. Como deve haver “violação de mecanismo de segurança”, invadir um computador sem antivírus nem firewall ativos, ou uma rede sem fio aberta sem ao menos uma senha definida, pode não caracterizar violação. Ou seja, se seu computador/tablet/smartfone/etc. é uma porta aberta sem nenhuma segurança ou proteção, nem essa lei dará amparo. Por isso, como sempre digo, proteja-se!

Para saber mais:

Quem acompanha meu blog em postagens relativas a softwares antivírus e de proteção internet, sabe que desde os idos de 2006 eu passei a ter preferência pessoal pelo Kaspersky Internet Security, pelos seguintes motivos principais:

  • Em meus próprios testes e em testes de sites e revistas especializadas, o Kaspersky sempre apresenta um dos mais altos índices (muitas vezes é o maior) de detecção de malware. E quando se trata de cavalos de tróia específicos de fraudes bancárias brasileiras, Kaspersky mostra larga superioridade na rápida e precisa detecção destes.
  • Desde a versão 5 até hoje, a interface com o usuário ficou muito mais fácil, intuitiva e atrativa.
  • O desempenho, em termos de consumo de CPU e memória, sempre foi para mim suficiente em sua configuração padrão, nunca me incomodou ao ponto de culpá-lo por qualquer lentidão anormal na máquina.
  • Sua atualização de dados há muito tempo é de três em três horas, quando ainda haviam antivírus que só tinham opção de uma atualização diária ou até em intervalos maiores.

Até agora me bastou. Ainda assim, quando comprei um novo computador que veio com o McAfee Internet Security preinstalado, meu espírito nerd me fez experimentar outro antivírus, para efeito de comparação. A interface e os recursos não me pareceram tão fáceis como do Kaspersky, mas talvez eu poderia estar influenciado por anos de costume com o outro. O desempenho também não me incomodava, mas a detecção de novos malwares às vezes falhava (como eu conseguia facilmente comprovar utilizando as comparações pelo VirusTotal.com). Como não sou nenhum usuário leigo, estava aceitável até que a licença acabasse.

Porém, um fato precipitou tudo. Fiquei três dias sem acesso a internet em meu computador de casa. Não era a banda larga nem os equipamentos, pois outro computador navegava normalmente.

A última coisa que aconteceu com meu computador antes da internet “subir no telhado” foi o seguinte: o McAfee Internet Security de repente abriu um tela de erro e solicitou a instalação de um tal de “McAfee Virtual Technician”. Logo depois que a instalação via web desse utilitário tentou baixar algo, o computador parou de acessar a internet.

Poderia ser coincidência. Mas os diagnósticos de rede do Windows solicitavam “liberar o firewall”; os detalhes exibiam instruções para configurar o Firewall do McAfee, mas já estava tudo conforme solicitado. Mesmo desligando o Firewall totalmente pela interface do McAfee, nem um ping para o roteador dava certo.

Então apelei e mandei desintalar o McAfee Internet Security. A desintalação nem tinha completado e minha internet voltou à vida! Bingo!

Logo em seguida, o que fiz? Instalei o Kaspersky Internet Security 2012, para o qual eu já tinha até uma licença multiusuário à espera. Em poucos minutos instalado, o Kaspersky detectou e eliminou um malware de teste que estava arquivado no computador, saneou três cavalos de tróia HTML em mensagens de spam em meu e-mail, e ainda detectou vulnerabilidades em quatro programas desatualizados, que tratei de atualizar para a versão mais nova conforme orientações das respectivas páginas de advisory do securelist.com, para o qual o Kaspersky direcionava em “Exibir descrição” de cada vulnerabilidade.

Por isso, agora, tchau McAfee, bem vindo de volta Kaspersky!

Dia 24, recebi mais uma fraude tipo phishing scam (pesacaria de otários), dessa vez fingindo ser do banco CitiBank. Vamos à análise e comentários das características de mais essa fraude.

A isca: o e-mail fraudulento

Como toda fraude, a isca básica é enviar uma mensagem fraudulenta de spam (envio em massa) para uma lista não autorizada de milhões de e-mails, com um tema de mentira chamativo, que possa ser inadvertidamente tomado como legítimo e verdadeiro por uma parcela de destinatários incautos.

O princípio de proliferação dessa isca é simples: tentativa em larga escala. Ao enviar uma fraude para, digamos, um milhão de endereços de e-mail, se apenas 0,1% destas mensagens chegarem a alguém desavisado e inocente que acredite na fraude, o fraudador já conseguirá pescar 1.000 (1 mil) otários!

— PERGUNTA: Onde o fraudador consegue essa lista de e-mails? — RESPOSTA: Na internet ou até mesmo em um camelô. Pessoas mal intencionadas podem construir mecanismos de busca especializados em varrer a internet em busca de endereços de e-mail válidos. Essas buscas podem até ter inteligência de categorizar cada e-mail encontrado por temas (através de expressões ou palavras chave existentes no local onde o endereço de e-mail foi encontrado), país ou idioma (do site ou serviço), e até buscar também o nome do indivíduo associado ao endereço de e-mail.

— PERGUNTA: Como posso me proteger, impedindo meu endereço de e-mail ser roubado? — RESPOSTA: Impedir completamente é difícil, mas alguns cuidados básicos podem reduzir imensamente as chances de seu e-mail ser obtido indevidamente. Cito dois:

  1. Antes de fornecer seu e-mail (e nome!) em sites e serviços interativos na internet, como fóruns, blogs, redes sociais, comércio eletrônico etc., procure se informar sobre a idoneidade, seriedade, segurança e proteção de privacidade deste. É um local confiável? O endereço de e-mail seu (ou de qualquer participante/usuário do serviço) fica visível publicamente ou para pessoas desconhecidas? A política de privacidade do serviço garante que seu e-mail não pode ser fornecido a terceiros? Ao se cadastrar, você concordou com a divulgação de seu e-mail a “parceiros” ou qualquer outro terceiro?
  2. Evite reenviar mensagens de e-mail a diversos contatos seus, e se o fizer, coloque o nome dos diversos destinatários no campo cópia-carbono-oculta (CCO ou BCC). Ao reenviar mensagens a outras pessoas, procure apagar do cabeçalho e texto da mensagem original transcrita endereços de e-mail de terceiros. Assim você zela em não revelar indevidamente e-mail dos outros. Oriente seus amigos igualmente a zelar pela privacidade dos outros, pois um dos “outros” pode ser você.

O tema, neste caso, foi o de “Informações financeiras e cadastrais”, um dos seis temas comuns que cito em meu artigo Phishing Scam – A fraude inunda o correio eletrônico.

A fraude finge ser uma “solicitação de atualização de segurança do banco CitiBank Online”. Veja uma imagem reproduzindo a aparência da mensagem fraudulenta:

Agora vamos avaliar os cinco Indícios de phishing scam que também cito no meu referido artigo:

Apresentação descuidada: NÃO. Essa fraude tem uma aparência visual verossímil e um texto sem erros grosseiros de português. Esse indício a fraude evitou.

Link destino não confiável: SIM, mas pode gerar dúvida. Há um link clicável no e-mail, prática que praticamente todos os bancos estão evitando, aponta para um endereço sem segurança (é http comum, e não https, o HTTP-Seguro) e o nome do domínio citibank.acessocliente.com não é no Brasil (não é .com.br, mas sim .com internacional) nem é, como se deveria esperar, o domínio principal do banco no país, como www.citibank.com.br. Contudo, a fraude ainda conseguiu usar um um domínio com um nome genérico que pode parecer com algo bancário — “acesso cliente” — e ainda precedido por um subdomínio com o nome do banco. Ou seja, nesse quesito a fraude pode gerar suspeita, mas também não é tão grosseira.

Informação improvável: SIM. Os mais inocentes e desavisados podem achar que um banco oferecer atualização de segurança por e-mail seja plausível, mas nenhum banco faz isso porque é algo muito inseguro e tema recorrente de fraudes. E se você tem dúvida, ligue para o banco antes de clicar em qualquer coisa.

Impessoalidade: SIM. O seu nome real aparece no cabeçalho ou no texto da mensagem? Não. Então provavelmente quem fraudou não sabia o seu nome, como o banco (se você for cliente) deveria saber. Como boa prática, mensagens desse tipo deveriam ser enviadas de forma personalizada, citando o seu nome completo. Infelizmente, essa boa prática nem sempre é seguida nas mensagens legítimas, e também as listas de spam mais “sofisticadas”, como já mencionei, podem obter e utilizar também o seu nome real, junto com seu endereço de e-mail. Veja meu artigo Cuidado – A fraude evoluiu.

Remetente suspeito: NÃO. Esse é o erro mais fácil de um fraudador evitar, porque o endereço do remetente, infelizmente, pode ser facilmente forjado.

Ou seja, vários indícios de fraude, mesmo que alguns deles sutis.

O golpe

Espero que, com tantos avisos, orientações e exemplos que posto, você meu leitor nunca seja um desses inocentes e desavisados incautos que clicam em um link duvidoso em uma mensagem de e-mail. Nunca clique!

Para analisar também o ataque, investiguei também o que havia no link destino, em um ambiente controlado e com cuidado e cautela extremos. Não faça isso em casa, nem muito menos no trabalho nem lugar nenhum.

O link leva diretamente ao download de um arquivo executável chamado Cadastro_CitiBank.exe para sistema operacional Windows. Trata-se de um programa espião roubador de senhas bancárias. Se executado, o programa silenciosamente se instala para ficar em execução contínua e reativado automaticamente toda vez que o sistema operacional for iniciado. Fica monitorando permanentemente o uso do computador e, se você digitar dados bancários, ele os captura e tenta enviar ao fraudador via internet.

Utilizando o serviço VirusTotal.com, enviei o arquivo para análise pelos 43 mecanismos antivírus disponíveis no serviço. No dia do envio, nenhum antivírus em VirusTotal detectou o executável como malicioso. Pelo menos três dias depois da fraude ativa, apenas o antivírus Kaspersky 9.0.0.837 (com atualização de 2011.07.26) passou a detectar como o malware Trojan-Banker.Win32.Banker.skab. E decorrido mais um dia, ainda eram apenas seis os antivírus que detectavam o perigo: AntiVir (TR/Banker.Banker.skab), Antiy-AVL (Trojan/Win32.Banker), eTrust-Vet (Win32/Banker.GPF), Kaspersky, TrendMicro-HouseCall (TROJ_BANKER.FGR) e ViRobot (Trojan.Win32.Banker.1064448.A).

O que quero mostrar com isso é que a proteção dos antivírus nem sempre é efetiva e imediata na detecção de novos códigos maliciosos, pois a notificação/descoberta e análise toma algum tempo. Dessa forma, os usuários ficam ainda mais vulneráveis nos primeiros dias de existência de toda nova fraude, pois provavelmente as ferramentas de antivírus/proteção ainda não a reconhecem e, portanto, não nos protegem de imediato.

É importante lembrar que os antivírus basicamente trabalham com o princípio de um “policial com uma lista de procurados e suspeitos”. Quando surge um novo “criminoso” (código malicioso), se ele não tiver um padrão previamente identificado como suspeito, precisará ser “denunciado” (detectado e analisado) pela empresa de antivírus até que entre na “lista de procurados”.

É uma guerra de “polícia e ladrão” onde as únicas armas realmente efetivas para todos sempre são a atenção, o cuidado e a precaução. Fique alerta, cuide-se! Evite as fraudes.

Assim como no trânsito existe a máxima de “Na dúvida, não ultrapasse.“, na internet você pode seguir a precaução “Na dúvida, não clique.

Veja a mensagem de e-mail spam que tenta “pescar” usuários otários para a fraude de formulário, caso ele clique no link contido na mensagem.

Indícios típicos de fraude: Além dos mesmos indícios que apontei no artigo de ontem — impessoalidade (não cita o nome do cliente), tema suspeito (atualização ou recadastramento de segurança feito pela internet), link destino suspeito (não aponta para o site principal do banco) — vou comentar uma prática de segurança que tem sido adodata pelos bancos. Como um link em uma mesagem de spam — como este — tem sido o gatilho mais comum para levar a fraudes, os bancos que enviam e-mails legítimos ao cliente tem evitado incluir links na mensagem. Às vezes informam o endereço que deve ser acessado, mas instruem o próprio usuário a digitar o endereço no navegador. Eliminam a praticidade do link em prol da segurança.

O endereço contido no link fraudulento da mensagem de e-mail — clcmaquinaria.es — não tem absolutamente nada a ver com a instituição bancária usada como tema da fraude. Este endereço apenas leva a um redirecionamento para outro endereço, onde a fraude está efetivamente hospedada.


Nota técnica: Eis o trecho de resposta HTTP de redirecionamento (código 302) para o endereço onde a fraude está hospedada.

GET /datos/folletos/Atualizacao-Unificacao.php?ID=6235 HTTP/1.1
Host: www.clcmaquinaria.es

HTTP/1.1 302 OK
Location: http://www.aparecida.go.gov.br/site/Uploads/Galeria/595/InternetBanking/
Server: Microsoft-IIS/6.0
X-Powered-By: PHP/4.4.7, PleskWin, ASP.NET

Observe o endereço: Para hospedar a fraude, invadiram o portal da Prefeitura Municipal de Aparecida, em Goiás — www.aparecida.go.gov.br.

