O formato para documentos de aplicações de escritório OpenDocument (ODF) — ou OASIS Open Document Format for Office Applications — é um padrão aberto desenvolvido pelo consórcio internacional OASIS de padrões da indústria. OpenDocument é baseado no formato XML originalmente criado pela OpenOffice.org. Foi aprovado como padrão OASIS em 1º de maio de 2005, e se tornou um Padrão Internacional oficialmente publicado pela ISO e IEC em 30 de novembro de 2006, recebendo a numeração ISO/IEC 26300:2006.

Em resposta a este padrão e ao próprio pacote de escritório livre e multi-plataforma OpenOffice.org, a Microsoft desenvolveu um novo formato de documentos Office Open XML (OOXML) para o Microsoft Office 2007. Em novembro de 2005, a empresa submeteu o formato OOXML à padronização pela ECMA International, no Comitê Técnico TC45 – Office Open XML Formats. O rascunho final do padrão OOXML foi aprovado em 9 de outubro de 2006 e foi também submetido à ISO/IEC para avaliação como padrão internacional, em caráter de “via expressa” (fast track) graças à interação e acordos entre ECMA e ISO/IEC.

Porém, a especificação de 6000 páginas do padrão proprietário da Microsoft OOXML, submetida à ISO/IEC, tem sido analisada por vários especialistas e contém várias falhas e pormenores controversos que dificultam a hipótese de este ser aprovado, como explica Andy Updegrove no blog ConsortiumInfo.org.

Organizações também se manifestam contra o processo insensato de padronização fast track na ISO/IEC, ante a uma especificação extensa, complexa, duvidosa e ainda seriamente perigosa para fortalecer o monopólio de um fornecedor comercial de aplicativos de escritório.

Exemplos de falhas sérias no padrão OOXML proposto pela Microsoft através da ECMA:

OOXML não obedece o padrão ISO 8601:2004 “Representação de Datas e Tempos”, replicando um bug da Microsoft que dita que 1900 é ano bissexto, quando de fato não é. Requer também uso da função de planilha WEEKDAY() que atribui dias da semana incorretos a algumas datas e calcula incorretamente o número de dias entre certas datas.

Também não segue o ISO 639 “Códigos para Representação de Nomes e Idiomas”, atribuindo uma lista fixa de códigos numéricos de idioma, ao invés de utilizar um conjunto existente mantido por uma Autoridade de Registro para prover interoperabilidade entre outros produtos aderentes ao padrão.

A proposta de padrão OOXML faz referência a diversos formatos proprietários da Microsoft, não documentados (ou parcialmente documentados) e dependentes do sistema operacional Windows, como: Windows Metafiles, Enhanced Metafiles (EMF) — ao invés de utilizar o formato padronizado e independente de plataforma ISO/IEC 8632 “Computer Graphics Metafile” –, OLE, macros/scripts, criptografia e DRM.

Certamente só uma implementação consegue seguir a especificação proposta para o OOXML: a da Microsoft. É o jeito Microsoft de ser “aberto”, tirando vantagem da grande predominância mundial do Microsoft Office e pregando “compatibilidade retroativa” com os documentos já existentes nos formatos anteriores de arquivos de seu pacote de escritório.

Para saber mais: