Ensaios


O software livre e de código aberto é uma grande realidade mundial e em pleno crescimento. Grandes e pequenas personalidades, entidades, projetos e empresas que suportam e adotam este modelo de desenvolvimento não faltam — Projeto GNU, Richard Stallman (stallman.org), Free Software Foundation, Open Source Initiative, SourceForge.net, Apache, Mozilla e tantos outros.

O conteúdo livre e colaborativo também tem sido uma tendência que se estabelece e se concretiza. Talvez baste citar o exemplo da Wikipédia e demais projetos da Wikimedia Foundation.

Liberdade é uma coisa séria. E não deve ser absoluta, pois a liberdade de um termina onde começa a liberdade do outro. Os direitos e deveres regulam as liberdades na vida em sociedade.

Seja em software, seja em conteúdo ou qualquer outra obra de criação intelectual — cultural, científica ou artística, fruto do conhecimento, da inspiração e da criatividade humanas — a liberdade deve ser praticada com a garantia e o respeito total a dois princípios fundamentais:

  • O direito autoral, ou direitos do autor, o crédito de autoria e a prerrogativa patrimonial ao(s) criador(es) de uma obra intelectual.
  • Os direitos de reprodução e distribuição, o copyright, que resulta na licença com a qual o titular do direito autoral permite colocar sua obra à disposição do público.

No caso do software de código aberto (open source), existem muitas licenças de distribuição e uso. O termo copyleft é freqüentemente usado para designar um método legal de tornar um programa em software livre e exigir que todas as versões modificadas e estendidas do programa também sejam software livre. Licenças mais comuns:

Para conteúdo intelectual em geral, como textos (ensaios, documentação, apostilas, apresentações), planilhas, ilustrações, imagens, vídeos, músicas, trilhas sonoras etc., estas são as licenças mais comuns:

No Brasil, a legislação também rege diversos aspectos do direito autoral e de software:

  • Lei 9.610/98, de 19 de fevereiro de 1998: lei dos direitos autorais.
  • Lei 9.609/98, também de 19 de fevereiro de 1998: proteção da propriedade intelectual de programa de computador.
  • Lei 9.279/96, 14 de maio de 1996: lei da propriedade industrial.

Para saber mais:

Criadores de software e de conteúdo que divulgam ou disponibilizam na Internet devem ter cuidado, critério e reflexão ao escolherem a licença de distribuição e uso de sua obra. Devem deixar claros os direitos, deveres e restrições que deseja determinar ao público usuário, oferecendo sua contribuição ao mundo colaborativo ao mesmo tempo que resguarde os seus interesses e objetivos pessoais.

Lembre-se que uma decisão mal tomada pode ser motivo de contrariedade e arrependimento depois. Cito como exemplo recente a controvérsia causada pela mudança de licença na popular biblioteca JavaScript ExtJS no lançamento da versão 2.1, em 21 de abril, da mais liberal LGPL para a GNU GPL v3. (Veja também: Licensing Overview; Licence change; GWT-Ext Forum; Sanjiv Jivan blog; Jack Slocum blog; Georgi Germany blog.)

Usuários de conteúdo público também precisam sempre respeitar os direitos do autor, bem como observar e cumprir os termos de licenciamento ao se beneficiar de uma obra intelectual disponibilizada ao público. Não seja leviano e não faça com os outros aquilo que não gostaria que fizessem com você.


Nota: Antes que alguém pergunte — todos os artigos deste blog são disponibilizados sob licença Creative Commons 2.5 BY-SA, conforme apresentado na página “Sobre”.

Atualizei hoje o artigo mais lido e comentado deste blog, sobre minha experiência com a configuração de roteamento do Roteador ADSL SpeedTouch 510v6 da Thomson.

Atualizei vários links úteis e destaquei alguns em negrito, mas o principal é o novo link para download do configurador, que mudou com a reformulação recente do portal da Thomson Brasil. As dezenas de comentários existentes também são complemento valioso para o artigo, verdadeiro fórum sobre o assunto. Aproveito para agradecer a ótima participação e as contribuições dos leitores.

Fico bem feliz em ver que um relato da configuração do aparelho ADSL, que resolvi postar no blog com ilustrações de tela em estilo passo-a-passo, acrescido de um apanhado de links, têm ajudado muita gente.

Desde os primórdios de 1991, a Internet tem sido para mim uma fonte espetacular de conhecimento, informação e recursos sobre todo tipo de coisa (mesmo que eu me interesse mais por assuntos de computação e tecnologia). Claro que há informação de todo tipo de qualidade e de credibilidade e é preciso exercitar muito o bom senso, a precaução e a crítica para se navegar na rede. Mas o saldo positivo ainda é enorme.

É por me beneficiar e ficar fascinado com esse fantástico universo de espírito colaborativo da Internet que, desde 1993, eu retribuo e contribuo para este universo o quanto posso. Comecei divulgando meus links favoritos, ainda na Universidade, depois na minha home-page pessoal na iNET. Dez anos depois, com meu próprio domínio em 2003 passei a produzir artigos e, em 2006, este blog.

