qui 1 out 2009
O fundo do poço da terceirização
Postado por Márcio sob Ensaios , Gestão , Software , Tecnologia[4] Comentários
O artigo que recomendo é de 11 de setembro, mas a tragédia que ele descreve não é a das torres gêmeas.
Fala da crise na relação entre empresas e seus fornecedores de serviços de desenvolvimento e manutenção de sistemas, que nunca foi muito harmonioso, mas parece estar chegando ao fundo do poço.
Leia o artigo No Fundo do Poço, por Paulo F. Vasconcellos (*), em seu blog Finito. Estou certo que, se você é profissional de TI/software — contratante ou fornecedor — o relato ilustrativo da crônica vai soar no mínimo plausível, quiçá familiar.
Acrescento a seguir minha reflexão sobre o tema.
Terceirização de TI é um caminho de fluxo intenso nas empresas. Já foi do desenvolvimento de software ao SaaS, da consultoria em infraestrutura ao cloud computing.
As motivações mais comuns são economia — de dinheiro, tempo, ou pessoal. Já as mais nobres incluem busca por flexibilidade, eficiência e até agregar valor ao negócio. Mas os resultados concretos muitas vezes são recheados de casos de problemas, frustrações e insucessos.
Para as empresas contratantes, creio que o mais importante é perceber que terceirização não é uma válvula de escape nem eliminação de um trabalho, mas sim a troca de um modelo de trabalho — baseado em produção interna — por outro — baseado em contratação.
Se por um lado libera a empresa da execução interna de uma série de atividades que passam a ser realizados por terceiros, por outro lado cria ou intensifica outras.
A terceirização exige que a empresa invista internamente na inteligência e análise de negócios, no estreitamento das relações da TI com as áreas demandantes e suas reais necessidades — o que costuma ser sintetizado pela expressão “alinhamento estratégico” — e na gestão de projetos e contratações.
O ambiente empresarial propício da contratante ainda suscita boa padronização e maturidade dos seus processos de trabalho (pelo menos das áreas que demandam a TI). E ao lidar com fornecedor, por mais “parceiro” que este seja, deve-se sempre seguir o princípio “confiar mas vigiar”.
Se na terceirização de TI, especialmente em software, não houver a devida preocupação e investimento da empresa contratante nestes aspectos que citei, essa troca corre o sério risco de não ser vantajosa, não colher a economia, a melhoria ou o produto esperados.
(*) Paulo F. Vasconcellos é consultor e palestrante com mais de 20 anos de experiência em projetos de tecnologia da informação, pioneiro na Formação de Analistas de Negócios (FAN).

outubro 1st, 2009 at 10:00
Concordo Paulo,
Passei algumas vezes isso na pele, do lado da empresa de software.
No caso de terceirização o cliente “imagina” que a empresa de software vai “extrair” toda a regra de negócios da empresa com meras observações e reuniões relâmpagos. Conseguir a participação das cabeças pensantes e tomadores de decisão da empresa cliente torna-se quase que um garimpo para a empresa de software.
E isso leva a um resultado frustrante para ambos os lados. Prazos estouram e o produto final não atende. As empresas de software hoje tem que buscar o máximo de “garantias” (se é que isso existe) de que o cliente irá participar de todo o processo de desenvolvimento do sistema.
Obrigado pelo espaço…
outubro 1st, 2009 at 12:22
Olá Márcio,
Muito obrigado pela referência. E parabéns pelos alertas colocados. Concordo com todos! Particularmente com o necessário reforço “da inteligência e análise de negócios” pelas contratantes.
Abraços,
Paulo Vasconcellos
outubro 2nd, 2009 at 12:10
Esse termo, utilizado com muita ênfase no final dos anos 1990, entrou no Século XXI como sendo uma “solução” empresarial para a tão buscada redução de custos operacionais. Em um país onde a soma de salários, vantagens e tributos a serem pagos ao empregado e para o estado, custa para o empresário o quanto este pagaria para mais 1,2 funcionários, a terceirização de serviços não destinados à atividade-fim de determinado empreendimento, pode ser – e muitas vezes é – a melhor solução para resolver o problema dos custos. “Varias empresas oferecem essa solução com toda segurança necessária ao contratante” é o que diz o Gestor de Negócios da Conceito Serviços Terceirizados que atua em Minas Gerais(www.conceito-mg.com.br), algumas medidas como buscar saber referencias, situação fiscal, podem ajudar a selar parcerias de sucesso e ter na terceirização a ferramenta gerencial de ótimo custo-benefício.
junho 23rd, 2010 at 17:43
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