Depois de dois meses sem postar um artigo, um nerd experimentando a paternidade tinha que acabar criando um guia nerd sobre gravidez e bebês.

Gravidez

A primeira coisa sobre ter um filho é, obviamente, a concepção e a gravidez. Pode começar com o casal fazendo exames de rotina para se assegurarem que estão saudáveis e aptos a engravidar.

Para algumas mulheres chega a ser solicitado pelo ginecologista um exame chamado histerossalpingografia (HSG), que consiste em uma radiografia com contraste (em geral, iodo) da cavidade do útero (histero) e das trompas (salpingo). Além de diagnóstico, esta exame tem caráter profilático, pois o iodo usado no contraste também limpa a cavidade. Bom, não sou médico, então não vou falar muito do que não domino.

O importante de qualquer casal grávido ou “treinante” saber é que a contagem do período de gestação se dá a partir da data do início (primeiro dia) da última menstruação — e não a partir da data de efetiva concepção ou fecundação, como um desavisado poderia supor — e tem duração prevista de 40 semanas.

O período da gestação em meses é subjetivo. Normalmente, 40 semanas perfazem em torno de 9 meses efetivos (reais no calendário). Contudo, alguns definem um mês matematicamente como um período a cada 4 semanas (ou seja, 28 dias), o que daria 10 “meses” por esse critério. Como os meses efetivos tem quantidade de dias variada (28, 29, 30, 31), os médicos preferem a contagem em semanas que é fixa e precisa.

Outro ponto que costuma causar alguma confusão é que existe a informação de semanas completadas ou semana em curso. Por exemplo, a grávida que completou 20 semanas de gestação obviamente inicia (“entra”) a próxima, no caso, 21ª semana. Ou seja, dizer que completou X semanas ou tem X semanas completas é o mesmo que dizer que entrou ou está na (X+1)-ésima semana.

Existem várias calculadoras de gravidez disponíveis na internet, mas eu criei minha planilha Excel de tempo de gravidez (xlsx disponível para baixar aqui). Para utilizar, basta preencher a data do início da última menstruação, na célula indicada.

No mais, mamãe grávida: procure o seu ginecologista/obstetra e faça o acompanhamento Pré Natal durante toda a gestação.

Para saber mais:

Curso de gestante ou casal grávido

Em Belo Horizonte, temos alguns cursos gratuitos para a gestante ou para o casal grávido, como os seguintes:

São em geral cursos rápidos de 1 ou dois dias (à noite ou no fim de semana) com informações, orientações e cuidados sobre gravidez, parto, amamentação, recém nascidos. Não devem servir para ensinar em profundidade, mas servem pelo menos para esclarecer um pouco enquanto se está na expectativa do período de gravidez.

Enxoval do bebê e mala da maternidade

Depois, vem o enxoval do bebê (e da mamãe). Enquanto os futuros mamãe e papai curtem a gravidez, é bom irem preparando um enxoval para o bebê que vem aí. Esse enxoval, idealmente, deve estar pronto no mínimo um ou dois meses antes da data provável do parto (40 semanas), pois não raro o parto pode ser antecipado em algumas semanas.

Parte importante desse enxoval é o que vai ser levado para a maternidade. A mala da maternidade, essa sim, deve estar pronta com antecedência ideal de um a dois meses antes da data provável. Evite correria e estresse em um momento tão importante quanto o parto.

Mais uma vez, eu elaborei uma planilha de enxoval do bebê e da mamãe e publiquei no Scribd.com. Dividi os itens nas seguintes categorias:

  • Roupinhas
  • Colo e Proteção
  • Banho
  • Quarto
  • Passeio
  • Higiene
  • Consumíveis de Higiene
  • Alimentação
  • Maternidade
  • Mamãe

As quantidades de cada item podem variar muito, de acordo com fatores como clima, cultura, tradição e, claro, até preferências e escolha dos pais e pessoas próximas ao bebê. Por exemplo, em regiões frias, serão necessárias mais roupas quentes com manga e perna compridas, luva, touca, mantas quentes etc. Em uma região muito úmida, um aparelho umidificador é desnecessário, enquanto será essencial em uma região muito seca, para evitar problemas respiratórios.

Por isso, com base em uma compilação de diversas listas de enxoval (internet, lojas, livros) e de minhas próprias opiniões, para cada item incluí três colunas, com quantidades sugeridas ideal, mínima e para levar à maternidade. Os itens com alguma quantidade na coluna “Maternidade” ficam com sua linha destacada em cor distinta, para facilitar a visualização.