Ainda vejo, porém, muita gente — principalmente no Brasil, infelizmente — que vê a internet como uma via de mão única, só com o “venha a nós” ou em termos geek, só no “download”. Pesquisam no Google como se a internet fosse um oráculo escravo com a obrigação de ter todas as respostas. Entram em fóruns, blogs etc. e exigem respostas urgentes para suas questões. (Não deve ser o seu caso, caro leitor, ou dificilmente você ainda estaria lendo até aqui.)

Esses ainda não entenderam o espírito. Não viram que boa parte do oceano da internet é composta de “gotas e poças” aqui e acolá (veja o exemplo maravilhoso da Wikipédia!), além, claro, dos muitos “rios” de informação tradicional. Não sei se essa atitude é por simples desconhecimento, por individualismo (egoísmo?), pelo triste espírito da Lei de Gerson (”bom é levar vantagem em tudo” — será isso uma característica folclórica difundida na sociedade do Brasil?), falta de tempo, preguiça, ceticismo, um pouco de cada… não importa.

Talvez muitos pensem que o dom do conhecimento é coisa para poucos originarem. Tipo “Mas eu não sei/tenho nada para contribuir.” Meu blog comprova uma realidade exatamente contrária. Os três artigos mais visitados, comentados e — portanto — úteis deste blog são em temas simples e nos quais eu tenho mínima experiência. Apenas resolvi compartilhar com os outros um pouco que precisei e consegui: Configurar um roteador ADSL; Exame teórico para renovar CNH; Montar um cubo-mágico de Rubik.

A internet tem o poder quase mágico de fazer florescer uma boa idéia ou opinião, por menor que seja. Bem… infelizmente também pode espalhar aos quatro ventos boatos, fraudes e outros malefícios… mas essa é uma outra história.

Com um simples blog, você pode falar o que pensa para o mundo. Você pode não concordar com parte ou nada do que digo, mas já foi muito válido conhecer meu ponto de vista lendo até aqui (muito obrigado). O importante é que você pensa também, e confesse: você tem lá suas opiniões.

Comece escrevendo um comentário aqui mesmo, continue no seu próprio blog — grátis em Blogger.com, WordPress.com etc. — e experimente essa verdadeira força multiplicativa da comunicação e expressão que levam ao conhecimento ou, no mínimo, a alguma diversão e entretenimento.

Termino o ano como um mensagem positiva àqueles que querem ter sucesso na carreira de tecnologia da informação (TI) e sistemas de informação.

A área profissional de TI ainda é um mercado rico em oportunidades, no Brasil e no mundo. Há falta de profissionais em Sistemas de Informação no Brasil. Porém, as oportunidades estão sobrando para os melhores, não para os medianos nem os medíocres.
A falta de pessoal qualificado no país faz multinacionais levarem centros de P&D para Índia e China, segundo Unicamp/USP/Unesp.

Desenvolva sua habilidades técnicas e pessoais. Invista no seu aperfeiçoamento constante, inclusive no domínio da língua inglesa — e se já tiver, considere também o espanhol. Esteja atento às exigências para profissionais em TI.

Mantenha-se atualizado quanto às tecnologias, tendências e ao mercado. Se você é mineiro, por exemplo, leia sobre o panorama das empresas de TI em Minas Gerais traçado pela Fumsoft/Softex. Ou talvez você almeje experiências fora do Brasil. Informação de graça na Internet não falta; bons livros, cursos e revistas também não.

Busque ser um profissional “em forma de Pi”, com conhecimento horizontal (superficial) generalista amplo, mas aprofundado verticalmente em mais de uma especialidade diferente, de preferência uma na área de TI e outra fora dela. O conhecimento multi-disciplinar, como aquele profissional que domina tecnologia da informação e conhece bem uma área de aplicação — legislação/direito, ou gestão/administração, ou finanças/economia, ou comércio/negócios, ou saúde/medicina, ou … — vale ouro!

Se já tiver uma experiência razoável na área técnica, desenvolva também habilidades gerenciais para atingir patameres de salários melhores. As nove áreas de conhecimento do PMI para Gerenciamento de Projetos são uma boa referência. Exerça a liderança e a gestão com pessoas, preocupe-se com resultados, objetivos, custos, prazos do seu cliente e/ou da sua empresa. Assuma e gerencie riscos.

Abrace e gerencie as mudanças e o novo. Trate a mudança como a regra, não como transtorno ou dificuldade.

Existe Futuro na carreira em Tecnologia de Informação. Se você é ou quer ser um ótimo profissional nessa área, invista em você e Feliz 2008!

Créditos: A maioria dos artigos citados neste texto foram dos ótimos blogs Mundo IT, por Yuri Gitahy de Oliveira; Tecnologia da Informação - Desenvolvimento e Educação, pelo prof. Cid R. Andrade; e GR Tips, por Luís Cláudio de S. Alberto.

Cada vez mais, vejo que os blogs estão se tornando um meio de divulgação de idéias, opiniões e notícias direto da fonte, ou seja, providas por qualquer um que seja o autor ou queira ser o difusor da informação em questão.

É claro que não se deve confiar em tudo que se vê e ouve por aí, ainda mais em um meio como a Internet que, de tão democrático, chega a ser anárquico. Mas nem por isso a Internet e em especial a blogosfera (o crescente universo de blogs) perdem o mérito de ser fonte potencial infinda de informação válida e útil, desde que se exercite sempre o bom senso e a crítica como moderadores.

Essa fonte tão “sem intermediários” parece estar incomodando meios de comunicação de massa mais tradicionais, em uma espécie de concorrência. A recente campanha publicitária do jornal Estado de São Paulo na Internet, Estadão.com.br, com o slogan “Por onde você tem clicado, hein?”, tem sido vista por muitos como uma espécie de campanha contra os blogs independentes.

A reação mais interessante que já vi a este marketing do Estadão foi do blog Mundo Tecno, que lançou a Campanha “Não compre jornal, preserve a natureza”.

Eu, como blogueiro que tenho sido há um ano, certamente vi que há muitas pessoas por aí que, como eu, tentam usar o recurso do blog como um meio efetivo de difusão de informação, a partir do pontos de vista pessoais de cada um. Assim como espero que meu blog seja lido e ganhe credibilidade e abrangência, também tenho descoberto muitos e muitos blogs bons que valem a pena ser lidos.

Para encerrar, vi em um blog um teste de “quão viciado em blogar você é?”. O meu resultado está abaixo. E basta clicar na figura para você fazer o seu também…

62%Quão Viciando em Blogging Você É?

Mingle2 - Dating Site

E reafirmo: Blog bom também é cultura.

Já ouviu falar em REST?

É o acrônimo para o termo em inglês Representational State Transfer, ou Transferência de Estado Representacional. O termo foi introduzido por Roy Thomas Fielding — um dos principais autores da especificação HTTP e autoridade em arquitetura de redes de computadores — no ano de 2000, em sua tese de doutorado (Ph.D.): Architectural Styles and the Design of Network-based Software Architectures, Universidade da Califórnia, Irvine, EUA. O capítulo 5 da tese versa sobre Representational State Transfer (REST).

De 2000 até agora, o conceito vem se difundido e se popularizando como um estilo de arquitetura de software moderno para sistemas hipermídia distribuídos, em especial as aplicações na World Wide Web (WWW, ou simplesmente web “para os íntimos”).

O conceito de REST e os sistemas RESTful (aderentes aos princípios de REST) refletem, em minha opinião, uma das muitas facetas do aumento da abstração e complexidade na arquitetura das aplicações via Internet.

Desde que a web surgiu no início da década de 1990 — criada por Tim Berners-Lee no CERN — até hoje, acompanhamos seu aumento de abrangência e complexidade. Surgiu como um meio simples e prático de disponibilização de conteúdo hipermídia na Internet.

Ao longo dos anos, por um lado o conteúdo da web se tornou mais rico e multimídia com a introdução de imagem, animações, áudio e vídeo etc. Por outro, sua interatividade cresce em ritmo acelerado, tornando a web um canal de interação, aplicações e serviços cada vez mais amplo.

As aplicações na web também deram os primeiros passos com o protocolo Common Gateway Interface (CGI) até chegarem à era atual dos Web Services (WS), da Arquitetura Orientada a Serviços (Service-Oriented Architecture - SOA) e seu uso nos sistemas de Gerenciamento de Processos de Negócio (Business Process Management - BPM).

Assim, a web deixa de ser a camada de mais alto nível de abstração na pilha das aplicações Internet (WWW → HTTP → TCP/IP). Acima dela se posicionam sistemas complexos que tem a web como “mera” base de infraestrutura. Neste topo entram princípios e mecanismos como REST, WS, SOA e AJAX, bem como os frameworks de aplicação web de alto nível — baseados em componentes — como Java EE (JSF → JSP → Servlets), Microsoft .NET Framework e o Zend Framework do PHP 5.

Isso me traz à mente a comparação com o que li tempos atrás. A constatação — que então me impressionou — de que os mecanismos de Mapeamento Objeto-Relacional e frameworks de persistência como o Hibernate estavam fazendo a linguagem SQL se tornar commodity, vista como uma camada de “baixo nível” na interação com bancos de dados. Concordo. Eis aí mais um exemplo do aumento no nível de abstração e complexidade dos sistemas.

Para saber mais:

REST em Java

Na proposição da plataforma Java EE 6, existe a nova especificação JSR 311 - JAX-RS: The JavaTM API for RESTful Web Services, Java Community Process (JCP), fevereiro 2007.

Veja também: RESTful @ Sun, putting it all together, por Alexis Moussine-Pouchkine, 2007-07-25; The REST of the Web (artigo), por Jason R. Briggs, 2005-04-27; e REST for Java (blog), por Shashank Tiwari, 2006-09-13; ambos em ONjava.com.

Implementações de Web Services RESTful em Java:

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