março 2008


Tem muita coisa acontecendo no mundo Java. As novidades não param.

Na corrida dos melhores IDEs Java gratuitos, desde o meu artigo de Atualizações em IDEs Java gratuitos do dia 3, novidades nas comunidades Eclipse e NetBeans têm surgido em blogs e portais. Alguns links adicionais eu postei em um comentário do dia 19 naquele artigo: projeto EclipseLink escolhido pela Sun para JPA 2.0 RI (JSR 317); Equinox OSGi Runtime e o novo projeto top-level Eclipse RT (veja também o Equinox community portal); o anúncio do SpringSource Tools, cujo lançamento coincidiu com a entrada da SpringSource na Fundação Eclipse; e outras novas.

O suporte a Spring nas IDEs cresce tão rápido quanto os projetos em torno do próprio Framework, como a evolução do Spring MVC para Spring Web Flow, a incorporação do Acegi como Spring Security etc.

Surgiram artigos sobre o novo suporte a Spring no NetBeans 6.1: Extending the NetBeans IDE Spring Support, por Geertjan Wielenga em NetBeans DZone, 2008-03-24, parte 2 do artigo Hello Spring no blog de Geertjan, 2008-03-23.

Por falar em Spring, veja também os artigos Anotando beans no Spring 2.5, por Marcos Sousa, 2008-03-27; e Getting SessionFactory From EntityManagerFactory in Spring App context, por Rick Hightower, autor de vários livros sobre frameworks e ferramentas para Java, 2008-03-27.

Oportuno com o suporte melhorado a Ruby/JRuby no NetBeans 6.1, foi lançado também o novo Ruby Developer Center no portal Sun Developer Network (SDN), comentado em posts de Arun Gupta e Janice J. Heiss.

A discussão de IDEs contou recentemente com o Java IDE Day 2008 do JUG Genova, Itália, com apresentações sobre NetBeans 6.1, por Roman Strobl, JDeveloper 11g TP3, por Paolo Ramasso – Oracle, e IntelliJ IDEA, por Vaclav Pech.

Veja também os artigos New Options for Project Sharing no NetBeans, por James Branam, gerente do NetBeans Community Docs, 2008-03-27; e nb-6.1 Beta – Drag ‘n’ Drop Improvised – Part 5, em prOgramming bOnds, 2008-03-27.

A novidade mais eclética é que a Microsoft tem planos de colaborar com projetos da Fundação Eclipse, visando o suporte ao desenvolvimento de aplicações em Java integradas ao Windows Vista. Isto inclui o suporte ao Microsoft CardSpaces (Vista ID) no projeto Eclipse Higgins, e a colaboração com o time Eclipse Standard Widget Toolkit (SWT) para suporte a Windows Presentation Foundation (WPF) e aplicações Java com o look-and-feel do Vista. Se isso soa Primeiro de Abril antecipado :-), confirme a veracidade em diversos artigos: Eclipse na Microsoft, por Rodrigo Amorim, BR-Linux.org, 2008-03-23; Microsoft working with Eclipse – EclipseCon 2008, por Michael Coté, 2008-03-19; Microsoft working with Eclipse on Vista, ID links, por Paul Krill, InfoWorld, 2008-03-19; Microsoft wants to improve Eclipse, por Rick Hightower, 2008-02-21; Microsoft, Eclipse finally playing nice. What’s it mean for developers?, por Heather Havenstein, ComputerWorld, 2008-03-18; Microsoft’s Ramji Extends Olive Branch To Eclipse Users, por Charles Babcock, InformationWeek, 2008-03-19.

A série “Personalidades por trás da tecnologia” chega a sua segunda edição. Aqui vai:

Créditos: Agradeço as sugestões de Rafael Benevides e Marco Aurélio Mendes. Contribuições dos leitores são muito bem-vindas!

Com o lançamento do gerenciador de downloads e perfis Eclipse Pulse 2, da Genuitec em 21 de março, e atualizações de plug-ins do projeto EasyEclipse quanto ao suporte à distribuição Europa 3.3, atualizei meu artigo Monte seu Eclipse 3.3 (ou 3.2).

A seção de Plug-ins gratuitos foi amplamente revisada.

Finalmente, a Oracle expandiu a globalização do Oracle Technology Network (OTN), seu portal para usuários, profissionais e desenvolvedores nas tecnologias Oracle, para comunidades e idiomas além da língua inglesa.

Dia 19 foi lançada a OTN América Latina, com conteúdo em Português e em Espanhol.

É claro que a maior parte do conteúdo ainda está concentrada no portal matriz em inglês, otn.oracle.com. Também são em inglês os principais blogs de funcionários e parceiros Oracle — até o java2go.blogspot.com, do brasileiros Eduardo Rodrigues e Fábio Souza, consultores técnicos da Oracle Brasil.

Mas é uma grande iniciativa a criação de conteúdo técnico Oracle em português.

A era dos blogs trouxe certa democratização à comunicação. Um aspecto interessante disso é que para diversas tecnologias, produtos, projetos de software livre, especificações etc. é possível sorver direto da fonte a visão, as opiniões e as idéias de seus criadores, idealizadores, líderes, mentores e envagelistas, no blog pessoal da personalidade em questão.

A partir desse artigo, inicio a série “Personalidades por trás da tecnologia” enumerando tecnologias diversas e as respectivas personalidades por trás delas.

E você, caro(a) leitor(a), conhece o blog ou home-page de alguma personalidade por trás de uma tecnologia? Participe e dê sua contribuição…

Não é questão de fazer propaganda de outros blogs e portais, mas convenhamos. Tem — felizmente — muita gente boa escrevendo ideias e crônicas inteligentes na Internet, que valem a pena ler. Me darei por feliz se eu puder ser considerado parte desse grupo. Como eu já disse, Blog bom também é cultura.

Google Reader é meu jornal personalizado da hora — qualquer hora — onde muitos bons RSSes de blogs e portais de notícias dividem status de cronista. De vez em quando não resisto à empolgação com algo que acabei de ler e posto artigos citando minhas boas blogadas do dia — qualquer dia.

Hoje quero citar alguns blogs e portais de destaque em áreas de TI que considero quentes.

Carreira em TI:

Gestão de TI:

E para quem não resiste a se sujar na “lama” dos bits de tecnologia, aqui vão boas blogadas:

O colunista Luiz Queiroz, do portal Convergência Digital, tem postado uma série de artigos acompanhando a saga do Edital de Concorrência nº 001/2006 — tipo técnica e preço — da Caixa Econômica Federal para serviços de fábrica de software. O processo licitatório foi iniciado em outubro de 2006 e só agora em março de 2008 chega à abertura de propostas comerciais.

Cinco dos oito lotes tiveram seus vencedores apurados nessa terça-feira dia 3. A DBA Tecnologia da Informação, com sede no RJ e no mercado desde 1988, levou três dos cinco lotes.

Queiroz destaca o fato histórico da quebra da hegemonia de grandes empresas com sede em Brasília nos contratos da Caixa — atualmente, um dos maiores contratos “cativos” da empresa Politec. Preocupa-se inclusive com a reação dos sindicatos pela saída da Politec da CEF, já que provavelmente muitos funcionários alocados na fábrica de software perderão o emprego.

Outro fato importante é que os preços vencedores dos lotes apurados estão muito abaixo do previsto pela CEF, de acordo com referências previamente apuradas no mercado. A princípio parece ótimo: conseguiu-se a tão almejada economia no processo de licitação pública!

Mas analisado com atenção, o preço baixo demais também representa risco de prejuízos à administração pública cliente. Dominar altíssima eficiência e produtividade a baixo custo é algo raro. Preços muito baixos sugerem baixa remuneração, o que induz baixa qualidade e alta rotatividade de pessoal na empresa contratada. Isso pode gerar falhas, atrasos e até culminar na impossibilidade de efetiva execução e cumprimento dos serviços — situação que se resume no “palavrão” técnico inexeqüibilidade.

Rodrigo Figueiredo, que em seu blog citou artigo recente de Luiz Queiroz, se preocupou pessoalmente com a questão por trabalhar em uma empresa licitada para prestar serviço à CEF. Pela ótica do funcionário prestador de serviço, Rodrigo descreve bem o efeito prático que fundamenta os riscos:

Todos os itens já fechados atingiram um preço muito abaixo do previsto pela Caixa. O que leva a pensar numa relação simples, quanto menos dinheiro eu tenho, menos eu tenho para repassar, pagar funcionários e assim por diante. Então no final das contas podem haver ou vários cortes e contratação de mão de obra mais barata ou achatamento de salários.

O processo licitatório da CEF para essa aquisição de serviços de fábricas de software tem sido sofrido. Depois de questionamentos ao Edital original e intervenções do Tribunal de Contas da União (TCU), que embargou o processo licitatório em janeiro de 2007. Nova versão do Edital foi publicada em 23/04/2007, dando prosseguimento ao longo e demorado processo de julgamento dos documentos de habilitação e propostas técnicas.

O exemplo deste processo de licitação da CEF também deixa evidente o prejuízo da burocracia em gasto de esforço e tempo da administração pública para cumprir os ritos da concorrência, regidos pela Lei Federal nº 8.666 de 1993 (Lei das licitações e contratos da Administração Pública).

Não é à toa nem sem tempo que surgiu em janeiro de 2007 o Projeto de Lei 7.709 para tornar mais ágeis os instrumentos da Lei de Licitações. O PL teve aprovada em plenário a Redação Final do Relator, Dep. Márcio Reinaldo Moreira (PP-MG), na Câmara dos Deputados em 02/05/2007. Agora tramita no Senado Federal.

Dois mecanismos propostos pelo PL que teriam acelerado imensamente a licitação da CEF se já estivessem em vigor são a inversão de fases — avaliar as propostas de preços antes da habilitação técnica, que só seria julgada para a empresa vencedora e não para todas as concorrentes — e a redução de prazos para apresentação de recursos por empresas concorrentes, de cinco para apenas dois dias úteis.

Acompanhe os artigos de Luiz Queiroz sobre o tema:

Veja também: Caixa reabre concorrência para fábrica de software, 2007-04-23, TI Inside.

Elomar França, de Natal, RN, está fazendo em seu blog um trabalho super legal e útil de tradução dos tutoriais do portal HTML Dog para o português.

Em ritmo de um post por capítulo, na segunda quinzena de fevereiro ele traduziu o Tutorial Iniciante de HTML. E no início de março já veio todo o Tutorial Iniciante de CSS.

O portal HTML Dog ainda oferece mais quatro tutoriais, nos níveis Intermediário e Avançado para HTML e CSS, que Elomar promete traduzir. Parabéns pela iniciativa e pelo trabalho excelentes, Elomar!

Os três principais IDEs Java gratuitos que acompanho foram recentemente atualizados: os softwares livres NetBeans e Eclipse IDE, e o gratuito Oracle JDeveloper.

Em 7 de fevereiro saiu o NetBeans IDE 6.0.1, atualização da versão 6.0 que traz, além de diversas correções de bugs, a adição das localizações (traduções) oficiais finalizadas para Japonês, Chinês Simplificado e… Português do Brasil; o servidor de aplicação Java EE Glassfish incluso também foi atualizado do V2 para V2 Update Release 1 (UR1).

No dia 20 de fevereiro foi lançado o NetBeans 6.0.1 Patch1, incluindo correções em diversos módulos adicionais. Para quem instalou o pacote de distribuição do NetBeans 6.0.1, as atualizações do Patch1 podem ser baixadas pelo próprio Gerenciador de Plugins do IDE.

E para os early adopeters, desde 6 de março está disponível também o primeiro Beta do NetBeans IDE 6.1, próxima versão do ambiente de desenvolvimento livre Java (e C, e Ruby) patrocinado pela Sun. São destaques da nova versão duas demandas populares — suporte a Java Beans e gerador de CRUD JSF — e também suporte à edição de JavaScript (com auxílio semântico) e a Spring Framework, melhorias no desempenho (inicialização até 40% mais rápida) e no suporte a Ruby/JRuby, code completion para Javadoc, Compartilhamento de Projetos. Mais informações sobre as novidades planejadas para a versão 6.1 também estão detalhadas no wiki NB61 Milestones New and Noteworthy.

Em 22 de fevereiro saiu o Eclipse Europa 3.3.2, Winter Maintenance. Apenas uma atualização de ajuste, com diversas correções de bugs.

Oracle JDeveloper, a caminho da versão 11g final, teve a terceira versão preliminar lançada em 22 de dezembro de 2007, Oracle JDeveloper 11g Technology Preview 3. O IDE é parte da família de ferramentas de desenvolvimento Oracle Fusion Middleware 11g Developer, que inclui JDeveloper, SOA Suite e WebCenter.

[Atualizado em 15 de março de 2008.]

O advento do Ajax fez ressurgir nos últimos anos o interesse e a importância do JavaScript e do processamento dinâmico no lado cliente, algo que perdeu foco quando se firmaram o servidores de aplicação (Java EE, MS DotNET, PHP…) atraindo maior poder de processamento e desenvolvimento de tecnologias para o lado servidor (final dos anos 90). Já me referi ao tema em maio de 2007, no post Novo impulso ao JavaScript.

Primeiro, a linguagem JavaScript (padronizada como ECMAScript) passou a ser encarada de forma mais “séria”, não apenas mera linguagem de script para automação e interatividade secundárias, mas como uma linguagem de programação dinâmica e orientada-a-objeto (baseada em protótipos) para ambiente interpretado.

Desde que a fundação Mozilla tomou a dianteira da evolução do JavaScript (mecanismo Gecko 1.5 do Netscape 6 e Mozilla Firefox 1.0, correspondente ao ECMAScript Edição 3) por volta do ano 2000, a linguagem vêm evoluindo rapidamente rumo ao JavaScript 2.0 e ECMAScript 4ª Edição. Houve também grande crescimento no desenvolvimento e evolução de bibliotecas e frameworks JavaScript para ambiente web cliente.

Além da Coletânea de referências JavaScript Ajax que reuni desde junho 2007, destaco agora o trabalho de Kevin van Zonneveld, no projeto que ele denomina “Portando PHP para Javascript”. Desde o início de 2008, ele já escreveu em Javascript 113 funções originárias do PHP, trabalho disponibilizado como software livre na biblioteca PHP.js. [Nota: não confundir com phpjs, interpretador JavaScript em PHP.]


Em outra faceta, eficiência e desempenho na execução de Javascript pelos navegadores voltam a ser aspectos relevantes. Em seu artigo 37 JavaScript benchmarks (2008-02-13 no blog Pathfinder Agile Ajex), Brian Dillard destaca que benchmarks JavaScript ganharam grande visibilidade na era Ajax.

O mecanismo Gecko 1.9 integrante do Firefox 3 — atualmente em beta — vem trazendo grande melhoria no quesito desempenho. O artigo Firefox 3 Performance Gets a Boost, por Ryan Wagner, 2008-02-25, apresenta resultados do SunSpider JavaScript Benchmark em Windows, em que uma compilação diária recente do Firefox 3 (com otimização PGO) em desenvolvimento apresentou um tempo de execução perto de 10 vezes mais rápido que o Internet Explorer 7.0.

O artigo Firefox 3.0 Beta 4 – Benchmarked, 2008-03-11, no ZDNet blog Hardware 2.0, por Adrian Kingsley-Hughes, traz o gráfico a seguir com resultados do teste SunSpider até o Firefox 3 Beta 4; fala também do teste ACID 3, mais nova bateria de testes de conformidade do Web Standards Project’s Acid Tests, em que o FFB4 também tem o melhor desempenho no momento, com score 67%.

Firefox 3 beta 4 mais rápido no teste SunSpider

O Firefox 3 inclui muitas outras evoluções e melhorias neste e outros aspectos, como conformidade no teste Acid2 e outros recursos que prometem acirrar a guerra de browsers com Opera, Apple Safari e, claro, o Internet Explorer 8 em desenvolvimento.

Para uma visão detalhada dos recursos já concluídos e demais previstos na nova versão do navegador Mozilla, veja Firefox 3 Product Requirements Document (PRD) – Feature List and Status, parte do Firefox 3 – Gran Paradiso Planning Center, Mozilla Wiki.