julho 2008


Nos últimos anos, a Borland vem se especializando em produtos e soluções para gerenciamento de projetos e dos processos do ciclo de vida do desenvolvimento de software, e não mais nas ferramentas e ambientes (IDEs) de codificação em si. Passou a focar mais em produtos como o Together e StarTeam, em detrimento das antigas vedetes como Delphi e JBuilder.

Com esse foco, a Borland criou em 2006 a divisão CodeGear e migrou para essa marca suas linhas de produtos de IDE: C++ Builder, Delphi, JBuilder, InterBase. E colocou à venda essa divisão. No passado (1998) a Borland já tinha feito essa mesma jogada, na época com a marca Inprise, quando a empresa estava em uma maré baixa financeira e de mercado (estilo “dando tiro pra todo lado”).

Dessa vez porém a estratégia achou comprador. Em maio de 2008 a Embarcadero Technologies anunciou a aquisição da CodeGear, concluindo o processo de compra neste último 1º de julho.

A Embarcadero é conhecida por suas ferramentas de produtividade para projeto, desenvolvimento e gerenciamento de aplicações em bancos de dados (Oracle, SQL Server, DB2, Sybase, MySQL etc.), com produtos como ER/Studio, Rapid SQL, PowerSQL, DBArtisan.

O Borland Delphi, que já foi Inprise Delphi e CodeGear Delphi, agora deve se tornar Embarcadero Delphi. Na década de 90, o Delphi disputava com o Microsoft VisualBasic a liderança do mercado de ambientes de desenvolvimento rápido de aplicações (RAD) para Windows. O Delphi está na sua versão 2007, com variantes para Windows (Win32), .NET e PHP. Também faz parte da suíte RAD Studio, que integra Delphi Win32, Delphi .NET e C++ Builder.

O JBuilder também foi por vários anos um dos mais fortes IDEs para Java, competindo com IBM/Rational Studio e JetBrains IntelliJ IDEA. Sua plataforma base chegou a ser licenciada para a Oracle, que construiu a partir dela o IDE JDeveloper. Mas a Borland/CodeGear perdeu mecardo rapidamente nos últimos anos para Rational e IDEs livres como Eclipse e NetBeans. A partir do JBuilder 2007, a CodeGear decidiu abandonar sua plataforma proprietária, passando a adotar o Eclipse como base.

Para saber mais:

Passados alguns meses da aquisição da BEA Systems pela Oracle, começam a ser definidas as primeiras estratégias concretas para o futuro das linhas de produtos e tecnologias servidoras baseadas em Java EE, as famílias BEA WebLogic e AquaLogic e a pilha Oracle Fusion Middleware.

O anúncio da aquisição ocorreu em 16 de janeiro deste ano, mas o processo de aquisição só foi efetivamente completado em 29 de abril, quando ocorreu a aprovação pela Comissão Européia.

No post Blogging the Oracle Fusion Middleware Strategy Webcast, em 1º de julho no OTN TechBlog, Justin Kestelyn apresentou um resumo da apresentação do Presidente da Oracle Charles Phillips no Webcast sobre Oracle e BEA.

Para começar, todos os produtos BEA vão continuar sendo suportados sob os mesmos prazos divulgados pela BEA anteriormente à aquisição, e não haverá uma política de migração forçada. Esta abordagem é similar à dos ERPs Apps Unlimited one, que segundo Charles resultou em uma taxa de renovação/permanência de 96% daqueles produtos. O suporte existente para Fusion Middleware será estendido por mais um ano.

Alguns produtos são “Estratégicos” e serão imediatamente incorporados à pilha Fusion Middleware, como o conteiner JEE líder de mercado BEA WebLogic Server (OC4J vai continuar também, por enquanto). Alguns são “Continuar e Convergir”, que terão algum redesenho com gradual integração à pilha; deve ser o caso de TopLink/JPA, Coherence, SCA e outras tecnologias. E outros são produtos identificados pela própria BEA anteriormente à aquisição como “Manutenção” e terão suporte mantido por pelo menos quatro anos.

Mais alguns pontos resumidos por Justin Kestelyn (tradução livre):

O direcionamento técnico é para continuar modularizando o Servidor de Aplicação de acordo com o modelo OSGi (ver OSGi Alliance Specifications).

Ferramentas: JDeveloper vai continuar sendo o IDE estratégico da Oracle, mas o BEA Workshop baseado em Eclipse vai continuar disponível, e agora gratuito como o JDeveloper; eventualmente Workshop deve ser tornar parte do Oracle Eclipse Pack.

SOA: todos os componentes vão continuar hot-pluggable; a plataforma combinada oferece ferramentas, middleware, governança e componentes integrados. Oracle ESB e AquaLogic ESB convergirão para o novo Oracle Service Bus.

Governança SOA: AquaLogic Enterprise Rep se tornará o repositório de governança SOA da Oracle; Oracle Service Registry vai continuar como UDDI registry.

BPM: Oracle deve combinar o BPM em um único runtime baseado no modelo de metadados BPEL/BPMN.

Gerenciamento: Enterprise Management Packs serão estendido aos produtos BEA; BEA Guardian será integrado ao Oracle Enterprise Manager.

Esta charge é ótima! E o mais assustador: realista. 🙂

Não sei os créditos, mas encontrei outras duas referências à charge:

Mais um exemplo de fraude por e-mail, dessa vez na onda do processo eletrônico no Brasil.

A fraude se faz passar como originado do Ministério Público Federal, mas usa um endereço remetente (De) stradion.servicos@globo.com que nada tem a ver com o MPF.

Também manda baixar uma suposta “intimação”, mas aponta para um endereço destino ainda mais suspeito, em h1.ripway.com, igualmente nada relacionado com o Ministério Público Federal, cujo sítio real é em mpf.gov.br. Por sinal, no sítio real do MPF, um quadro em destaque no centro da página informa:

O MPF não envia e-mails. Se receber mensagem eletrônica com intimação ou divulgação de brasão, apague-a imediatamente.

Eis a imagem de reprodução da mensagem de fraude:

Ironicamente, o brasão exibido na mensagem de fraude é extraído do portal Denunciar.org.br – SaferNet Brasil, que oferece o serviço de Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos.

Para saber mais:

Aproveitando que falei do Eclipse 3.4 Ganymede há poucos dias, aproveito para atualizar outra dica.

Não deixe de adicionar ao Eclipse o pacote de plug-ins JBoss Tools, cuja versão atualizada 2.1.2 foi lançada dia 1º de julho. Os plug-ins são para quem desenvolve em Java EE web usando o servidor de aplicações JBoss AS e/ou frameworks da JBoss — Hibernate, Seam, RichFaces, Drools, jBPM.

Mesmo para quem não usa esses frameworks, o editor web visual RichFaces VE, com suporte gráfico a HTML, JSP e outros frameworks web, é complemento essencial ao Eclipse IDE, que ainda não oferece esse nível de sofisticação na edição web como parte do projeto nativo Eclipse Web Tools Platform (WTP).