Há pouco tempo ouvi de um programador web que ele estava em um dilema quando foi demandado a construir uma aplicação com facilidades de usabilidade e, ao mesmo tempo, acessível a deficientes visuais.

Para o objetivo da boa usabilidade, o programador introduziu recursos baseados em Ajax de forma a tornar a interface mais dinâmica e interativa. Bibliotecas Javascript como Scriptaculous, Prototype e jQuery, e componentes de frameworks em Java, ASP.NET e PHP oferecem amplo uso de Ajax.

A técnica de Ajax é uma das principais engrenagens para RIA (Rich Internet Applications), as Aplicações Internet Ricas. Consiste basicamente em programar eventos Javascript na página web que disparam requisições HTTP assíncronas, que por sua vez retornam dados (em formato XML, JSON etc.) para atualizar dinamicamente a página (via seu modelo de objetos — o DOM). Isso oferece ao usuário respostas imediatas e sensíveis ao contexto da sua interação. Em suma, mais interatividade.

Mas ao utilizar Javascript modificando dinamicamente a interface e o conteúdo das páginas web, parte da aplicação ficou inacessível a pessoas com deficiência, principalmente aqueles que necessitam de um leitor de tela e os que não conseguem utilizar mouse.

O dilema então é: Usabilidade × acessibilidade podem conviver harmonicamente?

Um padrão emergente do W3C, Consórcio de Padronização da Web, visa trazer um solução para isto. É o Accessible Rich Internet Applications (WAI-ARIA), RIA Acessível. Atualmente o padrão está em versão preliminar (public working draft) WAI-ARIA 1.0 de 15 de dezembro de 2009.

O navegador Mozilla Firefox 3 provê suporte quase total a WAI-ARIA — as versões 1.5 e 2 já ofereciam algum suporte. Outros navegadores que oferecem suporte parcial ou planejam incluir suporte a WAI-ARIA incluem Internet Explorer 8, Opera e Apple Safari (Web Kit).

Para saber mais: