Anatomia de uma fraude

Reconhecer fraudes recebidas por e-mail e não ser enganado por elas, na maioria dos casos, é muito fácil. Em primeiro lugar, poderia citar algumas “regras de ouro” simples que ajudam sempre:

  • Não seja ingênuo! Desconfie, observe, avalie e critique o que você recebe por e-mail ou encontra na web.
  • Na dúvida, não clique! Pense duas vezes e tenha certeza antes de clicar em qualquer link que vê pela frente.

Mas você poderia me perguntar: Desconfiar de quê? Observar o quê?

Então, vamos pegar um exemplo prático e identificar algumas características essenciais que se aplicam à maioria das fraudes enviadas por correio eletrônico. A imagem apresentada aqui é a reprodução de uma das muitas fraudes que recebo por e-mail diariamente. Este exemplo recente (24 de julho) é de uma fraude que supostamente oferece fotos de orgia em uma “festa na FGV”.

Destaquei na reprodução da fraude alguns elementos principais. Veja:

  1. Antes de clicar, passe o ponteiro do mouse sobre o link e observe o endereço de destino, exibido na barra de estado do cliente de e-mail ou navegador web.
  2. Observe o endereço de destino; quase sempre ele aponta para domínios suspeitos e estranhos, sites de hospedagem gratuita/anônima, em países longínquos etc.
  3. Uma informação crucial: preste atenção no nome do arquivo ao final do link, principalmente a extensão após o último ponto, que determina o tipo do arquivo. Neste caso, é .cmd. EXE, COM, SCR, CMD, BAT, PIF, CPL, VBS, MSI são extensões executáveis pelo sistema operacional Windows, o que significa que o arquivo trata-se de um programa, e não de imagem ou vídeo, como sugere a fraude. Este programa deve ser provavelmente um verme (causador de danos), um spyware (rouba-senhas), ou outro programa maléfico.
  4. Fique atento às divergências que muitas vezes o próprio texto mal-elaborado da fraude deixa como pista. A mensagem diz que o arquivo deve se chamar facul.zip, quando o link indica que é na verdade fotos.cmd.
  5. Por falar em texto mal elaborado, ortografia e gramática certamente não são o forte dos fraudadores. Erros de português são muito comuns em fraude e este exemplo não foi exceção: escreveram “poribido” ao invés de “Proibido”.

Pronto. Em poucos segundos, você consegue ver diversas pistas escancaradas que revelam que a mensagem se trata de uma fraude.

Vale saber que boa parte das fraudes que circulam no Brasil atualmente consiste em mensagens que inventam uma desculpa para atrair a curiosidade do ingênuo destinatário e fazê-lo clicar em um link, aceitar o download e executar um programa em Windows (se você usa Linux ou MacOS, você está a salvo destas ameaças). O exemplo apresentado é assim.

O que varia é o tema da mensagem de fraude: dívidas, traição, sexo, escândalo, promoção… sempre na esperança de algum desses temas atingir a atenção, curiosidade e ingenuidade de uma parte dos milhões de pessoas para as quais cada fraude é enviada.

Se você quiser ver mais centenas de exemplos de fraudes, organizados por grupos de tema, recomendo meu artigo Scam – A fraude inunda o correio eletrônico. Assuste-se ou divirta-se, mas, sempre: previna-se!

3 Replies to “Anatomia de uma fraude”

  1. Uma vez, uma pessoa do meu trabalho pegou uns virus ai… as pessoas chamam de spyware… na verdade por causa disto era para ele pagar uma pizza, mas acabou que ele enrolou e não pagou! esses spywares são um problema mesmo…

    []s

Deixe uma resposta