Dados confidenciais solicitados na primeira tela: Agência, conta e senha de internet.

A fraude se dá ao luxo de validações em JavaScript, para evitar que o usuário forneça informações inválidas ou incorretas ao fraudador. Na primeira tela, verifica se a senha de internet e sua confirmação digitadas são iguais, conforme mensagem de erro a seguir.

Dados confidenciais solicitados na segunda página: CPF, RG (identidade), nome do pai, senha de Disk Real, assinatura eletrônica.

Novamente, a página inclui diversas validações dos dados fornecidos, conforme duas ilustrações a seguir.

Na última tela da fraude, solicita todos os códigos do cartão e o número de série deste.

Indício claro de fraude: Os bancos possuem o número de série de todos os códigos dos cartões de segurança enviados aos clientes. O banco sempre solicita apenas o código de uma posição por vez (em uma tela ou transação bancária), para confirmar que o cliente possui o cartão e conhece o código na posição solicitada. Se uma página solicitar todos os códigos do cartão de segurança assim, é fraude!

Vou exibir e analisar em detalhes mais uma fraude que permanece ativa até o momento em que escrevi este artigo. É uma fraude do tipo phishing scam (pesca-otários) que leva o usuário a relevar dados sigilosos. Previna-se!

Spam prolifera a fraude

Primeiro, você recebe uma mensagem de e-mail fraudulenta, enviada a uma lista de spam para milhares de potenciais destinatários. Veja a seguir uma imagem de reprodução da mensagem de correio eletrônico:

Primeiro indício de fraude: Impessoalidade. A mensagem, nem no campo de destinatário nem no corpo da mensagem, citou o seu nome completo, apenas seu e-mail. Empresas sérias, em suas comunicações, das quais você é cliente e que, portanto, possuem cadastro com seu nome, em geral referenciam o nome do cliente.

Esta comunicação personalizada, além de ser mais atrativa em termos de marketing, ainda agregaria mais segurança e confiabilidade para quem recebe. Nem todas as empresas legítimas seguem a boa prática de citar o nome do cliente nas comunicações por e-mail, mas um spam não costuma citar seu nome, ou porque o fraudador em geral utiliza apenas uma lista de e-mails de spam que não possui o nome associado a cada e-mail, ou porque sequer se dá ao trabalho de personalizar as mensagens enviada em massa.

Mas cuidado: fraudes mais sofisticadas já utilizam listas de spam “completas” que contém o nome do destinatário dententor do e-mail! Neste caso, podem burlar o indício da impessoalidade e conter o seu nome! Abordei esse problema em meu artigo Cuidado – A fraude evoluiu, em 2009.

Segundo indício de fraude: O tema da mensagem é altamente suspeito, típico de fraudes. Alega recadastramento de segurança de alguma instituição financeira popular. Nenhuma empresa séria utiliza e-mail para recadastramento seguro e, no mínimo, sem prévia orientação por carta ou outro meio confiável de divulgação.

A fraude ficará mais óbvia se você sequer for cliente da instituição em questão. Esse tipo de fraude tira proveito da estatística. Manda milhares ou milhões de mensagens de spam usando como tema de fraude alguma instituição popular, na esperança de que provavelmente um percentual razoável dos destinatários tenha relacionamento (seja cliente) ou conheça a instituição em questão.

Remetente: surpreenda@mastercard.com.br
Endereço web de destino do link: http://www.colegiosaopaulobh.com.br/site/imagens/red.html

Terceiro indício de fraude: Link de destino suspeito. O endereço de e-mail do remetente parece ser relacionado à empresa tema da fraude, mas isso não é nenhum indício de confiabilidade, porque infelizmente este campo pode ser facilmente forjado. Mas o domínio do link de destino deve levantar suspeita imediata: ColegioSaoPauloBh certamente é um domínio que não tem nada a ver com o tema ou a empresa citada na fraude.

Só por estes indícios, a pessoa que recebeu a mensagem já deveria suspeitar prontamente de fraude e tomar a medida mais segura: jamais clicar no link e excluir a mensagem imediatamente.

Caminho do mal: Formulários web solicitam e roubam dados sigilosos

Se o usuário apesar de tudo é ingênuo e inconsequente, não reconhece se tratar de uma fraude, pode correr o enorme risco de clicar no link.

Para exemplificar em detalhes esta fraude, tomamos precauções de segurança em um ambiente muito bem controlado e monitorado e seguimos o link, com o único propósito de mostrar a você os perigos que esperam neste caminho do mal.

Em geral, os links de mensagens de fraude tem um dos destinos igualmente perigosos: ou levam a um endereço web de download de um programa malicioso — em geral um programa espião que visa roubar dados pessoais/sigilosos mantidos ou digitados em seu computador, e posteriormente enviar pela internet ao fraudador — ou levam a uma página falsa de formulário que solicita dados pessoais/sigilosos. Esta fraude é o segundo caso.

O endereço web destino leva a uma página que apenas leva a uma página em outro site, onde está hospedada a fraude efetiva. utilizando o código HTML seguinte:

<META http-equiv="refresh" content="0;URL=http://www.locaville.ind.br/admin/_notes/Promocao2011/">

Quarto indício de fraude: O novo domínio de destino (locaville.ind.br) não tem, igualmente, nada a ver com a instituição financeira utilizada como tema da fraude.

Quinto indício de fraude: Páginas de formulário solicitando dados de segurança, pessoais e/ou sigilosos, devem sempre utilizar uma conexão segura HTTPS (aquela em que o navegador exibe um cadeado e o endereço é precedido por https://). Esta é uma conexão HTTP comum sem segurança (endereço precedido por http://, sem S). Nunca digite dados sigilosos em páginas sem conexão HTTP segura, nem em conexões HTTPS em que o navegador informe que o certificado de segurança não é confiável ou não é válido!

Sexto indício de fraude: O utilitário WOT, extensão gratuita e livre que instalei no navegador web, avisou que a página em questão não era confiável e pdoe ser perigosa para a segurança e privacidade do usuário. Para saber mais sobre esse tipo de ferramenta simples e extremamente útil, leia o artigo Quem avisa amigo é – Classificação de sites.

Veja a seguir as telas (páginas) de formulário e os dados solicitados:




Número, data de validade e código de segurança de seu cartão de crédito.
Nome, CPF, data de nascimento e data de vencimento da fatura do titular do cartão.

De posse de todos estes dados, um fraudador consegue facilmente fazer compras pela internet ou telefone utilizando este cartão como meio de pagamento. Com o nome, CPF e data de nascimento de uma pessoa, consegue ainda fraudar cadastros diversos e obter informações dessa pessoa nas mais diversas situações e finalidades, não só no comércio, mas também junto a órgãos e serviços públicos!

A fraude de phishing scam baseada em formulários, como esta aqui mostrada, é uma das mais revoltantes. Ao invés de levar o usuário a instalar um programa espião que rouba às escondidas dados pessoais/sigilosos gravados ou digitados no computador, leva o próprio usuário ingênuo e discplicente a fornecer voluntariamente seus dados. É muito grave e perigoso!

Espero que este artigo, mostrando e explicando os perigos em detalhe, tenha sido instrutivo; e tenha alertado e orientado você sobre os riscos, indícios e cuidados para que você se previna de fraudes como esta na internet.

Para saber mais:

Já falei aqui no blog dezeneas de vezes que as ameaças e a preocupação com segurança digital na internet são tão importantes quanto quando se vive em qualquer grande cidade do Brasil ou do mundo — e em maior escala. A internet apresenta riscos para inocentes, ingênuos e desinformados: tanto crianças quanto adultos despreparados.

Na internet, como na vida, existem perigos: boatos, trotes, mentiras, engodos, fraudes, ataques, crimes.

Mas não é por isso que devemos deixar de lado todo o potencial de benefícios do mundo de informações e serviços que a internet também nos propicia na comodidade do computador.

A chave de tudo é informação sobre segurança digital. E, felizmente, isso também é o que não falta, livremente disponível na própria internet, inclusive em bom português.

A maior parte desses recursos tem linguagem acessível a qualquer pessoa, em geral na forma de cartilhas didáticas. Outros são relatórios e informativos mais técnicos, como pesquisas sobre segurança que servem para pautar as diretrizes e ações de profissionais e equipes de tecnologia. Faço aqui uma coletânea de algumas das principais fontes de informação disponíveis.

Cartilhas

Relatórios e Pesquisas

Para saber mais:

Pronto. Agora você não tem desculpa que tem medo da internet por falta de informação. Boas leituras!

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