Revisei meu artigo introdutório PMBOK e Gerenciamento de Projetos, que não sofria alteração desde a primeira revisão em 6 de maio de 2007.

Atualizei um diagrama, incluí a citação de outro (com o devido crédito ao seu autor Mauro Sotille) e fiz constar a nova Quarta Edição do Guia PMBOK. Detalhes a seguir.

Diagrama das Áreas de Conhecimento — A qualidade no centro

Quando concebi o diagrama que ilustra e interrelaciona as nove áreas de conhecimento abordadas pelo PMBOK, coloquei o Escopo no centro de um triângulo ladeado por Tempo, Custos e Qualidade. Minha crença até então era que o Escopo, ou seja, o que deve ser feito no projeto, era o elemento central que realmente interessava.

Hoje, transcorridos alguns anos e várias experiências em gerenciamento de projetos, vejo que o essencial é que todo projeto existe com um objetivo. Escopo é o que deve ser feito no projeto para atingir esse objetivo, mas não necessariamente se confunde com o objetivo em si.

Dependendo de restrições e condicionantes em fatores como disponibilidade de Prazo/Tempo, Orçamento/Custo, de Recursos Humanos e capacidade ou viabilidade de Aquisições, o Escopo pode ser afetado e negociado para se equilibrar com estes demais fatores, diminuindo ou mesmo aumentando, desde que o objetivo do projeto possa ser satisfatoriamente alcançado.

E aí ocorre a palavra chave: satisfatoriamente. A condição de satisfação do objetivo está essencialmente ligada à Qualidade.

A essência da qualidade pode ser entendida como o cumprimento satisfatório das necessidades e expectativas do patrocinador e demais partes interessadas, levando em consideração principalmente o balanceamento da chamada “restrição tripla” de escopo, tempo e custo do projeto.

Portanto, é a Qualidade que agora ocupa o centro da figura, pois ela em geral é decorrência do dimensionamento do triângulo Escopo – Tempo – Custos que a envolve, bem como dos insumos de RH e Aquisições, mantendo viáveis os níveis de risco e comunicações. Ou então há a situação recíproca: os requisitos de Qualidade necessários para a satisfação do objetivo do projeto determinam o dimensionamento dos outros fatores.

Os defensores da Qualidade Total e ISO 9000 também verão mais harmonia com “a qualidade no centro de tudo”.

Portanto, uma pequena mudança na figura, mas uma razoável evolução na compreensão e interpretação por trás dela.

Para saber mais:

Quarta Edição do Guia PMBOK

Em 31 de dezembro de 2008, o PMI lançou versões atualizadas de quatro de seus padrões globais, incluisive A Guide to the Project Management Body of Knowledge – PMBOK ® Guide — Fourth Edition. A versão em português brasileiro do Guia PMBOK 4ª Edição (Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos) foi publicada em outubro 2009 (o PDF já fora disponibilizado aos membros do PMI em junho).

Aproveito para resumir a seguir as principais diferenças da Terceira para a Quarta edições do PMBOK:

  1. Todos os nomes de processos agora estão no formato verbo-substantivo. Antes alguns nomes de processo seguiam este formato, como “Realizar o controle da qualidade”, enquanto outros usavam o substantivo da ação e foram padronizados, por exemplo: Planejamento da qualidade se tornou Planejar a qualidade, e assim por diante: “Controle” por “Controlar”, “Definição” por “Definir”, “Estimativa” por “Estimar” etc.
  2. O número de processos foi reduzido de 44 para 42. Dois processos foram excluídos, dois foram adicionados e seis foram reconfigurados em quatro processos na área de conhecimento em Gerenciamento das Aquisições do Projeto. A saber:
    • Eliminado 4.2 – Desenvolver a declaração do escopo preliminar do projeto, já que o termo de abertura do projeto contém vários dos objetivos preliminares e já que esses objetivos são elaborados na declaração de escopo.
    • O 4.7 – Encerrar o projeto foi renumerado e alterado para 4.6 – Encerrar o projeto ou fase.
    • 5.1 – Planejamento do escopo foi substituído por 5.1 – Coletar os requisitos.
    • 9.4 – Gerenciar a equipe do projeto mudou de um processo do grupo de Controle para o grupo de Execução.
    • Adicionado 10.1 – Identificar as partes interessadas.
    • 10.4 – Gerenciar as partes interessadas foi alterado para Gerenciar as expectativas das partes interessadas e passou do grupo de Controle para o de Execução.
    • 12.1 – Planejar compras e aquisições e 12.2 – Planejar contratações foram unificados como 12.1 – Planejar as aquisições.
    • 12.3 – Solicitar respostas de fornecedores e 12.4 – Selecionar fornecedores foram unificados como 12.2 – Realizar as aquisições.
  3. A fim de proporcionar maior clareza, uma distinção foi feita entre o plano de gerenciamento do projeto e os documentos do projeto usados para gerenciá-lo.
  4. Foi empregada uma abordagem padrão à discussão de fatores ambientais da empresa e de ativos de processos organizacionais.
  5. Foi empregada uma abordagem padrão à discussão de mudanças, ações preventivas e corretivas e reparos de defeitos.

Para saber mais:

Diagrama dos processos de gerenciamento de projeto

O artigo abordava resumidamente as nove áreas de conhecimento do PMBOK e os cinco grupos de processos do gerenciamento de projetos. Faltava porém fazer um breve visão geral dos processos em si, correlacionando-os com os grupos em que são organizados e com as respectivas áreas de conhecimento relativa a cada um.

Um diagrama do professor Mauro Afonso Sotille, da PM Tech Capacitação em Gerenciamento de Projetos, cumpre essa lacuna de forma simples, clara e brilhante. Assim, incluí a reprodução e referência de uma versão deste diagrama, já atualizada para a 4ª Edição do PMBOK. Muito obrigado e parabéns, caro Mauro!

Direitos autoriais e de uso

Contudo, termino este post com uma triste e indignada constatação de que os brasileiros na internet ainda não compreendem a seriedade e importância de respeito aos direitos autorais.

Há mais de 15 anos eu mantenho um web site onde escrevo e publico considerável volume de conteúdo, compartilhando conhecimento e informação com toda a internet.

Todo o material que crio em meu site e em meu blog está publicamente disponível, contudo, tanto no blog quando no rodapé de todos os artigos do site há uma simples e clara indicação dos direitos autorais e condições de uso:

© Márcio d’Ávila, mhavila.com.br, direitos reservados. O texto e código-fonte apresentados podem ser referenciados, distribuídos e utilizados, desde que expressamente citada esta fonte e o crédito do(s) autor(es).

A licença formal que escolhi para reger os direitos reservados é a simples e liberal Creative Commons BY-SA versão 2.5, cujos termos não são nada burocráticos, jurídicos ou incompreensíveis. Pelo contrário, são muito simples e claros em bom português:

Você tem a liberdade de:

  • Compartilhar — copiar, distribuir e transmitir a obra.
  • Remixar — criar obras derivadas.

Sob as seguintes condições:

  • Atribuição — Você deve creditar a obra da forma especificada pelo autor ou licenciante (mas não de maneira que sugira que estes concedem qualquer aval a você ou ao seu uso da obra).
  • Compartilhamento pela mesma licença — Se você alterar, transformar ou criar em cima desta obra, você poderá distribuir a obra resultante apenas sob a mesma licença, ou sob uma licença similar à presente.

E não é que ainda assim encontro na Internet reproduções de meus textos feitos com um descarado copiar-e-colar sem as duas coisas tão simples que peço: citar minha autoria e a referência à página original? Francamente!…

Só sobre este artigo, eis dois maus exemplos: