outubro 2009


À zero hora deste domingo dia 18 de outubro começa o Horário de Verão 2009/2010 no Brasil.

O Horário de Verão (em inglês Daylight Saving Time – DST) é um recurso utilizado por dezenas de países, consistindo em alterar os relógios (em geral adiantando em 1 hora) durante o período do verão, para aproveitar por mais tempo a luz natural do sol e assim economizar energia.

Histórico

O histórico do horário de verão remete a origem da ideia a Benjamin Franklin, que em 1784 na França publicou uma carta anônima em um jornal sugerindo aos Parisienses que acordassem mais cedo para aproveitar a luz do sol e economizar energia de velas.

O moderno horário de verão com período definido é atribuído por várias fontes a William Willett, construtor Britânico e membro da Sociedade Astronômica Real da Inglaterra, que em 1907 deu início a uma campanha para adoção do horário de verão naquele pais. Mas a Wikipédia em inglês contesta essa informação e aponta o entomologista e astrônomo George Vernon Hudson, da Nova Zelândia, como o primeiro a propor o horário de verão moderno em um artigo de 1895 apresentado à Wellington Philosophical Society.

O horário de verão foi efetivamente introduzido pela primeira vez em 30 de abril 1916 na Alemanha, na Áustria-Hungria e, no mesmo ano, na Irlanda, como uma medida de economia após a Primeira Guerra Mundial, seguido depois por diversos países.

No Brasil

No Brasil, o horário de verão foi adotado pela primeira vez em 1931 em todo o território nacional, visando também à economia de energia elétrica, instituído pelo Decreto nº 20.466 de 01/10/1931. Após dois anos de experiência, a medida gerou oposição e foi revogada em 1933.

Em períodos subsequentes a hora ou horário de verão foi instituída e revogada — de 1949 a 1953 após a Segunda Guerra, de 1963 a 1968, motivado pelo efeito negativo das estiagens e a economia de energia hidroelétrica e suspenso durante a Ditadura Militar.

A hora de verão no Brasil voltou na presidência de José Sarney em 1985, com períodos definidos por Decreto a cada ano, inicialmente em todo o território nacional, mas depois passou a valer apenas em alguns estados (quais variando em sucessivos decretos).

Diferente de uma regra fixa de vigência do horário de verão modernamente adotada por diversos países, já que o ciclo solar é igualmente fixo e bem definido, no Brasil cada decreto desde 1985 arbitrava as datas anuais de início e fim, e pior, em geral com pouquíssima antecedência.

Essa variação constante e de “última hora” de datas e estados no Brasil causou muitos transtornos. A situação piora de forma crescente na era dos milhões e bilhões equipamentos eletrônicos e computadores com relógio interno e controle de horário, e ainda mais agravado no mundo da internet e das redes globais interconectando tudo! Veja por exemplo o artigo Horário de verão e a segurança dos computadores.

Finalmente o Decreto nº 6.558, DE 8 de setembro de 2008, no governo Lula, instituiu uma regra permanente para a Hora de Verão em parte do território nacional, mas como infelizmente muita coisa no Brasil — ainda mais na política — sempre tem algo para complicar, o decreto tem dois problemas:

  • Enquanto nos Estados Unidos as (raras) alterações de regra no horário de verão foram sempre publicadas com mais de um ano de antecedência, o Decreto de 2008 mais uma vez “sagrou” a falta de planejamento brasileira, sendo publicado pouco mais de um mês antes do início da vigência do horário de verão naquele ano.
  • No artigo primeiro que cria a regra fixa de datas de início e fim, o Decreto tem um parágrafo que cria uma exceção incrível: “No ano em que houver coincidência entre o domingo previsto para o término da hora de verão e o domingo de carnaval, o encerramento da hora de verão dar-se-á no domingo seguinte.” Depois tem gente que reclama quando dizem que no Brasil tudo acaba em samba (ou em pizza)…

Para saber mais:

Computadores com Windows: Um dos grandes impactos do horário de verão do Brasil é no ajuste dos milhões de computadores pessoais com o sistema pessoal Windows. Veja as seguintes informações e orientações a respeito:

Existem uns ícones no mundo da tecnologia que perduram por muito tempo de forma ilógica. Tendem mais a fenômenos culturais de comportamento, hábitos e costumes do que propriamente um curso natural de evolução tecnológica.

É incrível como o velho CD (Compact Disc) de áudio (estéreo simples e codificação PCM) ainda sobrevive ante tanta evolução — concretizada há anos — no campo do áudio digital, desde formatos voltados à alta compactação como MP3 a Ogg Vorbis, até os recursos de mais alta fidelidade estereofônica multicanais, como os padrões Dolby Digital, DTS, as mídias Super Audio CD (SACD), DVD-Audio, Blu-ray etc. etc.

Também é espantoso observar quanto tempo durou a agonizante persistência do arcaico e frágil disquete magnético de 1,44 MB, até finalmente atingir razoável obsolescência atual em prol da memória flash dos pen-drives e cartões de memória (SD, MMC etc.).

HP 12c gold (por Wikipedia)

Mas pelo menos um “clássico” — originário da mesma década de 80 que os demais citados — persiste firme e forte até hoje: A calculadora financeira HP 12C, ainda presente sobre mesas de milhões de profissionais das áreas financeira e contábil.

A 12C (assim como outras calculadoras científicas da HP e de outros frabricantes) tem uma forma de entrar valores e executar operações — que pode até ser muito lógica para a cabeça de um programador — totalmente anti-natural a qualquer ser humano regular. Suas operações são baseadas no cálculo pos-fixado, em que se entram primeiro os operadores (a tecle ENTER é usada para delimitar/separar cada valor) e depois se executa a operação.

Talvez seja o seu recurso de cálculo de juros campeão de audiência — operado pelos botões de comando n, i, PV, PMT, FV (número de períodos, índice, valor presente, pagamento/amortização, valor futuro). Talvez seja só mesmo um fenômeno cultural como falei. O fato é que a HP 12C continua por aí.

Para quem ainda cede aos encantos dessa calculadora, mas se recusa a comprar o engenho, talvez já bastem os emuladores existentes. Eis alguns:

E para mais informações:

O Gartner publicou em 12 de agosto de 2009 o relatório de análise Quadrante Mágico para Plataformas de Governança Corporativa, Risco e Conformidade (E-GRC), por French Caldwell, Tom Eid e Carsten Casper.

Os fornecedores OpenPages, BWise e Thomson Reuters se destacam no quadrante líder, onde também está a Oracle, com mais completude de visão porém menos habilidade de executar que os outros três. A MetricStream aparece no limiar de entrada no quadrante líder.

Fonte: Magic Quadrant for Enterprise Governance, Risk and Compliance Platforms, redistribuído por Oracle.

Para contextualizar e compreender este Quadrante Mágico, é Importante ressaltar os aspectos abordados nas seções iniciais do relatório — de introdução e de visão geral e definição/descrição do mercado:

Os líderes provaram funcionalidades em GRC nas quatro funções primárias do GRCM (GRC management: gerenciamento de GRC) — gerenciamento de auditoria, gerenciamento de conformidade, gerenciamento de riscos e gerenciamento de políticas (policy).

GRCM é definido como a automação do gerenciamento, medição, resolução e relatório de controles e riscos em relação ao objetivos, de acordo com regras, regulamentação, padrões e políticas.

Muitas corporações tipicamente consideram uma aplicação de GRCM para satisfazer um requerimento específico, como conformidade com Sarbanes-Oxley, uma regulamentação específica de seu segmento ou o gerenciamento do risco operacional para um processo de negócio. Entretanto, instituições frequentemente tem outras atividades de GRCM em mente, como gerenciamento de auditoria, regulamentação adicional, governança de TI, gerenciamento de resolução (remediation) e gerenciamento de políticas/normas (policy), o que eventualmente pode ser integrado a uma abordagem mais consolidada de EGRC.

“Governança”, “gerenciamento de riscos” e “conformidade” são termos gerais que podem ser aplicados a uma vasta faixa de produtos, iniciativas de TI e requisitos de negócio. Estes três termos tem muitos definições válidas entre a base de clientes do Gartner. As definições a seguir ilustram o relacionamento entre os três termos:

  • Governança — O processo pelo qual políticas/normas (policies) são definidas e a tomada de decisão é executada.
  • Gerenciamento de Riscos — O processo para tratar riscos com um balanceamento de mitigação através da aplicação de controles, transferência através de seguro e aceitação através de mecanismos de governança.
  • Conformidade — O processo de aderência às políticas/normas e decisões. Políticas/normas podem ser derivadas de diretivas internas, procedimentos e requisitos, ou de leis, regulamentação, padrões e acordos externos.

Para uma caracterização mais abrangente desse mercado, o relatório recomenda os artigos: “A Comparison Model for the GRC Marketplace, 2008 to 2010” (2008-07-01) e “The Enterprise Governance , Risk and Compliance Platform Defined” (2008-02-19).

Também aguardo pelo Quadrante Mágico do Gartner para 2009 atualizando o mercado de Gestão de Conteúdo Corporativo (ECM), que deve ser publicado a qualquer momento neste terceiro trimestre. O relatório anterior foi lançado em 23 de setembro de 2008.

O artigo que recomendo é de 11 de setembro, mas a tragédia que ele descreve não é a das torres gêmeas.

Fala da crise na relação entre empresas e seus fornecedores de serviços de desenvolvimento e manutenção de sistemas, que nunca foi muito harmonioso, mas parece estar chegando ao fundo do poço.

Leia o artigo No Fundo do Poço, por Paulo F. Vasconcellos (*), em seu blog Finito. Estou certo que, se você é profissional de TI/software — contratante ou fornecedor — o relato ilustrativo da crônica vai soar no mínimo plausível, quiçá familiar.

Acrescento a seguir minha reflexão sobre o tema.

Terceirização de TI é um caminho de fluxo intenso nas empresas. Já foi do desenvolvimento de software ao SaaS, da consultoria em infraestrutura ao cloud computing.

As motivações mais comuns são economia — de dinheiro, tempo, ou pessoal. Já as mais nobres incluem busca por flexibilidade, eficiência e até agregar valor ao negócio. Mas os resultados concretos muitas vezes são recheados de casos de problemas, frustrações e insucessos.

Para as empresas contratantes, creio que o mais importante é perceber que terceirização não é uma válvula de escape nem eliminação de um trabalho, mas sim a troca de um modelo de trabalho — baseado em produção interna — por outro — baseado em contratação.

Se por um lado libera a empresa da execução interna de uma série de atividades que passam a ser realizados por terceiros, por outro lado cria ou intensifica outras.

A terceirização exige que a empresa invista internamente na inteligência e análise de negócios, no estreitamento das relações da TI com as áreas demandantes e suas reais necessidades — o que costuma ser sintetizado pela expressão “alinhamento estratégico” — e na gestão de projetos e contratações.

O ambiente empresarial propício da contratante ainda suscita boa padronização e maturidade dos seus processos de trabalho (pelo menos das áreas que demandam a TI). E ao lidar com fornecedor, por mais “parceiro” que este seja, deve-se sempre seguir o princípio “confiar mas vigiar”.

Se na terceirização de TI, especialmente em software, não houver a devida preocupação e investimento da empresa contratante nestes aspectos que citei, essa troca corre o sério risco de não ser vantajosa, não colher a economia, a melhoria ou o produto esperados.

(*) Paulo F. Vasconcellos é consultor e palestrante com mais de 20 anos de experiência em projetos de tecnologia da informação, pioneiro na Formação de Analistas de Negócios (FAN).