Cuidados com a mamãe e com o bebê

O bico dos seios

Para a mamãe, desde o oitavo mês até os primeiros 15 a 30 dias de lactação, é recomendado passar no bico dos seios (mas não nas aréolas) uma pomada à base de lanolina, como a americana Lansinoh HPA Lanolin ou a brasileira Lanidrat (Mantecorp; veja também o hotsite Ela Online). Durante a lactação, a pomada não precisa ser retirada para amamentar. Não passe a pomada nas aréolas em volta do bico, pois isso sim pode prejudicar a pega do bebê fazendo sua boca “derrapar”.

Durante todo o período de amamentação, é recomendável a mãe tomar sol diariamente alguns minutos — até as 10 da manhã ou após as 4 da tarde — no bico dos seios (proteja o restante dos seios com um pano), para prevenir feridas pela amamentação (dar maior resistência à pele) e acelerar cicatrização, se já feriu. Se não for possível tomar sol, pode-se usar por alguns minutos um secador de cabelo em potência média à distância de um braço esticado dos seios.

Quando o bico dos seios começar a ferir, cesse a pomada de lanolina e após cada mamada passe a utilizar a pomada Garmastan, que tem alto poder de cicatrização. Essa também deve ser aplicada apenas nos bicos e não precisa ser removida para amamentar.

É muito útil também utilizar durante todo o dia as conchas para seios (as da Chicco e da Avent Philips são ótimas). O bico do seio passa por um furo na base de silicone e fica sem contato com nada, afastado pela concha rígida de plástico, que ainda serve como receptáculo higiênico de gotas de leite que escorrerem. A concha deve ter furos de ventilação na parte superior. Para deitar, troque a concha por absorventes para seios. E a mamãe deve usar sutiã reforçado 24 horas por dia, para dar sustentação.

Assaduras

Existem dezenas de produtos (em creme ou gel) para prevenção e/ou tratamento de assaduras. Assadura ou Dermatite das Fraldas é uma inflamação cutânea comum em bebês, causada por uma reação ao contato prolongado com substâncias químicas e enzimas das fezes e da urina, aliado à umidade e ao acúmulo de calor.

As assaduras doem e o bebê chora incomodado.

Trocar falda com frequência ajuda a reduzir a incidência de assaduras. Mas o importante é a higienização cuidadosa em cada troca de fraldas, preferencialmente com chumaços de algodão umedecidos (em água mesmo), seguido do uso de um creme ou gel para prevenção e/ou tratamento de assaduras, aplicado generosamente na região abrangida pela fralda, especialmente no bumbum e dobrinhas nas partes genitais e proximidades.

Existem substâncias que servem para prevenir assaduras criando uma camada de proteção que lubrifique e “isole” a pele: lanolina, vaselina/Petrolatum, óleo de fígado de bacalhau (rico em vitaminas A e D), óleo de amêndoas, vitamina B5 (ácido pantotênico ou pantotenato), entre outros. E a principal substância que age no tratamento da assadura quando já há inflamação é o óxido de zinco.

Outras características relevantes de um creme ou gel contra assaduras são sua consistência, facilidade de aplicação e facilidade de posterior remoção na higienização.

Existem muitas marcas nacionais. Dentre as poucas que usamos, gostamos do gel transparente para prevenir assaduras Boni Baby Disney (Boniquet) e do creme Bepantol Baby (Bayer). Não gostamos muito do Hipoglós (P&G), que embora eficaz na prevenção e tratamento de assaduras, achamos difícil de limpar depois, mesmo na nova versão com óleo de amêndoas. Isso são só nossas opiniões particulares. E existem muitos outros produtos, que não tivemos oportunidade de usar.

Das marcas importadas, a mais famosa e que tivemos oportunidade de usar e adoramos é a A+D Original Ointment, em versão gel para prevenção (facílimo de aplicar e limpar, cria uma camada transparente) e creme para tratamento (com óxido de zinco, tem consitência mais firme, mas fácil de remover mesmo assim).

Vacinação da criança

A maioria das vacinas recomendadas pela SBP estão cobertas pelo Calendário Básico de Vacinação da Criança e, portanto, disponíveis nos postos de saúde da rede pública. Até o momento em que escrevo esse artigo, somente as vacinas de Varicela (catapora) e de Hepatite A, ambas com primeira dose no 12º mês, atualmente estão disponíveis apenas na rede privada.

As vacinas Pneumocócica 10-valente (conjugada) e Meningocócita C (conjugada) foram introduzidas no Calendário Básico em 2010.

[Atualização 2012-01-18] Em 2012, foram introduzidas as vacinas pólio inativada e pentavalente no Calendário Básico de Vacinação da Criança. A vacina injetável contra pólio, feita com vírus inativado, denominada Vacina Inativada Poliomielite (VIP), deverá ser utilizada na 1ª e 2ª doses, aos 2 e 4 meses de vida respectivamente. Na terceira dose aos 6 meses, no Reforço aos 15 meses e nas Campanhas Nacionais de Vacinação, continuará a ser utilizada a gotinha da Vacina Oral Poliomielite (VOP), com o vírus atenuado, conforme orientação da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS). A vacina pentavalente reúne em uma só dose a proteção contra cinco doenças: difteria/crupe, tétano e pertússis/coqueluche — DTP ou tríplice –, Haemophilus influenzae tipo B (HiB) e hepatite B. Até então, a imunização para estas doenças na rede pública era oferecida em duas vacinas separadas, a tetravalente (DTP + HiB) e Hepatite B. Veja como ficou o Calendário Básico de Vacinação da Criança.

Em até quatro anos, o Ministério da Saúde deverá transformar a pentavalente em heptavalente, com a inclusão das vacinas inativada poliomielite (VIP) e meningite C conjugada. Atualmente, a vacina Hexavalente disponível na rede particular engloba DTPa (difteria, tétano e coqueluche acelular, que promete ser menos sujeita a reações), HiB, hepatite B e VIP em uma única agulhada.

Converse com seu(a) pediatra e siga suas orientações e prescrições.

Nutrição e Crescimento

Esse é um assunto para pediatras e nutricionistas, mas vou deixar aqui alguns link úteis.

  • Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional – SISVAN do Ministério da Saúde, Governo do Brasil. Curvas de Crescimento da Organização Mundial da Saúde (OMS), Caderneta de Saúde da Criança (PDF, janeiro 2007).
  • The WHO Child Growth Standards (em inglês), Padrões da OMS para Crescimento de Crianças, Organização Mundial de Saúde (OMS). A OMS disponibiliza gratuitamente para download o WHO Anthro software, com interface em vários idiomas inclusive Português. Inclui três funcionalidades: Calculadora Antropométrica (dá Percentil e Escore Z de crescimento segundo os padrões da OMS, de acordo com sexo, idade, peso, comprimento/altura e perímetros informados da criança), Exame Individual (cadastro completo das visitas de exame pediátrico antropológico e motor da criança, permitindo visualizar gráficos de distribuição das medições dentro das curvas padrão de crescimento da OMS), Inquérito Nutricional.

Livros

Para a gravidez:

Para cuidar do bebê:

Internet

Existe muita referência na internet, tanto sobre gravidez quanto sobre cuidados com bebê, desde o recém nascido até os primeiros anos de vida. Dê preferência aos portais conceituados, mantidos por uma equipe técnica capacitada. Cuidado com informações leigas, imprecisas, divergentes. Na dúvida, a grávida deve procurar seu(sua) obstetra e a mamãe ou o papai devem procurar o(a) pediatra do bebê.

Alguns portais de referência no Brasil:

Blogs de Pediatria e sobre Bebês:

Métodos para bebê acalmar e dormir

Diversos pesquisadores e autores (em geral, pediatras ou enfermeiras) estudam e desenvolvem métodos e técnicas para bebês ficarem calmos e dormirem melhor. Não vou advogar em favor de nenhum método, mas vou listar aqui alguns dos mais conhecidos.

O bebê mais feliz do pedaço (The happiest baby on the block)

Dr. Harvey Karp, Pediatra americano. Método dos 5 S para acalmar um bebê até três meses: Swaddling (embrulhar o bebê), Side/Stomach (posicionar de lado), Shushing (fazer som de shhhh), swinging (balançar) e Sucking (sugar).

A encantadora de bebês (The baby whisperer)

Tracy Hogg, Enfermeira inglesa. Métodos E.A.S.Y.: Eat (comer), Activity (atividade), Sleep (dormir), You (tempo para você) e S.L.O.W.: Stop (pare), Listen (ouça), Observe (observe), What’s up? (o que está acontecendo?).

Ferberização

Dr. Richard Ferber, Pediatra americano, diretor do Centro Pediátrico para Desordens do Sono no Children’s Hospital em Boston. Método de Ferber ou Ferberização, para ensinar o bebê a dormir sozinho.

Nana nenê

Gary Ezzo e Robert Buckman. Método Nana Nenê.

Linguagem do Bebê

Priscilla Dunstan, Musicista australiana. Estudo sobre cinco tipos de choro do bebê: fome (“né”), sono (“au”, boca oval), desconforto (“heh”), arroto (“ê), cólica (“ear”, sofrido).