Dezembro de 2006


Em 18 de dezembro saiu a versão final do NetBeans 5.5 Multilingual Release, agora disponível inclusive em Português do Brasil. Conforme citado aqui no blog, o release candidate deste pacote de idiomas foi lançado dia 4 passado.

Em 15 de dezembro, foi disponibilizado para download também o Portal Pack NetBeans Portlet Plugin 1.0, que inclui um plug-in para o componente Portlet Container 1.0 Beta (implementação derivada do projeto open source em java.net portlet-container). Este plug-in provê suporte, com assistentes, para desenvolver e visualizar portlets baseados na especificação genérica JSR-168, fazendo deployment no Portlet Container.

No artigo Using Sun Java Studio Creator 2 IDE or Visual Web Pack for NetBeans 5.5, por Winston Prakash e Beth Stearns (em inglês, dezembro 2006), os autores fazem um interessante histórico do ambiente de desenvolvimento visual para web da Sun, Java Studio Creator, e seu paralelo com as sucessivas versões do IDE NetBeans, software livre que é a base para as ferramentas de desenvolvimento Java da Sun.

NetBeans 5.5 Visual Web Pack Se você acompanha as novidades do NetBeans, já deve ter notado que a versão 5.5 oferece a extensão Visual Web Pack, e que esta se parece muito com o IDE Sun Java Studio Creator 2. De fato, o Visual Web Pack essencialmente é o Java Studio Creator 2 existente, construído sobre uma dissidência (fork) da plataforma NetBeans, apenas sem suporte a web services e desenvolvimento portal, ainda.

Percorrendo o histórico e a evolução do desenvolvimento dos IDE NetBeans e Sun Java Studio Creator, o artigo mostra que o Java Studio Creator 1 era uma bifurcação (com quebra de compatibilidade) do NetBeans 3.5.1, desenvolvida separadamente para adicionar e adaptar recursos funcionais e interativos. Partiu do IDE para desenvolvedores com conhecimentos avançados em Java — que era o NetBeans — para construir um IDE mais fácil e amigável, voltado para os desenvolvedores web iniciantes no mundo Java, especialmente desenvolvedores VB/ASP migrando para Java.

O novo IDE tinha aparência e comportamento familiares ao que os desenvolvedores VB/ASP encontravam no Microsoft Visual Studio, adicionando importantes recursos que não existiam no NetBeans 3.5.1: sistema de janelas acopláveis (dockable); paleta “arrastar-e-soltar” de componentes; painéis de navegação no projeto, de navegação no servidor e de estrutura do documento; ajuda dinâmica etc.

Aproveitando as evoluções do NetBeans 3.6 e 4.1, o Sun Java Studio Creator 2 partiu da base de código do NetBeans 4.1 e modificou menos de 5% para seu uso. Apesar das diferenças e incompatibilidades, o Java Studio Creator 2 era quase como o NetBeans 4.1 acrescido de módulos (plug-ins).

O IDE NetBeans 5.5 de hoje é muito mais versátil e fácil de usar que as versões anteriores, e inclusive tem recursos desejáveis que faltam ao Java Studio Creator 2, como suporte a Java SE 5 e 6. Então, perto de 90% dos recursos do Java Studio Creator 2 foi implementada/portada como o pacote adicional Visual Web Pack para o NetBeans 5.5, atualmente deixando de fora apenas o suporte a web services e ao desenvolvimento para portal. O time de engenheiros da Sun pretende resolver isto, de forma que os usuários do Java Studio Creator possam ter um caminho de migração 100% compatível para uma próxima versão (release) do Visual Web Pack.

Assim, é provável que no futuro não haja um Sun Java Studio Creator 3, mas sim uma incorporação total (merge) deste no Visual Web Pack do NetBeans IDE, tornando este uma ferramenta de desenvolvimento Java cada vez mais versátil, poderosa e abrangente.

Atualização: Realmente, o portal da informa que o próximo passo para o Java Studio Creator é o NetBeans 6.0, incorporando todos os recursos em um único IDE. Há inclusive artigo sobre o caminho de migração: Tips for Migrating Java Studio Creator 2 Update 1 Projects to NetBeans IDE 6.0 Preview (M9) (em inglês), Joe Silber, maio 2007.

Cada vez mais, o NetBeans se torna um ambiente de desenvolvimento IDE mais atrativo para o desenvolvedor Java iniciante, enquanto desenvolvedores mais avançados continuam preferindo se basear no poderoso software livre Eclipse ou nos ambientes comerciais, baseados neste último como IBM Rational Developer, Borland JBuilder, BEA Workshop e MyEclipse, ou independentes como IltelliJ IDEA e Oracle JDeveloper.

Para saber mais:

Em 15 de dezembro, saiu a versão de produção do Oracle SQL Developer 1.1 (1.1.0.23.64), que pode ser obtido gratuitamente no portal de Tecnologia da Oracle (OTN). SQL Developer pode se conectar a qualquer banco de dados Oracle Server versão 9.2.0.1 (9i Release 2) e posterior. Escrito em Java, roda em Windows, Linux e Mac OS X.

Oracle SQL Developer é uma ferramenta gráfica gratuita de desenvolvimento para banco de dados Oracle. SQL Developer permite navegar por objetos da base de dados, executar comandos SQL e scripts SQL, editar e depurar instruções PL/SQL. Você pode também executar os relatórios fornecidos, ou criar e salvar os seus próprios. SQL Developer melhora produtividade e simplifica tarefas de desenvolvimento em banco de dados.

Para quem acha o Oracle SQL Developer muito pesado, uma alternativa de terceiros para Windows, igualmente gratuita, é o SQL Tools, uma ferramenta gráfica leve e robusta de desenvolvimento em banco de dados Oracle, desenvolvida por Aleksey Kochetov. Consiste em um poderoso editor de texto para código SQL e PL/SQL com coloração de sintaxe, console SQL para execução de DML e DDL, um navegador de objetos e diversos recursos utilitários.

Para saber mais:

O Tutorial Tomcat - Instalação e Configuração Básica, artigo mais popular em meu site pessoal e que agora completa três anos de existência, recebeu sua revisão nº 23. A principal atualização é no primeiro tópico “Instalar Java - JSE SDK (JDK)”, para contemplar o recém lançado Java SE 6.

E se você pudesse um dia acordar e pensar: “Hmmm, acho que vou aumentar meu salário hoje!” ? Bem, se você for um deputado ou senador do Brasil, você pode. Não só pode como aconteceu, anteontem mesmo.

Em um simples acordo, Congresso e Senado do Brasilei resolveram reajustar os salários dos parlamentares, dos atuais R$ 12,847,20, para R$ 24.500, um aumento de 91% que equipara aos salários dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). A decisão não foi em plenário, mas em uma simples reunião de líderes partidários liderada pelos presidentes da Câmara — Aldo Rebelo (PC do B-SP) — e do Senado — Renan Calheiros (PMDB-AL). Na reunião, foi derrotada proposta anterior de reajustar os salários “apenas” para R$ 16.500, que seria de acordo com a inflação acumulada desde o último reajuste (há 4 anos).

Tirando os deputados Henrique Fontana (PT-RS) e Chico Alencar (PSOL-RJ) e a senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), 20 deputados e 6 senadores votaram a favor na reunião de líderes. Lembre-se dos nomes dos parlamentares favoráveis ao decidir sobre seu voto em futuras eleições!

A farra salarial política não para por aí. Como deputados estaduais podem receber até 75% do salário de parlamentares federais, e os vereadores municipais, até 75% do salário do deputado estadual, o aumento é em cascata nos legislativos estaduais e municipais Brasil afora. Apenas dois dias após a decisão federal, 19 Assembléias estaduais já tinham confirmado a propagação do reajuste. E provavelmente as restantes seguirão breve, já que isso sim é uma questão de interesse urgente do legislativo em todo país.

Lembro que só estamos falando aqui dos salários. Já existem inúmeras e vultuosas verbas adicionais que complementam em muito os salários de parlamentares, como auxílio para ternos, moradia, veículos, viagens etc., salários de assessores e verba de gabinete. Isso sim que é “Bolsa Família”!

Justificativas para o aumento? Só com muito “óleo de peroba”, diz a senadora Heloísa Helena. Realmente, haja cara de pau para suprir a total ausência de bom senso, racionalidade e sensatez ante à realidade do Brasil, onde o salário mínimo acabou de ser reajustado para R$ 375. Ou seja, o novo salário dos parlamentares é mais de 65 vezes o salário mínimo atualizado. É… nem tudo que é legal é moral.

Não pense que os absurdos são apenas da política brasileira. Nos Estados Unidos, os parlamentares estão revoltados com a proposta de se aumentar a carga de trabalho de dois para 5 dias semanais. Realmente, um absurdo!

Agora, voltemos à nossa realidade.

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